
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
amor
Fandom: nenhum
Criado: 07/07/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraRealismoRomance
Conexões de Alta Voltagem
O sol de Palmas não era para amadores. Felipe já estava acostumado com o mormaço de Goiânia, mas o calor do Tocantins parecia ter uma densidade diferente, algo que vibrava no ar junto com a sua ansiedade. Ele ajeitou a mochila nos ombros enquanto descia do ônibus, sentindo o suor começar a brotar na nuca. O plano de visitar a prima Júlia tinha sido o pretexto perfeito, mas o verdadeiro motivo de ele ter encarado aquelas horas de estrada tinha nome, um sorriso inesquecível e morava a poucos quilômetros dali.
Larah.
Eles conversavam há meses. O que começou com curtidas em fotos de academia e comentários bobos nos stories da Júlia logo evoluiu para áudios de trinta minutos e chamadas de vídeo que varavam a madrugada. Felipe, focado em sua rotina exaustiva de treinos para se tornar jogador profissional, raramente encontrava alguém que entendesse sua disciplina. Mas Larah era diferente. Além de inteligente e dona de uma risada que desarmava qualquer defesa dele, ela o incentivava.
— Ju, cadê você? — Felipe perguntou ao celular, assim que avistou a prima acenando freneticamente perto do desembarque.
— Aqui, seu bobo! — Júlia o abraçou com força, rindo. — Nossa, a academia está fazendo efeito, hein? Sofia me disse que você não sai mais de lá.
— O sonho não se constrói sozinho, né? — Felipe sorriu, retribuindo o abraço. — E a Sofia mandou um beijo, disse que da próxima vez ela vem junto para te dar trabalho.
— Ela é uma fofa. Mas vamos logo, que tem alguém te esperando em casa e ela está quase tendo um colapso de nervos.
O coração de Felipe deu um solavanco. Ele sabia exatamente de quem Júlia estava falando.
O trajeto até a casa da prima foi um borrão de palmeiras, avenidas largas e a expectativa crescendo no peito. Quando o carro finalmente estacionou, ele viu uma silhueta loira parada na varanda. Larah estava usando um vestido leve, o cabelo claro brilhando sob a luz da tarde. Quando seus olhos se encontraram, o mundo ao redor pareceu perder o volume.
— Você veio mesmo — disse Larah, quando ele se aproximou. A voz dela era ainda mais doce pessoalmente.
— Eu disse que vinha — Felipe respondeu, sentindo-se subitamente tímido, algo raro para ele. — Você está... uau.
— Você também não está nada mal, jogador — ela brincou, aproximando-se para um abraço que durou muito mais do que um simples cumprimento de amigos.
O perfume dela era de baunilha e algo fresco, como chuva no cerrado. Felipe sentiu o corpo dela contra o seu e, por um instante, o cansaço da viagem desapareceu completamente.
Depois de um almoço rápido e muitas perguntas de Júlia sobre a vida em Goiânia, o plano da noite foi traçado: cinema. Era o cenário clássico, o território seguro onde o flerte digital finalmente ganharia forma física.
O shopping de Palmas estava movimentado, mas Felipe só conseguia prestar atenção na garota ao seu lado. Larah falava sobre o curso que estava fazendo, sobre os livros que lia, e a inteligência dela brilhava em cada frase bem articulada. Ele a admirava não só pela beleza óbvia, mas pela forma como ela via o mundo.
— Escolhe você o filme — disse Felipe, enquanto paravam diante do painel digital. — Eu só quero a pipoca grande.
— E eu achando que jogadores profissionais tinham dietas rigorosas — Larah provocou, arqueando uma sobrancelha.
— Hoje é meu "day off" — ele riu, passando o braço pelos ombros dela. — E eu mereço uma recompensa por ter viajado tanto.
Eles escolheram um blockbuster de ação qualquer, o tipo de filme que serve apenas como ruído de fundo. Assim que entraram na sala escura e o ar-condicionado gelado os atingiu, Felipe sentiu a eletricidade entre eles aumentar. Eles se sentaram nas últimas fileiras, onde o movimento era menor.
A luz da tela refletia nos olhos claros de Larah. Ela parecia concentrada nos trailers, mas Felipe percebeu quando ela começou a brincar com o canudo do refrigerante, um sinal claro de nervosismo.
— Está com frio? — ele sussurrou, aproximando-se.
