Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 09/07/2026

Tags

DramaAngústiaPsicológicoSombrioExperimentação HumanaBiopunkEstudo de PersonagemCenário Canônico
Índice

O Gosto Amargo da Traição

A luz fluorescente dos corredores da Escola de Papel cintilava de forma monótona, refletindo-se no piso polido que Oliver percorria com passos despreocupados. Em sua mão direita, ele segurava uma barra de sabonete de lavanda, sua favorita. Ele deu uma mordida generosa, sentindo a textura cerosa e o sabor artificialmente floral inundarem seu paladar. Para Oliver, aquilo era melhor que qualquer refeição da cafeteria.

Seus longos cabelos brancos, presos naquele rabo de cavalo baixo que quase tocava seus calcanhares, balançavam levemente conforme ele caminhava. A marca de "A+" em seu cabelo parecia brilhar com sua autoconfiança habitual. Ele estava pensando em qual seria a próxima pegadinha que faria com Zip, ou talvez em como irritar algum aluno novo que ainda não conhecia as regras cruéis daquele lugar.

De repente, o ambiente pareceu esfriar. Antes que Oliver pudesse dar a próxima mordida em seu lanche perfumado, uma mão mecânica e pesada surgiu das sombras de uma sala de suprimentos aberta, agarrando-o pelo colarinho da camisa preta com uma força descomunal.

— Mas o que diabos...? — Oliver tentou protestar, mas o sabonete escorregou de sua mão, caindo no chão com um baque seco.

Ele foi puxado para dentro da escuridão com uma rapidez violenta. A porta se fechou com um estrondo metálico, ecoando pelo corredor vazio.

Algum tempo se passou. A consciência de Oliver retornou em ondas de confusão e desconforto. Quando ele finalmente conseguiu abrir os olhos, a primeira coisa que sentiu foi a restrição. Ele tentou mover os braços, mas eles estavam colados às laterais de uma cadeira de metal fria. Seus pés e pernas estavam igualmente imobilizados.

Ele olhou para baixo e o choque o atingiu como um balde de água gelada. Ele não estava amarrado com cordas comuns. Grossos cabos de energia pretos e cinzas envolviam seu corpo, circulando seu peito, seus braços e até mesmo seu braço de lápis, prendendo-o firmemente à estrutura da cadeira.

Oliver tentou gritar, mas o som morreu em sua garganta. Um cabo de borracha grosso havia sido passado por sua boca, servindo como uma mordaça improvisada e eficaz, forçando sua mandíbula a permanecer levemente aberta. Ele bufou pelo nariz, seus olhos arregalados de indignação e raiva. Quem ousaria fazer isso com ele? Ele era Oliver! Ele era quem fazia as perguntas, não quem era interrogado.

Ele começou a se debater freneticamente. O metal da cadeira rangia contra o chão de concreto, mas os cabos eram apertados demais. Cada movimento só fazia com que o material emborrachado queimasse sua pele.

— Shhh, se acalme, Oliver. Você vai acabar derrubando a cadeira e eu não quero ter que te levantar do chão. É um trabalho pesado.

A voz era familiar. Oliver congelou, seus olhos focando na figura que emergia das sombras, iluminada por uma única lâmpada pendurada no teto que balançava suavemente.

Era Edward.

O inventor e amigo de Oliver caminhava calmamente, limpando as mãos em um pano sujo de graxa. Ele não parecia zangado, o que era ainda mais perturbador. Ele tinha aquele brilho científico e maníaco nos olhos que costumava reservar para seus experimentos com robótica.

— Hummm... mmmph! — Oliver tentou falar, a voz abafada pelo cabo em sua boca. Seus olhos lançavam faíscas de fúria, e a mecha arrepiada no topo de sua cabeça parecia mais espetada do que o normal.

Edward puxou um banquinho e sentou-se à frente de Oliver, cruzando os braços com um sorriso de satisfação.

— Eu sei, eu sei. Você está confuso. "Por que o Edward, meu fiel parceiro de travessuras, me prenderia como um bicho de laboratório?", você deve estar se perguntando — Edward inclinou a cabeça, observando as amarras. — Ficou bem firme, não ficou? Usei os cabos blindados do laboratório de física.

Oliver soltou um rosnado abafado e tentou usar seu braço de lápis para perfurar o cabo, mas o ângulo era impossível. Ele estava completamente vulnerável.

