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A gordinha e a entidade
Fandom: The Jester: a morte sorri
Criado: 07/07/2026
Tags
RomanceSombrioPsicológicoSuspenseCrimeNoir GóticoCiúmesHistória DomésticaViolência GráficaDramaAngústiaDor/ConfortoHorror
Sob a Máscara da Devoção
O relógio de pêndulo na sala de estar da mansão batia as dez da noite, o som ecoando suavemente pelas paredes revestidas de veludo e obras de arte caríssimas. Clara estava encolhida no sofá de couro italiano, os dedos brincando com a barra da sua camisola de seda. Ela se sentia pequena naquele espaço vasto, uma sensação que frequentemente a visitava. Sendo uma mulher de curvas generosas e uma insegurança que parecia sussurrar em seu ouvido nos momentos de silêncio, ela ainda não entendia como Bill — o magnético, rico e impecável Bill — a olhava como se ela fosse a única joia verdadeira em um mundo de vidro barato.
A porta da frente se abriu com um clique suave. Bill entrou, a silhueta alta e imponente recortada contra as luzes do jardim. Ele vestia um terno sob medida que realçava seus ombros largos e sua altura quase intimidadora. Assim que seus olhos castanhos, que brilhavam com um tom avermelhado peculiar sob a luz certa, encontraram Clara, a expressão severa de cansaço desapareceu instantaneamente.
— Você ainda está acordada, meu anjo? — A voz dele era um barítono aveludado que sempre fazia os pelos da nuca de Clara se arrepiarem.
— Eu não consegui dormir sem você — confessou ela, a voz baixa, sentindo o rosto esquentar. Ela se levantou, caminhando timidamente até ele. — Eu sei que você é ocupado e que eu deveria ser mais independente, mas... eu senti sua falta.
Bill soltou a pasta de couro no chão, ignorando o objeto de grife como se fosse lixo, e envolveu a cintura de Clara com as mãos grandes e firmes. Ele a puxou para perto, colando seus corpos.
— Nunca peça desculpas por me querer por perto, Clara — murmurou ele, enterrando o rosto na curva do pescoço dela e aspirando o perfume de baunilha da sua pele. — Eu vivo por esses momentos. O mundo lá fora é um caos insignificante. Aqui, com você, é o único lugar onde eu realmente quero estar.
Ele a beijou com uma intensidade que sempre a surpreendia. Havia uma fome na maneira como Bill a tocava, uma possessividade que, para qualquer outra pessoa, poderia parecer alarmante, mas que para Clara era o bálsamo para suas inseguranças. Ele a amava. Ele a venerava.
O que Clara não sabia, e Bill pretendia manter assim pela eternidade, era o que acontecia quando ele cruzava o limiar daquela porta para o mundo exterior. Para ela, ele era Bill, o empresário de sucesso com um olhar intenso. Para o resto da cidade, ele era o Jester — uma entidade, um pesadelo vestido em trajes de bobo da corte, cujo sorriso pintado era a última coisa que muitos viam antes da escuridão definitiva.
— Você teve um dia ruim? — perguntou ela, acariciando os cabelos escuros dele enquanto subiam as escadas.
— Apenas negócios entediantes — mentiu ele com perfeição. Naquela tarde, como Jester, ele havia "brincado" com um homem que ousou olhar para Clara de forma desrespeitosa no café na semana passada. O homem não voltaria a olhar para ninguém. — Mas agora que estou com você, tudo está perfeito.
Ao entrarem no quarto, a timidez de Clara aflorou novamente sob a luz do abajur. Ela se sentou na borda da cama, desviando o olhar.
— Às vezes eu acho que você merecia alguém... sabe, mais elegante. Como a Jocelyn. Ela é tão segura de si, tão magra. Eu sinto que te atrapalho, ficando pendurada em você o tempo todo.
Bill se ajoelhou à frente dela, forçando-a a olhar em seus olhos. A intensidade ali era quase sobrenatural. Ele segurou as coxas fartas dela com uma pressão que beirava a marcação de território.
— Jocelyn é uma amiga, mas ela é comum — disse ele, a voz subindo um tom de autoridade. — Você, Clara, é absoluta. Eu não quero elegância fria. Eu quero o seu calor, a sua pele, a forma como você se entrega a mim. Você não me atrapalha. Você é o meu centro. Se eu pudesse, eu a trancaria neste quarto e nunca deixaria o sol tocar sua pele, apenas eu.
— Bill... — ela arquejou, o coração disparado.