— Um pouco — ela admitiu, voltando o rosto para ele.
Felipe não hesitou. Ele passou o braço por trás do pescoço dela, puxando-a para mais perto. Larah encostou a cabeça no ombro dele, e a pele quente dela contra o seu pescoço fez os pelos do braço de Felipe se arrepiarem.
— Melhorou? — perguntou ele, a voz agora mais grave, quase um murmúrio.
— Muito melhor.
Por alguns minutos, eles fingiram assistir ao filme. Mas a tensão era palpável. Cada vez que Felipe se mexia, sentia o perfume dela. Cada vez que Larah respirava fundo, ele sentia o movimento contra o seu peito. Lentamente, ele começou a acariciar o braço dela com o polegar, um movimento suave, rítmico.
Larah levantou o rosto, encontrando o olhar dele na penumbra. O brilho da tela revelava o sorriso que Felipe tanto amava nas fotos, mas que agora estava a centímetros de distância.
— Felipe... — ela sussurrou o nome dele como se fosse um segredo.
— Eu esperei muito por esse momento, Larah.
Ele não esperou por uma resposta em palavras. Felipe inclinou o rosto e, com uma delicadeza que contrastava com seu porte físico robusto, tocou os lábios nos dela. O primeiro contato foi um selinho demorado, um reconhecimento de território. Mas logo a vontade acumulada em meses de mensagens tomou conta.
O beijo se aprofundou. Larah levou a mão à nuca de Felipe, puxando-o para mais perto, os dedos se perdendo no cabelo curto dele. Felipe sentiu o coração disparar, um ritmo muito mais acelerado do que qualquer treino de alta intensidade que já tivesse feito. Era uma mistura de alívio e desejo, a confirmação de que a química que sentiam pelo celular era apenas uma fração da realidade.
— Você beija melhor do que joga bola? — ela perguntou, ofegante, quando se separaram por um segundo, os narizes ainda se roçando.
— Quer descobrir? — ele sorriu de lado, aquele sorriso confiante que sempre a fazia perder o fio da meada.
Eles voltaram a se beijar, ignorando completamente as explosões e diálogos genéricos que aconteciam na tela gigante à frente. Para Felipe, a única coisa real era o calor do corpo de Larah e a suavidade de suas mãos. Ele a puxou um pouco mais para o seu colo, sentindo a conexão vibrar em cada fibra.
— A gente devia prestar atenção no filme — Larah murmurou entre um beijo e outro, embora não fizesse o menor esforço para se afastar.
— O filme não é nem metade de interessante do que você — Felipe respondeu, descendo os beijos para o pescoço dela, sentindo-a estremecer.
— Convencido — ela riu baixo, mas se entregou ao carinho, as mãos agora explorando os ombros largos dele. — Eu sabia que você seria assim.
— Assim como?
— Intenso. Decidido.
— Com você, não tem como ser diferente, Larah.
O tempo parecia ter parado naquela sala escura. A distância entre Goiânia e Palmas, as horas de estrada, a rotina de treinos pesados... tudo parecia valer a pena para estar ali, naquele momento.
Quando as luzes do cinema finalmente começaram a acender, indicando o fim da sessão, os dois se separaram lentamente, ajustando as roupas e tentando recuperar o fôlego. Larah estava com as bochechas coradas e o batom levemente borrado, o que a deixava ainda mais bonita aos olhos de Felipe.
— E agora? — ela perguntou, enquanto caminhavam para a saída, as mãos firmemente entrelaçadas.
— Agora eu tenho alguns dias aqui — Felipe disse, puxando-a para perto e dando um beijo no topo de sua cabeça. — E eu pretendo aproveitar cada segundo com você.
— Acho que a Júlia vai ter que aceitar que perdeu o primo para mim este fim de semana — Larah brincou, encostando a cabeça no braço dele.
— Ela já sabia disso antes mesmo de eu embarcar no ônibus.
Eles saíram do shopping para a noite quente de Palmas, mas desta vez o calor não incomodava Felipe. Pela primeira vez em muito tempo, ele não estava pensando no próximo jogo ou na próxima série de exercícios. Ele estava exatamente onde queria estar, com a pessoa que fazia seu coração bater mais forte do que qualquer final de campeonato.
— Felipe? — Larah chamou, parando antes de chegarem ao carro.
— Oi?