— Sabe, Oliver — começou Edward, levantando-se e começando a rodear a cadeira —, eu andei analisando o seu comportamento ultimamente. Nós nos divertimos muito, eu, você e a Zip. Mas você tem uma tendência a... como posso dizer? Ser o centro das atenções. Sempre o plano é seu, a piada é sua, o "A+" é seu.

Edward parou atrás de Oliver e colocou as mãos nos ombros do garoto. Oliver estremeceu, sentindo o toque frio.

— Eu comecei a me perguntar: o que aconteceria se o Oliver perdesse o controle por um tempo? — Edward sussurrou perto do ouvido dele. — O que aconteceria se o mestre das pegadinhas se tornasse o objeto de estudo?

Oliver balançou a cabeça violentamente para o lado, tentando atingir Edward com seus chifres pretos, mas o inventor se esquivou com facilidade, rindo baixinho.

— Cuidado com esses chifres! Você pode se machucar. E eu ainda preciso de você inteiro para a próxima fase.

Edward caminhou até uma mesa próxima, onde vários componentes eletrônicos estavam espalhados. Ele pegou um pequeno dispositivo com um interruptor e voltou para a frente de Oliver.

— Mmmph! Mmm-mmph! — Oliver protestava, suas botas pretas batendo no chão enquanto ele tentava empurrar o corpo para trás. As meias brancas até o joelho estavam agora sujas de poeira.

— Você quer que eu tire a mordaça? — perguntou Edward, fingindo consideração. — Eu tiro, mas só se você prometer não gritar. As professoras não gostam de barulho fora do horário das aulas, e a Miss Circle tem um olfato muito apurado para problemas.

Oliver assentiu freneticamente, embora seus olhos ainda comunicassem promessas de vingança dolorosa.

Edward estendeu a mão e, com um movimento lento e deliberado, soltou a trava do cabo que prendia a boca de Oliver. Assim que o objeto foi removido, Oliver cuspiu o gosto de borracha e respirou fundo, embora seus pulmões ainda estivessem pressionados pelos cabos no peito.

— Você ficou louco, Edward?! — gritou Oliver, sua voz ecoando na sala vazia. — Me solta agora! Isso não tem graça! Se a Zip descobrir que você me trancou aqui, ela vai...

— Ela vai o quê? — Edward o interrompeu, mantendo a calma. — A Zip está ocupada no andar de cima, tentando não ser devorada pela Miss Bloomie. Além disso, quem você acha que me ajudou a conseguir os cabos de alta resistência?

O coração de Oliver falhou uma batida.

— Mentira. Ela não faria isso.

— Ah, Oliver... você é tão egocêntrico que nem percebe quando seus próprios amigos precisam de uma folga da sua "liderança" — Edward brincou com o pequeno dispositivo em suas mãos. — Não se preocupe, isso é temporário. Eu só preciso testar uma coisa.

— Testar o quê? — Oliver rosnou, tentando forçar os cabos nos braços. — Eu não sou um dos seus robôs de sucata!

— Não, você é muito mais interessante. Você é biológico, mecânico e... bem, você come sabonete. Sua química corporal é um mistério que eu pretendo desvendar — Edward aproximou o dispositivo do braço de lápis de Oliver. — Eu sempre quis saber se esse seu braço de grafite pode conduzir eletricidade de baixa frequência sem queimar seu sistema nervoso.

Os olhos de Oliver se arregalaram. A raiva foi substituída por uma pontada genuína de medo.

— Edward, para. Isso é sério. A gente é amigo, lembra? Sabonete de lavanda? Pegadinhas no banheiro? A gente colou o caderno do Abbie no teto ontem!

Edward parou por um momento, parecendo pensativo. Um silêncio pesado caiu sobre a sala.

— É, foi engraçado — admitiu Edward. — Mas sabe o que vai ser mais engraçado? Ver o "A+" da escola levar um choque de realidade. Literalmente.

— Eu vou acabar com você! — Oliver gritou, a franja branca caindo sobre seus olhos enquanto ele se debatia com renovada energia. — Eu vou garantir que você seja expulso! Eu vou contar para a Miss Circle que você está estragando o material da escola!

Edward soltou uma gargalhada alta e genuína.

— Contar para as professoras? Você? O garoto que vive quebrando as regras? Elas provavelmente me dariam uma medalha por manter você quieto por cinco minutos.

Ele se inclinou para frente, conectando um pequeno fio do dispositivo à ponta do lápis que servia como braço esquerdo de Oliver.

— Agora, fique parado. Se você se mexer muito, o arco elétrico pode saltar para o seu cabelo, e seria uma pena queimar esse rabo de cavalo tão comprido. Deu muito trabalho para você deixar crescer até os tornozelos, não foi?

Oliver parou de se mexer instantaneamente. O suor frio escorria por sua têmpora, borrando levemente a marca vermelha em seu cabelo. Ele olhou para o próprio braço mecânico, depois para Edward, que tinha o dedo posicionado sobre o interruptor.

— Por favor, Edward... não faz isso — a voz de Oliver saiu mais baixa, quase um sussurro.

— Oh, agora estamos sendo educados? — Edward sorriu de forma predatória. — Onde está aquele Oliver arrogante que eu conheço?

— Ele ainda está aqui — Oliver disse, tentando recuperar um pouco de sua dignidade, apesar de estar amarrado. — E ele vai se lembrar de cada segundo disso quando sair dessa cadeira.

Edward deu de ombros, indiferente à ameaça.

— Eu conto com isso. O medo torna os dados muito mais precisos.

Antes que Oliver pudesse proferir outro insulto ou súplica, Edward pressionou o botão. Um zumbido baixo preencheu o ar, e Oliver sentiu uma vibração estranha começar na ponta de seu lápis, subindo pelo braço e se espalhando pelo peito. Não era uma dor aguda, mas uma sensação de formigamento insuportável que fazia seus músculos se contraírem involuntariamente.

— Mmm-AAAAAAH! — Oliver arqueou as costas, mas os cabos o mantiveram firmemente no lugar.

— Interessante... — Edward murmurou, observando um pequeno monitor em seu pulso. — A resistência é menor do que eu previ. Talvez o grafite esteja mais puro hoje.

Depois de alguns segundos que pareceram horas para Oliver, Edward desligou o aparelho. Oliver caiu pesadamente contra o encosto da cadeira, ofegante, o cabelo branco agora um pouco mais bagunçado do que o normal.

— Você... seu... — Oliver tentava recuperar o fôlego, a visão levemente turva.

— Viu? Você ainda está vivo — Edward disse, guardando o dispositivo no bolso do jaleco. — E agora eu tenho o que preciso para calibrar meu novo drone.

Edward caminhou até a porta da sala, mas parou antes de sair. Ele olhou para trás, vendo Oliver preso, suado e furioso.

— Edward! Me solta agora! — Oliver gritou, sua voz falhando um pouco.

— Sabe, Oliver, eu deixei um presente para você ali no canto — Edward apontou para o chão, onde a barra de sabonete de lavanda de Oliver repousava, agora coberta de poeira. — Infelizmente, você não consegue alcançar agora. Mas não se preocupe, eu volto em uma ou duas horas para te soltar. Ou talvez a Zip venha. Se ela não se esquecer.

— Edward! Não se atreva a me deixar aqui! — Oliver rugiu, mas a porta já estava se fechando.

O clique da fechadura ecoou como um veredito final. Oliver estava sozinho na penumbra, envolto em cabos, com o gosto de borracha ainda na boca e o cheiro distante de lavanda zombando dele do chão.

Ele tentou se mover novamente, mas o cansaço do choque e a firmeza das amarras o impediam. Ele soltou um suspiro pesado, a cabeça caindo para a frente.

— Eu vou matar aquele nerd — murmurou Oliver para o vazio, embora, no fundo, uma pequena parte dele estivesse impressionada com a audácia de Edward.

Pela primeira vez em muito tempo, Oliver não era quem estava rindo. E ele odiava cada segundo disso. Ele olhou para o sabonete no chão, sentindo uma fome súbita e uma raiva crescente. A Escola de Papel era um lugar cruel, e Oliver acabara de aprender que até mesmo as sombras que caminhavam ao seu lado tinham garras.

Ele esperou, ouvindo o silêncio dos corredores, torcendo para que Zip aparecesse logo, ou que Edward decidisse que o experimento já tinha durado o suficiente. Mas, por enquanto, o "A+" da escola era apenas um prisioneiro de sua própria arrogância e dos cabos de um amigo que se cansou de ser apenas um ajudante.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic