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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 08/07/2026

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A Melodia de Grafite e Sabonete

O silêncio na sala era tão espesso que Edward podia ouvir o próprio sangue pulsando em suas têmporas. Quando ele abriu os olhos, a escuridão era absoluta, um vazio frio que parecia engolir qualquer resquício de memória recente. Ele tentou levar a mão à cabeça, sentindo uma enxaqueca lancinante, mas o som metálico de correntes batendo contra o metal ecoou pelas paredes invisíveis.

Seus pulsos estavam presos acima da cabeça. Seus tornozelos, esticados e imobilizados. O pânico, frio e cortante, subiu por sua espinha como uma serpente.

— Olá? — a voz de Edward saiu rachada, um sussurro patético no vácuo. — Tem alguém aí? Zip? Oliver? Isso não tem graça, caras!

Nenhuma resposta. Apenas o gotejar rítmico de algo viscoso em algum lugar à sua frente. *Ping. Ping. Ping.*

De repente, um estalo violento quebrou o silêncio. Uma luz fluorescente, amarelada e trêmula, acendeu-se acima dele, cegando-o por alguns segundos. Edward piscou freneticamente, as lágrimas de irritação limpando sua visão até que o cenário ao seu redor se materializou. Não era uma sala de aula. Não era o dormitório. Era um pesadelo de concreto, com ferramentas de geometria afiadas penduradas nas paredes e manchas escuras que pareciam desenhos infantis feitos com sangue seco.

E no centro de tudo, estava ele.

Oliver estava de costas, sua longa cabeleira branca, que chegava aos tornozelos, espalhada pelo chão como um tapete de seda suja. O laço preto em seu rabo de cavalo baixo parecia perfeitamente alinhado, contrastando com a aura de puro caos que emanava dele. Ele parecia estar mastigando algo com entusiasmo.

— Oliver? — Edward chamou, o coração martelando contra as costelas. — Cara, que brincadeira é essa? Me solta agora! A Miss Circle vai nos matar se a gente não chegar na aula de matemática!

Oliver parou de mastigar. Ele virou a cabeça lentamente, um movimento mecânico e antinatural. Em sua boca, restavam pedaços de um sabonete azulado, as bolhas de espuma escapando pelos cantos de seus lábios e escorrendo pelo queixo. Seus olhos, geralmente cheios de uma malícia juvenil, agora brilhavam com uma demência profunda, as pupilas dilatadas até quase engolirem a íris.

— Matemática? — Oliver repetiu, sua voz oscilando entre um tom infantil e um rosnado distorcido. — Ah, Edward... a escola acabou. As notas foram dadas. E adivinha? Você tirou um "A+". Assim como eu!

Ele apontou com o braço direito para a marca vermelha em seu próprio cabelo. Edward tremeu.

— Do que você está falando? Cadê a Zip? Ela está com você, não está? — Edward tentou forçar as correntes, o metal cortando sua pele branca. — Oliver, isso parou de ser engraçado!

Oliver soltou uma risadinha estridente, um som que lembrava giz arranhando uma lousa de forma frenética. Ele se afastou para o lado, revelando uma mesa de metal que estava coberta por um lençol manchado. Com um gesto teatral, usando seu braço de lápis para enganchar o tecido, ele o puxou de uma vez.

O grito de Edward ficou entalado em sua garganta.

Lá estava Zip. Ou o que restava dela. A garota travessa, sempre pronta para uma pegadinha, estava estirada sobre o metal frio. Seu corpo estava coberto de cortes profundos que pareciam ter sido feitos com réguas afiadas. Suas asas de papel estavam rasgadas, jogadas em um canto como lixo descartado. O rosto, antes cheio de vida, era uma máscara de terror congelada, com os olhos vidrados fixos no teto. Ela estava morta. Definitivamente morta.

— Não... — Edward sentiu o estômago revirar. O vômito subiu, mas ele o engoliu, sentindo o gosto amargo do terror. — Zip... Não, não, não! O que você fez, Oliver?! O QUE VOCÊ FEZ?!

Oliver inclinou a cabeça, parecendo genuinamente confuso com a reação do amigo. Ele caminhou até o corpo de Zip e, com o braço de lápis, cutucou a bochecha pálida da garota, deixando um risco de grafite na pele sem vida.

— Ela não queria cooperar com o projeto final — explicou Oliver, dando de ombros. — Ela disse que a gente deveria parar. Que as brincadeiras tinham ido longe demais. Mas como algo pode ir longe demais quando estamos nos divertindo tanto?

— Você é um monstro! — Edward gritou, as lágrimas agora correndo livremente por seu rosto. — Você a matou! Sua própria melhor amiga!

— Shhh... — Oliver levou o dedo indicador aos lábios, aproximando-se de Edward. O cheiro de sabonete de lavanda misturado com o odor metálico de sangue era nauseante. — Não diga essas coisas feias. Ela ainda está aqui. Em espírito. E agora, ela nunca mais vai nos deixar para ir estudar ou falar com outros alunos chatos. Ela é eterna.

