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A descoberta...

Fandom: Herry Potter

Criado: 07/07/2026

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O Sangue que Nos Une e a Sombra que Nos Persegue

A grama aparada do jardim dos Granger nunca pareceu tão sufocante. O sol de fim de tarde banhava a rua suburbana com um brilho dourado e pacífico, um contraste violento com o turbilhão que consumia o peito de Hermione. Ela havia acabado de passar uma semana na Toca, cercada pelo riso de Ron, a proteção de Harry e o cheiro de torta de melaço da Sra. Weasley. Mas, ao cruzar o portão de ferro de sua própria casa, o ar esfriou.

Seus instintos, afiados por anos fugindo de trasgos, basiliscos e Comensais da Morte, gritaram. Parados na esquina, três homens vestindo ternos impecáveis, mas com olhos que carregavam a frieza do abismo, fingiam ler jornais trouxas. Hermione reconheceu a postura rígida de Antonin Dolohov sob o disfarce. O pânico subiu por sua garganta como bile.

— Mãe! Pai! — gritou ela, escancarando a porta da frente, a varinha já escondida na manga da blusa de lã.

Ela parou abruptamente no hall de entrada. O som de porcelana batendo levemente contra pires vinha da sala de estar. O cheiro de chá Earl Grey, o favorito de sua mãe, misturava-se a um odor metálico, quase imperceptível, de magia negra antiga.

— Hermione, querida! Que surpresa maravilhosa! — Sua mãe, Jean, levantou-se com um sorriso radiante. — Não esperávamos você até amanhã, mas veja, temos visitas. O Sr. Gaunt e o filho dele vieram tratar de alguns assuntos de genealogia.

Hermione sentiu o mundo girar. Sentado na poltrona de couro que pertencia ao seu pai, estava um homem que ela só tinha visto em memórias de uma penseira e em pesadelos terríveis. Ele não era a criatura serpentina e pálida que ressurgira no cemitério de Little Hangleton. Ele era Tom Riddle. A versão de trinta e poucos anos, com cabelos escuros perfeitamente alinhados, traços aristocráticos e olhos que, embora fingissem cordialidade, brilhavam com uma inteligência predatória.

Ao lado dele, no sofá, estava um jovem que era sua imagem cuspida, mas com uma aura ainda mais densa. Mattheo Riddle. O aluno que surgira do nada no último ano em Hogwarts, alegando ser um primo distante dos Malfoy. Ele era brilhante, superando as notas de Hermione em Defesa Contra as Artes das Trevas, e possuía uma beleza sombria que fazia as alunas do sétimo ano suspirarem, enquanto Hermione sentia apenas calafrios.

— É um prazer finalmente conhecer formalmente a famosa Hermione — disse Tom Riddle, sua voz era um barulho aveludado que escondia o som de ossos quebrando. Ele se levantou com uma elegância letal. — Seus pais foram anfitriões exemplares, senhorita... Granger. Ou devo dizer, minha querida?

O estômago de Hermione deu um nó. Ela sabia. Ela sabia o que ele tinha descoberto. Semanas atrás, uma profecia antiga e um teste de linhagem de sangue proibido haviam revelado a verdade impossível: a "Sangue-Ruim" mais brilhante de sua geração era, na verdade, a filha perdida do Lorde das Trevas, fruto de um envolvimento de Voldemort com uma poderosa bruxa que ele mesmo descartara antes de sua primeira queda.

Mattheo, seu meio-irmão, filho de Bellatrix Lestrange com o Lorde, observava-a com um sorriso de escárnio. Ele se levantou, caminhando em direção a ela com a confiança de quem possui o mundo.

— Você demorou, irmãzinha — sussurrou Mattheo, passando por ela para fechar a porta da frente com um clique sinistro. — Estávamos apenas explicando ao Sr. e Sra. Granger como a árvore genealógica deles é... incompleta.

— Não ouse — Hermione sibilou, a voz trêmula de fúria e medo. — Mãe, pai, por favor, vão para a cozinha. Eu preciso falar com esses... cavalheiros.

— Ora, Hermione, não seja rude — disse seu pai, sorrindo gentilmente, totalmente alheio ao fato de que estava a dois metros do bruxo mais perigoso de todos os tempos. — O Sr. Gaunt estava nos contando sobre a herança de família que você pode ter direito.

— É uma herança de sangue, Sr. Granger — interrompeu Tom, fixando seus olhos nos de Hermione. A Legilimens penetrou suas barreiras como uma faca quente na manteiga. — Um poder que ela não pode continuar negando.