Naquele momento, a Clara tímida que Jocelyn conhecia desapareceu. O fogo que ela guardava apenas para ele despertou. Ela o puxou pela gravata, selando seus lábios em um beijo urgente, faminto. Bill a ergueu como se ela não pesasse nada, deitando-a sobre os lençóis de cetim. Naquela penumbra, ele era o seu deus, e ela era a sua única religião.
***
Na manhã seguinte, após Bill sair para o que ele chamava de "reunião matinal", Clara decidiu ligar para Jocelyn. Elas se encontrariam em um pequeno parque perto da mansão.
— Você está brilhando, amiga — disse Jocelyn, sentando-se no banco de madeira. — O Bill realmente te trata como uma rainha, não é?
— Ele é maravilhoso, Jo — Clara sorriu, embora o brilho em seus olhos tivesse um toque de cansaço feliz. — Mas às vezes ele é tão... intenso. Ele não gosta muito quando eu saio sozinha. Ele diz que é por segurança, porque a cidade está perigosa com esses crimes estranhos que estão acontecendo.
Jocelyn estremeceu, olhando ao redor.
— Você ouviu sobre o caso de ontem? Dizem que foi aquele tal de Jester de novo. A polícia não tem pistas. É como se ele fosse um fantasma.
Clara sentiu um calafrio, mas o ignorou.
— Bill me protege. Eu me sinto segura com ele.
— Eu sei que ele te ama — Jocelyn comentou, observando a amiga —, mas não deixe que ele te absorva completamente, Clara. Você ainda precisa de espaço.
Clara apenas sorriu, sabendo que, no fundo, ela não queria espaço. Ela queria ser consumida por Bill, da mesma forma que ele parecia consumi-la com o olhar. O que ela não percebeu foi a figura alta, vestida com um traje de bobo da corte colorido e uma máscara inexpressiva, observando-as de trás de uma árvore centenária a poucos metros de distância.
Jester sentia a pulsação da cidade, o medo das pessoas, mas nada disso importava. Seus olhos, por trás da máscara, estavam fixos em Clara. Ele odiava quando ela se afastava, mesmo que fosse para conversar com Jocelyn. Ele sentia uma necessidade física de tocá-la, de garantir que ela ainda era sua.
Um grupo de adolescentes passou por perto, rindo alto e chutando uma lata. Um deles esbarrou acidentalmente no banco onde as mulheres estavam, fazendo Clara se sobressaltar.
— Ei, olha por onde anda, gracinha! — o garoto debochou, notando a insegurança de Clara.
Jocelyn ia responder, mas Clara apenas baixou a cabeça, o velho hábito de querer desaparecer voltando à tona. Os garotos continuaram andando, rindo da "gordinha tímida".
Atrás da árvore, a mandíbula de Jester se contraiu. O sorriso pintado em sua máscara parecia se tornar mais sinistro. Ele não permitiria. Ninguém insultava sua divindade.
***
Naquela noite, Bill voltou para casa mais tarde do que o normal. Clara estava na cozinha, preparando um chá para acalmar os nervos. O encontro no parque a deixara desconfortável.
Assim que ele entrou, ela correu para seus braços.
— Você demorou — murmurou ela contra o peito dele.
— Tive que resolver um pequeno problema — disse Bill, acariciando o cabelo dela. Suas mãos estavam impecavelmente limpas, apesar do que haviam feito meia hora atrás em um beco escuro. — Alguém te chateou hoje, meu amor? Eu sinto que você está inquieta.
— Não foi nada — mentiu ela. — Só uns garotos bobos no parque.
Bill parou de acariciar seu cabelo por um segundo, seus olhos brilhando com aquela luz avermelhada perigosa que ela nunca questionava.
— Eles nunca mais vão te incomodar — afirmou ele, com uma certeza absoluta que a confortou, sem que ela soubesse o motivo macabro por trás daquelas palavras.
— Você é tão bom para mim, Bill. Eu não sei o que faria se você não estivesse aqui para me proteger.
— Eu sempre estarei aqui, Clara — ele prometeu, levantando o queixo dela para que seus olhares se cruzassem. — Eu sou seu protetor, seu amante, seu tudo. E você é a única razão pela qual este mundo ainda não foi reduzido a cinzas.
Ele a pegou no colo, ignorando os protestos tímidos dela sobre ser "pesada demais". Para ele, ela era a perfeição encarnada, cada curva um território que ele havia conquistado e que defenderia com sangue — de preferência, o sangue dos outros.
Enquanto a levava para o quarto, Bill sentiu a satisfação de saber que, para o mundo, ele era o monstro que trazia a morte com um sorriso. Mas para Clara, ele era apenas o homem que a amava mais do que a si próprio. E ele manteria aquela máscara — a humana e a de porcelana — pelo tempo que fosse necessário para mantê-la ao seu lado, protegida na sua gaiola de ouro e obsessão.
