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Entre sorrisos e silêncios
Fandom: A Vida Colorida de Hana
Criado: 07/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaFatias de VidaDor/ConfortoFofuraEstudo de PersonagemHistória Doméstica
Onde o Silêncio se Torna Refúgio
O som da chuva batendo contra o vidro da janela do quarto de Hana era o único ruído que preenchia o vazio entre as duas. O quarto, decorado com pôsteres de bandas de rock e prateleiras cheias de mangás, sempre fora o santuário de Hana, mas naquela noite, parecia ser o único lugar seguro em todo o mundo para Emi.
Emi estava sentada na beira da cama, os ombros encolhidos e os olhos fixos nos próprios joelhos. Seus dedos brincavam nervosamente com a barra da camiseta de Hana — uma peça de tamanho maior que ela havia emprestado para a amiga se trocar após o incidente. A maquiagem, antes impecável para o encontro que deveria ter sido perfeito, agora era apenas borrões escuros sob seus olhos inchados.
Hana estava de pé junto à escrivaninha, observando a amiga com uma mistura de fúria contida e uma dor que lhe apertava o peito. Ela queria sair dali, encontrar aquele idiota e garantir que ele nunca mais chegasse perto de Emi, mas sabia que, naquele momento, sua presença física e seu silêncio eram o que Emi mais precisava.
— Ele disse que eu era... — A voz de Emi falhou, um sussurro quebrado que parecia prestes a se desfazer no ar. — Ele disse na frente de todo mundo, Hana. Que eu era sem graça. Que ele só estava comigo por pena.
Hana fechou os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Ela respirou fundo, tentando controlar o sarcasmo que costumava ser sua armadura.
— Ele é um imbecil, Emi — disse Hana, a voz rouca, mas firme. — Um imbecil que não merece nem o oxigênio que gasta falando essas asneiras.
Emi levantou o rosto, uma lágrima solitária escorrendo pela bochecha.
— Mas eu acreditei nele. Eu achei que... que finalmente alguém tinha me visto.
Hana caminhou lentamente até a cama e sentou-se ao lado dela. O contraste entre as duas sempre fora evidente: Hana, com seu cabelo curto e bagunçado, roupas largas e um jeito endurecido pela vida; e Emi, a personificação da delicadeza, com sua doçura que parecia brilhar mesmo nos dias mais cinzentos.
— Eu vejo você, Emi — Hana disse, sua voz suavizando de uma forma que ela raramente permitia que os outros ouvissem. — Eu vejo você todos os dias. Desde aquele dia no parque, quando você caiu do balanço e eu tive que limpar o seu joelho porque você estava soluçando demais para conseguir enxergar o curativo.
Um pequeno e triste sorriso surgiu nos lábios de Emi ao lembrar da infância.
— Você me chamou de chorona.
— E você disse que eu era uma bruta — retrucou Hana, permitindo-se um leve arqueio de sobrancelha. — Mas eu não deixei ninguém rir de você, deixei?
— Não. Você assustou todos os meninos do bairro.
Hana estendeu a mão, hesitando por um segundo antes de colocá-la sobre a de Emi. O toque fez o coração de Hana disparar, uma reação que ela vinha tentando suprimir há anos. Desde os quinze, ela sabia que o que sentia por Emi não era apenas o instinto protetor de uma melhor amiga. Era algo mais profundo, algo que doía e a aquecia ao mesmo tempo, mas que ela guardava a sete chaves. Afinal, Emi sempre falava de garotos, de sonhos românticos de cinema, e Hana se convenceu de que nunca faria parte desse roteiro.
— Então por que você deixou aquele garoto tratar você daquele jeito? — perguntou Hana, voltando à seriedade. — Por que você aguentou os gritos e as humilhações dele por tanto tempo?
Emi baixou a cabeça, o peso da vergonha voltando a cair sobre seus ombros.
— Eu achei que era o que eu merecia. Eu sou tão... comum. E ele era popular, todo mundo gostava dele. Eu achei que se eu tentasse ser melhor, se eu fosse mais silenciosa, mais do jeito que ele queria, ele me amaria de verdade.
Hana sentiu uma onda de indignação percorrer seu corpo. Ela se aproximou mais, obrigando Emi a olhar para ela.
— Escuta aqui, Emi. Você não tem que ser "melhor" para ninguém. Você é a pessoa mais incrível que eu conheço. Você é gentil, você se preocupa com as pessoas até quando elas não merecem, e você tem uma força que nem imagina. Se ele não conseguiu ver isso, o problema é a cegueira dele, não a sua falta de valor.
