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Obsessão indesejada
Fandom: Eu
Criado: 09/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaFatias de VidaDor/ConfortoPsicológicoRealismoEstudo de PersonagemCiúmes
Entre o Eco do Desejo e o Peso da Saudade
O corredor da faculdade de Nutrição sempre parecia mais estreito quando Sofia caminhava por ele, mas naquela tarde, o ar parecia especialmente denso. Ela ajeitou os óculos, sentindo o peso dos livros góticos que carregava na mochila, misturados aos seus cadernos de anatomia. Sofia não era o que as revistas chamavam de padrão; suas curvas eram acentuadas pelo sobrepeso que ela carregava com uma confiança oscilante, e seus cachos castanhos médios moldavam um rosto de traços decididos e olhos profundos.
Ela se lembrava vividamente de como tudo começou. O olhar furtivo na biblioteca, a curiosidade despertada por aquele estudante de História que parecia iluminar o ambiente apenas por existir. Rhuan Calmon era o oposto do silêncio dela: extrovertido, com uma risada que ecoava pelos pátios e uma gentileza que parecia vir de outra época.
Vitor Demuner, o amigo em comum e estudante de Filosofia, fora a ponte — e também a âncora. Vitor tinha aquele jeito possessivo, uma amizade que muitas vezes sufocava Sofia com cobranças e um carinho que beirava o tóxico, mas ela não conseguia se desprender. Ele era como um irmão, mesmo que um irmão que ela às vezes desejasse evitar. Foi através dele, naquela festa de calouros barulhenta, que o destino finalmente uniu Sofia e Rhuan.
Naquela noite, Rhuan estava com o olhar perdido, o coração ainda em frangalhos pelo término recente com Larissa. Mas Sofia, com seu conhecimento vasto sobre animes e sua capacidade ESFJ de cuidar de todos ao redor, conseguiu trazê-lo de volta à superfície. Eles conversaram por horas, e a conexão foi instantânea.
Desde então, tornaram-se inseparáveis. Mensagens no WhatsApp de madrugada sobre séries, encontros nos intervalos para discutir a Revolução Francesa ou o último capítulo de um BL que Sofia recomendara. Mas havia uma tensão. Uma corda esticada que ameaçava romper a qualquer momento.
E rompeu naquela tarde, no apartamento de Sofia, enquanto tentavam estudar. O silêncio do quarto foi preenchido apenas pelo som da respiração de ambos. Eles estavam sentados no tapete, cercados por livros, mas a proximidade física era elétrica. O braço de Rhuan roçou no dela, e o mundo pareceu parar.
— Sofia... — sussurrou Rhuan, a voz falhando. Ele ficava nervoso com tanta facilidade que suas mãos começaram a tremer levemente.
Ela não respondeu com palavras. O desejo que vinha cultivando desde o primeiro olhar na biblioteca transbordou. Sofia se inclinou, e o beijo aconteceu. Foi uma explosão de sentimentos guardados. Rhuan a puxou para mais perto, e a diferença de altura — ela com seus 1,64m e ele um pouco mais alto — parecia se encaixar perfeitamente enquanto eles se acomodavam no sofá.
As mãos de Rhuan perderam-se nos cachos escuros de Sofia, enquanto ela sentia o calor do corpo dele contra o seu. Não havia pressa para o ato final, apenas a urgência do toque. O peso do corpo de Sofia sobre o dele parecia ancorá-lo no presente, longe das memórias tristes de Larissa. Os beijos desceram pelo pescoço, arrancando suspiros baixos e intensos. A pele dela ardia sob o toque dele, e cada carícia era um reconhecimento de meses de espera silenciosa.
Eles se exploraram com uma sede desesperada. Rhuan era gentil, mas a paixão o tornava audaz. Sofia sentia-se poderosa, desejada de uma forma que nunca sentira com Vitor ou qualquer outro. O clima estava carregado de uma sensualidade crua, mãos percorrendo curvas, lábios devorando lábios, uma dança de corpos que não precisava de penetração para ser absoluta. Era uma entrega de almas através da pele.
Contudo, no auge daquela entrega, quando o ar parecia faltar e o coração de Rhuan batia frenético contra o peito de Sofia, ele parou. O movimento cessou bruscamente. Ele se afastou, sentando-se na beirada do sofá, passando as mãos pelo rosto, tentando organizar os pensamentos que pareciam ter fugido.
