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Ahyeon e James / enimes to lovers

Fandom: Cortis (kpop) babymonster (kpop)

Criado: 07/07/2026

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Entre Doces e Desafetos

O estúdio da YG Entertainment parecia menor do que o habitual naquela manhã de terça-feira. Talvez fosse a presença imponente de James, o líder do grupo Cortis, que parecia ocupar todo o oxigênio do ambiente com seu perfume amadeirado e aquele sorriso de canto que Ahyeon tanto detestava.

Ahyeon, a estrela em ascensão do BABYMONSTER, ajustou a saia de sua roupa de treino, tentando ignorar os olhos escuros que a seguiam por todo o espelho da sala de dança. Ela era a definição de perfeição: o cabelo impecável, as curvas acentuadas pelo esforço coreográfico e um talento que intimidava até os veteranos. Mas, diante de James, ela se sentia constantemente à beira de um colapso nervoso.

— Você está atrasada três minutos, Ahyeon-ah — James disse, encostado na barra de alongamento, cruzando os braços fortes que o figurino sem mangas fazia questão de destacar. — Onde está a pontualidade da "garota perfeita" da quarta geração?

Ahyeon respirou fundo, contando até dez. Ela amava doces, e o pensamento de um macaron de pistache era a única coisa que a impedia de arremessar seu tênis na direção daquele cabelo loiro perfeitamente bagunçado.

— O ensaio fotográfico do grupo demorou mais que o esperado, James — ela respondeu, a voz doce, mas carregada de veneno. — Nem todos temos o luxo de ficar encostados na parede esperando a vida passar. Temos um trabalho de colaboração para entregar. Vamos focar na música?

James deu uma risada baixa, desencostando-se da barra e caminhando em direção a ela. Ele era alto, e a proximidade física sempre fazia o coração de Ahyeon dar um salto traidor, que ela rapidamente atribuía à raiva.

— Claro, vamos focar — ele disse, inclinando-se para perto do ouvido dela. — Mas você parece tensa. Se errar o passo, eu vou ter que te carregar no colo durante a performance? Porque, sinceramente, eu não me importaria.

— Em seus sonhos, James — ela rebateu, empurrando-o levemente pelo peito. — Vamos começar a sequência do refrão.

A colaboração entre o Cortis e o BABYMONSTER era o assunto mais comentado do K-pop. James e Ahyeon haviam sido escolhidos para o "Special Stage", e a química visual entre os dois era inegável para o público. O que ninguém sabia era que, nos bastidores, a relação era uma guerra de egos e provocações.

James a amava. Ele a amava desde os tempos de trainee, quando a viu pela primeira vez em uma avaliação mensal. Mas James não sabia ser vulnerável. Para ele, irritar Ahyeon era a única forma de garantir que aqueles olhos intensos estivessem focados nele, e não em qualquer outro idol ou coreografia.

A música começou a tocar. O ritmo era envolvente, uma mistura de hip-hop com pop melódico. Eles começaram a se mover em sincronia, os corpos espelhando um ao outro. Ahyeon era técnica, precisa e graciosa. James era explosivo e magnético.

No meio da transição, James propositalmente mudou um ângulo, aproximando-se mais do que a coreografia pedia. Ahyeon teve que recuar bruscamente, tropeçando nos próprios pés. James, com reflexos rápidos, envolveu a cintura dela com o braço, puxando-a contra seu corpo.

— Cuidado, boneca — ele sussurrou, sentindo a respiração dela contra seu pescoço. — Se você se machucar, quem vai me dar bronca o dia todo?

— Me solta! — Ahyeon exclamou, embora seu rosto estivesse corado. — Você fez de propósito. Você mudou o passo!

— Eu achei que precisava de mais... paixão — James deu de ombros, soltando-a lentamente, mas deixando as mãos deslizarem pelos braços dela. — Você é muito técnica, Ahyeon. Falta um pouco de alma. Ou talvez você só esteja com medo de admitir que gosta quando eu chego perto.

— Eu não sinto nada além de irritação profunda por você — ela afirmou, ajeitando o cabelo com gestos bruscos. — Você é arrogante, barulhento e... e loiro demais!

James riu alto, um som genuíno que, por um segundo, desarmou a guarda de Ahyeon.

— "Loiro demais"? Essa é nova — ele caminhou até sua mochila e tirou uma pequena caixa de papel craft, estendendo-a para ela. — Toma. Para o seu açúcar no sangue não cair e você parar de delirar sobre a cor do meu cabelo.

Ahyeon olhou para a caixa com desconfiança. Ao abrir, encontrou dois donuts de morango com cobertura de chocolate branco, exatamente da doceria que ficava a três bairros de distância da empresa. A favorita dela.

— Como você sabia que eu queria esses? — perguntou ela, a voz perdendo um pouco da agressividade.