— Você realmente acha isso? — perguntou Emi, os olhos brilhando com uma nova camada de lágrimas, desta vez não de tristeza, mas de uma esperança frágil.
— Eu não acho, eu tenho certeza — Hana respondeu, e o sarcasmo habitual deu lugar a uma sinceridade crua. — Eu passaria o resto da minha vida provando isso para você, se fosse preciso.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi um silêncio carregado de palavras não ditas, de anos de amizade que estavam sendo reavaliados em segundos. Emi olhou para Hana como se a visse pela primeira vez sob uma nova luz. Ela percebeu a intensidade no olhar de Hana, a forma como a mão dela, embora calejada e firme, a segurava com uma delicadeza extrema, como se Emi fosse feita de vidro soprado.
— Hana... — sussurrou Emi, inclinando o corpo ligeiramente para frente.
Hana sentiu o pânico começar a subir pela garganta. Ela tinha ido longe demais? Tinha deixado transparecer o que sentia? Ela tentou recuar, mas Emi não soltou sua mão.
— Por que você sempre faz isso? — perguntou Emi, a voz agora mais firme. — Por que você sempre me salva?
Hana tentou recuperar sua postura defensiva, desviando o olhar para um ponto qualquer na parede.
— Porque é o que melhores amigas fazem, não é? Além disso, se eu não cuidar de você, você acaba se metendo em confusão.
— Não é só isso — insistiu Emi, aproximando-se ainda mais, o perfume suave de lavanda que ela sempre usava invadindo os sentidos de Hana. — Ninguém me olha do jeito que você olha. Ninguém me faz sentir segura como você faz. Eu passei tanto tempo procurando por esse "amor" que os livros descrevem, tentando me encaixar no que os outros queriam... que eu esqueci de olhar para quem estava do meu lado o tempo todo.
O coração de Hana martelava contra as costelas. Ela sentia que o muro que construíra ao redor de seus sentimentos estava desmoronando, tijolo por tijolo.
— Emi, não diga coisas que você pode se arrepender amanhã só porque está vulnerável agora.
— Eu não estou confusa, Hana — disse Emi, e pela primeira vez naquela noite, não havia hesitação em sua voz. — Eu estou começando a entender. Pela primeira vez em meses, eu não sinto medo. Eu me sinto... em casa.
Emi estendeu a mão livre e tocou o rosto de Hana, traçando a linha do seu maxilar com o polegar. O toque foi como um choque elétrico para Hana, que fechou os olhos, entregando-se por um breve momento àquela sensação.
— Eu sempre tive medo de te perder — confessou Hana, a voz mal passando de um sopro. — Se eu te contasse... se eu deixasse você saber o quanto eu te amo, e você não sentisse o mesmo, eu perderia a única coisa que importa para mim.
Emi sorriu, um sorriso real que iluminou seu rosto cansado.
— Você nunca vai me perder, Hana. Você me segurou quando eu caí no parque, e me segurou hoje quando meu mundo desabou. Acho que está na hora de eu aprender a segurar você também.
Lentamente, como se pedisse permissão, Emi reduziu a distância final entre elas. Quando seus lábios finalmente se encontraram, não foi como nos filmes que Emi costumava assistir. Foi algo real, carregado de história, de dor superada e de uma promessa silenciosa de lealdade. O beijo foi calmo, um reconhecimento mútuo de que, apesar de todas as cores que a vida lhes apresentara, aquela — a cor do amor que nascia da amizade — era a mais vibrante de todas.
Quando se afastaram, Hana encostou sua testa na de Emi, respirando o mesmo ar. O sarcasmo tinha desaparecido completamente, deixando apenas a garota que, por trás da fachada séria, daria o mundo para ver aquele sorriso novamente.
— Você sabe que eu ainda vou ter que dar uma lição naquele idiota, não sabe? — murmurou Hana, tentando trazer um pouco de sua personalidade habitual de volta para disfarçar a timidez.
Emi soltou uma risada leve, a primeira da noite.
— Eu sei. Mas, por enquanto, apenas fique aqui. Comigo.
— Eu não vou a lugar nenhum — prometeu Hana, puxando Emi para um abraço apertado, onde o silêncio finalmente deixou de ser um peso para se tornar o refúgio perfeito.
