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Como quiseres

Fandom: Harry potter

Criado: 10/07/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFantasiaCenário CanônicoDivergênciaDiscriminação
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Marcas Sangrentas e Promessas de Fogo

O Salão Comunal da Grifinória estava estranhamente silencioso para uma noite de sexta-feira, mas o silêncio não era de paz; era de exaustão. O teto alto parecia pesar sobre os ombros dos alunos, e o crepitar da lareira era o único som que ousava desafiar a atmosfera opressiva instalada por Dolores Umbridge.

Ju Black estava sentada em uma das poltronas mais afastadas, tentando se concentrar em seu pergaminho de Runas Antigas, mas sua mão direita tremia involuntariamente. Ela a escondia sob a mesa sempre que alguém passava, especialmente Fred. Ela conhecia o namorado que tinha. Fred Weasley podia ser o rei das travessuras e do riso, mas quando se tratava de Ju, ele possuía uma percepção afiada demais para o seu próprio bem.

— Você está na mesma linha há vinte minutos, Ju. — A voz de Fred soou perto de seu ouvido, acompanhada pelo cheiro familiar de pólvora de fogos de artifício e canela.

Ju deu um sobressalto, tentando cobrir a mão com a manga da veste.

— É uma tradução difícil, Fred. A sintaxe das runas do século dez é um pesadelo.

Fred não se sentou na cadeira vaga ao lado dela. Em vez disso, ele se ajoelhou no tapete felpudo, ficando na altura dos olhos dela. O olhar divertido que ele costumava carregar havia sumido, substituído por uma seriedade que poucas pessoas tinham o privilégio — ou o azar — de ver.

— Deixe-me ver, Ju. — Ele estendeu a mão, a palma para cima, esperando.

— Não é nada, sério. Eu só estou cansada. — Ela tentou sorrir, mas o gesto não alcançou seus olhos acinzentados, herdados de Sirius.

— Juçara Black, não me faça pedir duas vezes. — O tom dele era suave, mas firme.

Lentamente, ela estendeu a mão direita. Fred a pegou com uma delicadeza que contrastava com suas mãos calejadas de batedor. Ele puxou a manga da veste dela para trás, revelando o dorso da mão. As palavras estavam lá, cortadas na pele em um vermelho vivo e irritado, como se tivessem sido gravadas com brasa: *Não devo desobedecer à autoridade.*

Fred soltou um suspiro pesado, seus dedos roçando a pele ao redor da ferida sem tocá-la diretamente. Seus maxilares se travaram e Ju pôde ver a faísca de fúria nos olhos dele, uma chama que queimava mais forte do que qualquer um dos seus fogos de artifício.

— Aquela mulher... aquela sapa velha e asquerosa — sibilou Fred, a voz falhando de ódio. — Ela fez isso com você porque você defendeu o seu pai, não foi?

— Ela chamou o meu pai de assassino louco na frente de toda a classe de Defesa Contra as Artes das Trevas — respondeu Ju, sentindo uma lágrima solitária escorrer, não pela dor física, mas pela humilhação. — Eu não podia ficar calada, Fred. Ele está trancado naquela casa, arriscando tudo pela Ordem, e ela fala dele como se ele fosse um monstro de Azkaban.

Fred puxou-a para um abraço, ignorando quem pudesse estar olhando no Salão Comunal. Ju escondeu o rosto no pescoço dele, permitindo-se finalmente desabar. Ser filha de Sirius Black no último ano de Hogwarts já era difícil o suficiente com o Ministério caçando seu pai; ter Umbridge como carrasca pessoal era quase insuportável.

— Eu vou matá-la — murmurou Fred contra o cabelo dela. — Eu juro, Ju, eu vou transformar a vida dela num inferno tão grande que ela vai implorar para voltar para o Ministério.

— Não, Fred, por favor — disse ela, afastando-se um pouco para olhá-lo. — Ela está esperando por isso. Ela quer uma desculpa para expulsar você e o Jorge. É o seu último ano, vocês precisam terminar a escola.

Fred soltou uma risada amarga, passando a mão pelo cabelo ruivo bagunçado.

— Terminar a escola? Ju, olhe ao redor. Este lugar não é mais Hogwarts. É uma prisão. Dumbledore está sendo acuado, Harry está sendo torturado em detenções e agora... agora ela tocou em você.

Ele se levantou e puxou Ju com ele, levando-a até o sofá mais próximo da lareira. Jorge estava sentado ali, testando alguns protótipos de Nugados de Nariz com Lino Jordan, mas ao ver a expressão do irmão e o estado de Ju, ele parou imediatamente.

— Ela pegou a Ju também? — perguntou Jorge, a voz carregada de um peso sombrio.

Fred apenas assentiu, sentando-se e puxando Ju para o seu colo, protegendo-a do mundo.

— Precisamos de essência de murtlap — disse Fred para o irmão. — Lee, você consegue arranjar com a Hermione? Ela tem um estoque.

Lino assentiu e saiu rapidamente em direção ao dormitório feminino.

— Eu odeio que você tenha que passar por isso — sussurrou Fred no ouvido de Ju, enquanto seus dedos traçavam padrões calmantes no braço dela. — Eu queria poder levar cada uma dessas detenções no seu lugar.

— Eu sou uma Black, Fred — disse ela, tentando recuperar a postura, embora ainda estivesse trêmula. — Nós somos teimosos. Ela pode gravar o que quiser na minha pele, mas não vai mudar o que eu penso.

Fred sorriu, um sorriso triste e orgulhoso.

— É por isso que eu amo você. Mas ser uma Black teimosa não significa que você tenha que sofrer sozinha.

Minutos depois, Lino voltou com uma pequena tigela de líquido amarelado. Fred mergulhou um pano limpo na essência de murtlap e aplicou cuidadosamente sobre a mão de Ju. O alívio foi instantâneo. O frio do líquido acalmou a queimação latejante, e Ju soltou um suspiro de gratidão.

— Melhor? — perguntou ele, os olhos fixos na tarefa de enfaixar a mão dela com cuidado cirúrgico.

— Muito melhor. Obrigada, Fred.

Eles ficaram ali por um longo tempo, enquanto o Salão Comunal se esvaziazia. Jorge e Lino subiram para os dormitórios, deixando o casal sozinho diante das brasas moribundas da lareira. O silêncio agora era diferente; era preenchido pela cumplicidade de quem compartilhava um segredo perigoso.

— Fred? — chamou Ju, quebrando o silêncio.

— Sim, amor?

— O que você e o Jorge estão planejando? Eu vejo as caixas, os sussurros... vocês não estão apenas fazendo pegadinhas comuns este ano, estão?

Fred hesitou. Ele olhou para as escadas dos dormitórios e depois voltou para a namorada. Ele sabia que não podia esconder nada dela, não depois de tudo.

— Estamos planejando a nossa saída — confessou ele em voz baixa. — Umbridge acha que tem o controle total, mas ela não viu nada ainda. Vamos transformar a partida dos gêmeos Weasley em algo que Hogwarts nunca vai esquecer. E vamos levar a liberdade conosco.

Ju sentiu um aperto no peito. O último ano de Fred significava que, em poucos meses, eles estariam separados. Ele iria para o mundo real, para a guerra que se aproximava, enquanto ela ainda teria que lidar com as paredes de pedra de Hogwarts.

— Eu vou sentir tanto a sua falta — admitiu ela, a voz embargada.

Fred segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a olhar para ele.

— Escute bem, Ju Black. Eu não vou a lugar nenhum onde você não possa me encontrar. Assim que sairmos daqui e abrirmos a nossa loja, eu vou escrever para você todos os dias. E se aquela sapa encostar um dedo em você de novo, eu volto voando nesta escola, decreto educacional ou não.

— Meu pai vai ter um colapso se souber que eu estou namorando um "arruaceiro profissional" — brincou Ju, tentando aliviar o clima.

— Ah, Sirius me adora — riu Fred, o brilho travesso retornando finalmente aos seus olhos. — Ele só finge que não porque tem uma reputação de "bad boy" a manter. No fundo, ele sabe que eu sou o único genro possível para um Maroto.

Ju riu, e o som foi como música para os ouvidos de Fred. Ele se inclinou e a beijou, um beijo que começou doce e reconfortante, mas que logo se tornou intenso, carregado de todas as palavras que eles não podiam dizer em voz alta: o medo do futuro, o ódio pela tirania de Umbridge e o amor inabalável que os mantinha sãos.

— Prometa-me uma coisa — disse Ju, quando se afastaram.

— Qualquer coisa.

— Quando vocês fizerem o que quer que estejam planejando... façam com estilo. Façam ela parecer ridícula.

Fred deu um sorriso largo, aquele sorriso que costumava preceder as maiores explosões que Hogwarts já vira.

— Ah, minha querida Ju... nós vamos fazer muito mais do que isso. Nós vamos dar a ela um espetáculo.

Naquela noite, Ju Black dormiu mais tranquila, apesar da cicatriz em sua mão. Ela sabia que os tempos eram sombrios e que a guerra estava batendo à porta, mas enquanto tivesse Fred Weasley ao seu lado — ou mesmo apenas em seus pensamentos —, ela tinha uma luz que nenhuma Dolores Umbridge jamais conseguiria apagar.

Nas semanas que se seguiram, a tensão em Hogwarts atingiu o ponto de ruptura. Umbridge, agora como Alta Inquisidora e, posteriormente, Diretora, transformara a escola em um regime de terror. Ju passava a maior parte do tempo ajudando os membros da Armada de Dumbledore, treinando feitiços de defesa em segredo na Sala Precisa.

Sua mão já não doía tanto, mas a marca continuava lá, um lembrete permanente da crueldade do Ministério. Fred e Jorge estavam mais ocupados do que nunca, e o Salão Comunal da Grifinória tornara-se o centro de comando de uma resistência silenciosa.

Certa tarde, Ju encontrou Fred no corredor do terceiro andar. Ele parecia radiante, um contraste absoluto com os rostos pálidos e assustados dos outros alunos.

— É hoje, Ju — sussurrou ele, puxando-a para trás de uma tapeçaria de um troll tentando dançar balé.

— Hoje o quê? — perguntou ela, embora seu coração já soubesse a resposta.

— O grande final. O *Grand Finale* dos Weasley. Estamos indo embora, Ju.

O estômago de Ju deu um nó. Ela sabia que esse dia chegaria, mas não estava pronta.

— Agora? No meio da tarde?

— O momento perfeito. A sapa está tentando interrogar o Harry na sala dela. É a hora de causar o caos necessário para ele escapar.

Fred pegou a mão enfaixada de Ju e a beijou suavemente sobre o tecido.

— Eu deixei algo para você no seu dormitório. Um par de espelhos de comunicação. Eu consegui consertar um conjunto antigo que achei no sótão da mamãe. Assim, poderemos nos falar sem as corujas do Ministério interceptarem.

— Fred... — Ju sentiu as lágrimas virem. — Tome cuidado. Lá fora é perigoso. Meu pai disse que os Comensais da Morte estão se movimentando.

— Eles que tomem cuidado comigo — disse Fred, com uma piscadela confiante. — Eu tenho uma namorada Black, lembra? Eu aprendi alguns truques de família.

Um estrondo ecoou pelos corredores, seguido pelo som de algo explodindo. Fred sorriu de orelha a orelha.

— Esse é o sinal do Jorge. Eu preciso ir.

Ele a puxou para um último beijo rápido e ardente.

— Eu te amo, Ju. Não deixe que ela te quebre.

— Eu te amo, Fred. Vá e mostre a eles quem manda nesta escola.

Ju saiu de trás da tapeçaria a tempo de ver Fred e Jorge montarem em suas vassouras, que haviam sido convocadas com um feitiço *Accio* magistral. Eles voaram pelo saguão de entrada, lançando Fogos de Artifício Drasconianos de fabricação própria por todos os lados.

Dragões de fogo verde e dourado perseguiam os membros da Brigada Inquisitorial, e foguetes que se multiplicavam quando alguém tentava apagá-los enchiam o ar com cores vibrantes e barulhos ensurdecedores.

Ju ficou no topo da escadaria, observando a destruição gloriosa. Ela viu Umbridge sair correndo de sua sala, o rosto rosa agora pálido de choque e fúria, tentando inutilmente agitar sua varinha contra o caos pirotécnico.

Fred circulou sobre a cabeça da Alta Inquisidora uma última vez.

— Se quiserem comprar nossos fogos, nos procurem no Beco Diagonal! — gritou ele para a multidão de alunos que saía das salas para aplaudir. — Gemialidades Weasley, em breve!

Ele olhou para Ju uma última vez no meio da multidão, ergueu o punho em sinal de vitória e, com um mergulho acrobático, voou para fora das portas principais de Hogwarts, direto para o pôr do sol, acompanhado por Jorge.

Ju sentiu um sorriso se espalhar por seu rosto, o primeiro sorriso verdadeiro em meses. Ela olhou para a própria mão, onde a cicatriz de Umbridge ainda dizia que ela não deveria desobedecer.

— Ah, Dolores — murmurou Ju para si mesma, enquanto a mulher gritava ordens que ninguém ouvia. — Você realmente não entende nada sobre autoridade.

Ela se virou e caminhou em direção ao seu dormitório, sentindo-se mais forte do que nunca. Fred Weasley tinha partido, mas ele tinha deixado para trás muito mais do que apenas fogos de artifício; ele tinha deixado a chama da rebelião acesa no coração de cada aluno. E Ju Black seria a primeira a garantir que essa chama nunca se apagasse.
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