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Alguns laços que resistem ao tempo

Fandom: Borusara

Criado: 08/07/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCenário CanônicoDivergência
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Entre o Silêncio e a Promessa

A luz da lua filtrava-se pelas janelas altas do restaurante em Konoha, banhando a mesa de canto em um tom prateado que suavizava as linhas de cansaço nos rostos de Boruto e Sarada. O silêncio entre eles não era desconfortável, mas carregava o peso de anos de perdas compartilhadas. Haviam perdido amigos, companheiros de equipe e pedaços de si mesmos nas últimas guerras, mas o destino os unira de uma forma que jamais imaginaram: através de um testamento e de um berço.

O pequeno Denki, filho de seus amigos mais próximos que se foram cedo demais, estava agora sob a guarda deles. Criar uma criança no meio do caos de ser um shinobi era um desafio, mas naquela noite, pela primeira vez em meses, eles haviam permitido que Sakura cuidasse do neto de consideração para que pudessem, enfim, respirar.

Sarada girava a taça de vinho tinto, observando o reflexo das luzes da vila. Ela usava um vestido preto simples, mas elegante, que contrastava com a força habitual de seu uniforme jounin. Boruto, do outro lado da mesa, parecia mais maduro do que as memórias da infância permitiam recordar. A cicatriz no olho era um lembrete constante do que ele sacrificara, mas o brilho azul em seu olhar, quando pousava sobre ela, ainda guardava o calor do sol.

— Sabe, Sarada... — começou Boruto, sua voz rouca quebrando o transe dela. — O Denki dormiu sem reclamar hoje. Acho que ele finalmente está se acostumando com a gente.

Sarada sorriu suavemente, um gesto raro que iluminou seu rosto.

— Ele sente falta deles, Boruto. Todos nós sentimos. Mas ele confia em você. Ele olha para você como se você fosse o herói de todas as histórias que contamos.

— Eu só quero que ele cresça em um mundo onde não precise lutar tanto quanto nós — comentou ele, estendendo a mão sobre a mesa, mas hesitando antes de tocá-la.

Sarada não hesitou. Ela cobriu a mão dele com a sua, sentindo os calos da espada e a temperatura reconfortante de sua pele.

— Nós vamos dar isso a ele. Juntos.

O toque enviou uma corrente elétrica pelos dois. O jantar, que deveria ser apenas um descanso da rotina de fraldas e missões, subitamente se tornou carregado de uma tensão que vinha sendo cozida em fogo brando há anos. Eles eram parceiros de equipe, melhores amigos, guardiões... mas, no fundo, sempre houve aquele "algo mais" que o luto e o dever haviam enterrado.

— Não quero falar de deveres hoje — disse Boruto, os olhos fixos nos dela, intensos e honestos. — Quero falar de nós. Do que sobrou de nós depois de tanta tempestade.

Sarada sentiu o coração acelerar. Ela apertou a mão dele.

— O que sobrou é real, Boruto. Eu ainda estou aqui. E você ainda está aqui.

Eles pagaram a conta em um consenso silencioso. O ar da noite estava fresco, carregando o cheiro de pinheiros e da terra úmida de Konoha. Caminharam lado a lado pelas ruas menos movimentadas, os ombros se roçando ocasionalmente. Quando chegaram à porta do apartamento de Boruto, o lugar que agora servia de lar improvisado para aquela nova e estranha família, ele parou com a chave na mão.

— Você quer entrar? — perguntou ele, embora soubesse que ela morava ali metade do tempo para cuidar do bebê. Mas a pergunta tinha um peso diferente agora. Era um convite para o seu espaço pessoal, para o homem por trás do ninja.

— Quero — respondeu ela, a voz firme, sem desviar o olhar.

Ao entrarem, o apartamento estava mergulhado em uma penumbra suave, iluminado apenas pelas luzes da rua que vinham da varanda. Boruto fechou a porta e, antes que pudesse acender a luz, sentiu a mão de Sarada em seu peito.

— Boruto... — sussurrou ela.

Ele se virou, encontrando-a tão perto que conseguia sentir o perfume de flores e pergaminho que sempre a acompanhava. Sem dizer uma palavra, ele envolveu a cintura dela, puxando-a para mais perto. O contato inicial foi cauteloso, um reconhecimento de território, até que ele inclinou a cabeça e selou os lábios nos dela.

O beijo começou lento, carregado de uma saudade acumulada. Era o gosto de anos de proteção mútua, de lágrimas secas e de promessas silenciosas feitas no campo de batalha. Sarada passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o para si, enquanto as mãos de Boruto subiam pelas costas dela, sentindo a curva de sua coluna sob o tecido fino do vestido.

— Eu tive tanto medo de te perder — murmurou Boruto contra os lábios dela, a respiração curta. — Em cada missão, em cada momento que nos afastávamos...

— Você não vai me perder — respondeu ela, afastando-se apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos. — Eu sou a futura Hokage, lembra? Eu sou difícil de derrubar.

Boruto soltou uma risada baixa, uma vibração que ela sentiu contra o próprio peito.

— E eu sou o seu braço direito. Sempre.

Ele a pegou no colo com uma facilidade que a fez soltar um pequeno suspiro de surpresa. Caminhou até o quarto, onde a luz da lua desenhava formas geométricas no lençol azul-escuro. Ao depositá-la na cama, ele se ajoelhou por um momento, observando-a. Sarada era a força, a inteligência e agora, a doçura que ele nunca pensou que mereceria.

— Tem certeza? — perguntou ele, a voz carregada de uma vulnerabilidade que raramente mostrava ao mundo. — Porque depois disso, Sarada... não tem mais volta. Eu sou seu por inteiro.

Sarada estendeu a mão, acariciando a cicatriz no olho dele com o polegar.

— Eu nunca quis voltar, Boruto.

Ela o puxou para baixo, e o encontro de seus corpos foi como o encaixe perfeito de duas peças de um quebra-cabeça quebrado. As roupas foram deixadas de lado com uma urgência contida, revelando as cicatrizes que ambos carregavam — marcas de guerra que contavam a história de sua sobrevivência.

Quando ele entrou nela, foi com uma delicadeza que contrastava com sua natureza impetuosa. Sarada arqueou as costas, enterrando as unhas nos ombros largos dele, soltando um suspiro que era metade nome dele, metade alívio. Naquele momento, não havia Denki, não havia vila, não havia o peso do clã Uchiha ou o legado do Nanadaime. Havia apenas o calor da pele, o ritmo sincronizado de seus corações e a descoberta de que o amor podia florescer mesmo em solo marcado pela dor.

Boruto se moveu com paciência, observando cada reação dela, cada mudança no brilho de seus olhos pretos que agora pareciam profundos como o universo. Ele a beijou repetidamente — na testa, nas bochechas, nos lábios — como se quisesse marcar cada centímetro dela com sua devoção.

— Você é linda — sussurrou ele, a voz falhando.

— E você é meu — respondeu ela, puxando-o para um beijo profundo enquanto atingiam, juntos, o ápice de uma conexão que transcendia o físico.

Horas depois, o silêncio retornou ao quarto, mas era um silêncio preenchido. Sarada estava deitada com a cabeça no peito de Boruto, ouvindo as batidas rítmicas de seu coração. Ele tinha um braço em volta dela, os dedos traçando padrões aleatórios em seu braço.

— O que vamos fazer amanhã? — perguntou ela baixinho, o sono começando a cobrar seu preço.

Boruto sorriu, beijando o topo da cabeça dela.

— Amanhã, vamos buscar o Denki na casa da sua mãe. Vamos tomar café juntos. E depois... bem, depois vamos descobrir como ser uma família.

Sarada fechou os olhos, sentindo-se, pela primeira vez em muito tempo, completamente em casa.

— Eu gosto desse plano.

— Eu também — disse ele, fechando os olhos e deixando-se levar pelo cansaço, sabendo que, independentemente do que o futuro trouxesse para Konoha, ele finalmente tinha encontrado sua paz nos braços da mulher que sempre fora seu destino.
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