— Fico feliz que você tenha vindo. De verdade.
Ele sorriu, sentindo uma paz genuína.
— Eu também, Larah. Eu também.
Enquanto caminhavam sob o céu estrelado do Tocantins, Felipe sabia que aquela era apenas a primeira de muitas viagens. A distância era apenas um detalhe quando a conexão era de alta voltagem.
Larah.
Eles conversavam há meses. O que começou com curtidas em fotos de academia e comentários bobos nos stories da Júlia logo evoluiu para áudios de trinta minutos e chamadas de vídeo que varavam a madrugada. Felipe, focado em sua rotina exaustiva de treinos para se tornar jogador profissional, raramente encontrava alguém que entendesse sua disciplina. Mas Larah era diferente. Além de inteligente e dona de uma risada que desarmava qualquer defesa dele, ela o incentivava.
— Ju, cadê você? — Felipe perguntou ao celular, assim que avistou a prima acenando freneticamente perto do desembarque.
— Aqui, seu bobo! — Júlia o abraçou com força, rindo. — Nossa, a academia está fazendo efeito, hein? Sofia me disse que você não sai mais de lá.
— O sonho não se constrói sozinho, né? — Felipe sorriu, retribuindo o abraço. — E a Sofia mandou um beijo, disse que da próxima vez ela vem junto para te dar trabalho.
— Ela é uma fofa. Mas vamos logo, que tem alguém te esperando em casa e ela está quase tendo um colapso de nervos.
O coração de Felipe deu um solavanco. Ele sabia exatamente de quem Júlia estava falando.
O trajeto até a casa da prima foi um borrão de palmeiras, avenidas largas e a expectativa crescendo no peito. Quando o carro finalmente estacionou, ele viu uma silhueta loira parada na varanda. Larah estava usando um vestido leve, o cabelo claro brilhando sob a luz da tarde. Quando seus olhos se encontraram, o mundo ao redor pareceu perder o volume.
— Você veio mesmo — disse Larah, quando ele se aproximou. A voz dela era ainda mais doce pessoalmente.
— Eu disse que vinha — Felipe respondeu, sentindo-se subitamente tímido, algo raro para ele. — Você está... uau.
— Você também não está nada mal, jogador — ela brincou, aproximando-se para um abraço que durou muito mais do que um simples cumprimento de amigos.
O perfume dela era de baunilha e algo fresco, como chuva no cerrado. Felipe sentiu o corpo dela contra o seu e, por um instante, o cansaço da viagem desapareceu completamente.
Depois de um almoço rápido e muitas perguntas de Júlia sobre a vida em Goiânia, o plano da noite foi traçado: cinema. Era o cenário clássico, o território seguro onde o flerte digital finalmente ganharia forma física.
O shopping de Palmas estava movimentado, mas Felipe só conseguia prestar atenção na garota ao seu lado. Larah falava sobre o curso que estava fazendo, sobre os livros que lia, e a inteligência dela brilhava em cada frase bem articulada. Ele a admirava não só pela beleza óbvia, mas pela forma como ela via o mundo.
— Escolhe você o filme — disse Felipe, enquanto paravam diante do painel digital. — Eu só quero a pipoca grande.
— E eu achando que jogadores profissionais tinham dietas rigorosas — Larah provocou, arqueando uma sobrancelha.
— Hoje é meu "day off" — ele riu, passando o braço pelos ombros dela. — E eu mereço uma recompensa por ter viajado tanto.
Eles escolheram um blockbuster de ação qualquer, o tipo de filme que serve apenas como ruído de fundo. Assim que entraram na sala escura e o ar-condicionado gelado os atingiu, Felipe sentiu a eletricidade entre eles aumentar. Eles se sentaram nas últimas fileiras, onde o movimento era menor.
A luz da tela refletia nos olhos claros de Larah. Ela parecia concentrada nos trailers, mas Felipe percebeu quando ela começou a brincar com o canudo do refrigerante, um sinal claro de nervosismo.
— Está com frio? — ele sussurrou, aproximando-se.
— Um pouco — ela admitiu, voltando o rosto para ele.
Felipe não hesitou. Ele passou o braço por trás do pescoço dela, puxando-a para mais perto. Larah encostou a cabeça no ombro dele, e a pele quente dela contra o seu pescoço fez os pelos do braço de Felipe se arrepiarem.
— Melhorou? — perguntou ele, a voz agora mais grave, quase um murmúrio.
— Muito melhor.
Por alguns minutos, eles fingiram assistir ao filme. Mas a tensão era palpável. Cada vez que Felipe se mexia, sentia o perfume dela. Cada vez que Larah respirava fundo, ele sentia o movimento contra o seu peito. Lentamente, ele começou a acariciar o braço dela com o polegar, um movimento suave, rítmico.
Larah levantou o rosto, encontrando o olhar dele na penumbra. O brilho da tela revelava o sorriso que Felipe tanto amava nas fotos, mas que agora estava a centímetros de distância.
— Felipe... — ela sussurrou o nome dele como se fosse um segredo.
— Eu esperei muito por esse momento, Larah.
Ele não esperou por uma resposta em palavras. Felipe inclinou o rosto e, com uma delicadeza que contrastava com seu porte físico robusto, tocou os lábios nos dela. O primeiro contato foi um selinho demorado, um reconhecimento de território. Mas logo a vontade acumulada em meses de mensagens tomou conta.
O beijo se aprofundou. Larah levou a mão à nuca de Felipe, puxando-o para mais perto, os dedos se perdendo no cabelo curto dele. Felipe sentiu o coração disparar, um ritmo muito mais acelerado do que qualquer treino de alta intensidade que já tivesse feito. Era uma mistura de alívio e desejo, a confirmação de que a química que sentiam pelo celular era apenas uma fração da realidade.
— Você beija melhor do que joga bola? — ela perguntou, ofegante, quando se separaram por um segundo, os narizes ainda se roçando.
— Quer descobrir? — ele sorriu de lado, aquele sorriso confiante que sempre a fazia perder o fio da meada.
Eles voltaram a se beijar, ignorando completamente as explosões e diálogos genéricos que aconteciam na tela gigante à frente. Para Felipe, a única coisa real era o calor do corpo de Larah e a suavidade de suas mãos. Ele a puxou um pouco mais para o seu colo, sentindo a conexão vibrar em cada fibra.
— A gente devia prestar atenção no filme — Larah murmurou entre um beijo e outro, embora não fizesse o menor esforço para se afastar.
— O filme não é nem metade de interessante do que você — Felipe respondeu, descendo os beijos para o pescoço dela, sentindo-a estremecer.
— Convencido — ela riu baixo, mas se entregou ao carinho, as mãos agora explorando os ombros largos dele. — Eu sabia que você seria assim.
— Assim como?
— Intenso. Decidido.
— Com você, não tem como ser diferente, Larah.
O tempo parecia ter parado naquela sala escura. A distância entre Goiânia e Palmas, as horas de estrada, a rotina de treinos pesados... tudo parecia valer a pena para estar ali, naquele momento.
Quando as luzes do cinema finalmente começaram a acender, indicando o fim da sessão, os dois se separaram lentamente, ajustando as roupas e tentando recuperar o fôlego. Larah estava com as bochechas coradas e o batom levemente borrado, o que a deixava ainda mais bonita aos olhos de Felipe.
— E agora? — ela perguntou, enquanto caminhavam para a saída, as mãos firmemente entrelaçadas.
— Agora eu tenho alguns dias aqui — Felipe disse, puxando-a para perto e dando um beijo no topo de sua cabeça. — E eu pretendo aproveitar cada segundo com você.
— Acho que a Júlia vai ter que aceitar que perdeu o primo para mim este fim de semana — Larah brincou, encostando a cabeça no braço dele.
— Ela já sabia disso antes mesmo de eu embarcar no ônibus.
Eles saíram do shopping para a noite quente de Palmas, mas desta vez o calor não incomodava Felipe. Pela primeira vez em muito tempo, ele não estava pensando no próximo jogo ou na próxima série de exercícios. Ele estava exatamente onde queria estar, com a pessoa que fazia seu coração bater mais forte do que qualquer final de campeonato.
— Felipe? — Larah chamou, parando antes de chegarem ao carro.
— Oi?
— Fico feliz que você tenha vindo. De verdade.
Ele sorriu, sentindo uma paz genuína.
— Eu também, Larah. Eu também.
Enquanto caminhavam sob o céu estrelado do Tocantins, Felipe sabia que aquela era apenas a primeira de muitas viagens. A distância era apenas um detalhe quando a conexão era de alta voltagem.