Nesse momento, o som de passos rápidos ecoou na calçada. Hermione gelou. Harry. Ron. Eles estavam vindo buscá-la para a reunião da Ordem da Fênix. Se Harry entrasse ali e visse Voldemort, mesmo em sua forma humana, o massacre começaria. Seus pais morreriam no fogo cruzado em segundos.

A campainha tocou.

— Eu atendo! — Hermione quase saltou, mas a mão de Mattheo fechou-se em seu pulso. O aperto era de ferro.

— Deixe que eles entrem, Hermione — Mattheo murmurou no ouvido dela, o hálito frio contra sua pele. — Draco também está lá fora, sabia? Ele insistiu em vir. Parece que o nosso primo loiro tem uma obsessão pouco saudável por você.

Hermione puxou o braço com força e abriu a porta apenas uma fresta, deslizando para fora e fechando-a atrás de si, mas Tom Riddle apenas sorriu lá de dentro, permitindo a pequena ilusão de controle.

Harry e Ron estavam parados no degrau, Draco Malfoy logo atrás deles, parecendo desconfortável e pálido. Draco, que passara o último ano alternando entre insultos cruéis e olhares de desejo desesperado para Hermione, parecia saber exatamente quem estava lá dentro.

— Mione, o que houve? Você está pálida — Harry disse, a mão indo instintivamente para a varinha.

— Harry, escute bem — Hermione sussurrou, aproximando-se tanto que suas testas se tocaram. — Não saque a varinha. Não lute. Meus pais estão lá dentro. *Ele* está lá dentro.

— Quem? — perguntou Ron, confuso.

— O pai do Mattheo. Tom Riddle — ela disse o nome como se fosse um feitiço de morte.

Harry travou. Seus olhos verdes brilharam com um ódio puro, mas Hermione segurou seus ombros com força.

— Se você atacar, eles morrem. Por favor, Harry. Entre, sorria, e finja que somos apenas estudantes visitando uma amiga.

Eles entraram. A sala de estar dos Granger tornou-se o cenário mais surreal da história da magia. De um lado, Harry Potter, o Menino que Sobreviveu, sentado rigidamente com uma xícara de chá. Do outro, Lorde Voldemort, em sua aparência de Tom Riddle, discutindo literatura trouxa com a mãe de Hermione. Draco Malfoy encostou-se na lareira, seus olhos cinzentos fixos em Hermione com uma mistura de possessividade e culpa.

— O jantar será servido em breve — anunciou a Sra. Granger, radiante.

— Mione, podemos conversar? — Draco perguntou, sua voz falhando levemente.

Ela o olhou com nojo.

— Não tenho nada para falar com um traidor, Malfoy.

— Você não entende — ele sussurrou, aproximando-se enquanto os outros estavam distraídos. — Eu sabia quem você era antes dele contar. Eu tentei te proteger em Hogwarts, do meu jeito. Mattheo é instável, Hermione. Ele quer o seu lugar ao lado do pai.

— Eu não quero lugar nenhum ao lado de um monstro! — ela retrucou baixo.

— O sangue não mente, Hermione — a voz de Mattheo surgiu atrás dela, fazendo-a pular. — Você sente a magia negra borbulhando, não sente? Aquela vontade de esmagar quem é inferior? Você é uma Riddle. A Garota de Ouro da Grifinória é apenas uma máscara que está começando a rachar.

O jantar foi uma tortura de civilidade forçada. Tom Riddle agia como o patriarca perfeito, mas cada palavra que ele dirigia a Hermione era um lembrete de sua posse. Ele a observava como um colecionador observa uma joia rara que finalmente voltou para sua vitrine.

— Amanhã — disse Tom, levantando-se quando a noite caiu —, Hermione virá conosco para a Mansão Riddle. Há muito o que aprender sobre seus N.I.E.M.s... e sobre artes que Hogwarts não ensina mais.

— Ela não vai a lugar nenhum com você! — Harry explodiu, levantando-se.

Tom Riddle inclinou a cabeça, um brilho vermelho atravessando suas pupilas escuras por um milésimo de segundo.

— Sr. Potter, creio que o senhor esqueceu que está na casa de civis. Seria uma pena se um "acidente" acontecesse com esta bela residência.

Hermione colocou a mão sobre a de Harry.

— Eu vou — ela disse, a voz firme apesar do coração disparado. — Mas meus pais ficam sob a proteção da Ordem. E Harry e Ron saem daqui agora, ilesos.

— Mione, não! — Ron exclamou.

— É a única forma — ela olhou para os pais, que sorriam, alheios, sob um leve feitiço de confusão que Tom lançara discretamente.

Naquela noite, a vida de Hermione Granger mudou para sempre. Ela foi levada para a Mansão Riddle, um lugar de sombras e ecos de gritos antigos. Mattheo tornou-se sua sombra, um irmão que a odiava e a admirava em igual medida, desafiando-a em duelos que faziam as paredes tremerem. Draco Malfoy, agora um residente frequente, tentava ganhar seu perdão com livros raros e avisos sobre os planos de Voldemort, mas Hermione permanecia irredutível. Ela era uma infiltrada no coração das trevas.

Meses se passaram. O confronto final não aconteceu em um campo de batalha, mas através de uma fenda no tempo. Durante um duelo violento na Sala Precisa, quando Harry, Ron e Hermione tentavam destruir a última Horcrux, Mattheo e Draco interferiram. Um vira-tempo experimental, que Mattheo carregava, foi atingido por um feitiço de Draco que ricocheteou.

O mundo se dissolveu em prata e cinza.

Quando a poeira baixou, Hermione, Harry, Ron, Mattheo e Draco não estavam mais em 1998. Eles estavam no pátio de Hogwarts, mas as bandeiras eram diferentes. O ar cheirava a cera de vela e pergaminho novo.

— Onde estamos? — perguntou Ron, limpando o sangue do lábio.

— Quando estamos... — corrigiu Hermione, olhando para um grupo de alunos que passava.

Um jovem caminhava em direção a eles. Ele usava o emblema da Sonserina e o distintivo de Monitor-Chefe. O rosto era idêntico ao de Mattheo, mas os olhos carregavam uma fome de poder que ainda não fora saciada pelo tempo.

Era Tom Riddle. Em seu último ano em Hogwarts.

— Quem são vocês? — perguntou o jovem Tom, seus olhos parando em Hermione. Ele sentiu a conexão de sangue imediatamente, uma ressonância mágica que o deixou intrigado. — E por que sinto que vocês carregam o cheiro do futuro?

Mattheo deu um passo à frente, um sorriso maníaco nos lábios.

— Olá, papai. Você não faz ideia da confusão que a sua linhagem causou.

Hermione sentiu o peso da varinha em sua mão. Ela estava no passado, diante do homem que destruiria o mundo, tendo ao lado o irmão que a queria corromper, o inimigo que a amava e os amigos que morreriam por ela.

— Nós não podemos mudar o que ele se tornará — sussurrou Harry, preparando-se.

— Talvez não — disse Hermione, seus olhos encontrando os de Tom Riddle, o pai que ela nunca quis. — Mas eu sou uma Granger por criação e uma Riddle por sangue. E eu vou garantir que, desta vez, as sombras não vençam.

Tom Riddle deu um passo à frente, fascinado pela garota que o olhava sem medo, algo que ninguém jamais fizera.

— Você tem olhos curiosos, senhorita... — ele fez uma pausa, saboreando a magia dela. — Eu acho que vamos nos divertir muito este ano.

Draco Malfoy deu um passo para o lado de Hermione, sua varinha em riste, finalmente escolhendo um lado que não era o do medo.

— Fique longe dela, Riddle — rosnou Draco.

O jogo tinha mudado. O tempo era uma linha tênue, e Hermione Granger estava prestes a reescrever a história com o sangue de seus inimigos e a lealdade de seus amigos. O final não seria decidido por profecias, mas pela força de uma bruxa que aceitara suas sombras para poder finalmente trazer a luz.

Anos depois, nos registros históricos de Hogwarts, falaria-se de um grupo de estudantes misteriosos que apareceu no ano de 1944. Alguns diziam que eles eram anjos, outros, demônios. Mas Hermione sabia a verdade. Ela encontrou seu final feliz não na fuga, mas no confronto. Tom Riddle nunca se tornou Voldemort naquela linha temporal; ele foi contido, vigiado e, de certa forma, humanizado pela filha que ele nunca deveria ter tido.

Draco Malfoy provou seu valor, não com palavras, mas com o sacrifício de sua própria linhagem para protegê-la. E, embora o coração de Hermione sempre guardasse um lugar para a simplicidade de Ron, foi nos braços de um Draco redimido que ela encontrou a paz entre seus dois mundos. O sangue Riddle era poderoso, mas o amor que ela escolheu cultivar foi o que realmente definiu seu destino.
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