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Amizade Ou O Que

Fandom: sertanejo

Criado: 08/07/2026

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Laços de Família e Poeira na Bota

O sol da tarde batia contra as janelas da sede da Fazenda Talismã, criando aquele brilho dourado que só o interior de Goiás parecia ter. Eu estava sentada na varanda, observando o gado ao longe, com o coração batendo mais forte do que o normal. Minha altura, meus 1,90m que sempre me fizeram destacar em qualquer lugar, pareciam encolher diante da conversa que eu sabia que precisava ter.

Meu pai, o Leonardo — ou apenas "o velho" para os íntimos, embora ele odiasse o termo —, estava sentado na sua cadeira de balanço favorita, com um copo de cerveja gelada na mão e aquele sorriso de quem não tem um problema no mundo.

— Pai? — chamei, sentindo as mãos suarem.

— Diga, minha bezerra. Tá com essa cara de quem comeu e não gostou por quê? — Ele deu um gole na cerveja e me olhou com aqueles olhos que, apesar da brincadeira, sempre liam a gente muito bem.

— Eu preciso te contar uma coisa. É sobre a Ana. A Ana Castela.

Meu pai parou o movimento da cadeira. Ele sabia que a Ana era presença constante na minha vida nos últimos meses, mas a gente ainda não tinha colocado um rótulo oficial para a família.

— A gente tá tendo um caso, pai. Na verdade, é mais que isso. Eu tô apaixonada por ela.

Houve um silêncio de dois segundos que pareceram duas horas. Eu esperava qualquer coisa: uma piada, um sermão, ou até um daqueles momentos de silêncio reflexivo. Mas o que veio foi uma gargalhada alta, daquelas que só ele sabe dar.

— Ô, minha filha! — Ele se levantou e me deu um tapinha no ombro, tendo que esticar o braço pela diferença de altura. — Mas era o que eu mais queria, Isabela! Uma nora de novo, e logo a Boiadeira? A menina é um fenômeno, tem um coração de ouro e ainda sabe lidar com o gado melhor que o Zé Felipe!

Eu soltei o ar que nem sabia que estava prendendo.

— Sério, pai? Você não se importa?

— Importar com o quê, menina? O amor é bonito de qualquer jeito, e a Ana já é de casa. Agora, vamos fazer o seguinte: não quero esse namoro escondido não. Liga pro pai dela, o Rodrigo, pra Michele, pra Antonella... chama todo mundo! Quero essa fazenda cheia no final de semana. Vamos oficializar esse negócio do jeito que a gente gosta: com churrasco e moda de viola.

Sorri, sentindo um peso enorme sair das minhas costas. Meu pai era imprevisível, mas o coração dele sempre foi o norte da nossa família.

Me afastei um pouco dele e peguei meu celular no bolso do jeans. O papel de parede era uma foto nossa: Ana com aquele chapéu característico, rindo de alguma bobagem que eu disse, e eu a abraçando por trás, a diferença de altura ficando clara na imagem, mas a conexão sendo ainda mais evidente.

Abri o WhatsApp e fui direto no contato salvo como "Minha Boiadeira 🤠❤️".

— "Oi, vida. Falei com o meu pai agora. Ele reagiu melhor do que eu esperava... na verdade, ele já quer organizar um encontro de famílias aqui na Talismã. Avisa o Rodrigo, a Michele e a pequena Antonella. Ele quer todo mundo aqui."

A resposta não demorou nem dois minutos.

— "Mentira, Bela! Sério? Eu tava aqui morrendo de medo do que o Léo ia falar kkkkk. Vou avisar meus pais agora! Eles vão amar, a Antonella já tá perguntando de você faz dias."

Sorri para a tela, mas meus dedos continuaram digitando. A saudade apertou de um jeito gostoso.

— "Tava aqui lembrando do mês que a gente passou aqui na fazenda... lembra daquela noite na beira do rio, só a gente e o som dos grilos? Foi ali que eu soube que não tinha mais volta pra mim. Você me ganhou na primeira moda que cantou olhando nos meus olhos."

— "Eu lembro de cada segundo, minha gigante. Lembro de você tentando me ensinar a pescar e quase caindo na água kkkkk. Aquele mês mudou tudo. Mal posso esperar pra voltar pros teus braços e pra esse sossego."

Bloqueei o celular e respirei fundo o ar puro da fazenda. A vida no sertanejo tinha dessas coisas: as notícias corriam rápido, o amor era intenso como uma letra de música e a família sempre era o alicerce.

Entrei em casa e encontrei minha mãe, Poliana, na cozinha. Ela me olhou com aquele sorriso doce de quem já sabia de tudo antes mesmo de eu falar.

— O seu pai já saiu gritando pro Zé Felipe que vai ter festa, Isabela. — Ela veio até mim e me abraçou pela cintura. — Fico feliz por você, meu amor. A Ana é uma menina especial.

— Obrigada, mãe. Eu só quero que as coisas sejam simples, sabe? Sem muita pressão.

— Na família do Leonardo? — Ela riu. — Simples nunca é. Mas vai ser cheio de amor, isso eu te garanto.

Passei o restante da tarde resolvendo os detalhes. Mandei a localização exata para o Rodrigo, pai da Ana, e troquei algumas mensagens com a Michele, que já estava organizando o que levar. A Talismã ia ficar pequena para tanta gente, mas meu coração parecia ter espaço para o mundo inteiro.

À noite, postei um story no Instagram. Era apenas uma foto das nossas botas sujas de barro, lado a lado, com a legenda: "Onde o coração encontra o seu lugar. 🤠✨". Não precisei marcar ninguém, os fãs já estavam em polvorosa nos comentários, mas pela primeira vez, eu não me importava com os boatos. A verdade era muito mais bonita.

Fui para o quarto e me joguei na cama, encarando o teto. O tique-taque do relógio parecia contar os segundos para a chegada da minha boiadeira.

O celular vibrou de novo.

— "Isabela, meu pai já tá separando as carnes e a Antonella já arrumou a mala dela kkkkk. Te amo, viu? Obrigada por ser corajosa por nós duas."

— "Eu te amo mais, Ana Flávia. Vem logo."

Fechei os olhos, imaginando a poeira subindo na estrada de terra com o carro deles chegando. O sertão ia testemunhar o encontro de dois mundos que, no fundo, sempre foram um só.
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