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amor e sexo

Fandom: kpop

Criado: 09/07/2026

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O Labirinto sob a Pele

O silêncio do apartamento de luxo em Seul era quebrado apenas pelo tique-taque rítmico do relógio de parede e pelo som suave da chuva batendo contra as imensas vidraças. Jihyo estava sentada no sofá de veludo azul-marinho, com uma taça de vinho intocada entre as mãos. Seus olhos, no entanto, não relaxavam. Eles estavam fixos na porta de entrada, esperando o som da chave girando na fechadura.

Quando a porta finalmente se abriu, o coração de Jihyo deu um salto que quase a sufocou. Luiza entrou, jogando a bolsa sobre o aparador de mármore com um suspiro cansado. Ela parecia radiante, mesmo exausta; a juventude transbordava dela em cada movimento fluido, uma vitalidade que às vezes fazia Jihyo se sentir como se estivesse tentando segurar o sol entre as mãos.

— Você ainda está acordada? — perguntou Luiza, aproximando-se e deixando um beijo rápido e distraído na bochecha da esposa.

Jihyo fechou os olhos por um segundo, absorvendo o perfume de Luiza. Era um vício, uma necessidade física.

— Eu não conseguiria dormir sem saber que você chegou bem — respondeu Jihyo, sua voz saindo um pouco mais embargada do que pretendia. — Onde você estava? A faculdade acabou cedo hoje, não foi?

Luiza suspirou, soltando os cabelos castanhos que caíram sobre os ombros. Ela tinha apenas vinte e dois anos, dez a menos que Jihyo. A diferença de idade nunca fora um problema no início, mas agora, no terceiro ano de casamento, tornava-se o pano de fundo de uma insegurança silenciosa que corroía Jihyo por dentro.

— Fui tomar um café com o pessoal do curso de artes — explicou Luiza, começando a tirar os sapatos. — Estávamos discutindo o projeto final. Eu perdi a noção da hora, desculpe.

— Você não atendeu o celular — disse Jihyo, tentando manter o tom casual, embora suas mãos estivessem tremendo levemente.

— Ficou sem bateria, Ji. Não seja tão dramática.

Luiza caminhou até a cozinha para pegar um copo de água. Jihyo a seguiu, como uma sombra que não conseguia se desprender do corpo que a projetava. Ela parou no batente da porta, observando as costas da esposa. A dependência que sentia por Luiza era algo assustador; era uma fome que nunca se saciava, um medo constante de que, a qualquer momento, Luiza percebesse que o mundo lá fora era vasto demais para ser vivido apenas ao lado de alguém tão possessiva.

— Eu não sou dramática — murmurou Jihyo, aproximando-se e envolvendo a cintura de Luiza com os braços, enterrando o rosto na curvatura do pescoço dela. — Eu só sinto sua falta. O tempo todo.

Luiza relaxou o corpo contra o dela, mas havia uma tensão sutil em seus ombros.

— Você me viu hoje de manhã, Jihyo.

— Não é o suficiente — Jihyo apertou o abraço, sentindo o calor da pele de Luiza. — Nunca é o suficiente. Eu sinto que, se eu piscar, você vai desaparecer. Você é tão jovem, Lu... tem tanto para ver. Eu tenho medo de que você se canse de mim.

Luiza virou-se nos braços de Jihyo, seus olhos castanhos encontrando os da mulher mais velha. Havia carinho ali, mas também uma pitada de cansaço que Jihyo fingia não notar.

— Eu escolhi você — disse Luiza suavemente, passando a mão pelo rosto de Jihyo. — Eu me casei com você. Por que é tão difícil para você acreditar que eu quero estar aqui?

— Porque eu te amo demais — confessou Jihyo, a voz falhando. — É um amor que dói, Luiza. Eu olho para as fotos das suas amigas, para os lugares onde você vai... e eu sinto que não pertenço mais a esse mundo. Eu só pertenço a você.

Luiza soltou um suspiro longo, encostando a testa na de Jihyo.

— Esse é o problema, Ji. Você não pode viver através de mim. Você é a Park Jihyo, uma mulher incrível, líder, talentosa. Por que você se diminui tanto quando estamos sozinhas?

