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Onde Meu Coração Encontrou Você

Fandom: Jeon Jungkook

Criado: 08/07/2026

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RomanceDramaAngústiaHistória DomésticaGravidez Não Planejada/IndesejadaUA (Universo Alternativo)Dor/ConfortoAlmas Gêmeas
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Sussurros de Busan e o Echo do Silêncio

— Acho que você está bêbada — disse Jungkook, com um sorriso de canto que fazia seus olhos brilharem sob a luz suave do abajur.

Alyssa soltou uma risada leve, sentindo o rosto quente, mas não era apenas pelo vinho. Era a presença dele, a forma como o espaço entre eles parecia carregar uma eletricidade estática.

— Eu não estou bêbada — retrucou ela, balançando a cabeça devagar. — Eu só estou... feliz. Finalmente feliz.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável; pelo contrário, era como um abraço. Jungkook se inclinou para frente, diminuindo a distância até que Alyssa pudesse sentir o calor que emanava dele. Antes que ela pudesse processar o movimento, os lábios dele encontraram os dela. Foi um beijo de surpresa, mas a reação de Alyssa foi instantânea. Ela não recuou. Em vez disso, ela se entregou, deixando-se levar pelo gosto cítrico dele e pelo perfume amadeirado que sempre parecia impregnado em sua pele.

Quando se separaram, o ar parecia ter sumido do quarto. Alyssa estava com os olhos arregalados, o peito subindo e descendo com rapidez.

— Isso foi... inesperado — disse ela, rindo baixinho, a voz falhando um pouco.

Jungkook não respondeu com palavras. Ele a puxou novamente, desta vez com uma urgência que fez o sangue de Alyssa ferver. O segundo beijo foi profundo, exploratório, as línguas se encontrando em um ritmo desesperado. Eles se levantaram, os corpos colados enquanto caminhavam hesitantemente em direção à porta do quarto dele. Alyssa sentia as mãos grandes de Jungkook em sua cintura, apertando-a contra ele como se tivesse medo de que ela desaparecesse. Eles tropeçaram um no outro, rindo entre os beijos, quase caindo antes de atravessarem o batente da porta.

Assim que entraram no quarto, a atmosfera mudou. A brincadeira deu lugar a um desejo cru. Jungkook a pegou no colo, fazendo Alyssa entrelaçar as pernas em sua cintura, e a levou até a cama. O contato das costas dela com o lençol macio foi o gatilho para que as roupas começassem a se tornar um obstáculo. Com movimentos ágeis e carregados de carinho, ele a ajudou a se livrar das peças, seus dedos traçando caminhos de fogo pela pele clara da brasileira.

No entanto, em um momento de lucidez, Jungkook parou. Ele se apoiou sobre os cotovelos, olhando-a nos olhos com uma intensidade que a fez estremecer.

— Alyssa... você tem certeza? Eu não quero apressar nada. Quero que isso seja perfeito para você.

Ela sentiu o coração disparar. Levou a mão ao rosto dele, acariciando a mandíbula marcada.

— Eu quero, Jeon. Eu nunca tive tanta certeza de algo. — Ela hesitou por um segundo antes de confessar em um sussurro: — Vai ser a minha primeira vez.

O olhar dele suavizou, tornando-se ainda mais protetor e terno. Ele beijou a testa dela, o nariz e, por fim, os lábios, em um selinho demorado.

— Eu vou cuidar de você — prometeu ele.

A noite que se seguiu foi uma descoberta mútua. Jungkook foi paciente, guiando-a com palavras doces e toques gentis, transformando a dor inicial em uma onda de prazer que Alyssa nunca imaginou existir. Aquele final de semana se tornou um borrão de lençóis bagunçados, café da manhã servido na cama e beijos que duravam horas. Eles se amaram como se o mundo lá fora não existisse, explorando cada centímetro um do outro sob a luz do sol que filtrava pelas cortinas.

Mas o mundo lá fora existia. E ele tinha prazos.

Um mês depois daquela noite, o idílio foi interrompido. Jungkook, cujo segredo como idol ainda permanecia guardado sob a justificativa de "viagens de negócios", anunciou que precisaria se ausentar por três meses.

— Eu prometo que vou ligar todos os dias — disse ele, segurando o rosto de Alyssa no aeroporto clandestino. — O fuso horário vai ser difícil, e o trabalho é exaustivo, mas eu não vou esquecer você nem por um segundo.

Alyssa acreditou. Ela estava radiante, sentindo-se amada como nunca fora pelo ex-namorado traidor. No entanto, a realidade foi mais cruel. As semanas passaram e as chamadas de vídeo tornaram-se raras. As mensagens de Jungkook eram curtas, e as dela muitas vezes ficavam sem resposta por dias. Ela tentava ser compreensiva, mas a solidão começou a pesar.

Até que o corpo dela deu o primeiro sinal.

O desmaio no meio do expediente na cafeteria em Seul foi o alerta. No hospital, a notícia caiu como uma bomba: grávida de doze semanas. Três meses. O fruto daquela primeira noite mágica estava crescendo dentro dela.

Desesperada, Alyssa ligou para Jungkook. Uma, duas, dez vezes. Nada. O que ela não sabia era que, naquele exato momento, ele estava no palco de um estádio lotado do outro lado do mundo, e seu celular, com a tela estilhaçada após uma queda acidental no camarim, estava desligado em uma gaveta.

As lágrimas de Alyssa secaram e deram lugar a uma decepção amarga.

— Eles são todos iguais, Alyssa — disse a Sra. Min-Park, sua professora, enquanto a abraçava na sala dos professores. — Os jovens coreanos... eles se divertem e, quando a responsabilidade bate à porta, eles desaparecem. Você não pode ficar sozinha aqui.

A proposta da professora foi a sua tábua de salvação. Busan. Uma cidade litorânea, longe do burburinho de Seul e das lembranças de um amor que agora parecia uma mentira bem contada.

— Minha tia, Doria-Ji, mora sozinha em uma casa espaçosa. Ela vai adorar a companhia — garantiu a professora. — Eu falo com o diretor. Você termina o curso à distância. Fuja desse sofrimento, minha querida.

Alyssa não olhou para trás. Ela empacotou sua vida em duas malas e partiu para o sul. Na pressa da mudança e no turbilhão emocional, seu celular acabou caindo nos trilhos do trem e foi esmagado. Sem dinheiro para um novo e querendo se desconectar de tudo que a machucava, ela decidiu que o silêncio seria seu novo companheiro.

Em Busan, a vida ganhou um ritmo diferente. A brisa do mar trazia um alento que Seul nunca ofereceu. A tia Doria-Ji era uma mulher de coração de ouro, que a recebeu com sopa quente e conselhos sábios. Logo, Alyssa conseguiu um emprego em uma pequena e charmosa cafeteria local, de propriedade do Sr. Park-Jin.

— Uma grávida trabalhando? — perguntou o Sr. Park-Jin no primeiro dia, ajustando os óculos. — Pois bem, você parece dedicada. Só não carregue peso. Deixe que eu cuido das sacas de grãos.

Alyssa sorriu, sentindo pela primeira vez em semanas que as coisas ficariam bem. Sua barriga, agora com quatro meses, começava a aparecer timidamente sob os aventais largos.

Enquanto isso, em Seul, o caos reinava no coração de Jeon Jungkook.

Ele havia retornado da turnê mundial exausto, mas ansioso. Assim que consertou o celular e viu a avalanche de chamadas perdidas e as mensagens desesperadas de Alyssa, seu mundo desabou. Ele correu até o apartamento dela, mas encontrou apenas um aviso de "disponível para alugar". Foi à faculdade, mas a secretaria informou que ela havia solicitado transferência para regime especial e não deixou endereço.

— Onde você está, Alyssa? — murmurava ele, sentado no banco de pedra à beira do Rio Han, onde costumavam caminhar.

Ele passava madrugadas ali, escondido sob um boné e uma máscara, observando cada mulher que passava, esperando ver o brilho dos olhos da brasileira. Ele tentou rastrear o número dela, mas o sinal estava morto. Ele sentia-se um monstro. Sabia que ela devia pensar que ele a abandonara, mas a verdade era que ele estava pronto para largar tudo por ela.

Um mês se passou desde o retorno dele. Jungkook estava mais magro, a maquiagem nos shows mal conseguia esconder as olheiras de quem não dormia.

Em Busan, Alyssa estava fechando a cafeteria do Sr. Park-Jin. O sol estava se pondo, pintando o céu de laranja e roxo. Ela levou a mão ao ventre, sentindo um leve chute.

— Ele vai ser forte como você, querida — disse a tia Doria-Ji, aparecendo na porta com um casaco. — Mas você precisa descansar. O Sr. Park-Jin disse que amanhã chegam novos fornecedores de Seul.

Alyssa assentiu, limpando o balcão.

— Fornecedores de Seul? — Ela sentiu um aperto no peito, uma saudade que se recusava a morrer. — Espero que tragam um café bom. O estoque está acabando.

Ela não sabia, mas o destino estava tecendo fios invisíveis. Jungkook, em seu desespero, havia começado a investir em pequenas cafeterias pelo país através de laranjas, na esperança de que, se ela estivesse trabalhando em algum lugar, ele eventualmente a encontraria através dos registros de fornecimento ou da rede de contatos da indústria. Ele não sabia que ela estava em Busan, mas ele estava expandindo sua busca para o sul.

Naquela noite, Alyssa sonhou com o cheiro de madeira e o toque de mãos grandes e quentes. Ela acordou com lágrimas nos olhos, mas as limpou rapidamente. Ela tinha um filho para criar. Ela tinha uma vida para reconstruir.

— Eu não preciso dele — sussurrou para a penumbra do quarto.

Mas seu coração, traidor e esperançoso, batia mais forte toda vez que o sino da porta da cafeteria tocava, esperando, contra todas as probabilidades, que o homem que a deixou no silêncio cruzasse aquela porta e explicasse que tudo não passou de um terrível mal-entendido.

O inverno estava chegando a Busan, e com ele, uma tempestade que mudaria tudo novamente. O Sr. Park-Jin mencionou que o "grande chefe" da distribuidora viria pessoalmente conferir a qualidade do serviço em Busan na semana seguinte. Alyssa não deu importância. Para ela, eram apenas negócios. Para Jungkook, era a última tentativa de encontrar sua alma gêmea antes que o segredo de sua vida como idol e a pressão da empresa o sufocasse definitivamente.

A distância entre Seul e Busan nunca pareceu tão curta, e ao mesmo tempo, tão intransponível. Mas o destino, assim como o amor deles naquela primeira noite, tinha planos que nenhum dos dois poderia prever.
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