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Distorção

Fandom: Alien stage mais vou querer em au escolar .

Criado: 08/07/2026

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Máscaras de Vidro e Sombras no Refeitório

O som estridente do sinal da Anakt High School ecoava pelos corredores de azulejos claros, um aviso ensurdecedor de que a hierarquia social do terceiro ano estava prestes a se reunir no refeitório. Para a maioria, era apenas o intervalo. Para Mizi, era o momento de colocar sua máscara favorita.

Sentada à mesa redonda de plástico, Mizi balançava os pés, um sorriso radiante adornando seu rosto enquanto observava o movimento. Seus longos cabelos cor-de-rosa brilhavam sob as luzes fluorescentes.

— Gente, vocês viram a promoção que abriu naquela cafeteria nova perto da praça? — Mizi perguntou, a voz doce e levemente aguda, transbordando uma inocência cuidadosamente fabricada. — Eles têm uns donuts de morango que parecem nuvens!

— Donuts são só açúcar disfarçado de felicidade, Mizi — resmungou Till, encostado na mesa com os braços cruzados. O cabelo cinza estava mais bagunçado que o normal, e as olheiras sob os olhos verdes denunciavam mais uma noite em claro ouvindo rock ou desenhando em algum caderno sujo de grafite.

— Ah, deixa de ser ranzinza, Till! — Hyuna deu um tapinha amigável no ombro dele, rindo. Ela era o sol do grupo, sempre tentando manter a energia lá no alto. — Um pouco de açúcar não vai matar sua "vibe" de rebelde sem causa. Não é, Luka?

Luka, que estava concentrado em um livro de física avançada, apenas murmurou um "hum" de concordância, sem desviar os olhos das equações. Ele raramente interagia com o grupo se não fosse provocado por Hyuna, a única pessoa que parecia ter a chave para o seu mundo particular.

Mizi observava tudo. Seus olhos dourados, que pareciam brilhar com diversão boba, na verdade escaneavam cada microexpressão. Ela notou como Hyuna olhava para Luka com um brilho suave, e como Luka, apesar de fingir ler, inclinava o ombro levemente na direção dela. Patético, mas útil de observar.

No entanto, seu foco mudou quando Ivan se sentou à mesa.

Ivan era a personificação da perfeição acadêmica e social. O uniforme impecável, o sorriso educado e constante, a aura de "bom garoto". Ele abriu um pacote de balas de goma e começou a mastigá-las com uma calma quase perturbadora.

— O Till parece especialmente irritadiço hoje — Ivan comentou, a voz aveludada, mas com aquele subtom que Mizi sabia identificar como veneno puro. — O que foi? A banda de garagem não conseguiu acertar dois acordes seguidos ontem?

Till travou a mandíbula. O ódio que ele sentia por Ivan era palpável, uma eletricidade estática que fazia os pelos do braço de qualquer um se arrepiarem.

— Cala a boca, Ivan. Ninguém te chamou na conversa — rosnou Till.

— Eu só estava preocupado — Ivan continuou, abrindo um sorriso ainda mais largo, embora seus olhos pretos permanecessem frios e vazios. — É que você sempre parece tão... esforçado. É quase tocante ver alguém tentar tanto e conseguir tão pouco.

— Seu desgraçado! — Till se levantou bruscamente, a cadeira arrastando no chão com um ruído estridente. Ele agarrou o colarinho de Ivan, os nós dos dedos brancos.

— Till, para! — Hyuna se levantou rapidamente, colocando-se entre os dois. — Aqui não, cacete! Querem ser suspensos de novo?

Ivan não reagiu. Ele nem sequer tentou se soltar. Apenas olhou para Till com uma piedade fingida que era mais insultuosa do que qualquer soco.

— Pode bater, Till. Se isso ajudar a aliviar essa sua frustração constante com a própria mediocridade — provocou Ivan, baixo o suficiente para que apenas os que estavam à mesa ouvissem.

— Eu vou acabar com a sua raça! — Till avançou, mas Hyuna o empurrou para trás com força.

— Chega! — gritou ela. — Ivan, sai daqui. Agora. E Till, senta a bunda nessa cadeira e respira!

Ivan deu de ombros, ajeitando o colarinho com uma elegância irritante.

— Tudo bem, tudo bem. O clima ficou pesado. Acho que vou dar uma volta — ele disse, pegando seu pacote de doces.

Mizi, que até então estava com as mãos no rosto fingindo preocupação ("Ai meu Deus, gente, não briguem!"), viu o momento exato. Antes de se virar, Ivan lançou um olhar rápido para Sua.

Sua estava sentada ao lado de Hyuna, mas parecia estar a quilômetros de distância. Ela não tinha dito uma única palavra durante toda a confusão. Seus olhos roxos estavam fixos em um livro, mas as páginas não viravam há dez minutos. Ela parecia exausta, a pele pálida quase transparente sob a luz forte.

O sinal que Ivan deu foi sutil: um leve inclinar de cabeça e um toque quase imperceptível no relógio de pulso.

Mizi estreitou os olhos. Ela sabia que eles eram irmãos, mas a dinâmica entre os dois sempre lhe pareceu... errada. Sua nunca falava de casa. Ivan sempre falava dela como se ela fosse um fardo necessário.

— Eu também já vou indo — disse Sua, a voz baixa e rouca, levantando-se logo após Ivan desaparecer pelo corredor. — Esqueci um trabalho no armário.

— Você está bem, Sua? — Hyuna perguntou, a preocupação genuína vincando sua testa. — Você parece pálida. Quer que eu vá com você?

— Não precisa — Sua respondeu secamente, sem olhar para trás. — Eu estou bem.

Mizi viu as mãos de Sua tremerem levemente enquanto ela ajeitava a alça da mochila.

"Interessante", pensou Mizi. O sorriso bobo voltou ao seu rosto instantaneamente quando ela se virou para Hyuna.

— Puxa, o clima ficou estranho, né? Eu vou ver se a Sua precisa de ajuda com os livros, ela parecia tão cansada! Já volto, gente!

— Valeu, Mizi. Você é um anjo — disse Hyuna, suspirando e tentando acalmar um Till ainda fumegante.

Mizi saiu do refeitório a passos leves, mas assim que dobrou o corredor e saiu do campo de visão dos amigos, seu rosto relaxou. O brilho "fofo" desapareceu, dando lugar a uma expressão de neutralidade gélida e calculista. Ela caminhou sem fazer barulho, seguindo o rastro de Sua.

Ela não precisou ir longe. Perto de uma escada de serviço pouco utilizada, ela ouviu vozes. Mizi se escondeu atrás de uma pilastra, prendendo a respiração.

— Você demorou trinta segundos a mais do que o necessário — a voz de Ivan era diferente agora. Não era a voz educada do refeitório. Era fria, cortante, desprovida de qualquer humanidade.

— Desculpe... a Hyuna tentou falar comigo — a voz de Sua estava trêmula.

— A Hyuna. Sempre a Hyuna — Ivan riu, um som seco. — Você é tão patética, Sua. Acha mesmo que ela gosta de você? Ela só sente pena. Olhe para você. Essa cara de morta, esse silêncio inútil. Você é um buraco negro de energia. Até o papai diz que não aguenta olhar para você quando chega em casa bêbado.

— Para, Ivan... por favor.

— Por que eu pararia? Alguém tem que te dizer a verdade. Você não tem talento, não tem brilho. Se eu não estivesse aqui para te guiar, você já teria se perdido. Você é um nada, Sua. Uma sombra nas minhas costas.

Houve um som de algo batendo na parede — não um golpe forte, mas um empurrão firme. Mizi espiou de relance. Ivan tinha a mão espalmada contra a parede, encurralando Sua, que estava encolhida, os olhos fixos no chão.

— Amanhã é o jantar com os sócios do papai — continuou Ivan, a voz agora num sussurro cruel. — Se você ousar abrir a boca para reclamar de cansaço ou chorar na frente deles como a idiota que você é, eu vou garantir que a mamãe jogue fora todos aqueles seus livros idiotas. Entendeu?

Sua apenas assentiu com a cabeça, um movimento mecânico.

— Responda com palavras.

— Entendi, Ivan.

— Ótimo. Agora suma da minha frente. Você me dá náuseas.

Ivan se afastou, limpando as mãos no uniforme como se tivesse tocado em algo sujo. Ele caminhou em direção ao pátio externo, recuperando sua máscara de "estudante modelo" antes mesmo de atravessar a porta.

Mizi permaneceu imóvel. Ela sentiu uma pontada de algo que não conseguia definir. Não era exatamente pena — Mizi não sentia pena —, mas era uma curiosidade mórbida misturada com um desdém profundo por Ivan. "Então é assim que o pequeno príncipe se comporta no escuro?", ela pensou.

Sua ficou parada por alguns segundos, as costas coladas à parede fria. Então, ela começou a caminhar em direção ao banheiro feminino mais próximo. Seus passos eram erráticos.

Mizi esperou um momento e a seguiu.

Ao entrar no banheiro, o som a atingiu imediatamente. Não era um choro comum. Eram soluços sufocados, entrecortados por respirações hiperventiladas que pareciam arranhar a garganta.

Sua estava caída no chão de uma das cabines abertas, abraçando os próprios joelhos. Ela lutava para respirar, as mãos puxando o tecido da própria blusa, o rosto vermelho e banhado por lágrimas que ela claramente odiava derramar.

— Respira... respira... — Sua murmurava para si mesma, mas sua voz falhava. O pânico tinha tomado conta.

Mizi parou diante da cabine. Ela observou a cena por um longo tempo. Ela poderia simplesmente dar meia-volta. Poderia usar essa informação para manipular Ivan mais tarde. Poderia ignorar.

Mas havia algo na vulnerabilidade absoluta de Sua que a atraía. Sua era o oposto dela. Mizi usava uma máscara de luz para esconder o vazio; Sua usava uma máscara de gelo para esconder a dor.

Mizi se ajoelhou no chão sujo do banheiro, ignorando o fato de que poderia manchar sua saia impecável.

— Você está fazendo muita bagunça, Sua — disse Mizi.

Sua deu um sobressalto, os olhos roxos arregalados e transbordando pavor. Ela tentou se afastar, mas não havia para onde ir.

— M-Mizi... — ela engasgou, tentando limpar as lágrimas freneticamente com a manga do casaco. — Sai... sai daqui. Não me olha.

A voz de Mizi não era a voz doce de sempre. Era calma, baixa e desprovida daquela alegria falsa.

— Por que eu sairia? — Mizi estendeu a mão e, com uma firmeza surpreendente, segurou os pulsos de Sua para que ela parasse de se esfregar com tanta força. — Você vai acabar machucando a pele se continuar assim.

— Me solta! — Sua tentou puxar os braços, mas estava fraca demais. — Você não deveria estar aqui. Vai contar para todo mundo... vai rir de mim como o Ivan...

Mizi inclinou a cabeça, um sorriso pequeno e desta vez verdadeiro — mas não bondoso — surgindo em seus lábios.

— O Ivan é um amador — disse Mizi, os olhos dourados brilhando com uma inteligência predatória. — Ele usa o medo bruto. É deselegante. E eu não vou contar para ninguém, Sua. Segredos são muito mais valiosos quando guardados em um cofre.

Sua parou de lutar. Ela olhou para Mizi como se estivesse vendo-a pela primeira vez. Onde estava a garota boba que só falava de donuts e música pop?

— Quem é você? — sussurrou Sua, entre um soluço e outro.

Mizi soltou os pulsos dela e levou a mão ao rosto de Sua, limpando uma lágrima solitária com o polegar. O toque era frio, mas estranhamente aterrador.

— Eu sou a única pessoa nesta escola que realmente está prestando atenção em você — respondeu Mizi. — Agora, respira comigo. Se você desmaiar aqui, eu vou ter que chamar a enfermeira, e isso atrairia atenção indesejada. E nós não queremos isso, queremos?

Sua negou com a cabeça, hipnotizada pelo tom de voz de Mizi. Lentamente, o ritmo de sua respiração começou a se estabilizar, seguindo o comando da garota de cabelos rosa.

Mizi observava cada detalhe do rosto de Sua. A fragilidade dela era quase magnética. Pela primeira vez em muito tempo, Mizi sentiu que tinha encontrado algo — ou alguém — que valia a pena observar de perto. Muito de perto.

— Bom — disse Mizi, levantando-se e oferecendo a mão para Sua. — Agora, lave esse rosto. Temos aula de literatura em cinco minutos, e eu não aceito que minha nova "distração" favorita falte à aula por causa de um idiota como o seu irmão.

Sua olhou para a mão estendida. Ela sentia que, ao aceitá-la, estava fazendo um pacto com algo tão perigoso quanto Ivan, mas de uma forma completamente diferente.

Ela estendeu a mão e a segurou.

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**Opções de continuação:**

1. **Foco em Ivan e Till:** No dia seguinte, Ivan decide elevar o nível das provocações com Till, mas Mizi intervém de uma forma que Ivan não esperava, começando um jogo de poder entre os dois manipuladores.

2. **Foco em Hyuna e Luka:** Hyuna percebe que algo mudou entre Mizi e Sua e tenta investigar, enquanto lida com seus próprios sentimentos não ditos por Luka durante um projeto em dupla.

3. **Cena na casa de Sua:** Um vislumbre mais profundo da vida doméstica de Ivan e Sua, mostrando o papel dos pais e como a pressão em casa afeta o comportamento deles na escola.

4. **Desenvolvimento Mizi e Sua:** Mizi começa a "proteger" Sua na escola, mas suas intenções permanecem ambíguas, deixando Sua confusa entre a gratidão e o medo da verdadeira personalidade de Mizi.
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