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King k.rool e diddy kong

Fandom: Donkey kong

Criado: 08/07/2026

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O Peso da Coroa e o Brilho das Bananas

A névoa matinal ainda se arrastava preguiçosamente pelas margens da Ilha DK, mas no convés do Gangplank Galleon, o clima não era de guerra, nem de conspiração. King K. Rool, o imenso e outrora temido rei dos Kremlings, estava sentado em um trono improvisado feito de barris de madeira e velhas redes de pesca. Seus olhos, geralmente injetados e frenéticos, tinham uma suavidade incomum enquanto ele observava o horizonte.

Um som de passos rápidos e acrobáticos ecoou pelas tábuas rangentes do navio. Antes que K. Rool pudesse se virar, um vulto vermelho saltou sobre seu ombro escamoso, puxando sua capa dourada com entusiasmo.

— Ei, K.! Você prometeu! — gritou Diddy Kong, equilibrando-se com facilidade no ombro do crocodilo. — Você disse que hoje iríamos explorar a Caverna de Cristal sem pressa!

O rei soltou uma risada profunda, que fez seu peito blindado vibrar como um trovão distante. Ele estendeu uma mão enorme e, com uma delicadeza surpreendente para alguém do seu tamanho, bagunçou o boné vermelho do macaquinho.

— Calma, pequeno — disse K. Rool, soltando um suspiro satisfeito. — O dia mal começou. As sombras ainda são longas e o café... bem, o café de um rei nunca deve ser apressado.

Diddy saltou para o chão, parando bem na frente de K. Rool. Ele cruzou os braços e fez um biquinho fingido, mas seus olhos brilhavam de alegria. A rivalidade de anos parecia uma memória de outra vida. Para Diddy, K. Rool não era mais o vilão que roubava bananas; era o mentor excêntrico, o gigante que contava histórias sobre os mares e que, de alguma forma, preenchia um espaço que nem mesmo Donkey Kong conseguia ocupar.

— O Donkey está dormindo até agora — comentou Diddy, chutando uma pedrinha imaginária. — Ele não entende a diversão de acordar cedo.

— Donkey Kong é um bom líder, mas falta-lhe o refinamento da realeza — K. Rool levantou-se, sua capa arrastando no convés. — Venha, Diddy. Se vamos para a caverna, precisamos de suprimentos. E por suprimentos, quero dizer as melhores bananas da reserva pessoal.

Eles caminharam juntos pela prancha do navio. A imagem era, no mínimo, peculiar: um crocodilo colossal, com uma coroa reluzente e um olho saltado, caminhando lado a lado com um pequeno chimpanzé que não parava de dar piruetas.

— K. Rool? — perguntou Diddy, enquanto entravam na densa folhagem da selva.

— Sim, pequeno primata? — respondeu o rei, afastando uma samambaia gigante para que Diddy passasse.

— Por que você parou de tentar roubar o estoque de bananas? — Diddy olhou para cima, curioso. — Quero dizer, a gente se diverte muito agora, mas você era bem persistente.

K. Rool parou por um momento. Ele olhou para suas próprias garras, depois para a figura pequena e vibrante de Diddy.

— Sabe, Diddy... — começou ele, com a voz subitamente mais rouca. — Ser um rei é uma tarefa solitária. Eu tinha súditos que me temiam, mas ninguém que realmente gostasse da minha companhia. As bananas eram um troféu, uma forma de provar que eu era o melhor. Mas descobri que prefiro mil vezes dividir uma banana com você do que governar um império de frutas sozinho.

Diddy sentiu um calor no peito. Ele correu e abraçou a perna escamosa de K. Rool.

— Você é o melhor rei que eu conheço — exclamou o macaquinho.

— Ora, não me faça amolecer! — K. Rool tentou parecer severo, mas um sorriso largo escapou de suas mandíbulas. — Vamos, a Caverna de Cristal não vai se explorar sozinha.

O caminho até a caverna foi preenchido por risadas e desafios de corrida que, obviamente, Diddy vencia pela agilidade, enquanto K. Rool compensava derrubando obstáculos com sua força bruta. Quando finalmente chegaram à entrada da caverna, o brilho dos cristais naturais iluminava o interior com tons de azul, roxo e dourado.

— Uau... — sussurrou Diddy, os olhos arregalados. — Olha aquilo ali em cima!

— Cristais de quartzo puro — explicou K. Rool, apontando para o teto. — Se você bater neles com o ângulo certo, eles tocam uma música.

O rei pegou uma pequena pedra e a lançou com precisão. O som que ecoou foi uma nota cristalina e pura, seguida por outra e mais outra, criando uma melodia etérea que preencheu o ambiente. Diddy começou a dançar, seguindo o ritmo das notas, e K. Rool acompanhou batendo palmas rítmicas.

— Você conhece muitos truques, K.! — disse Diddy, ofegante após a dança.

— Eu vivi muito tempo, pequeno. — K. Rool sentou-se em uma rocha plana e fez sinal para que Diddy se sentasse ao seu lado. — Mas a maioria das coisas que aprendi foi tentando ser alguém que eu não era. Só agora, com você, sinto que posso ser apenas o velho Rool.

Diddy sentou-se e encostou a cabeça no braço do crocodilo. O silêncio da caverna era reconfortante.

— Você às vezes se sente como meu pai — admitiu Diddy, em um sussurro quase inaudível.

K. Rool congelou. Seu coração, que ele sempre considerou frio por ser um réptil, deu um salto. Ele nunca teve filhos. Sua vida fora pautada por conquistas militares e ordens gritadas para os Kremlings. A ideia de ser uma figura paterna para um Kong era, em teoria, absurda. Mas, na prática, era a coisa mais certa que ele já sentira.

— Bem... — disse K. Rool, limpando a garganta e tentando esconder a emoção. — Se eu for seu pai, isso significa que você é um príncipe. E um príncipe precisa de uma educação adequada.

Diddy riu alto, saltando para o colo do rei.

— Um príncipe dos macacos e um rei dos crocodilos! — Diddy comemorou. — Imagina o que os outros vão dizer!

— Deixe que digam — respondeu K. Rool, envolvendo Diddy com seu braço maciço. — Eles não entendem que a família não é sobre quem se parece com quem, mas sobre quem está disposto a lutar por você. E eu lutaria contra todo o exército Kremling para garantir que você continue sorrindo assim.

Diddy olhou nos olhos de K. Rool e viu uma sinceridade que nenhuma coroa poderia comprar.

— Eu também lutaria por você, K. — disse o pequeno, com determinação. — Mesmo que você seja dez vezes o meu tamanho.

— Eu sei que lutaria, seu pestinha — K. Rool sorriu, mostrando suas presas, mas desta vez elas não eram assustadoras. — Agora, o que acha de irmos até a cachoeira? Ouvi dizer que as uvas gigantes estão maduras.

— Corrida até lá! — gritou Diddy, já saltando em direção à saída da caverna.

— Ei! Isso é trapaça! — K. Rool levantou-se rapidamente, rindo. — Volte aqui, seu macaquinho atrevido!

Enquanto corriam pela floresta, o som das risadas de ambos ecoava, misturando-se aos sons da natureza. Para quem visse de longe, era uma cena impossível. Mas ali, sob o sol da Ilha DK, um rei e um pequeno herói escreviam uma nova história. Uma história onde o medo fora substituído pelo afeto, e onde a maior riqueza não era um estoque de bananas, mas o tempo passado juntos.

Ao chegarem à cachoeira, a água caía como uma cortina de prata. K. Rool sentou-se à beira da água, observando Diddy mergulhar e brincar com os peixes.

— K.! Vem pra água! — chamou Diddy, jogando um jato de água no rosto do rei.

— Eu sou um rei, não um peixe de rio! — protestou K. Rool de forma teatral, limpando o rosto.

— Você é um crocodilo! Crocodilos amam água! — Diddy insistiu, rindo.

K. Rool fingiu estar ofendido por um segundo, mas logo soltou um rugido de alegria e pulou na água, causando um imenso respingo que encharcou Diddy completamente. Os dois passaram a tarde assim: entre mergulhos, brincadeiras e o compartilhamento de frutas doces.

Quando o sol começou a se pôr, tingindo o céu de laranja e violeta, eles voltaram lentamente para o navio. Diddy estava visivelmente cansado, seus passos eram mais lentos e ele bocejava a cada minuto.

— Venha cá — disse K. Rool, abaixando-se.

Diddy subiu nas costas do gigante e se aninhou entre as escamas das costas de K. Rool, fechando os olhos quase instantaneamente.

— Obrigado pelo dia, K. — murmurou o pequeno, já quase dormindo.

— Obrigado você, Diddy — respondeu o rei em voz baixa, para não acordá-lo. — Por me lembrar que o coração de um rei pode ser maior do que o seu reino.

K. Rool caminhou pela trilha silenciosa, carregando o pequeno príncipe dos macacos com o cuidado de quem carrega o tesouro mais valioso do mundo. Naquela noite, no Gangplank Galleon, não houve planos de invasão ou gritos de guerra. Houve apenas o silêncio de uma amizade improvável e o sono tranquilo de um pai e um filho que o destino, de forma curiosa, resolveu unir.

Enquanto acomodava Diddy em uma rede macia dentro de sua cabine real, K. Rool retirou sua coroa e a colocou sobre a mesa. Olhou para o pequeno macaco e depois para o objeto de ouro. Pela primeira vez em séculos, a coroa parecia leve. Porque ele sabia que, acontecesse o que acontecesse, ele já não precisava provar nada para ninguém. Ele tinha Diddy, e Diddy tinha a ele. E isso, para o Rei dos Kremlings, era mais do que suficiente.
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