— Eu te amo, Bill — sussurrou ela, escondendo o rosto em seu pescoço.
— Eu te venero, Clara — respondeu ele, a voz carregada de uma promessa eterna e sombria.
Lá fora, a lua iluminava a cidade aterrorizada pelo Jester, mas dentro daquela mansão, havia apenas o silêncio de um amor que era, ao mesmo tempo, a salvação e a perdição de ambos.
A porta da frente se abriu com um clique suave. Bill entrou, a silhueta alta e imponente recortada contra as luzes do jardim. Ele vestia um terno sob medida que realçava seus ombros largos e sua altura quase intimidadora. Assim que seus olhos castanhos, que brilhavam com um tom avermelhado peculiar sob a luz certa, encontraram Clara, a expressão severa de cansaço desapareceu instantaneamente.
— Você ainda está acordada, meu anjo? — A voz dele era um barítono aveludado que sempre fazia os pelos da nuca de Clara se arrepiarem.
— Eu não consegui dormir sem você — confessou ela, a voz baixa, sentindo o rosto esquentar. Ela se levantou, caminhando timidamente até ele. — Eu sei que você é ocupado e que eu deveria ser mais independente, mas... eu senti sua falta.
Bill soltou a pasta de couro no chão, ignorando o objeto de grife como se fosse lixo, e envolveu a cintura de Clara com as mãos grandes e firmes. Ele a puxou para perto, colando seus corpos.
— Nunca peça desculpas por me querer por perto, Clara — murmurou ele, enterrando o rosto na curva do pescoço dela e aspirando o perfume de baunilha da sua pele. — Eu vivo por esses momentos. O mundo lá fora é um caos insignificante. Aqui, com você, é o único lugar onde eu realmente quero estar.
Ele a beijou com uma intensidade que sempre a surpreendia. Havia uma fome na maneira como Bill a tocava, uma possessividade que, para qualquer outra pessoa, poderia parecer alarmante, mas que para Clara era o bálsamo para suas inseguranças. Ele a amava. Ele a venerava.
O que Clara não sabia, e Bill pretendia manter assim pela eternidade, era o que acontecia quando ele cruzava o limiar daquela porta para o mundo exterior. Para ela, ele era Bill, o empresário de sucesso com um olhar intenso. Para o resto da cidade, ele era o Jester — uma entidade, um pesadelo vestido em trajes de bobo da corte, cujo sorriso pintado era a última coisa que muitos viam antes da escuridão definitiva.
— Você teve um dia ruim? — perguntou ela, acariciando os cabelos escuros dele enquanto subiam as escadas.
— Apenas negócios entediantes — mentiu ele com perfeição. Naquela tarde, como Jester, ele havia "brincado" com um homem que ousou olhar para Clara de forma desrespeitosa no café na semana passada. O homem não voltaria a olhar para ninguém. — Mas agora que estou com você, tudo está perfeito.
Ao entrarem no quarto, a timidez de Clara aflorou novamente sob a luz do abajur. Ela se sentou na borda da cama, desviando o olhar.
— Às vezes eu acho que você merecia alguém... sabe, mais elegante. Como a Jocelyn. Ela é tão segura de si, tão magra. Eu sinto que te atrapalho, ficando pendurada em você o tempo todo.
Bill se ajoelhou à frente dela, forçando-a a olhar em seus olhos. A intensidade ali era quase sobrenatural. Ele segurou as coxas fartas dela com uma pressão que beirava a marcação de território.
— Jocelyn é uma amiga, mas ela é comum — disse ele, a voz subindo um tom de autoridade. — Você, Clara, é absoluta. Eu não quero elegância fria. Eu quero o seu calor, a sua pele, a forma como você se entrega a mim. Você não me atrapalha. Você é o meu centro. Se eu pudesse, eu a trancaria neste quarto e nunca deixaria o sol tocar sua pele, apenas eu.
— Bill... — ela arquejou, o coração disparado.
Naquele momento, a Clara tímida que Jocelyn conhecia desapareceu. O fogo que ela guardava apenas para ele despertou. Ela o puxou pela gravata, selando seus lábios em um beijo urgente, faminto. Bill a ergueu como se ela não pesasse nada, deitando-a sobre os lençóis de cetim. Naquela penumbra, ele era o seu deus, e ela era a sua única religião.
***
Na manhã seguinte, após Bill sair para o que ele chamava de "reunião matinal", Clara decidiu ligar para Jocelyn. Elas se encontrariam em um pequeno parque perto da mansão.