Sofia, com a respiração ainda ofegante e os cabelos desarrumados, sentiu um frio súbito subir pela espinha. Ela se ajeitou, olhando para as costas dele, esperando uma palavra de conforto, um "eu te amo", ou qualquer sinal de que aquilo mudaria tudo.
— Eu não posso fazer isso, Sofia — disse Rhuan, a voz carregada de uma tristeza que cortou o ar como uma lâmina.
— O que você quer dizer? — perguntou ela, a voz trêmula, sentindo a insegurança de seu corpo e de seus sentimentos aflorar. — Foi... foi algo que eu fiz?
Rhuan se virou para ela, os olhos castanhos marejados. A gentileza ainda estava lá, mas estava sufocada pela confusão.
— Não, você é incrível. Mais do que eu mereço — ele suspirou, desviando o olhar para o chão. — Mas eu ainda estou quebrado. A Larissa... ela me procurou ontem.
O nome caiu como uma bomba no quarto. Sofia sentiu uma pontada de indignação. Ela conhecia a fama de Larissa: ciumenta, manipuladora, o tipo de pessoa que sugava a energia de Rhuan até não sobrar nada.
— Ela quer voltar — continuou ele, quase num sussurro. — E o pior é que... eu também quero. Eu ainda amo ela, Sofia. Por mais que doa, por mais que não faça sentido.
Sofia sentiu as lágrimas pinicarem seus olhos, mas a raiva foi mais rápida. Ela se levantou, ajeitando a blusa com mãos firmes.
— Você está falando sério? — a voz dela subiu de tom. — Depois de tudo o que passamos? Depois de todos esses meses onde eu fui quem segurou sua mão enquanto você chorava por ela? Rhuan, ela é tóxica! Ela te faz mal e você sabe disso!
— Eu sei — admitiu ele, a voz falha. — Mas o coração não segue a lógica da Nutrição ou da História. Ele só sente.
— Eu sou melhor para você do que ela jamais será! — exclamou Sofia, a frustração transbordando. — Eu te entendo, eu gosto das mesmas coisas, eu te respeito. Por que escolher o que te destrói em vez do que te constrói?
Rhuan levantou-se também, parecendo subitamente exausto. O nervosismo de antes dera lugar a uma resignação melancólica.
— Talvez eu não esteja pronto para ser construído, Sofia. Talvez eu ainda precise desse caos.
Sofia deu um passo à frente, encarando-o nos olhos, buscando qualquer faísca de dúvida que pudesse usar a seu favor.
— Então é isso? Você vai realmente me deixar? Vai jogar fora o que a gente começou a construir por causa de uma sombra do passado?
Rhuan ficou em silêncio por um longo minuto. O relógio na parede parecia marcar cada batida do coração partido de Sofia. Ele olhou para ela, gravando cada detalhe de seu rosto, dos cachos castanhos à determinação em seus olhos escuros.
— Vou — respondeu ele, finalmente. — Eu sinto muito, Sofia. De verdade. Mas eu não posso estar com você sentindo o que sinto por ela. Seria injusto com você.
— Injusto é você me dar esperanças e depois me descartar como se eu fosse um rascunho — retrucou ela, a mágoa agora evidente.
— Isso é um adeus, Sofia — disse Rhuan, caminhando em direção à porta. — Um adeus para sempre. É melhor assim para nós dois.
Ele saiu sem olhar para trás. O som da porta se fechando ecoou pelo apartamento vazio, deixando Sofia sozinha com o cheiro do perfume dele ainda impregnado em sua pele e o gosto amargo da rejeição. Ela se sentou no chão, cercada pelos livros de romance queer que tanto amava, onde os finais eram geralmente felizes ou, pelo menos, significativos.
Ali, no silêncio de seu quarto, Sofia Vencioneck chorou. Não apenas por Rhuan, mas pela injustiça de ser a escolha lógica e saudável, enquanto a toxicidade de Larissa vencia a batalha. Ela sentia que merecia mais. Ela sabia que era mais.
No entanto, enquanto as lágrimas caíam, uma pequena parte de sua mente, aquela que Vitor Demuner sempre tentava dominar com sua filosofia pessimista, começou a sussurrar que a história não terminava ali. O destino, caprichoso como um roteirista de anime de drama, ainda guardava páginas em branco.
Sofia limpou o rosto com as costas da mão, respirando fundo. O adeus de Rhuan parecia definitivo, mas a vida na faculdade era longa, e os caminhos de dois estudantes que compartilhavam o mesmo campus — e um amigo em comum tão peculiar quanto Vitor — estavam longe de se tornarem linhas paralelas que nunca se cruzam.
A dor era real, mas a força de Sofia também era. Ela pegou seu livro gótico favorito, abriu na primeira página e tentou se perder em outra realidade, enquanto o mundo real se preparava para o próximo capítulo que nenhum dos dois poderia prever.
Ela se lembrava vividamente de como tudo começou. O olhar furtivo na biblioteca, a curiosidade despertada por aquele estudante de História que parecia iluminar o ambiente apenas por existir. Rhuan Calmon era o oposto do silêncio dela: extrovertido, com uma risada que ecoava pelos pátios e uma gentileza que parecia vir de outra época.
Vitor Demuner, o amigo em comum e estudante de Filosofia, fora a ponte — e também a âncora. Vitor tinha aquele jeito possessivo, uma amizade que muitas vezes sufocava Sofia com cobranças e um carinho que beirava o tóxico, mas ela não conseguia se desprender. Ele era como um irmão, mesmo que um irmão que ela às vezes desejasse evitar. Foi através dele, naquela festa de calouros barulhenta, que o destino finalmente uniu Sofia e Rhuan.
Naquela noite, Rhuan estava com o olhar perdido, o coração ainda em frangalhos pelo término recente com Larissa. Mas Sofia, com seu conhecimento vasto sobre animes e sua capacidade ESFJ de cuidar de todos ao redor, conseguiu trazê-lo de volta à superfície. Eles conversaram por horas, e a conexão foi instantânea.
Desde então, tornaram-se inseparáveis. Mensagens no WhatsApp de madrugada sobre séries, encontros nos intervalos para discutir a Revolução Francesa ou o último capítulo de um BL que Sofia recomendara. Mas havia uma tensão. Uma corda esticada que ameaçava romper a qualquer momento.
E rompeu naquela tarde, no apartamento de Sofia, enquanto tentavam estudar. O silêncio do quarto foi preenchido apenas pelo som da respiração de ambos. Eles estavam sentados no tapete, cercados por livros, mas a proximidade física era elétrica. O braço de Rhuan roçou no dela, e o mundo pareceu parar.
— Sofia... — sussurrou Rhuan, a voz falhando. Ele ficava nervoso com tanta facilidade que suas mãos começaram a tremer levemente.
Ela não respondeu com palavras. O desejo que vinha cultivando desde o primeiro olhar na biblioteca transbordou. Sofia se inclinou, e o beijo aconteceu. Foi uma explosão de sentimentos guardados. Rhuan a puxou para mais perto, e a diferença de altura — ela com seus 1,64m e ele um pouco mais alto — parecia se encaixar perfeitamente enquanto eles se acomodavam no sofá.
As mãos de Rhuan perderam-se nos cachos escuros de Sofia, enquanto ela sentia o calor do corpo dele contra o seu. Não havia pressa para o ato final, apenas a urgência do toque. O peso do corpo de Sofia sobre o dele parecia ancorá-lo no presente, longe das memórias tristes de Larissa. Os beijos desceram pelo pescoço, arrancando suspiros baixos e intensos. A pele dela ardia sob o toque dele, e cada carícia era um reconhecimento de meses de espera silenciosa.
Eles se exploraram com uma sede desesperada. Rhuan era gentil, mas a paixão o tornava audaz. Sofia sentia-se poderosa, desejada de uma forma que nunca sentira com Vitor ou qualquer outro. O clima estava carregado de uma sensualidade crua, mãos percorrendo curvas, lábios devorando lábios, uma dança de corpos que não precisava de penetração para ser absoluta. Era uma entrega de almas através da pele.
Contudo, no auge daquela entrega, quando o ar parecia faltar e o coração de Rhuan batia frenético contra o peito de Sofia, ele parou. O movimento cessou bruscamente. Ele se afastou, sentando-se na beirada do sofá, passando as mãos pelo rosto, tentando organizar os pensamentos que pareciam ter fugido.
Sofia, com a respiração ainda ofegante e os cabelos desarrumados, sentiu um frio súbito subir pela espinha. Ela se ajeitou, olhando para as costas dele, esperando uma palavra de conforto, um "eu te amo", ou qualquer sinal de que aquilo mudaria tudo.
— Eu não posso fazer isso, Sofia — disse Rhuan, a voz carregada de uma tristeza que cortou o ar como uma lâmina.
— O que você quer dizer? — perguntou ela, a voz trêmula, sentindo a insegurança de seu corpo e de seus sentimentos aflorar. — Foi... foi algo que eu fiz?
Rhuan se virou para ela, os olhos castanhos marejados. A gentileza ainda estava lá, mas estava sufocada pela confusão.
— Não, você é incrível. Mais do que eu mereço — ele suspirou, desviando o olhar para o chão. — Mas eu ainda estou quebrado. A Larissa... ela me procurou ontem.
O nome caiu como uma bomba no quarto. Sofia sentiu uma pontada de indignação. Ela conhecia a fama de Larissa: ciumenta, manipuladora, o tipo de pessoa que sugava a energia de Rhuan até não sobrar nada.
— Ela quer voltar — continuou ele, quase num sussurro. — E o pior é que... eu também quero. Eu ainda amo ela, Sofia. Por mais que doa, por mais que não faça sentido.
Sofia sentiu as lágrimas pinicarem seus olhos, mas a raiva foi mais rápida. Ela se levantou, ajeitando a blusa com mãos firmes.
— Você está falando sério? — a voz dela subiu de tom. — Depois de tudo o que passamos? Depois de todos esses meses onde eu fui quem segurou sua mão enquanto você chorava por ela? Rhuan, ela é tóxica! Ela te faz mal e você sabe disso!
— Eu sei — admitiu ele, a voz falha. — Mas o coração não segue a lógica da Nutrição ou da História. Ele só sente.
— Eu sou melhor para você do que ela jamais será! — exclamou Sofia, a frustração transbordando. — Eu te entendo, eu gosto das mesmas coisas, eu te respeito. Por que escolher o que te destrói em vez do que te constrói?
Rhuan levantou-se também, parecendo subitamente exausto. O nervosismo de antes dera lugar a uma resignação melancólica.
— Talvez eu não esteja pronto para ser construído, Sofia. Talvez eu ainda precise desse caos.
Sofia deu um passo à frente, encarando-o nos olhos, buscando qualquer faísca de dúvida que pudesse usar a seu favor.
— Então é isso? Você vai realmente me deixar? Vai jogar fora o que a gente começou a construir por causa de uma sombra do passado?
Rhuan ficou em silêncio por um longo minuto. O relógio na parede parecia marcar cada batida do coração partido de Sofia. Ele olhou para ela, gravando cada detalhe de seu rosto, dos cachos castanhos à determinação em seus olhos escuros.
— Vou — respondeu ele, finalmente. — Eu sinto muito, Sofia. De verdade. Mas eu não posso estar com você sentindo o que sinto por ela. Seria injusto com você.
— Injusto é você me dar esperanças e depois me descartar como se eu fosse um rascunho — retrucou ela, a mágoa agora evidente.
— Isso é um adeus, Sofia — disse Rhuan, caminhando em direção à porta. — Um adeus para sempre. É melhor assim para nós dois.
Ele saiu sem olhar para trás. O som da porta se fechando ecoou pelo apartamento vazio, deixando Sofia sozinha com o cheiro do perfume dele ainda impregnado em sua pele e o gosto amargo da rejeição. Ela se sentou no chão, cercada pelos livros de romance queer que tanto amava, onde os finais eram geralmente felizes ou, pelo menos, significativos.
Ali, no silêncio de seu quarto, Sofia Vencioneck chorou. Não apenas por Rhuan, mas pela injustiça de ser a escolha lógica e saudável, enquanto a toxicidade de Larissa vencia a batalha. Ela sentia que merecia mais. Ela sabia que era mais.
No entanto, enquanto as lágrimas caíam, uma pequena parte de sua mente, aquela que Vitor Demuner sempre tentava dominar com sua filosofia pessimista, começou a sussurrar que a história não terminava ali. O destino, caprichoso como um roteirista de anime de drama, ainda guardava páginas em branco.
Sofia limpou o rosto com as costas da mão, respirando fundo. O adeus de Rhuan parecia definitivo, mas a vida na faculdade era longa, e os caminhos de dois estudantes que compartilhavam o mesmo campus — e um amigo em comum tão peculiar quanto Vitor — estavam longe de se tornarem linhas paralelas que nunca se cruzam.
A dor era real, mas a força de Sofia também era. Ela pegou seu livro gótico favorito, abriu na primeira página e tentou se perder em outra realidade, enquanto o mundo real se preparava para o próximo capítulo que nenhum dos dois poderia prever.