— Porque sem você, nada disso faz sentido — Jihyo se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Luiza com uma intensidade febril. — Se você me deixasse, eu não saberia como respirar. Eu não estou brincando.

Um silêncio pesado caiu sobre a cozinha. Luiza sabia que não era uma metáfora. Ela via isso nos olhos de Jihyo todos os dias: a adoração que beirava o sacrifício, a necessidade de aprovação, o ciúme disfarçado de preocupação. Era um amor complicado, uma teia de ouro que as mantinha unidas, mas que também começava a apertar demais.

— Vamos dormir — disse Luiza por fim, tentando aliviar a tensão. — Amanhã você tem ensaio cedo e eu tenho aula.

— Você vai direto para casa depois da aula? — perguntou Jihyo, a ansiedade já brilhando novamente.

Luiza parou por um momento, a mão na maçaneta da porta do quarto.

— Vou tentar, Jihyo. Mas não me sufoque, por favor.

Aquelas palavras foram como um punhal no peito de Jihyo. Ela ficou parada no corredor enquanto Luiza entrava no quarto. A escuridão do apartamento parecia crescer ao seu redor. Jihyo sabia que seu comportamento estava afastando a pessoa que ela mais queria manter por perto, mas era um impulso incontrolável. Como se ensina um náufrago a não se agarrar com todas as forças à única tábua de salvação?

No dia seguinte, o estúdio da JYP estava agitado. Jihyo passava pelas coreografias com uma precisão mecânica, mas sua mente estava a quilômetros dali. Cada vez que o celular vibrava no canto da sala, seu coração disparava.

— Jihyo, você está um tempo atrás da batida — comentou Nayeon, aproximando-se com uma garrafa de água. — Está tudo bem?

Jihyo limpou o suor da testa, os olhos fixos no aparelho sobre o banco.

— Sim, só não dormi bem.

— É a Luiza de novo? — Nayeon perguntou em voz baixa, com uma expressão de preocupação. — Vocês discutiram?

— Não discutimos — defendeu-se Jihyo rapidamente. — Só... ela está crescendo, Nayeon. Ela está vivendo coisas que eu já vivi há muito tempo, e eu sinto que estou ficando para trás.

— Você não está ficando para trás, você é o porto seguro dela — disse Nayeon, tocando o ombro da amiga. — Mas você precisa deixar ela navegar um pouco sozinha, ou ela vai acabar sentindo que o porto é uma prisão.

Jihyo não respondeu. Ela não conseguia explicar que a "prisão" era o único lugar onde ela se sentia segura. Se Luiza navegasse para longe demais, o que restaria de Jihyo?

Ao final do dia, Jihyo não aguentou. Em vez de ir para os compromissos agendados, ela pediu ao motorista que a deixasse perto da universidade de Luiza. Ela se camuflou com um boné e uma máscara, esperando em um café do outro lado da rua.

Ela viu Luiza sair. Ela estava rindo, cercada por um grupo de jovens da sua idade. Um rapaz alto, com uma pasta de desenhos debaixo do braço, tocou o ombro de Luiza e disse algo que a fez soltar uma gargalhada alta e cristalina.

O estômago de Jihyo deu um nó. A imagem era linda e, ao mesmo tempo, devastadora. Luiza parecia tão leve, tão livre de preocupações. Com Jihyo, o ambiente era sempre carregado de emoções profundas, promessas de eternidade e uma seriedade quase solene. Ali, sob a luz do entardecer, Luiza era apenas uma jovem de vinte e dois anos descobrindo o mundo.

Jihyo sentiu uma lágrima quente escorrer por baixo da máscara. Ela queria correr até lá, pegar a mão de Luiza e levá-la para casa, para longe de todos aqueles olhares, para onde ela pudesse ser apenas dela. Mas as palavras de Luiza da noite anterior ecoaram em sua mente: "Não me sufoque".

Ela forçou-se a desviar o olhar. Entrou no carro que a esperava na esquina e deu o endereço de casa.

Horas depois, Luiza chegou. O apartamento estava na penumbra, iluminado apenas por algumas velas aromáticas que Jihyo havia acendido. Jihyo estava na varanda, observando as luzes da cidade.

— Oi — disse Luiza, aproximando-se devagar. — O jantar cheira bem. Você cozinhou?

— Fiz o seu prato favorito — respondeu Jihyo, sem se virar. — Queria compensar o clima de ontem.

Luiza abraçou Jihyo por trás, descansando o queixo em seu ombro.

— Eu vi você hoje, Ji.

O corpo de Jihyo congelou.

— Viu? Onde?

— No café em frente à faculdade. Eu reconheceria sua silhueta em qualquer lugar, mesmo com esse disfarce bobo.

Jihyo fechou os olhos, esperando a briga, esperando o momento em que Luiza diria que não aguentava mais ser vigiada.

— Por que você não atravessou a rua? — perguntou Luiza, sua voz suave, sem raiva.

— Eu não queria estragar o seu momento — confessou Jihyo, virando-se para encarar a esposa. — Você parecia tão feliz, Lu. Tão... livre. Eu tive medo de que, se eu chegasse perto, aquela luz se apagasse.

Luiza suspirou, pegando as mãos de Jihyo e levando-as aos lábios.

— Minha luz não apaga quando você chega, Jihyo. Ela só muda de cor. Com eles, eu sou a Luiza estudante. Com você, eu sou a Luiza completa. Mas eu preciso que você confie em mim. Se eu não tiver espaço para sentir sua falta, como vou saber o quanto eu quero voltar para casa?

— Eu tenho tanto medo — sussurrou Jihyo, as lágrimas finalmente caindo livremente. — Eu sou tão dependente de você que isso me assusta. Eu sinto que meu coração bate fora do meu peito quando você não está por perto.

— Eu sei — Luiza limpou as lágrimas de Jihyo com os polegares. — E eu amo o quanto você me ama, mas essa pressão... às vezes é difícil carregar a felicidade de outra pessoa inteira nas costas. Eu quero ser sua esposa, sua amante, sua melhor amiga. Mas não quero ser seu único motivo para existir.

Jihyo soluçou, escondendo o rosto nas mãos. Era a verdade nua e crua que ela tentava evitar.

— Você me odeia por ser assim? — perguntou Jihyo entre soluços.

— Nunca — respondeu Luiza com firmeza, puxando-a para um beijo terno e profundo. — Eu amo você. Amo sua intensidade, sua paixão, até mesmo essa sua mania de cuidar de mim como se eu fosse de vidro. Mas eu preciso que você se ame um pouco mais também. Por nós duas.

Jihyo se agarrou à camisa de Luiza, o tecido amassando sob seus dedos. Ela sabia que o caminho para o equilíbrio seria longo e doloroso. Sabia que teria que lutar contra cada instinto seu que gritava para trancar Luiza em uma redoma de vidro.

— Você vai ficar? — perguntou Jihyo, a voz pequena, a vulnerabilidade exposta.

— Eu sempre volto, Jihyo — disse Luiza, sorrindo docemente enquanto a conduzia para dentro. — Agora, vamos jantar. Eu estou morrendo de fome e quero que você me conte como foi o ensaio hoje. Sem falar de mim, só sobre você.

Jihyo sorriu, um sorriso frágil, mas genuíno. Ela se sentou à mesa, observando Luiza servir o vinho. O amor delas era como um labirinto; às vezes elas se perdiam, às vezes se sentiam encurraladas, mas, enquanto estivessem de mãos dadas, Jihyo acreditava que acabariam encontrando a saída. Ou, talvez, o objetivo não fosse sair, mas aprender a viver dentro daquela complexidade, transformando a dependência em uma parceria que, embora imperfeita, era a única coisa que as fazia sentir verdadeiramente vivas.

— Eu tentei um passo novo hoje — começou Jihyo, sua voz ganhando um pouco mais de confiança.

Luiza a olhou com admiração, e naquele momento, o mundo lá fora, com seus estudantes e cafés, desapareceu. Só existiam as duas, o aroma da comida e a promessa silenciosa de que, apesar de todo o medo, elas continuariam tentando se encontrar no meio daquela confusão chamada amor.
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