— Você mencionou em uma live há três meses que o recheio de morango dessa loja era o melhor da Coreia — James disse, fingindo desinteresse enquanto mexia no celular. — Eu estava passando por perto e comprei. Nada demais.

Ahyeon sentiu um calor estranho no peito. Ele se lembrava de um comentário aleatório feito em uma transmissão ao vivo de dez minutos? Ela tentou afastar o pensamento.

— Obrigada — ela murmurou, pegando um dos doces. — Mas isso não muda o fato de que você ainda é um idiota.

— Um idiota que conhece o seu paladar — ele piscou para ela. — Vamos, coma logo. Temos que terminar essa ponte da música. Se você não fizer aquele high note perfeito, eu vou dizer para os produtores que você passou o tempo todo comendo.

— Você não ousaria! — ela disse com a boca cheia, o que a deixou adorável aos olhos dele.

O ensaio continuou por mais duas horas. Entre uma provocação e outra, algo estava mudando. Ahyeon começou a notar como James trabalhava duro. Apesar de todas as piadas, ele sabia cada detalhe da música dela, cada tempo rítmico. Ele não era apenas um "rostinho bonito" com um corpo esculpido; ele era um artista dedicado.

Quando finalmente decidiram fazer uma pausa para o jantar, a sala estava mergulhada na luz alaranjada do pôr do sol que entrava pelas janelas altas.

— James? — chamou ela, sentada no chão, encostada no espelho.

— Hum? — ele respondeu, bebendo água, a garganta se movendo de uma forma que Ahyeon achou perigosamente atraente.

— Por que você faz isso? Por que me irrita tanto? — A pergunta saiu mais séria do que ela pretendia.

James parou de beber e olhou para ela. Por um momento, a máscara de provocador caiu. Ele viu a menina exigente e perfeita à sua frente, e sentiu uma vontade avassaladora de dizer a verdade.

— Porque quando você está com raiva, você é a pessoa mais honesta do mundo — ele disse, aproximando-se e sentando-se ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa. — E porque é o único jeito de você me notar, Ahyeon. Você está sempre tão focada em ser a melhor, em ser impecável... Eu só queria que você visse que existe alguém aqui que gosta de você mesmo quando você erra.

Ahyeon ficou em silêncio. O coração dela, que ela sempre tentou manter sob controle rigoroso, começou a bater em um ritmo que nenhuma coreografia jamais exigiu. Ela olhou para as mãos de James, marcadas pelo esforço dos treinos, e depois para os olhos escuros dele, que agora brilhavam com uma vulnerabilidade que ela nunca tinha visto.

— Você é um chato — ela disse, mas desta vez não havia veneno na voz.

— Eu sei — ele sorriu de lado.

— E você ainda é meu inimigo.

— Com certeza — ele concordou, inclinando a cabeça para o lado.

— Mas... — Ahyeon hesitou, seu dedo traçando um padrão invisível no chão. — Talvez eu não te odeie tanto quanto eu digo que odeio.

James sentiu um triunfo maior do que qualquer prêmio de primeiro lugar em programas musicais. Ele estendeu a mão e, com uma coragem que não sabia que tinha, tocou uma mecha do cabelo de Ahyeon, colocando-a atrás da orelha dela.

— Isso é um progresso — ele sussurrou. — Quer dizer que eu posso te convidar para comer aqueles macarons de pistache amanhã depois do ensaio?

Ahyeon olhou para ele, surpresa.

— Como você sabe dos de pistache? Eu nunca falei deles em live.

James deu um sorriso vitorioso, levantando-se e estendendo a mão para ajudá-la a levantar.

— Eu vi você olhando para a vitrine daquela confeitaria na semana passada quando saímos do prédio da SBS. Você ficou parada por três segundos a mais do que o normal. Eu presto atenção, Ahyeon. Em tudo.

Ahyeon aceitou a mão dele. O toque era quente e firme. Ela percebeu, naquele momento, que sua resistência estava desmoronando. James era irritante, sim. Ele era seu rival, sim. Mas ele também era a única pessoa que parecia enxergar a garota por trás da idol perfeita.

— Tudo bem, James — ela disse, permitindo-se sorrir de verdade pela primeira vez naquele dia. — Mas se você se atrasar um minuto sequer, eu vou embora sem você.

— Eu estarei lá dez minutos antes — ele prometeu, puxando-a para um abraço rápido e inesperado que a deixou sem fôlego. — Agora vamos terminar essa música. Quero que o mundo veja o quanto somos perfeitos juntos.

Ahyeon não protestou contra o "juntos". Pela primeira vez, a ideia de estar ao lado de James não parecia um fardo, mas sim o começo de algo que nenhum roteiro de K-pop poderia prever. Ela ainda era exigente, e ele ainda era um provocador, mas entre doces e passos de dança, o ódio estava, lentamente, dando lugar a algo muito mais doce e perigoso.
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