Oliver se afastou novamente e começou a procurar algo em uma caixa de ferramentas colorida, decorada com adesivos de estrelinhas e corações. Edward observava, paralisado pelo trauma, enquanto o amigo — o garoto com quem ele compartilhava risadas e travessuras nos corredores da escola — cantarolava uma melodia alegre e desconexa.

— Sabe, Edward — disse Oliver, sem olhar para trás —, eu percebi que a amizade é como um desenho. Às vezes, você precisa apagar as partes que não encaixam. E às vezes... você precisa usar um instrumento mais permanente.

Ele se virou. Nas mãos, ele segurava uma motosserra. Mas não era uma motosserra comum. Ela era pintada de rosa pastel, com desenhos de gatinhos e flores na lateral da lâmina. O contraste entre o objeto mortal e a estética infantil era a coisa mais aterrorizante que Edward já vira.

— Onde você conseguiu isso? — Edward soluçou, sua voz falhando.

— Eu mesmo fiz na aula de artes! — Oliver sorriu, um sorriso que mostrava dentes demais. — Gostou? Eu a chamo de "A Apagadora de Amiguinhos".

Ele puxou a corda de partida. O motor tossiu e depois rugiu, um som ensurdecedor que preencheu a sala de tortura. A lâmina começou a girar, os dentes de metal brilhando sob a luz amarela.

— Oliver, por favor! — Edward implorou, balançando as pernas desesperadamente, tentando se afastar mesmo estando preso. — Nós somos amigos! Lembra de quando a gente jogou papel higiênico na sala da Miss Bloomie? Lembra de quando a gente roubou os sabonetes da enfermaria?

Oliver parou por um momento, a motosserra roncando baixo em suas mãos. Seus olhos pareceram brilhar com uma lembrança distante.

— Eu lembro — disse ele suavemente. — O de morango era o meu favorito. Mas sabe o que é melhor do que comer sabonete, Edward?

Edward não respondeu, apenas soluçou.

— É saber que ninguém nunca vai nos separar — Oliver gritou acima do barulho do motor, avançando um passo. — Se eu te deixar ir, você vai me odiar. Você vai contar para os professores. Você vai me deixar sozinho. E eu odeio ficar sozinho!

— Eu não vou contar! Eu juro! — Edward gritou, o pânico atingindo o ápice.

— Mentiroso! — Oliver riu, uma gargalhada histérica que ecoou pelas paredes de concreto. — Todo mundo mente antes da nota final! Mas não se preocupe, Edward. Eu vou ser um bom amigo. Eu vou fazer rápido.

Oliver levantou a motosserra fofa acima da cabeça. A mecha de cabelo arrepiada no topo de sua cabeça parecia vibrar com a energia maníaca que ele emanava.

— Não! Oliver, para! — Edward berrou, fechando os olhos com força.

O primeiro contato da lâmina com sua perna foi uma explosão de agonia pura. Edward soltou um grito desumano, um som que rasgou sua garganta. O metal giratório cortava tecido, carne e osso com uma facilidade cruel. O sangue espirrou, sujando a camisa preta de Oliver e as bermudas brancas de Edward.

Oliver não parou. Ele estava em transe, rindo enquanto as lágrimas de Edward se misturavam ao suor e ao sangue.

— Viu só? — Oliver gritava, a voz carregada de uma alegria doentia. — Estamos criando arte! Uma obra-prima de amizade!

Edward sentiu sua consciência vacilar. A dor era tão intensa que seu cérebro começava a desligar como um mecanismo de defesa. Ele sentiu o calor do próprio sangue escorrendo pelo chão, encontrando as poças que vinham da mesa onde Zip repousava.

— Por... favor... — a voz de Edward era agora apenas um sopro.

Oliver desligou a motosserra. O silêncio repentino foi quase mais doloroso que o barulho. Edward abriu os olhos minimamente, vendo Oliver ajoelhado à sua frente, ignorando o sangue que encharcava suas meias brancas até o joelho.

Oliver estendeu a mão e acariciou o rosto pálido de Edward com ternura, limpando uma lágrima com o polegar.

— Pronto, pronto... — Oliver sussurrou, sua voz voltando a ser doce e calma. — A parte difícil já passou. Agora você, eu e a Zip vamos ficar nesta sala para sempre. Sem aulas, sem regras, sem Miss Circle tentando nos comer... apenas nós três. Os melhores amigos do mundo.

Edward tentou formular uma última palavra, mas seus pulmões não tinham mais força. Sua visão escureceu, as bordas do mundo se tornando pretas como o grafite do lápis de Oliver.

A última coisa que ele viu foi o rosto de Oliver, iluminado pela luz trêmula, sorrindo com uma satisfação infantil enquanto mastigava calmamente mais um pedaço de sabonete, esperando que seu amigo finalmente terminasse de "se transformar" para que a brincadeira eterna pudesse, enfim, começar.

— Amigos para sempre, Edward — sussurrou Oliver no escuro. — Nota dez para você.
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