Naquela noite, sob o som da chuva, as duas descobriram que o crescimento nem sempre vinha sem dor, mas que, quando se tem a mão certa para segurar, o caminho se torna muito mais fácil de seguir. A Vida Colorida de Hana não era mais composta apenas por tons de proteção e silêncio; agora, havia o brilho suave de uma nova descoberta, um amor que sempre estivera ali, esperando o momento certo para florescer entre sorrisos e silêncios.
Emi estava sentada na beira da cama, os ombros encolhidos e os olhos fixos nos próprios joelhos. Seus dedos brincavam nervosamente com a barra da camiseta de Hana — uma peça de tamanho maior que ela havia emprestado para a amiga se trocar após o incidente. A maquiagem, antes impecável para o encontro que deveria ter sido perfeito, agora era apenas borrões escuros sob seus olhos inchados.
Hana estava de pé junto à escrivaninha, observando a amiga com uma mistura de fúria contida e uma dor que lhe apertava o peito. Ela queria sair dali, encontrar aquele idiota e garantir que ele nunca mais chegasse perto de Emi, mas sabia que, naquele momento, sua presença física e seu silêncio eram o que Emi mais precisava.
— Ele disse que eu era... — A voz de Emi falhou, um sussurro quebrado que parecia prestes a se desfazer no ar. — Ele disse na frente de todo mundo, Hana. Que eu era sem graça. Que ele só estava comigo por pena.
Hana fechou os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Ela respirou fundo, tentando controlar o sarcasmo que costumava ser sua armadura.
— Ele é um imbecil, Emi — disse Hana, a voz rouca, mas firme. — Um imbecil que não merece nem o oxigênio que gasta falando essas asneiras.
Emi levantou o rosto, uma lágrima solitária escorrendo pela bochecha.
— Mas eu acreditei nele. Eu achei que... que finalmente alguém tinha me visto.
Hana caminhou lentamente até a cama e sentou-se ao lado dela. O contraste entre as duas sempre fora evidente: Hana, com seu cabelo curto e bagunçado, roupas largas e um jeito endurecido pela vida; e Emi, a personificação da delicadeza, com sua doçura que parecia brilhar mesmo nos dias mais cinzentos.
— Eu vejo você, Emi — Hana disse, sua voz suavizando de uma forma que ela raramente permitia que os outros ouvissem. — Eu vejo você todos os dias. Desde aquele dia no parque, quando você caiu do balanço e eu tive que limpar o seu joelho porque você estava soluçando demais para conseguir enxergar o curativo.
Um pequeno e triste sorriso surgiu nos lábios de Emi ao lembrar da infância.
— Você me chamou de chorona.
— E você disse que eu era uma bruta — retrucou Hana, permitindo-se um leve arqueio de sobrancelha. — Mas eu não deixei ninguém rir de você, deixei?
— Não. Você assustou todos os meninos do bairro.
Hana estendeu a mão, hesitando por um segundo antes de colocá-la sobre a de Emi. O toque fez o coração de Hana disparar, uma reação que ela vinha tentando suprimir há anos. Desde os quinze, ela sabia que o que sentia por Emi não era apenas o instinto protetor de uma melhor amiga. Era algo mais profundo, algo que doía e a aquecia ao mesmo tempo, mas que ela guardava a sete chaves. Afinal, Emi sempre falava de garotos, de sonhos românticos de cinema, e Hana se convenceu de que nunca faria parte desse roteiro.
— Então por que você deixou aquele garoto tratar você daquele jeito? — perguntou Hana, voltando à seriedade. — Por que você aguentou os gritos e as humilhações dele por tanto tempo?
Emi baixou a cabeça, o peso da vergonha voltando a cair sobre seus ombros.
— Eu achei que era o que eu merecia. Eu sou tão... comum. E ele era popular, todo mundo gostava dele. Eu achei que se eu tentasse ser melhor, se eu fosse mais silenciosa, mais do jeito que ele queria, ele me amaria de verdade.
Hana sentiu uma onda de indignação percorrer seu corpo. Ela se aproximou mais, obrigando Emi a olhar para ela.
— Escuta aqui, Emi. Você não tem que ser "melhor" para ninguém. Você é a pessoa mais incrível que eu conheço. Você é gentil, você se preocupa com as pessoas até quando elas não merecem, e você tem uma força que nem imagina. Se ele não conseguiu ver isso, o problema é a cegueira dele, não a sua falta de valor.
— Você realmente acha isso? — perguntou Emi, os olhos brilhando com uma nova camada de lágrimas, desta vez não de tristeza, mas de uma esperança frágil.
— Eu não acho, eu tenho certeza — Hana respondeu, e o sarcasmo habitual deu lugar a uma sinceridade crua. — Eu passaria o resto da minha vida provando isso para você, se fosse preciso.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi um silêncio carregado de palavras não ditas, de anos de amizade que estavam sendo reavaliados em segundos. Emi olhou para Hana como se a visse pela primeira vez sob uma nova luz. Ela percebeu a intensidade no olhar de Hana, a forma como a mão dela, embora calejada e firme, a segurava com uma delicadeza extrema, como se Emi fosse feita de vidro soprado.
— Hana... — sussurrou Emi, inclinando o corpo ligeiramente para frente.
Hana sentiu o pânico começar a subir pela garganta. Ela tinha ido longe demais? Tinha deixado transparecer o que sentia? Ela tentou recuar, mas Emi não soltou sua mão.
— Por que você sempre faz isso? — perguntou Emi, a voz agora mais firme. — Por que você sempre me salva?
Hana tentou recuperar sua postura defensiva, desviando o olhar para um ponto qualquer na parede.
— Porque é o que melhores amigas fazem, não é? Além disso, se eu não cuidar de você, você acaba se metendo em confusão.
— Não é só isso — insistiu Emi, aproximando-se ainda mais, o perfume suave de lavanda que ela sempre usava invadindo os sentidos de Hana. — Ninguém me olha do jeito que você olha. Ninguém me faz sentir segura como você faz. Eu passei tanto tempo procurando por esse "amor" que os livros descrevem, tentando me encaixar no que os outros queriam... que eu esqueci de olhar para quem estava do meu lado o tempo todo.
O coração de Hana martelava contra as costelas. Ela sentia que o muro que construíra ao redor de seus sentimentos estava desmoronando, tijolo por tijolo.
— Emi, não diga coisas que você pode se arrepender amanhã só porque está vulnerável agora.
— Eu não estou confusa, Hana — disse Emi, e pela primeira vez naquela noite, não havia hesitação em sua voz. — Eu estou começando a entender. Pela primeira vez em meses, eu não sinto medo. Eu me sinto... em casa.
Emi estendeu a mão livre e tocou o rosto de Hana, traçando a linha do seu maxilar com o polegar. O toque foi como um choque elétrico para Hana, que fechou os olhos, entregando-se por um breve momento àquela sensação.
— Eu sempre tive medo de te perder — confessou Hana, a voz mal passando de um sopro. — Se eu te contasse... se eu deixasse você saber o quanto eu te amo, e você não sentisse o mesmo, eu perderia a única coisa que importa para mim.
Emi sorriu, um sorriso real que iluminou seu rosto cansado.
— Você nunca vai me perder, Hana. Você me segurou quando eu caí no parque, e me segurou hoje quando meu mundo desabou. Acho que está na hora de eu aprender a segurar você também.
Lentamente, como se pedisse permissão, Emi reduziu a distância final entre elas. Quando seus lábios finalmente se encontraram, não foi como nos filmes que Emi costumava assistir. Foi algo real, carregado de história, de dor superada e de uma promessa silenciosa de lealdade. O beijo foi calmo, um reconhecimento mútuo de que, apesar de todas as cores que a vida lhes apresentara, aquela — a cor do amor que nascia da amizade — era a mais vibrante de todas.
Quando se afastaram, Hana encostou sua testa na de Emi, respirando o mesmo ar. O sarcasmo tinha desaparecido completamente, deixando apenas a garota que, por trás da fachada séria, daria o mundo para ver aquele sorriso novamente.
— Você sabe que eu ainda vou ter que dar uma lição naquele idiota, não sabe? — murmurou Hana, tentando trazer um pouco de sua personalidade habitual de volta para disfarçar a timidez.
Emi soltou uma risada leve, a primeira da noite.
— Eu sei. Mas, por enquanto, apenas fique aqui. Comigo.
— Eu não vou a lugar nenhum — prometeu Hana, puxando Emi para um abraço apertado, onde o silêncio finalmente deixou de ser um peso para se tornar o refúgio perfeito.
Naquela noite, sob o som da chuva, as duas descobriram que o crescimento nem sempre vinha sem dor, mas que, quando se tem a mão certa para segurar, o caminho se torna muito mais fácil de seguir. A Vida Colorida de Hana não era mais composta apenas por tons de proteção e silêncio; agora, havia o brilho suave de uma nova descoberta, um amor que sempre estivera ali, esperando o momento certo para florescer entre sorrisos e silêncios.
