Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Um amor diferente

Fandom: Não tem

Criado: 07/07/2026

Tags

RomanceFatias de VidaHistória DomésticaCenário CanônicoLinguagem Explícita
Índice

Tensões Sob o Sol de Verão

O vestiário masculino da escola técnica estava impregnado com o cheiro de desodorante barato e o vapor quente dos chuveiros. Cauã, com seus quase um metro e noventa, precisava se abaixar um pouco para enxergar seu reflexo no espelho manchado acima das pias. Ele passou a mão pelos cabelos lisos, jogando-os para trás, enquanto seus olhos verdes examinavam qualquer imperfeição que pudesse ter surgido após o treino de futsal.

A porta rangeu e André entrou, jogando a mochila de lado. André era o oposto físico de Cauã: baixo, com um corpo definido pelo crossfit e traços que denunciavam sua ascendência asiática nos olhos puxados, emoldurados por um cabelo loiro oxigenado que ele insistia em manter impecável.

— Belo jogo, Cauã — disse André, encostando-se no armário ao lado, a voz um pouco mais rouca do que o normal.

Cauã virou-se, a diferença de altura tornando a proximidade entre os dois quase elétrica. Ele sempre soube que havia algo ali, uma tensão que ia além da amizade ou da rivalidade esportiva. Cauã se identificava como "meio gay", ou talvez bissexual com uma forte preferência, mas nunca tinha colocado os rótulos à prova com alguém tão próximo quanto André.

— Você também não foi nada mal — respondeu Cauã, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal do menor. — Gostei de como você driblou o pessoal no final.

André engoliu em seco, os olhos subindo para encarar o verde intenso dos olhos de Cauã.

— Eu sou bom com as mãos também, se você quiser saber — provocou André, um sorriso ladino surgindo em seus lábios.

Antes que Cauã pudesse responder, a porta do corredor externo se abriu e um grupo de meninas passou conversando alto, suas vozes ecoando pelo pátio anexo. Monick, com seus cachos pretos volumosos e as sardas que pontilhavam seu rosto branco, liderava o caminho. Ela era impossível de ignorar, tanto pela altura quanto pelas curvas acentuadas que o uniforme escolar mal conseguia conter. Ao seu lado, Micaelly exibia sua beleza estonteante; negra, alta e com um sorriso que parecia iluminar o corredor, ela gesticulava enquanto falava.

— Eu estou dizendo, Monick, se o professor passar aquele trabalho de novo, eu desisto! — exclamou Micaelly, rindo.

Atrás delas, quase tentando desaparecer, estava Maria Luisa. Baixinha, magrela e com aquele estilo "emo" que envolvia lápis de olho pesado e franja cobrindo parte do rosto, ela apenas assentia, segurando seus cadernos contra o peito.

— Relaxa, Mica — disse Monick, parando perto da entrada do vestiário e lançando um olhar cúmplice para dentro, onde viu os dois rapazes. — Acho que os meninos estão ocupados com "táticas de jogo".

Cauã e André se afastaram rapidamente, disfarçando.

— Oi, Monick — cumprimentou Cauã, a voz recuperando o tom casual. — Oi, meninas.

— Oi, Cauã — respondeu Maria Luisa, a voz quase um sussurro, antes de ser puxada por Micaelly para continuarem andando.

Quando as vozes delas se distanciaram, o silêncio no vestiário tornou-se pesado novamente. André olhou para a porta e depois para Cauã.

— Minha casa está vazia — disse André, sem rodeios. — Meus pais foram viajar para o sítio.

Cauã sentiu um frio na barriga, uma mistura de antecipação e desejo que ele vinha suprimindo há meses.

— Então o que estamos esperando? — perguntou Cauã, pegando sua mochila.

O trajeto até a casa de André foi feito em um silêncio carregado. Quando finalmente entraram e a porta foi trancada, a hesitação desapareceu. Cauã jogou a mochila no chão e envolveu a cintura de André com seus braços fortes, puxando-o para um beijo urgente. André correspondeu com a mesma intensidade, suas mãos subindo para a nuca de Cauã, os dedos se perdendo nos fios lisos.

Eles subiram as escadas tropeçando um no outro, as roupas sendo descartadas pelo caminho. No quarto de André, sob a luz suave que entrava pela janela, o contraste entre os dois era ainda mais evidente. Cauã, imponente e musculoso, e André, compacto e definido.

— Você não tem ideia de quanto tempo eu quis isso — sussurrou André, enquanto Cauã o deitava na cama.

— Eu também — respondeu Cauã, sua voz vibrando no peito de André.

O que se seguiu foi uma descoberta mútua, lenta e intensa. Cauã era cuidadoso, mas a força de seu corpo impunha um ritmo que deixava André sem fôlego. Quando Cauã finalmente se revelou por completo, André soltou um suspiro de surpresa, seus olhos se arregalando levemente diante da anatomia impressionante do amigo.

— Caramba, Cauã... — murmurou André, passando a mão pelo abdômen do outro.

— Tudo bem? — perguntou Cauã, preocupado, mas com um brilho de confiança nos olhos verdes.

— Mais do que bem — respondeu André, puxando-o para baixo para mais um beijo.

O ato em si foi uma mistura de vigor e entrega. Cauã usava seu tamanho para dominar gentilmente, enquanto André se perdia nas sensações, suas pernas se entrelaçando nas costas largas de Cauã. O som da respiração ofegante preenchia o quarto, e cada toque parecia incendiar a pele. Era mais do que apenas sexo; era a liberação de uma tensão que ambos carregavam como um fardo e que agora se transformava em puro prazer.

Horas depois, o sol começava a se pôr, tingindo o quarto de laranja e roxo. Eles estavam deitados, cobertos apenas por um lençol fino.

— E agora? — perguntou André, quebrando o silêncio. — Como a gente fica na escola amanhã?

Cauã suspirou, passando o braço por baixo da cabeça de André e puxando-o para mais perto.

— A gente continua sendo a gente — disse Cauã. — Mas com um segredo só nosso.

— A Monick vai desconfiar — riu André. — Aquela garota tem radar para essas coisas.

— Deixa ela desconfiar — respondeu Cauã, fechando os olhos. — Desde que eu possa voltar aqui amanhã, ela pode pensar o que quiser.

No dia seguinte, a rotina da escola parecia a mesma, mas para Cauã e André, tudo havia mudado. No intervalo, eles se sentaram na mesa de costume com as meninas. Monick estava animada contando sobre uma festa que haveria no final de semana, enquanto Micaelly retocava o batom e Maria Luisa desenhava algo sombrio em seu caderno.

— Vocês dois estão muito quietos hoje — observou Monick, estreitando os olhos verdes para Cauã e depois para André. — Aconteceu alguma coisa no treino ontem?

Cauã trocou um olhar rápido com André. Um olhar que continha o brilho do que haviam compartilhado, a lembrança da pele suada e dos sussurros na penumbra.

— Nada demais, Monick — disse Cauã, abrindo um sorriso largo que raramente mostrava. — Só um jogo muito bom.

André deu um gole em seu suco, escondendo o sorriso atrás do copo.

— É — concordou André. — O melhor jogo da temporada.

Micaelly riu, sem perceber a subentendido, e Maria Luisa levantou os olhos por um segundo, captando a eletricidade no ar entre os dois rapazes antes de voltar ao seu desenho. Ela podia ser quieta, mas não era boba. O segredo deles estava seguro por enquanto, escondido sob a superfície daquela amizade, alimentando um fogo que nenhum dos dois pretendia apagar tão cedo.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic