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Entre Amor e Ódio
Fandom: Original
Criado: 09/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaFatias de VidaCiúmesEstudo de PersonagemCenário Canônico
Invisível aos Seus Olhos
O silêncio do quarto de Helena parecia mais barulhento do que o normal naquela noite. Deitada de barriga para cima, ela encarava o teto enquanto o brilho azulado da tela do celular iluminava seu rosto. O dedo polegar pairava sobre o teclado, tremendo levemente.
A conversa com Gabriel estava ali, estagnada. A última mensagem dele datava de meses atrás, uma resposta curta e seca que cortara o fluxo de meses de amizade colorida e implicâncias diárias. Helena suspirou, sentindo aquele aperto familiar no peito.
— Por que eu ainda me importo? — sussurrou para as paredes vazias.
Ela começou a digitar. *“Ei, por que você parou de falar comigo?”*. Apagou. *“Sinto sua falta”*. Apagou mais rápido ainda. O conselho de Manu ecoava em sua mente como um mantra: *“Ele só te quer quando percebe que está te perdendo. Você merece alguém que não te deixe no vácuo emocional, Helena”*.
Manu tinha razão. Theu, o garoto novo, era a prova viva de que as coisas podiam ser simples. Ele não jogava joguinhos, ele ria das piadas dela e, o mais importante, ele realmente a olhava quando ela falava.
Com um movimento brusco, Helena bloqueou o celular e o jogou no final da cama.
— Chega — decretou para si mesma. — Amanhã é um novo dia. E no novo dia, o Gabriel não existe.
***
Na manhã seguinte, o pátio da escola estava o caos habitual. Helena chegou acompanhada de Manu, que não parava de falar sobre a prova de biologia, enquanto Emily, Sther e Cami se juntavam ao grupo perto dos armários.
— Gente, vocês viram a cara do Gabriel ontem quando o Theu dividiu o fone com a Lena no ônibus? — Sther comentou, soltando uma risadinha debochada. — Ele parecia que tinha engolido um limão mofado.
— Bem feito — rebateu Cami, cruzando os braços com firmeza. — Ele acha que a Helena é o quê? Um brinquedo que ele guarda na gaveta e só tira quando quer brincar?
— Exatamente — concordou Manu, lançando um olhar de soslaio para Helena. — E aí, amiga? Como está o coração hoje?
Helena ajeitou a alça da mochila e deu um sorriso que, para sua surpresa, não foi forçado.
— Está em reforma. Mas o aviso de “fechado para obras” já foi retirado.
— É assim que se fala! — Emily comemorou, abraçando a amiga de lado.
Nesse momento, o grupo de Gabriel apareceu no corredor. Pedro e Enzo vinham na frente, empurrando-se como dois idiotas, enquanto Gabriel vinha logo atrás, com as mãos nos bolsos do moletom e aquele olhar observador que sempre desarmava Helena.
Antigamente, Helena teria parado. Ela teria esperado que ele fizesse alguma piada sobre o cabelo dela ou sobre como ela estava sempre carregando livros demais. Ela teria retribuído a provocação com um sorriso tímido, e eles ficariam ali, naquele mundinho particular de “amor e ódio” por alguns minutos.
Mas hoje, Helena não parou.
Ela continuou andando, rindo de algo que Sther disse, e passou por Gabriel como se ele fosse apenas mais um figurante no cenário da escola. Ela não buscou o olhar dele. Ela não desacelerou o passo.
Gabriel travou no meio do corredor. Seus olhos seguiram o rastro do perfume de Helena, mas ela já estava longe, cumprimentando Theu, que acabara de chegar.
— Eita, Gege... — Pedro começou, com um sorriso de orelha a orelha. — Acho que o sinal de Wi-Fi caiu, hein? Ela nem te viu.
— Cala a boca, Pedro — Gabriel resmungou, sentindo uma pontada desconfortável no estômago.
