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Chopper e jinbe

Fandom: One piece

Criado: 08/07/2026

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O Castigo da Panqueca de Tritão

O Sunny estava estranhamente silencioso. A maior parte do bando havia descido na ilha próxima para reabastecer suprimentos, deixando para trás apenas o timoneiro e o médico. Jinbe, com sua postura imponente e calma de sempre, observava o horizonte, enquanto Chopper, em sua forma Brain Point, parecia inquieto.

O problema começou quando Chopper, em um momento de tédio e excesso de açúcar após encontrar o estoque secreto de doces de Sanji, decidiu que seria uma ótima ideia testar a resistência das velas do navio usando suas galhadas e algumas ferramentas de carpintaria que Franky deixou dando sopa. O resultado? Um rasgo considerável na vela principal e uma bagunça de serragem por todo o convés gramado.

Jinbe, que raramente perdia a paciência, cruzou os braços e olhou para o pequeno médico, que agora tremia, escondido atrás de um barril — do jeito errado, como sempre, com o corpo para fora e o rosto escondido.

— Chopper-kun — chamou Jinbe, com sua voz grave ressoando como um trovão distante.

— S-sim, Jinbe? — A voz de Chopper saiu fina e carregada de culpa.

— Você sabe que o que fez foi perigoso e deu trabalho extra para o Franky, não sabe? — O mestre do Karatê Tritão se aproximou lentamente. — Como seu responsável hoje, temo que não posso deixar isso passar sem uma lição.

Chopper engoliu em seco, as orelhas murchas.

— Eu vou ter que limpar o convés com uma escova de dentes?

— Não — Jinbe deu um sorriso de canto, aquele olhar brincalhão que só quem o conhecia bem conseguia identificar. — Você vai cumprir o "Castigo da Panqueca". E como a travessura foi grande, serão sessenta minutos.

Chopper arregalou os olhos. Ele sabia o que aquilo significava. Jinbe sentou-se no gramado macio do Sunny, cruzando as pernas de forma confortável, e deu tapinhas no espaço à sua frente.

— Venha. Deite-se de bruços.

Relutante, mas sabendo que merecia, Chopper caminhou até Jinbe e se deitou na grama. Jinbe, com todo o cuidado para não usar seu peso real (o que esmagaria o pobre médico), posicionou-se de modo que sua enorme silhueta de tritão ficasse sentada sobre o pequeno corpo peludo de Chopper.

— Ai, é pesado! — exclamou Chopper, embora sua voz soasse mais como um risinho abafado pela grama.

— É para ser um castigo, pequeno — disse Jinbe, acomodando-se e começando a balançar levemente o quadril de um lado para o outro, "amassando" Chopper como se fosse uma massa de pão. — Mas também é um tempo para conversarmos.

— Uma hora é muito tempo, Jinbe! — protestou a rena, tentando mover as patinhas, mas ficando preso sob a imensidão azul do timoneiro.

— O tempo passa rápido quando compartilhamos histórias — Jinbe comentou, olhando para o céu azul. — Diga-me, Chopper, o que passou pela sua cabeça para tentar "consertar" o que não estava quebrado?

Houve um silêncio por alguns segundos, quebrado apenas pelo som das ondas batendo no casco do navio.

— Eu queria ser útil como o Franky ou o Usopp — confessou Chopper, a voz saindo abafada por estar com o rosto contra o gramado. — Às vezes eu acho que, se eu não estiver curando alguém, eu sou só um mascote. Eu queria mostrar que também sei cuidar do navio.

Jinbe parou de se mexer por um momento, sentindo o peso daquelas palavras. Ele deu um leve "rebolado" proposital, fazendo Chopper soltar um "uof!" engraçado.

— Você nunca será apenas um mascote, meu filho — disse Jinbe, com uma doçura que raramente mostrava aos outros. — Um navio não precisa apenas de mãos que consertem madeira. Ele precisa de um coração que cuide da tripulação. Sem você, as feridas de Luffy nunca cicatrizariam, e o espírito de nenhum de nós seria o mesmo.

— Você acha mesmo? — Chopper conseguiu virar o rosto de lado, olhando para a perna maciça de Jinbe que o cercava.

— Eu tenho certeza. Veja bem, eu vivi muitos anos nos mares. Vi tripulações fortes caírem não por falta de canhões, mas por falta de alguém que olhasse por eles como você olha por nós.

Chopper sentiu um calorzinho no peito que não tinha nada a ver com o peso de Jinbe.

— Jinbe... você sente falta da Ilha dos Tritões? — perguntou o pequeno, mudando de assunto para esconder o embaraço do elogio.

— Às vezes — admitiu o timoneiro, voltando a se balançar levemente sobre Chopper, o que fazia a rena soltar pequenos grunhidos engraçados. — Mas o mar é o meu lar. E agora, este navio e vocês são a minha família. Eu me sinto como um pai cuidando de um bando de filhos barulhentos.

— E eu sou o seu filho favorito? — Chopper perguntou, com os olhos brilhando de expectativa.

Jinbe soltou uma risada profunda, que fez todo o corpo de Chopper vibrar sob ele.

— Bem, você certamente é o mais comportado... tirando os incidentes com as velas do navio.

— Ei! — Chopper tentou se debater, mas Jinbe apenas se ajeitou com mais firmeza, fazendo o "castigo da panqueca" ficar ainda mais apertado. — Jinbe, você está me esmagando!

— É o peso da responsabilidade, Chopper-kun — brincou o tritão. — Faltam quarenta minutos.

— Quarenta minutos?! — Chopper choramingou de forma cômica. — Minhas patinhas vão ficar planas!

— Se ficarem, você é o médico, pode se curar — Jinbe retrucou, rindo. — Mas me conte mais sobre o Dr. Hiriluk. Você sempre fala dele com tanto carinho.

Chopper relaxou novamente sob o peso confortável de Jinbe. Ele começou a contar histórias que Jinbe já ouvira antes, mas o tritão ouvia com a atenção de quem as escutava pela primeira vez. Ele perguntava detalhes sobre o pó de cerejeira, sobre a neve em Drum e sobre as lições de medicina.

Enquanto Chopper falava, Jinbe ocasionalmente mudava sua posição, fazendo movimentos circulares que, apesar de serem parte do "castigo", acabavam funcionando como uma massagem gigante para a rena.

— Sabe, Jinbe — disse Chopper, após algum tempo —, eu fico feliz que você tenha entrado para o bando. No começo, eu tinha um pouco de medo porque você era um Shichibukai e era muito sério.

— Medo de mim? — Jinbe pareceu surpreso.

— É! Você é enorme e muito forte. Mas agora... sentar aqui embaixo de você é como estar protegido por uma montanha azul.

Jinbe sentiu uma pontada de emoção. Ele esticou a mão zona e deu um leve toque no chapéu de Chopper, que estava caído ao lado.

— Eu sempre protegerei você, pequeno. Seja de inimigos, ou de você mesmo quando decide brincar com as ferramentas do Franky.

— Promete? — A voz de Chopper era pequena e sincera.

— Com a minha vida — respondeu Jinbe, com a gravidade de um juramento de cavaleiro, mas logo quebrou o clima sério com um movimento brusco de quadril. — Mas a promessa não diminui o tempo do castigo! Ainda faltam quinze minutos de panqueca!

— Ah, não! Eu achei que o momento sentimental ia me dar um desconto! — Chopper começou a rir, tentando inutilmente empurrar o bumbum de Jinbe com suas patinhas traseiras.

— Nada disso. Um homem deve arcar com as consequências de seus atos até o fim — declarou Jinbe, fingindo uma seriedade absoluta enquanto balançava para frente e para trás.

— Você está se divertindo com isso, não está? — acusou Chopper, embora também estivesse sorrindo.

— Talvez um pouco. É relaxante sentar na grama. E você é muito macio, Chopper-kun. Parece que estou sentado em uma nuvem de algodão-doce.

— Não me chame de algodão-doce! Isso não me deixa feliz, seu idiota! — Chopper começou a fazer aquela dancinha característica, mesmo estando prensado contra o chão, o que fez Jinbe rir ainda mais.

Os minutos finais passaram entre risadas e planos para o jantar. Jinbe prometeu que ajudaria Chopper a explicar o rasgo na vela para Franky, assumindo parte da culpa por não ter vigiado melhor o "filho".

Quando o cronômetro mental de Jinbe finalmente marcou uma hora, ele se levantou com agilidade, libertando a pequena rena. Chopper ficou deitado por alguns segundos, espalhado no chão como se tivesse sido passado por um rolo compressor, antes de se sacudir todo e voltar à sua forma normal.

— Eu me sinto... achatado — disse Chopper, cambaleando um pouco.

Jinbe se abaixou e pegou Chopper no colo, colocando-o sentado em seu ombro largo.

— Venha, Panqueca-kun. Vamos ver se o Sanji deixou algum lanche na cozinha antes de sair.

— Só se você não sentar em cima de mim na cadeira! — avisou Chopper, agarrando-se à gola da roupa de Jinbe.

— Não prometo nada — disse o tritão, caminhando em direção à cozinha com seu pequeno médico a tiracolo, ambos compartilhando um laço que ia muito além de serem apenas companheiros de tripulação. No Sunny, o silêncio havia acabado, substituído pelo som reconfortante de uma família que, entre castigos engraçados e conversas sinceras, cuidava uns dos outros.
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