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Meu namoro sfd

Fandom: +18

Criado: 08/07/2026

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Entre o Risco e a Adrenalina

O sol de final de tarde começava a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e roxo que pareciam refletir o estado de espírito de quem vive no limite. No quarto de Maria Clara, o ar estava carregado com o cheiro de perfume doce e o som baixo de uma playlist de trap que ecoava pelas paredes repletas de pôsteres. Maria Clara, sentada na ponta da cama, observava a amiga com um olhar que misturava diversão e cumplicidade. Ela conhecia cada faceta daquela garota de quatorze anos que, para o mundo, era apenas a personificação da extroversão e da alegria, mas que entre quatro paredes guardava segredos muito mais densos.

— Você tem certeza de que ele vem? — perguntou Maria Clara, ajeitando uma mecha de cabelo e voltando a atenção para o celular.

— Ele nunca fura, Maria. Você sabe como o Lucas é — respondi, enquanto conferia meu reflexo no espelho pela décima vez. — Ele gosta do perigo tanto quanto eu, talvez até mais. Só que ele guarda esse lado só para mim.

Maria Clara soltou uma risada curta, balançando a cabeça. Ela era o porto seguro, a pessoa que acobertava as saídas noturnas e as mentiras contadas aos pais. Para o resto da escola, eu era a menina comunicativa que fazia amizade com todos, mas a verdade era que minha mente operava em uma frequência diferente, sempre buscando o que era proibido, o que era ilícito, o que fazia o sangue correr mais rápido nas veias.

— O que vocês planejaram para hoje não é brincadeira — alertou Maria Clara, embora houvesse um brilho de apoio em seus olhos. — Se pegarem vocês com aquilo, não vai ter desculpa que ajude.

— O risco é metade da diversão — retruquei com um sorriso de canto, sentindo aquela familiar pontada de excitação no estômago.

O som de uma moto estacionando na rua abaixo interrompeu a conversa. Era o sinal. Lucas, aos seus dezesseis anos, tinha uma presença que comandava atenção sem precisar dizer uma palavra, embora fosse tão extrovertido quanto eu em situações sociais comuns. Ele era o equilíbrio perfeito entre o carisma público e a intensidade privada.

Desci as escadas rapidamente, despedindo-me de Maria Clara com um aceno rápido. Ao abrir a porta, encontrei Lucas encostado na moto, o capacete pendurado no braço e um sorriso que eu conhecia bem: o sorriso de quem estava pronto para quebrar algumas regras.

— Pronta para o que vem a seguir? — perguntou ele, os olhos brilhando sob a luz dos postes que começavam a acender.

— Eu nasci pronta, Lucas. Você sabe disso — respondi, subindo na garupa e sentindo a vibração do motor sob nós.

O trajeto até o ponto de encontro foi rápido. O vento batia no rosto, trazendo consigo a sensação de liberdade absoluta. Paramos em um galpão abandonado na periferia da cidade, um lugar onde a lei não costumava chegar e onde os negócios eram feitos sob a proteção das sombras. Ali, o conceito de "ilícito" deixava de ser uma palavra e se tornava uma prática.

Lucas desceu da moto e estendeu a mão para me ajudar. O ambiente era úmido e cheirava a poeira e ferrugem. No centro do galpão, uma pequena mesa improvisada sustentava o que tínhamos ido buscar. Não eram apenas objetos; eram símbolos de uma rebeldia que nos definia.

— Ele disse que estaria aqui — murmurou Lucas, olhando ao redor com cautela.

— Relaxa, ele não vai perder a chance de ganhar o que prometemos — eu disse, cruzando os braços e tentando manter a postura inabalável que minha personalidade extrovertida sempre facilitava.

De repente, um vulto se moveu nas sombras do fundo do galpão. Um homem magro, com roupas largas e um boné enterrado até os olhos, aproximou-se. Ele carregava uma mochila pequena, que parecia pesada demais para o seu tamanho.

— Trouxeram o que eu pedi? — a voz do homem era rouca, marcada por anos de uma vida que eu só via em filmes.

— Está tudo aqui — Lucas respondeu, tirando um envelope do bolso interno da jaqueta. — Mas primeiro queremos ver a mercadoria.

O homem colocou a mochila sobre a mesa e abriu o zíper lentamente. Dentro, pacotes envoltos em plástico escuro revelavam o conteúdo que faria qualquer autoridade perder o sono. Era o tipo de coisa que adolescentes da nossa idade não deveriam sequer saber que existia, mas ali estávamos nós, negociando como se fôssemos veteranos.

Eu me aproximei, sentindo a adrenalina atingir o ápice. Toquei um dos pacotes, sentindo a textura áspera. O perigo era palpável, e a safadeza que eu escondia atrás do sorriso de boa menina gritava por aquela transgressão.

— É o que você queria? — Lucas sussurrou no meu ouvido, sua mão pousando levemente na minha cintura.

— É perfeito — respondi, olhando para ele.

A troca foi feita em silêncio. O envelope passou para as mãos do homem, e a mochila passou para as mãos de Lucas. O negociante desapareceu nas sombras tão rápido quanto surgira, deixando-nos sozinhos com o peso de nossas escolhas.

— Precisamos sair daqui antes que alguém apareça — disse Lucas, já se movendo em direção à saída.

— Espera — eu o detive, segurando seu braço. — Você sente isso?

— O quê? — ele parou, olhando ao redor.

— O poder de ter algo que ninguém mais tem coragem de buscar — eu disse, um brilho intenso nos olhos. — Todo mundo acha que somos apenas o casal popular da escola, os que organizam as festas e tiram notas boas. Eles não têm ideia do que somos capazes.

Lucas sorriu, aquele sorriso que ele reservava apenas para os nossos momentos de maior intimidade e cumplicidade criminosa.

— É por isso que eu amo o jeito que você pensa — ele disse, puxando-me para perto por um breve segundo antes de voltarmos para a realidade da rua. — Vamos, a Maria Clara está esperando o sinal de que deu tudo certo.

Montamos na moto e partimos, deixando o galpão para trás. No caminho de volta, a mente já planejava o próximo passo. O que tínhamos na mochila era apenas o começo. Com o apoio de Maria Clara e a coragem de Lucas, o mundo parecia pequeno demais para as nossas ambições.

Ao chegarmos de volta à casa de Maria, ela já nos esperava na varanda, os braços cruzados e uma expressão de alívio ao nos ver inteiros.

— E então? — ela perguntou assim que descemos.

— Conseguimos — eu disse, levantando a mochila como um troféu.

— Entrem logo — Maria Clara disse, abrindo espaço. — Vamos conferir isso e planejar como vamos distribuir sem levantar suspeitas.

Entramos no quarto e trancamos a porta. O ambiente seguro da casa de Maria Clara contrastava bruscamente com o que acabáramos de fazer. Espalhamos o conteúdo da mochila sobre a cama. Eram substâncias e itens que, nas mãos erradas, causariam um desastre, mas nas nossas, eram ferramentas de controle e prazer.

— Vocês são loucos — comentou Maria Clara, examinando um dos pacotes. — Mas é por isso que eu estou com vocês. Alguém tem que garantir que vocês não se matem.

— Você é a nossa rede de segurança, Maria — Lucas disse, sentando-se no chão e começando a organizar os itens. — Sem você, metade dos nossos planos teria falhado antes mesmo de começar.

— Exatamente — eu concordei, sentando-me ao lado dele. — O que fazemos agora define o resto do semestre.

A noite avançou entre sussurros e planos detalhados. A extroversão que mostrávamos no dia a dia era a máscara perfeita para a rede que estávamos construindo. Ninguém suspeitaria da garota de quatorze anos que sempre tinha uma palavra gentil para os professores, nem do namorado atlético que era o exemplo de liderança.

— Às vezes eu me pergunto — começou Maria Clara, olhando para nós dois — até onde vocês pretendem ir com isso.

— Até onde o limite permitir — respondi sem hesitar. — E quando chegarmos ao limite, vamos empurrá-lo um pouco mais para frente.

Lucas olhou para mim, e naquele olhar havia uma promessa silenciosa de que estaríamos juntos em cada transgressão, em cada ato ilícito que decidíssemos cometer. A safadeza que eu escondia não era apenas sobre desejos carnais, mas sobre o desejo de possuir o proibido, de dominar o que era perigoso.

— Amanhã na escola, agimos como se nada tivesse acontecido — instruiu Lucas, fechando a mochila novamente. — Maria, você fica com a primeira parte. Eu cuido do contato com os veteranos.

— E eu cuido de quem vai querer comprar — eu disse, o sorriso extrovertido já voltando ao rosto, pronta para a máscara do dia seguinte. — Afinal, ninguém nega um pedido da garota mais simpática da turma.

A cumplicidade no quarto era absoluta. Éramos três contra o mundo, navegando por águas perigosas com a confiança de quem não teme o naufrágio. O que começara como uma busca por adrenalina havia se tornado algo muito maior, uma teia de segredos e atos ilícitos que nos unia de forma inquebrável.

— Vamos descansar — sugeriu Maria Clara. — Amanhã o dia vai ser longo.

Lucas se despediu com um beijo rápido, saindo pela janela para evitar ser visto pelos pais de Maria. Eu fiquei ali, olhando para a mochila agora escondida sob a cama, sentindo o peso do que tínhamos feito e a empolgação do que ainda viria. A vida era um jogo de aparências, e eu estava ganhando.

— Você está bem mesmo com isso? — Maria Clara perguntou antes de apagar a luz.

— Nunca estive melhor — respondi, fechando os olhos e sentindo o coração ainda acelerado.

O silêncio da noite encobria nossas intenções, mas dentro de mim, a chama da rebeldia queimava mais forte do que nunca. O amanhã traria novos desafios, novos riscos e novas oportunidades de mostrar que, por trás da fachada de inocência, existia uma mente mestre pronta para desafiar qualquer regra. E com Lucas ao meu lado e Maria Clara na retaguarda, eu sabia que nada poderia nos parar.
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