— O Pedro tem razão — Enzo interveio, ajustando os óculos com um ar sarcástico. — A Helena costumava gravitar em torno de você. Agora parece que ela mudou de órbita. E o sol dela agora tem o nome de Theu.
— Ela só está tentando chamar atenção — Gabriel disse, tentando convencer a si mesmo. — Ela sempre faz isso.
— Cara, você é muito burro ou só se faz? — Pedro riu, batendo no ombro do amigo. — Ela não está tentando chamar sua atenção. Ela está ignorando a sua existência. Tem uma diferença enorme aí.
Gabriel olhou em direção ao final do corredor. Helena estava encostada no armário, e Theu falava algo que a fazia gargalhar, jogando a cabeça para trás. Era aquela risada que Gabriel conhecia bem, a risada que ele costumava provocar.
Ver aquilo era como levar um soco no orgulho. Ele queria ir até lá, puxar o cabelo dela, dizer que a piada do Theu era sem graça e ver Helena revirar os olhos para ele. Mas ele se lembrou do que Manu lhe dissera no passeio. Ele se lembrou de como tinha se afastado sem dizer uma palavra, apenas porque tinha medo de que a amizade estivesse virando algo que ele não sabia controlar.
— E aí, Theu! — Helena exclamou, alto o suficiente para Gabriel ouvir. — Você vai mesmo me ajudar com aquela matéria de história?
— Claro, Lena — Theu respondeu, com uma voz gentil que irritava Gabriel profundamente. — Podemos ir à biblioteca no intervalo. O que acha?
— Perfeito. Eu estava mesmo precisando de uma companhia inteligente.
Manu, que observava tudo de longe, lançou um olhar mortal para Gabriel antes de seguir as amigas. Ela fez questão de passar bem perto dele e sussurrar:
— O tempo voa, não é, Gabriel? Cuidado para não ficar para trás.
Gabriel sentiu o sangue subir para o rosto. Ele queria gritar que não era assim, que ele ainda estava ali, que ele ainda era o cara que a conhecia melhor do que ninguém. Mas ele não se moveu. O orgulho era uma âncora pesada demais.
Durante as aulas, o clima não melhorou. Gabriel não conseguia se concentrar. Ele passava o tempo todo desenhando rascunhos sem sentido no caderno e olhando para a nuca de Helena, três fileiras à frente.
Normalmente, ela se viraria para pedir uma caneta emprestada ou para reclamar do professor. Hoje, ela não olhou para trás nem uma vez. Ela estava ocupada demais trocando bilhetinhos com Emily e sussurrando com Theu, que sentava ao seu lado.
No intervalo, Pedro e Enzo continuaram a tortura.
— Olha lá, Enzo — Pedro apontou para a mesa do pátio. — O Theu até comprou o suco favorito dela. Uva integral. Como ele sabe dessas coisas?
— Talvez porque ele pergunte — Enzo respondeu, dando de ombros. — Diferente de certas pessoas que acham que o mundo gira em torno do próprio umbigo.
Gabriel bateu a mão na mesa, fazendo o seu lanche pular.
— Dá para vocês pararem? Eu não estou nem aí para o que a Helena faz ou deixa de fazer.
— Ah, claro — Pedro debochou. — Por isso que você está esmagando esse sanduíche como se fosse o pescoço do Theu.
Gabriel olhou para a própria mão e percebeu que, de fato, estava destruindo o pão. Ele soltou um suspiro frustrado e se levantou.
— Eu vou tomar um ar.
Ele caminhou em direção à parte de trás do ginásio, um lugar mais calmo, mas parou abruptamente ao ver duas silhuetas conhecidas perto das árvores.
Era Helena e Theu.
Eles não estavam fazendo nada de mais, apenas conversando. Mas a forma como Theu a olhava, com uma admiração óbvia, e a forma como Helena parecia relaxada, sem aquela tensão que sempre existia quando Gabriel estava por perto, o atingiu em cheio.
— Você é muito engraçada, Helena — Theu disse, dando um passo à frente. — Sério, eu achei que ia ser difícil me adaptar nessa escola, mas você facilitou tudo.
— Eu só trato as pessoas como elas merecem ser tratadas, Theu — Helena respondeu, e Gabriel sentiu que aquela frase era um dardo direcionado diretamente ao peito dele. — É bom estar perto de alguém que não some do nada.
Theu sorriu e colocou uma mecha do cabelo de Helena atrás da orelha dela.
— Eu não pretendo sumir.
Gabriel sentiu uma vontade avassaladora de intervir, de inventar qualquer desculpa para interromper aquele momento. Mas seus pés pareciam colados ao chão. Ele percebeu, com uma clareza dolorosa, que não tinha mais esse direito. Ele tinha aberto mão dele no momento em que escolheu o silêncio em vez da verdade.
Helena viu Gabriel pelo canto do olho. Ela sentiu aquele choque elétrico percorrer sua espinha, o velho instinto de querer correr até ele e perguntar por que ele estava com aquela cara de cachorro abandonado. Mas ela respirou fundo e desviou o olhar. Ela voltou a sorrir para Theu, ignorando a presença de Gabriel como se ele fosse um fantasma de um passado que ela estava decidida a deixar para trás.
Gabriel deu meia-volta e saiu dali antes que alguém o visse. Ele caminhou pelos corredores vazios, sentindo um vazio que nunca tinha experimentado antes.
Sempre houve uma regra não escrita entre eles: não importava o quanto brigassem ou o quanto ele se afastasse, Helena estaria lá. Ela estaria esperando pela próxima provocação, pelo próximo olhar, pela próxima chance de voltarem a ser o que eram.
Mas, enquanto atravessava o portão para voltar para a sala, Gabriel finalmente entendeu a gravidade da situação. O jogo tinha mudado. O tabuleiro tinha sido virado.
Pela primeira vez em anos, Helena não estava olhando para trás. Pela primeira vez, o silêncio dele não estava sendo preenchido pela insistência dela.
Gabriel sentiu um frio na barriga que não tinha nada a ver com as borboletas do amor, e sim com o pânico da perda. Ele percebeu, com um aperto sufocante no coração, que Helena não estava mais esperando por ele. Ela tinha finalmente aprendido a caminhar sozinha, e o caminho dela estava levando-a para bem longe dele.
A conversa com Gabriel estava ali, estagnada. A última mensagem dele datava de meses atrás, uma resposta curta e seca que cortara o fluxo de meses de amizade colorida e implicâncias diárias. Helena suspirou, sentindo aquele aperto familiar no peito.
— Por que eu ainda me importo? — sussurrou para as paredes vazias.
Ela começou a digitar. *“Ei, por que você parou de falar comigo?”*. Apagou. *“Sinto sua falta”*. Apagou mais rápido ainda. O conselho de Manu ecoava em sua mente como um mantra: *“Ele só te quer quando percebe que está te perdendo. Você merece alguém que não te deixe no vácuo emocional, Helena”*.
Manu tinha razão. Theu, o garoto novo, era a prova viva de que as coisas podiam ser simples. Ele não jogava joguinhos, ele ria das piadas dela e, o mais importante, ele realmente a olhava quando ela falava.
Com um movimento brusco, Helena bloqueou o celular e o jogou no final da cama.
— Chega — decretou para si mesma. — Amanhã é um novo dia. E no novo dia, o Gabriel não existe.
***
Na manhã seguinte, o pátio da escola estava o caos habitual. Helena chegou acompanhada de Manu, que não parava de falar sobre a prova de biologia, enquanto Emily, Sther e Cami se juntavam ao grupo perto dos armários.
— Gente, vocês viram a cara do Gabriel ontem quando o Theu dividiu o fone com a Lena no ônibus? — Sther comentou, soltando uma risadinha debochada. — Ele parecia que tinha engolido um limão mofado.
— Bem feito — rebateu Cami, cruzando os braços com firmeza. — Ele acha que a Helena é o quê? Um brinquedo que ele guarda na gaveta e só tira quando quer brincar?
— Exatamente — concordou Manu, lançando um olhar de soslaio para Helena. — E aí, amiga? Como está o coração hoje?
Helena ajeitou a alça da mochila e deu um sorriso que, para sua surpresa, não foi forçado.
— Está em reforma. Mas o aviso de “fechado para obras” já foi retirado.
— É assim que se fala! — Emily comemorou, abraçando a amiga de lado.
Nesse momento, o grupo de Gabriel apareceu no corredor. Pedro e Enzo vinham na frente, empurrando-se como dois idiotas, enquanto Gabriel vinha logo atrás, com as mãos nos bolsos do moletom e aquele olhar observador que sempre desarmava Helena.
Antigamente, Helena teria parado. Ela teria esperado que ele fizesse alguma piada sobre o cabelo dela ou sobre como ela estava sempre carregando livros demais. Ela teria retribuído a provocação com um sorriso tímido, e eles ficariam ali, naquele mundinho particular de “amor e ódio” por alguns minutos.
Mas hoje, Helena não parou.
Ela continuou andando, rindo de algo que Sther disse, e passou por Gabriel como se ele fosse apenas mais um figurante no cenário da escola. Ela não buscou o olhar dele. Ela não desacelerou o passo.
Gabriel travou no meio do corredor. Seus olhos seguiram o rastro do perfume de Helena, mas ela já estava longe, cumprimentando Theu, que acabara de chegar.
— Eita, Gege... — Pedro começou, com um sorriso de orelha a orelha. — Acho que o sinal de Wi-Fi caiu, hein? Ela nem te viu.
— Cala a boca, Pedro — Gabriel resmungou, sentindo uma pontada desconfortável no estômago.
— O Pedro tem razão — Enzo interveio, ajustando os óculos com um ar sarcástico. — A Helena costumava gravitar em torno de você. Agora parece que ela mudou de órbita. E o sol dela agora tem o nome de Theu.
— Ela só está tentando chamar atenção — Gabriel disse, tentando convencer a si mesmo. — Ela sempre faz isso.
— Cara, você é muito burro ou só se faz? — Pedro riu, batendo no ombro do amigo. — Ela não está tentando chamar sua atenção. Ela está ignorando a sua existência. Tem uma diferença enorme aí.
Gabriel olhou em direção ao final do corredor. Helena estava encostada no armário, e Theu falava algo que a fazia gargalhar, jogando a cabeça para trás. Era aquela risada que Gabriel conhecia bem, a risada que ele costumava provocar.
Ver aquilo era como levar um soco no orgulho. Ele queria ir até lá, puxar o cabelo dela, dizer que a piada do Theu era sem graça e ver Helena revirar os olhos para ele. Mas ele se lembrou do que Manu lhe dissera no passeio. Ele se lembrou de como tinha se afastado sem dizer uma palavra, apenas porque tinha medo de que a amizade estivesse virando algo que ele não sabia controlar.
— E aí, Theu! — Helena exclamou, alto o suficiente para Gabriel ouvir. — Você vai mesmo me ajudar com aquela matéria de história?
— Claro, Lena — Theu respondeu, com uma voz gentil que irritava Gabriel profundamente. — Podemos ir à biblioteca no intervalo. O que acha?
— Perfeito. Eu estava mesmo precisando de uma companhia inteligente.
Manu, que observava tudo de longe, lançou um olhar mortal para Gabriel antes de seguir as amigas. Ela fez questão de passar bem perto dele e sussurrar:
— O tempo voa, não é, Gabriel? Cuidado para não ficar para trás.
Gabriel sentiu o sangue subir para o rosto. Ele queria gritar que não era assim, que ele ainda estava ali, que ele ainda era o cara que a conhecia melhor do que ninguém. Mas ele não se moveu. O orgulho era uma âncora pesada demais.
Durante as aulas, o clima não melhorou. Gabriel não conseguia se concentrar. Ele passava o tempo todo desenhando rascunhos sem sentido no caderno e olhando para a nuca de Helena, três fileiras à frente.
Normalmente, ela se viraria para pedir uma caneta emprestada ou para reclamar do professor. Hoje, ela não olhou para trás nem uma vez. Ela estava ocupada demais trocando bilhetinhos com Emily e sussurrando com Theu, que sentava ao seu lado.
No intervalo, Pedro e Enzo continuaram a tortura.
— Olha lá, Enzo — Pedro apontou para a mesa do pátio. — O Theu até comprou o suco favorito dela. Uva integral. Como ele sabe dessas coisas?
— Talvez porque ele pergunte — Enzo respondeu, dando de ombros. — Diferente de certas pessoas que acham que o mundo gira em torno do próprio umbigo.
Gabriel bateu a mão na mesa, fazendo o seu lanche pular.
— Dá para vocês pararem? Eu não estou nem aí para o que a Helena faz ou deixa de fazer.
— Ah, claro — Pedro debochou. — Por isso que você está esmagando esse sanduíche como se fosse o pescoço do Theu.
Gabriel olhou para a própria mão e percebeu que, de fato, estava destruindo o pão. Ele soltou um suspiro frustrado e se levantou.
— Eu vou tomar um ar.
Ele caminhou em direção à parte de trás do ginásio, um lugar mais calmo, mas parou abruptamente ao ver duas silhuetas conhecidas perto das árvores.
Era Helena e Theu.
Eles não estavam fazendo nada de mais, apenas conversando. Mas a forma como Theu a olhava, com uma admiração óbvia, e a forma como Helena parecia relaxada, sem aquela tensão que sempre existia quando Gabriel estava por perto, o atingiu em cheio.
— Você é muito engraçada, Helena — Theu disse, dando um passo à frente. — Sério, eu achei que ia ser difícil me adaptar nessa escola, mas você facilitou tudo.
— Eu só trato as pessoas como elas merecem ser tratadas, Theu — Helena respondeu, e Gabriel sentiu que aquela frase era um dardo direcionado diretamente ao peito dele. — É bom estar perto de alguém que não some do nada.
Theu sorriu e colocou uma mecha do cabelo de Helena atrás da orelha dela.
— Eu não pretendo sumir.
Gabriel sentiu uma vontade avassaladora de intervir, de inventar qualquer desculpa para interromper aquele momento. Mas seus pés pareciam colados ao chão. Ele percebeu, com uma clareza dolorosa, que não tinha mais esse direito. Ele tinha aberto mão dele no momento em que escolheu o silêncio em vez da verdade.
Helena viu Gabriel pelo canto do olho. Ela sentiu aquele choque elétrico percorrer sua espinha, o velho instinto de querer correr até ele e perguntar por que ele estava com aquela cara de cachorro abandonado. Mas ela respirou fundo e desviou o olhar. Ela voltou a sorrir para Theu, ignorando a presença de Gabriel como se ele fosse um fantasma de um passado que ela estava decidida a deixar para trás.
Gabriel deu meia-volta e saiu dali antes que alguém o visse. Ele caminhou pelos corredores vazios, sentindo um vazio que nunca tinha experimentado antes.
Sempre houve uma regra não escrita entre eles: não importava o quanto brigassem ou o quanto ele se afastasse, Helena estaria lá. Ela estaria esperando pela próxima provocação, pelo próximo olhar, pela próxima chance de voltarem a ser o que eram.
Mas, enquanto atravessava o portão para voltar para a sala, Gabriel finalmente entendeu a gravidade da situação. O jogo tinha mudado. O tabuleiro tinha sido virado.
Pela primeira vez em anos, Helena não estava olhando para trás. Pela primeira vez, o silêncio dele não estava sendo preenchido pela insistência dela.
Gabriel sentiu um frio na barriga que não tinha nada a ver com as borboletas do amor, e sim com o pânico da perda. Ele percebeu, com um aperto sufocante no coração, que Helena não estava mais esperando por ele. Ela tinha finalmente aprendido a caminhar sozinha, e o caminho dela estava levando-a para bem longe dele.