— Você está brilhando, amiga — disse Jocelyn, sentando-se no banco de madeira. — O Bill realmente te trata como uma rainha, não é?
— Ele é maravilhoso, Jo — Clara sorriu, embora o brilho em seus olhos tivesse um toque de cansaço feliz. — Mas às vezes ele é tão... intenso. Ele não gosta muito quando eu saio sozinha. Ele diz que é por segurança, porque a cidade está perigosa com esses crimes estranhos que estão acontecendo.
Jocelyn estremeceu, olhando ao redor.
— Você ouviu sobre o caso de ontem? Dizem que foi aquele tal de Jester de novo. A polícia não tem pistas. É como se ele fosse um fantasma.
Clara sentiu um calafrio, mas o ignorou.
— Bill me protege. Eu me sinto segura com ele.
— Eu sei que ele te ama — Jocelyn comentou, observando a amiga —, mas não deixe que ele te absorva completamente, Clara. Você ainda precisa de espaço.
Clara apenas sorriu, sabendo que, no fundo, ela não queria espaço. Ela queria ser consumida por Bill, da mesma forma que ele parecia consumi-la com o olhar. O que ela não percebeu foi a figura alta, vestida com um traje de bobo da corte colorido e uma máscara inexpressiva, observando-as de trás de uma árvore centenária a poucos metros de distância.
Jester sentia a pulsação da cidade, o medo das pessoas, mas nada disso importava. Seus olhos, por trás da máscara, estavam fixos em Clara. Ele odiava quando ela se afastava, mesmo que fosse para conversar com Jocelyn. Ele sentia uma necessidade física de tocá-la, de garantir que ela ainda era sua.
Um grupo de adolescentes passou por perto, rindo alto e chutando uma lata. Um deles esbarrou acidentalmente no banco onde as mulheres estavam, fazendo Clara se sobressaltar.
— Ei, olha por onde anda, gracinha! — o garoto debochou, notando a insegurança de Clara.
Jocelyn ia responder, mas Clara apenas baixou a cabeça, o velho hábito de querer desaparecer voltando à tona. Os garotos continuaram andando, rindo da "gordinha tímida".
Atrás da árvore, a mandíbula de Jester se contraiu. O sorriso pintado em sua máscara parecia se tornar mais sinistro. Ele não permitiria. Ninguém insultava sua divindade.
***
Naquela noite, Bill voltou para casa mais tarde do que o normal. Clara estava na cozinha, preparando um chá para acalmar os nervos. O encontro no parque a deixara desconfortável.
Assim que ele entrou, ela correu para seus braços.
— Você demorou — murmurou ela contra o peito dele.
— Tive que resolver um pequeno problema — disse Bill, acariciando o cabelo dela. Suas mãos estavam impecavelmente limpas, apesar do que haviam feito meia hora atrás em um beco escuro. — Alguém te chateou hoje, meu amor? Eu sinto que você está inquieta.
— Não foi nada — mentiu ela. — Só uns garotos bobos no parque.
Bill parou de acariciar seu cabelo por um segundo, seus olhos brilhando com aquela luz avermelhada perigosa que ela nunca questionava.
— Eles nunca mais vão te incomodar — afirmou ele, com uma certeza absoluta que a confortou, sem que ela soubesse o motivo macabro por trás daquelas palavras.
— Você é tão bom para mim, Bill. Eu não sei o que faria se você não estivesse aqui para me proteger.
— Eu sempre estarei aqui, Clara — ele prometeu, levantando o queixo dela para que seus olhares se cruzassem. — Eu sou seu protetor, seu amante, seu tudo. E você é a única razão pela qual este mundo ainda não foi reduzido a cinzas.
Ele a pegou no colo, ignorando os protestos tímidos dela sobre ser "pesada demais". Para ele, ela era a perfeição encarnada, cada curva um território que ele havia conquistado e que defenderia com sangue — de preferência, o sangue dos outros.
Enquanto a levava para o quarto, Bill sentiu a satisfação de saber que, para o mundo, ele era o monstro que trazia a morte com um sorriso. Mas para Clara, ele era apenas o homem que a amava mais do que a si próprio. E ele manteria aquela máscara — a humana e a de porcelana — pelo tempo que fosse necessário para mantê-la ao seu lado, protegida na sua gaiola de ouro e obsessão.
— Eu te amo, Bill — sussurrou ela, escondendo o rosto em seu pescoço.
— Eu te venero, Clara — respondeu ele, a voz carregada de uma promessa eterna e sombria.
Lá fora, a lua iluminava a cidade aterrorizada pelo Jester, mas dentro daquela mansão, havia apenas o silêncio de um amor que era, ao mesmo tempo, a salvação e a perdição de ambos.
