Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Um amor muito intenso

Fandom: Redt

Criado: 08/07/2026

Tags

Fatias de VidaHumorCrack / Humor ParódicoAbuso de ÁlcoolPWP (Enredo? Que enredo?)Linguagem Explícita
Índice

O Brilho das Estrelas e o Mistério do Mato

A floresta de Redt nunca pareceu tão... giratória. Carla tropeçou em uma raiz exposta, soltando uma risadinha aguda que ecoou entre os troncos altos e sombrios. Ela segurava um copo plástico amassado como se fosse um tesouro sagrado, embora o líquido dentro dele tivesse acabado há pelo menos dois quilômetros.

— Luna, amiga... eu acho que aquela árvore piscou para mim — balbuciou Carla, ajeitando o arco de flores em sua cabeça que insistia em escorregar. — Foi um piscar místico. Um sinal do universo.

Luna, que caminhava com uma postura surpreendentemente ereta para quem tinha virado cinco shots de tequila na festa da república, parou e olhou ao redor. Seus colares de contas balançaram suavemente, emitindo um tilintar rítmico. Ela respirou fundo, sentindo o cheiro de terra úmida e algo mais... algo antigo.

— Carla, o universo está tentando dizer que a gente errou a entrada do atalho — Luna sorriu, uma expressão serena e levemente ébria em seu rosto. — Mas as energias aqui estão vibrantes. Consigo sentir o axé das plantas. Elas estão rindo da gente, mas com carinho.

— Viu! Eu sabia! — Carla deu um pulinho, quase perdendo o equilíbrio. — Eu sempre disse que o sobrenatural se manifesta quando a gente menos espera. E agora que estamos num estado de... consciência expandida, estamos sintonizadas com o além!

— Ou só estamos perdidas no meio do mato às três da manhã — ponderou Luna, pegando a mão da amiga para evitar que ela abraçasse um arbusto de espinhos. — Mas não se preocupe, meu anjo. Meus guias não iam deixar a gente virar banquete de mosquito sem motivo.

As duas continuaram a caminhada errática. A festa de Redt tinha sido épica, mas o caminho de volta para o alojamento se transformara em uma expedição antropológica espiritual. A neblina começou a subir, serpenteando pelos tornozelos das garotas como dedos de fumaça.

— Você ouviu isso? — Carla parou bruscamente, os olhos arregalados de excitação.

— O quê? O meu estômago pedindo um x-tudo? — perguntou Luna.

— Não! Um sussurro. — Carla abaixou a voz, aproximando-se de Luna. — Parecia uma voz de outro plano. Uma voz grave, ancestral, carregada de desejo e... dor?

Luna apurou os ouvidos. Entre o farfalhar das folhas e o som de alguns grilos, ela realmente ouviu algo. Eram gemidos baixos, rítmicos, que pareciam vir de um clarão logo à frente, onde a luz da lua batia com mais intensidade.

— É uma entidade! — exclamou Carla, trêmula de empolgação. — Luna, faz aquela sua proteção! A gente vai presenciar uma manifestação ectoplasmática!

— Calma, Carla. Deixa eu sentir a vibração — Luna fechou os olhos por um momento, as mãos estendidas. — É uma energia muito forte... masculina... duplicada... está acontecendo uma troca de fluidos energéticos muito intensa ali na frente.

Carla agarrou o braço de Luna, e as duas começaram a rastejar (de forma nada sutil) por trás de uma moita de samambaias gigantes. O coração de Carla batia tão forte que ela tinha certeza de que os espíritos podiam ouvi-lo. Ela visualizava deuses da floresta, ninfas ou talvez lobisomens em algum ritual de acasalamento sagrado que mudaria sua percepção do mundo para sempre.

— Ali! — sussurrou Carla, apontando para uma clareira iluminada por um feixe de luar que parecia um refletor de palco.

As duas espiaram por entre as folhas. O cenário era, de fato, intenso. Dois vultos se entrelaçavam contra o tronco de uma carvalho centenário. O som de respiração ofegante e o estalar de pele contra pele preenchiam o silêncio da noite.

— Meu Deus... — murmurou Carla, as mãos na boca. — É um ritual de fertilidade?

Luna apertou os olhos, tentando focar a visão que ainda teimava em duplicar as imagens por causa do álcool.

— Não, Carla... espera aí. Aquele ali não é o...

— Oh, sim! — uma voz masculina e grave ecoou na clareira, seguida de um palavrão bem pouco espiritual. — Não para, por favor.

Carla estava em êxtase.

— Eles estão invocando o poder do prazer para abrir um portal! Olha como eles se movem em sincronia! É pura magia!

— Carla, abaixa a bola — sussurrou Luna, começando a rir baixinho. — Aquilo não é um portal. Aquilo é o Lucas, do curso de Engenharia, e o Mateus, aquele veterano da Veterinária.

Carla piscou várias vezes, tentando ajustar o foco da sua "terceira visão". Conforme a névoa da bebedeira dava uma pequena trégua, a imagem dos "seres sobrenaturais" se transformou em dois rapazes da faculdade, completamente despidos da cintura para baixo, em uma performance digna de um filme proibido para menores, aproveitando o frescor da madrugada de Redt.

— O quê? — Carla soltou um suspiro de decepção misturado com choque. — Mas... e a aura azulada? E o eco transcendental?

— A aura é o reflexo da lua no suor das costas do Lucas — explicou Luna, agora tendo uma crise de riso contida. — E o eco transcendental é só a acústica desse vale.

— Eu não acredito... — Carla se sentou no chão, no meio do mato, com uma expressão de quem descobriu que o Papai Noel é, na verdade, o síndico do prédio. — Eu achei que era um encontro com o oculto. Um segredo milenar da floresta.

— Bom, tecnicamente é um segredo — disse Luna, dando tapinhas nas costas da amiga. — Duvido que o Mateus queira que a faculdade inteira saiba que ele gosta de ser prensado contra árvores às quatro da manhã.

— Mas eles parecem tão... empenhados — observou Carla, dando mais uma espiadinha. — É quase espiritual, Luna. Olha a entrega.

— É, amiga, o amor é uma forma de macumba também — Luna se levantou, limpando a sujeira da saia. — Mas acho melhor a gente ir embora antes que eles percebam a plateia. Se o Mateus me vê aqui, ele nunca mais me empresta os livros de anatomia.

Carla se levantou, ainda processando a transição do "sobrenatural" para o "mundano". Ela olhou para o céu estrelado e depois para o casal, que continuava alheio ao mundo ao redor.

— Sabe, Luna... — começou Carla, enquanto voltavam a caminhar na direção oposta, agora seguindo uma trilha que Luna finalmente reconhecera. — No fundo, isso foi um sinal.

— Um sinal de quê? De que você precisa parar de misturar gim com vodca? — brincou a amiga.

— Não! Um sinal de que a vida é cheia de mistérios, e alguns deles são bem mais... carnais do que a gente imagina. O universo me mostrou que a conexão humana é a coisa mais poderosa que existe.

Luna soltou uma gargalhada alta, que assustou um pássaro próximo.

— Você é impagável, Carla. Consegue transformar dois caras transando no mato em uma lição de metafísica.

— É um dom! — Carla sorriu, recuperando seu otimismo habitual. — Mas sério, a gente não vai contar pra ninguém, né?

— O que acontece na floresta de Redt, fica na floresta de Redt — declarou Luna, fazendo um sinal de cruz e depois um gesto de proteção. — Mas amanhã, quando a ressaca bater, eu vou te lembrar que o seu "espírito da floresta" usava uma cueca box da Calvin Klein jogada no chão.

— Detalhes, Luna! Apenas detalhes materiais! — Carla abraçou a amiga pelo ombro, tropeçando mais uma vez. — Agora, por favor, me guia até um lugar que tenha coxinha. Eu sinto que minha alma precisa de gordura trans para se ancorar de volta à terra.

— Deixa comigo — disse Luna, apontando para as luzes do campus que surgiam ao longe. — O axé dos salgados está nos chamando.

E assim, entre risos e teorias sobre a espiritualidade do prazer, as duas deixaram a floresta para trás, enquanto, na clareira, o "sobrenatural" continuava sua dança sob a luz da lua.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic