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amizade Ou O Que
Fandom: sertanejo
Criado: 08/07/2026
Tags
Fatias de VidaHistória DomésticaSongficRealismoFilme de AmigosCenário Canônico
Botas, Chapéus e o Brilho de Goiânia
O sol de fim de tarde em Goiânia tinha um tom alaranjado que parecia filtrar a poeira das fazendas próximas, transformando a capital do sertanejo em um cenário de filme. No haras da família Costa, o som dos cascos dos cavalos contra o solo batido competia com o volume de uma caixa de som que ecoava os últimos lançamentos do Top 50 Brasil.
Isabela Costa ajeitou o chapéu de feltro preto, sentindo o suor leve brotar na têmpora. Aos 39 anos, a filha de Leonardo e Poliana Rocha carregava no DNA não apenas o talento para a música, mas aquela mistura de carisma e teimosia que era marca registrada dos Costa. Seus cabelos cacheados e escuros estavam presos em um rabo de cavalo prático, e seus olhos verdes observavam com atenção a movimentação no portão principal.
— O Zé já chegou, Bela? — A voz de Poliana veio da varanda da casa principal.
— Ainda não, mãe! — Isabela gritou de volta, rindo. — Mas a julgar pelo barulho da caminhonete que tá dobrando a esquina, ou é ele, ou é a nossa convidada de honra.
Não era Zé Felipe. Uma RAM 2500 prata, brilhando sob o sol, estacionou com uma precisão impressionante. Da cabine, saltou uma figura que parecia personificar a nova era do sertanejo. Ana Castela, a "Boiadeira", desceu do veículo com um sorriso que iluminava mais que os refletores de um palco. Usando uma calça jeans justa, uma fivela imensa e o inseparável chapéu, ela parecia em casa, mesmo estando em território da realeza do gênero.
— Ê, Goiânia que eu amo! — exclamou Ana, abrindo os braços assim que viu Isabela se aproximar. — Isabela, mulher, que prazer te ver!
As duas se abraçaram com a familiaridade de quem já havia trocado centenas de mensagens pelo Direct do Instagram e áudios intermináveis no WhatsApp sobre composições e parcerias.
— Seja bem-vinda ao nosso refúgio, Ana Flávia — disse Isabela, sorrindo abertamente. — O pai tá lá dentro já preparando o tal do churrasco, e o Zé deve estar chegando com a Virginia e as Marias daqui a pouco.
— Eu trouxe um presente pro seu Leonardo — Ana disse, voltando-se para a caçamba da caminhonete e pegando uma caixa de madeira. — Uma cachaça das boas lá do Mato Grosso do Sul. Se ele não gostar, eu me aposento hoje mesmo!
As duas caminharam em direção à área gourmet, um espaço amplo decorado com fotos de família, discos de ouro e muitas cabeças de gado esculpidas em bronze. No caminho, Isabela não pôde deixar de notar a energia vibrante que Ana emanava. A jovem de 22 anos era um fenômeno, e Isabela, sendo a irmã gêmea de Zé Felipe e tendo crescido nos bastidores dos shows de Leonardo, sabia reconhecer uma estrela autêntica quando via uma.
— Vi seus stories ontem no rodeio — comentou Isabela, enquanto se sentavam nos bancos altos do balcão. — Você não para, hein, guria?
— Menina, tá uma loucura — Ana suspirou, mas o brilho nos olhos castanhos não desaparecia. — Mas é uma loucura que eu pedi a Deus, sabe? Às vezes eu acordo e nem acredito que a "Pipoco" fez tudo isso. E estar aqui hoje, na casa de vocês... eu cresci ouvindo seu pai. Minha mãe colocava as músicas dele pra eu dormir.
— Pois se prepare, porque o "velho" tá animado hoje — brincou Isabela. — Ele disse que quer ouvir você cantar aquela nova, a do agronejo raiz.
Nesse momento, a porta de vidro se abriu e Leonardo surgiu, vestindo sua clássica regata branca e um short de tactel, com um copo de cerveja na mão e o sorriso de quem não tem um boleto atrasado no mundo.
— Mas olha se não é a patroa do Mato Grosso! — exclamou o cantor, caminhando em direção a Ana.
— Seu Leonardo! — Ana se levantou rapidamente, visivelmente emocionada, e entregou a caixa. — Um presente pro senhor.
— Ô, minha filha, não precisava! — Ele abriu a caixa e os olhos brilharam. — Isabela, olha só, essa aqui é daquelas que faz o caboclo esquecer até o próprio nome. Vamos abrir agora!
— Pai, calma, a Ana acabou de chegar — interveio Isabela, rindo da empolgação do pai.
— Que calma nada, Bela! No sertanejo, a gente não dá boa tarde, a gente dá "saúde" — rebateu Leonardo, já pegando os copos.
Enquanto o churrasco começava a ser servido, o clima era de pura descontração. Isabela observava a interação de Ana com sua família. A Boiadeira tinha uma simplicidade que encantava. Ela não parecia a artista que acumulava bilhões de visualizações; ali, ela era apenas uma menina do interior que amava cavalos e música boa.
— Bela — chamou Ana, em um momento em que Leonardo se afastou para atender uma ligação de João Guilherme —, eu queria te mostrar uma guia que eu gravei no hotel ontem. É uma composição minha, mas sinto que falta uma voz feminina mais madura, sabe? Alguém que tenha o "feeling" da velha guarda, mas com essa pegada nossa.
Isabela sentiu o coração acelerar. Apesar de ser cantora e ter o respeito do meio, ela sempre foi muito criteriosa com suas parcerias.
— Vamos ouvir, Ana. Se for o que eu tô pensando, a gente já resolve isso agora.
Ana pegou o celular e deu o play. A melodia era um modão dolente, com um toque de sanfona que chorava logo na introdução. A letra falava sobre as raízes, sobre a mulher que comanda a fazenda e o coração ao mesmo tempo. Era perfeita.
— Meu Deus... — sussurrou Isabela quando a guia terminou. — Ana, isso é um hino.
— Você grava comigo? — perguntou a jovem, com uma expectativa quase infantil nos olhos.
— Eu não só gravo, como a gente vai fazer o clipe aqui nessa fazenda — afirmou Isabela, já visualizando a produção. — Isso aqui vai parar o Instagram, o TikTok e todas as rádios.
— O que é que vai parar o quê? — Zé Felipe apareceu de repente, carregando a pequena Maria Alice no colo, com Virginia logo atrás, já com o celular na mão gravando um story.
— Zé! — Ana se levantou para cumprimentar o amigo.
— Olha aí, a parceria do ano tá saindo! — Zé Felipe riu, abraçando a irmã e a amiga. — Virginia, grava isso aqui. A Boiadeira e a primogênita dos Costa. O Brasil não tá preparado.
Virginia, sempre ágil, já estava com o filtro ativado.
— Gente, vocês não têm noção de quem tá aqui em casa hoje! — disse Virginia para a câmera, mostrando Ana e Isabela. — Tem hit vindo aí ou não tem?
Ana fez um sinal de "v" com os dedos e uma careta engraçada, enquanto Isabela apenas sorriu, sentindo que aquele encontro era o início de algo muito maior que apenas uma música.
A tarde virou noite. O cheiro da carne assada se misturava ao perfume do campo. Leonardo já tinha pego o violão e começado uma roda de viola improvisada. Poliana sentou-se ao lado de Isabela, observando a cena com orgulho.
— Você gosta dela, né? — perguntou a mãe em voz baixa.
— Ela é de verdade, mãe — respondeu Isabela, olhando para Ana, que agora tentava ensinar um passo de dança para as Marias. — No nosso meio, é difícil achar gente que não se perde no personagem. A Ana é a mesma pessoa no palco e aqui, tomando tereré com a gente.
— Ela me lembra você quando começou — ponderou Poliana. — Essa garra, esse brilho.
As duas se juntaram à roda. Leonardo começou a tocar os primeiros acordes de "Pense em Mim", e o coro foi imediato. Ana e Isabela dividiram o microfone imaginário, as vozes se fundindo de forma harmônica — o grave aveludado de Isabela e o timbre potente e moderno de Ana.
— Isabela, a gente precisa postar uma foto — disse Ana, puxando o celular do bolso da calça. — O povo tá cobrando desde que eu postei que tava em Goiânia.
Elas se posicionaram em frente ao espelho rústico do hall de entrada. O contraste era lindo: Isabela, com sua beleza madura, os cachos pretos emoldurando o rosto alvo e os olhos verdes brilhando; e Ana, com sua jovialidade, os olhos castanhos expressivos e o estilo country impecável.
— Qual legenda eu coloco? — perguntou Ana, editando a foto rapidamente.
Isabela pensou por um segundo, lembrando-se de toda a trajetória da família e da força que a nova geração trazia.
— Coloca assim: "Onde o agro encontra a raiz e o coração bate no ritmo da bota" — sugeriu Isabela.
— Perfeito! — Ana digitou rapidamente, marcou Isabela e publicou.
Em menos de cinco minutos, as notificações começaram a explodir. Comentários de outros cantores, fãs clubes desesperados por um feat e milhares de curtidas. O mundo sertanejo estava em polvorosa.
— Sabe o que eu tava pensando? — disse Ana, enquanto guardava o celular. — Amanhã a gente podia ir lá na lida com os cavalos cedo. Quero ver se você ainda é boa de sela como dizem os boatos.
Isabela soltou uma gargalhada, desafiadora.
— Ah, Ana Flávia, você não sabe com quem tá falando. Eu nasci em cima de um cavalo antes mesmo de aprender a andar. Amanhã, às seis da manhã, eu te espero no curral.
— Fechado! — Ana estendeu a mão, selando o acordo.
A noite continuou longa, regada a histórias de estrada e risadas. Leonardo contava causos de turnês antigas, enquanto Zé Felipe e Virginia mostravam os novos vídeos das filhas. Isabela, em um momento de silêncio, observou o céu estrelado de Goiás. Ela sentia que sua carreira estava prestes a entrar em uma nova fase. A conexão com Ana Castela não era apenas comercial ou estratégica; era uma conexão de almas que respeitavam a terra e a música que vinha dela.
Antes de se recolherem, Ana se aproximou de Isabela na varanda.
— Obrigada por me receber assim, Isabela. Às vezes esse mundo da fama é meio solitário, a gente não sabe em quem confiar. Mas aqui... eu me senti em casa.
— Você é de casa, Ana — respondeu Isabela com sinceridade. — O sertanejo é uma família grande, às vezes meio bagunçada, mas é família. E agora, você faz parte da nossa.
— Amanhã o despertar vai ser com o berrante? — brincou a Boiadeira.
— Se meu pai acordar primeiro, com certeza vai ser com um grito de "bora produzir!" — Isabela riu. — Descansa, guria. A gente tem muito o que cantar amanhã.
As luzes da fazenda foram se apagando aos poucos, mas nos celulares de milhões de brasileiros, a foto das duas cantoras continuava brilhando, prometendo que o futuro do sertanejo estava em boas mãos — mãos que sabiam segurar uma rédea e, ao mesmo tempo, compor um sucesso.
Isabela deitou-se, mas o sono demorou a vir. Ela ficou repassando a melodia da música de Ana na cabeça. "A força da terra, o brilho do olhar...". Sim, aquela parceria seria histórica. E, mais do que isso, ela tinha ganhado uma amiga que falava a mesma língua: a língua do campo, da verdade e da música que vem do fundo da alma.
O dia seguinte prometia ser longo, mas, pela primeira vez em muito tempo, Isabela Costa não se sentia apenas a "filha do Leonardo" ou a "irmã do Zé Felipe". Ela se sentia a Isabela, a cantora que, junto com a Boiadeira, ia mostrar para o Brasil que o sertanejo feminino tinha uma força que ninguém poderia parar. E em Goiânia, onde tudo começou, o ciclo se renovava sob o brilho das estrelas e o som distante de um violão que nunca parava de tocar.
Isabela Costa ajeitou o chapéu de feltro preto, sentindo o suor leve brotar na têmpora. Aos 39 anos, a filha de Leonardo e Poliana Rocha carregava no DNA não apenas o talento para a música, mas aquela mistura de carisma e teimosia que era marca registrada dos Costa. Seus cabelos cacheados e escuros estavam presos em um rabo de cavalo prático, e seus olhos verdes observavam com atenção a movimentação no portão principal.
— O Zé já chegou, Bela? — A voz de Poliana veio da varanda da casa principal.
— Ainda não, mãe! — Isabela gritou de volta, rindo. — Mas a julgar pelo barulho da caminhonete que tá dobrando a esquina, ou é ele, ou é a nossa convidada de honra.
Não era Zé Felipe. Uma RAM 2500 prata, brilhando sob o sol, estacionou com uma precisão impressionante. Da cabine, saltou uma figura que parecia personificar a nova era do sertanejo. Ana Castela, a "Boiadeira", desceu do veículo com um sorriso que iluminava mais que os refletores de um palco. Usando uma calça jeans justa, uma fivela imensa e o inseparável chapéu, ela parecia em casa, mesmo estando em território da realeza do gênero.
— Ê, Goiânia que eu amo! — exclamou Ana, abrindo os braços assim que viu Isabela se aproximar. — Isabela, mulher, que prazer te ver!
As duas se abraçaram com a familiaridade de quem já havia trocado centenas de mensagens pelo Direct do Instagram e áudios intermináveis no WhatsApp sobre composições e parcerias.
— Seja bem-vinda ao nosso refúgio, Ana Flávia — disse Isabela, sorrindo abertamente. — O pai tá lá dentro já preparando o tal do churrasco, e o Zé deve estar chegando com a Virginia e as Marias daqui a pouco.
— Eu trouxe um presente pro seu Leonardo — Ana disse, voltando-se para a caçamba da caminhonete e pegando uma caixa de madeira. — Uma cachaça das boas lá do Mato Grosso do Sul. Se ele não gostar, eu me aposento hoje mesmo!
As duas caminharam em direção à área gourmet, um espaço amplo decorado com fotos de família, discos de ouro e muitas cabeças de gado esculpidas em bronze. No caminho, Isabela não pôde deixar de notar a energia vibrante que Ana emanava. A jovem de 22 anos era um fenômeno, e Isabela, sendo a irmã gêmea de Zé Felipe e tendo crescido nos bastidores dos shows de Leonardo, sabia reconhecer uma estrela autêntica quando via uma.
— Vi seus stories ontem no rodeio — comentou Isabela, enquanto se sentavam nos bancos altos do balcão. — Você não para, hein, guria?
— Menina, tá uma loucura — Ana suspirou, mas o brilho nos olhos castanhos não desaparecia. — Mas é uma loucura que eu pedi a Deus, sabe? Às vezes eu acordo e nem acredito que a "Pipoco" fez tudo isso. E estar aqui hoje, na casa de vocês... eu cresci ouvindo seu pai. Minha mãe colocava as músicas dele pra eu dormir.
— Pois se prepare, porque o "velho" tá animado hoje — brincou Isabela. — Ele disse que quer ouvir você cantar aquela nova, a do agronejo raiz.
Nesse momento, a porta de vidro se abriu e Leonardo surgiu, vestindo sua clássica regata branca e um short de tactel, com um copo de cerveja na mão e o sorriso de quem não tem um boleto atrasado no mundo.
— Mas olha se não é a patroa do Mato Grosso! — exclamou o cantor, caminhando em direção a Ana.
— Seu Leonardo! — Ana se levantou rapidamente, visivelmente emocionada, e entregou a caixa. — Um presente pro senhor.
— Ô, minha filha, não precisava! — Ele abriu a caixa e os olhos brilharam. — Isabela, olha só, essa aqui é daquelas que faz o caboclo esquecer até o próprio nome. Vamos abrir agora!
— Pai, calma, a Ana acabou de chegar — interveio Isabela, rindo da empolgação do pai.
— Que calma nada, Bela! No sertanejo, a gente não dá boa tarde, a gente dá "saúde" — rebateu Leonardo, já pegando os copos.
Enquanto o churrasco começava a ser servido, o clima era de pura descontração. Isabela observava a interação de Ana com sua família. A Boiadeira tinha uma simplicidade que encantava. Ela não parecia a artista que acumulava bilhões de visualizações; ali, ela era apenas uma menina do interior que amava cavalos e música boa.
— Bela — chamou Ana, em um momento em que Leonardo se afastou para atender uma ligação de João Guilherme —, eu queria te mostrar uma guia que eu gravei no hotel ontem. É uma composição minha, mas sinto que falta uma voz feminina mais madura, sabe? Alguém que tenha o "feeling" da velha guarda, mas com essa pegada nossa.
Isabela sentiu o coração acelerar. Apesar de ser cantora e ter o respeito do meio, ela sempre foi muito criteriosa com suas parcerias.
— Vamos ouvir, Ana. Se for o que eu tô pensando, a gente já resolve isso agora.
Ana pegou o celular e deu o play. A melodia era um modão dolente, com um toque de sanfona que chorava logo na introdução. A letra falava sobre as raízes, sobre a mulher que comanda a fazenda e o coração ao mesmo tempo. Era perfeita.
— Meu Deus... — sussurrou Isabela quando a guia terminou. — Ana, isso é um hino.
— Você grava comigo? — perguntou a jovem, com uma expectativa quase infantil nos olhos.
— Eu não só gravo, como a gente vai fazer o clipe aqui nessa fazenda — afirmou Isabela, já visualizando a produção. — Isso aqui vai parar o Instagram, o TikTok e todas as rádios.
— O que é que vai parar o quê? — Zé Felipe apareceu de repente, carregando a pequena Maria Alice no colo, com Virginia logo atrás, já com o celular na mão gravando um story.
— Zé! — Ana se levantou para cumprimentar o amigo.
— Olha aí, a parceria do ano tá saindo! — Zé Felipe riu, abraçando a irmã e a amiga. — Virginia, grava isso aqui. A Boiadeira e a primogênita dos Costa. O Brasil não tá preparado.
Virginia, sempre ágil, já estava com o filtro ativado.
— Gente, vocês não têm noção de quem tá aqui em casa hoje! — disse Virginia para a câmera, mostrando Ana e Isabela. — Tem hit vindo aí ou não tem?
Ana fez um sinal de "v" com os dedos e uma careta engraçada, enquanto Isabela apenas sorriu, sentindo que aquele encontro era o início de algo muito maior que apenas uma música.
A tarde virou noite. O cheiro da carne assada se misturava ao perfume do campo. Leonardo já tinha pego o violão e começado uma roda de viola improvisada. Poliana sentou-se ao lado de Isabela, observando a cena com orgulho.
— Você gosta dela, né? — perguntou a mãe em voz baixa.
— Ela é de verdade, mãe — respondeu Isabela, olhando para Ana, que agora tentava ensinar um passo de dança para as Marias. — No nosso meio, é difícil achar gente que não se perde no personagem. A Ana é a mesma pessoa no palco e aqui, tomando tereré com a gente.
— Ela me lembra você quando começou — ponderou Poliana. — Essa garra, esse brilho.
As duas se juntaram à roda. Leonardo começou a tocar os primeiros acordes de "Pense em Mim", e o coro foi imediato. Ana e Isabela dividiram o microfone imaginário, as vozes se fundindo de forma harmônica — o grave aveludado de Isabela e o timbre potente e moderno de Ana.
— Isabela, a gente precisa postar uma foto — disse Ana, puxando o celular do bolso da calça. — O povo tá cobrando desde que eu postei que tava em Goiânia.
Elas se posicionaram em frente ao espelho rústico do hall de entrada. O contraste era lindo: Isabela, com sua beleza madura, os cachos pretos emoldurando o rosto alvo e os olhos verdes brilhando; e Ana, com sua jovialidade, os olhos castanhos expressivos e o estilo country impecável.
— Qual legenda eu coloco? — perguntou Ana, editando a foto rapidamente.
Isabela pensou por um segundo, lembrando-se de toda a trajetória da família e da força que a nova geração trazia.
— Coloca assim: "Onde o agro encontra a raiz e o coração bate no ritmo da bota" — sugeriu Isabela.
— Perfeito! — Ana digitou rapidamente, marcou Isabela e publicou.
Em menos de cinco minutos, as notificações começaram a explodir. Comentários de outros cantores, fãs clubes desesperados por um feat e milhares de curtidas. O mundo sertanejo estava em polvorosa.
— Sabe o que eu tava pensando? — disse Ana, enquanto guardava o celular. — Amanhã a gente podia ir lá na lida com os cavalos cedo. Quero ver se você ainda é boa de sela como dizem os boatos.
Isabela soltou uma gargalhada, desafiadora.
— Ah, Ana Flávia, você não sabe com quem tá falando. Eu nasci em cima de um cavalo antes mesmo de aprender a andar. Amanhã, às seis da manhã, eu te espero no curral.
— Fechado! — Ana estendeu a mão, selando o acordo.
A noite continuou longa, regada a histórias de estrada e risadas. Leonardo contava causos de turnês antigas, enquanto Zé Felipe e Virginia mostravam os novos vídeos das filhas. Isabela, em um momento de silêncio, observou o céu estrelado de Goiás. Ela sentia que sua carreira estava prestes a entrar em uma nova fase. A conexão com Ana Castela não era apenas comercial ou estratégica; era uma conexão de almas que respeitavam a terra e a música que vinha dela.
Antes de se recolherem, Ana se aproximou de Isabela na varanda.
— Obrigada por me receber assim, Isabela. Às vezes esse mundo da fama é meio solitário, a gente não sabe em quem confiar. Mas aqui... eu me senti em casa.
— Você é de casa, Ana — respondeu Isabela com sinceridade. — O sertanejo é uma família grande, às vezes meio bagunçada, mas é família. E agora, você faz parte da nossa.
— Amanhã o despertar vai ser com o berrante? — brincou a Boiadeira.
— Se meu pai acordar primeiro, com certeza vai ser com um grito de "bora produzir!" — Isabela riu. — Descansa, guria. A gente tem muito o que cantar amanhã.
As luzes da fazenda foram se apagando aos poucos, mas nos celulares de milhões de brasileiros, a foto das duas cantoras continuava brilhando, prometendo que o futuro do sertanejo estava em boas mãos — mãos que sabiam segurar uma rédea e, ao mesmo tempo, compor um sucesso.
Isabela deitou-se, mas o sono demorou a vir. Ela ficou repassando a melodia da música de Ana na cabeça. "A força da terra, o brilho do olhar...". Sim, aquela parceria seria histórica. E, mais do que isso, ela tinha ganhado uma amiga que falava a mesma língua: a língua do campo, da verdade e da música que vem do fundo da alma.
O dia seguinte prometia ser longo, mas, pela primeira vez em muito tempo, Isabela Costa não se sentia apenas a "filha do Leonardo" ou a "irmã do Zé Felipe". Ela se sentia a Isabela, a cantora que, junto com a Boiadeira, ia mostrar para o Brasil que o sertanejo feminino tinha uma força que ninguém poderia parar. E em Goiânia, onde tudo começou, o ciclo se renovava sob o brilho das estrelas e o som distante de um violão que nunca parava de tocar.
