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Desabrochando
Fandom: Alien stage
Criado: 10/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaFatias de VidaDor/ConfortoFofuraAlmas GêmeasEstudo de PersonagemCenário CanônicoUA (Universo Alternativo)CiúmesPsicológico
Gelo Derretido e Chiclete de Morango
O refeitório da escola Anakt era o puro caos habitual, uma mistura de cheiro de tater tots fritos e o som ensurdecedor de centenas de adolescentes tentando ser ouvidos acima uns dos outros. Na mesa central, o grupo mais eclético do segundo ano estava reunido.
Mizi estava praticamente deitada sobre a mesa, os cabelos rosados bagunçados e o rosto apoiado nos braços cruzados. Ela tinha aquela aura de quem não dormia há três dias, mas ainda assim conseguia parecer absurdamente atraente com o uniforme levemente desleixado.
— Eu juro por Deus, se o professor de física falar mais uma palavra sobre termodinâmica, eu entro em combustão espontânea aqui mesmo — resmungou Mizi, abrindo um olho só para encarar Till.
Till, que estava ocupado demais tentando desenhar algo agressivo no verso de um caderno com seus fones de ouvido no pescoço, apenas bufou.
— Pelo menos você consegue dormir na aula, Mizi. O cara fica me encarando como se eu fosse explodir a escola a qualquer momento só por causa do meu piercing.
— Mas você passa essa vibe mesmo, Till — Hyuna riu, jogando uma batata frita nele. Ela era a definição de "descolada", com a jaqueta de couro por cima do uniforme e um sorriso que desafiava qualquer regra da coordenação. — É o charme do emo revoltado.
Luka, que estava sentado na ponta da mesa ajustando os óculos e revisando algumas anotações, limpou a garganta.
— Na verdade, a termodinâmica é fascinante se você observar pelo prisma da transferência de energia cinética... — Ele parou ao ver o olhar mortal de Mizi. — Enfim, eu tenho uma surpresa para hoje.
— Surpresa? — Hyuna arqueou a sobrancelha. — Vindo de você, ou é um novo RPG de mesa ou um gráfico de desempenho escolar.
— Não exatamente — Luka deu um sorriso enigmático, algo raro para o nerd do grupo. — Eu convidei uns amigos para almoçarem com a gente.
— Amigos? — Till finalmente largou a caneta. — A gente é o seu único grupo de amigos, Luka. Você é estranho demais para o resto da escola.
— Isso é rude, Till. Mas, para sua informação, eu tenho mantido contato com os irmãos Baek.
O silêncio caiu sobre a mesa de forma instantânea. Até Mizi, que parecia estar em estado vegetativo, levantou a cabeça, os olhos brilhando com uma intensidade repentina.
— Os "Irmãos de Gelo"? — Mizi perguntou, um sorriso de canto surgindo em seus lábios. — Ivan e Sua? Você tá brincando, né?
— Eles não falam com ninguém desde o primeiro ano — Hyuna cruzou os braços, cética. — Teve um cara que tentou chamar a Sua pra sair no mês passado e ela só olhou pra ele até o garoto pedir desculpas por existir e sair correndo.
— Eu ajudei o Ivan com uns projetos de codificação avançada — explicou Luka, mantendo a postura formal. — E a Sua frequenta a mesma seção da biblioteca que eu. Eles são... incompreendidos. E devem chegar a qualquer momento.
— Duvido — disse Till, voltando para o caderno. — Eles são areia demais pro seu caminhãozinho de nerd, Luka.
Mal as palavras saíram da boca de Till, o burburinho do refeitório pareceu diminuir de volume em uma onda, começando pela porta de entrada.
Caminhando com uma calma que beirava a arrogância, Ivan e Sua atravessaram o salão. Ambos tinham a pele pálida e uma expressão de tédio absoluto que parecia repelir qualquer tentativa de aproximação social. Ivan tinha as mãos nos bolsos, o uniforme impecável, enquanto Sua segurava um livro grosso contra o peito, os olhos escuros fixos em algum ponto no horizonte.
Para a surpresa de todos (exceto Luka), eles não passaram direto. Eles pararam exatamente na frente da mesa do grupo.
— Estão atrasados dois minutos — disse Luka, consultando o relógio de pulso.
— O corredor estava cheio de idiotas lentos — a voz de Ivan era fria, mas ele puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Till, que parecia ter esquecido como se respira.
Sua permaneceu de pé por um segundo, os olhos varrendo o grupo com uma melancolia profunda, até que seu olhar encontrou o de Mizi.
Mizi não desviou. Pelo contrário, ela se espreguiçou como um gato, deixando o olhar intenso e sedutor travar no de Sua. Ela soltou um chiclete de morango que estava mastigando, fazendo uma bola e estourando-a com um estalo seco.
— Então os mitos resolveram descer do Olimpo? — Mizi disse, a voz arrastada e carregada de uma provocação divertida. — Prazer, eu sou a Mizi. Mas você já deve saber disso, né, boneca?
Sua piscou, uma leve quebra em sua máscara de gelo. Ela sentou-se lentamente na frente de Mizi, sem desviar o olhar.
— Sua — respondeu ela, curta e grossa. — E não, eu não sabia. Eu não costumo prestar atenção no barulho de fundo.
— Ui, gelada — Hyuna riu, batendo palmas. — Gostei dela! E aí, Ivan? O Luka disse que você é um gênio dos computadores ou algo assim.
Ivan deu de ombros, tirando um pirulito do bolso e desembrulhando-o com uma indiferença calculada.
— Eu só sei fazer as coisas funcionarem. As pessoas é que são complicadas demais.
— Concordo plenamente — murmurou Till, sentindo uma estranha afinidade com o jeito seco do garoto ao seu lado.
A conversa na mesa começou a fluir de um jeito estranho. Luka tentava manter um nível intelectual, Hyuna fazia piadas que Ivan ocasionalmente retribuía com um comentário sarcástico, e Till e Ivan começaram uma discussão silenciosa sobre qual banda de rock era menos "vendida".
Mas o verdadeiro espetáculo estava entre as duas garotas no centro.
Mizi não parava de encarar Sua. Não era um encarar agressivo, era... exploratório. Ela apoiava o queixo na mão, observando como Sua segurava o livro, como seus dedos eram longos e delicados, e como ela parecia carregar o peso do mundo nos ombros.
— O que você está lendo? — Mizi perguntou, esticando a mão para tocar a capa do livro.
Sua hesitou, mas não puxou o livro de volta.
— Poesias de um autor que você provavelmente acharia entediante — respondeu Sua, embora o tom estivesse um pouco menos defensivo.
— Tenta a sorte — Mizi inclinou-se para frente, diminuindo a distância entre elas. O perfume de morango do chiclete de Mizi invadiu o espaço pessoal de Sua. — Eu gosto de coisas tristes. Elas dão mais vontade de viver intensamente depois, não acha?
Sua olhou para Mizi, realmente olhando agora. Ela viu o brilho de inteligência e malícia nos olhos rosados, a confiança inabalável que Mizi exalava. Era o oposto total de sua própria existência contida e silenciosa.
— Você é muito barulhenta — disse Sua, mas havia um traço quase imperceptível de um sorriso no canto de sua boca.
— E você é muito quieta — rebateu Mizi, piscando um olho. — A gente devia equilibrar isso. O que você faz depois da aula?
Ivan, que estava ouvindo a conversa enquanto mastigava seu pirulito, soltou uma risadinha seca.
— Boa sorte com isso, rosa. Minha irmã não sai com "barulho de fundo".
— Cala a boca, Ivan — Sua disse, sem olhar para o irmão. Ela voltou a focar em Mizi. — Eu vou para a biblioteca estudar.
— Que coincidência — mentiu Mizi descaradamente, já que sua última visita à biblioteca tinha sido para recuperar um casaco esquecido no ano passado. — Eu também ia pra lá. Dormir no sofá do fundo é uma delícia, sabia?
Luka olhou para cima de seus óculos, pronto para corrigir que a biblioteca não era lugar de dormir, mas Hyuna chutou sua canela por baixo da mesa.
— É, Luka, deixa elas — Hyuna sussurrou, piscando para o nerd.
O sinal tocou, anunciando o fim do intervalo. O grupo começou a se levantar, mas a tensão — ou a conexão — entre Mizi e Sua parecia mantê-las presas àquelas cadeiras plásticas por alguns segundos a mais.
— Te vejo na biblioteca então? — Mizi perguntou, levantando-se e jogando a mochila sobre um ombro só, deixando a alça cair levemente pelo braço.
Sua fechou o livro com um estalo, levantando-se com a elegância de uma estátua de mármore.
— Se você não roncar e me atrapalhar... talvez.
Ivan passou por Mizi e deu um tapinha no ombro dela, o olhar frio agora tingido de um respeito relutante.
— Você tem coragem, garota. Ninguém nunca sobreviveu a mais de dois minutos de conversa com ela sem levar um fora monumental.
— Eu não sou todo mundo, gelinho — Mizi riu, observando os dois irmãos se afastarem.
Till se aproximou de Mizi, olhando para a direção onde Ivan tinha ido.
— Cara, aqueles dois são bizarros. Mas o Ivan... ele entende de sintetizadores. É meio bizarro.
— Viu? Eu disse que eles eram legais — Luka comentou, orgulhoso de sua "ponte social".
Hyuna passou o braço pelo pescoço de Mizi enquanto caminhavam em direção às salas.
— E aí, Mizi? Atingiu o objetivo? O gelo derreteu ou você só ganhou um "não" muito elegante?
Mizi sorriu, um olhar intenso focado na porta por onde Sua tinha acabado de passar. Ela ainda conseguia sentir o cheiro suave de papel antigo que emanava da outra garota.
— O gelo não derrete de uma vez, Hyuna — disse Mizi, colocando um novo chiclete na boca. — Ele primeiro racha. E eu acabei de ouvir o primeiro estalo.
Enquanto o grupo se dispersava para suas respectivas aulas, Mizi já planejava como "estudar" na biblioteca. Ela não era do tipo que desistia fácil, e havia algo naquela tristeza profunda nos olhos de Sua que a fazia querer ser o barulho que finalmente acordaria aquela melancolia.
No corredor, Sua sentiu o coração bater um pouco mais rápido do que o normal. Ela olhou para o irmão, que a encarava com um sorrisinho de lado.
— O que foi? — ela perguntou, voltando à sua fachada fria.
— Nada — Ivan respondeu, voltando a focar no caminho. — Só acho que a biblioteca vai ficar bem mais interessante hoje.
Sua não respondeu, mas apertou o livro contra o peito. Pela primeira vez em muito tempo, o silêncio da escola não parecia tão confortável quanto o eco da risada de uma garota de cabelos rosa.
Mizi estava praticamente deitada sobre a mesa, os cabelos rosados bagunçados e o rosto apoiado nos braços cruzados. Ela tinha aquela aura de quem não dormia há três dias, mas ainda assim conseguia parecer absurdamente atraente com o uniforme levemente desleixado.
— Eu juro por Deus, se o professor de física falar mais uma palavra sobre termodinâmica, eu entro em combustão espontânea aqui mesmo — resmungou Mizi, abrindo um olho só para encarar Till.
Till, que estava ocupado demais tentando desenhar algo agressivo no verso de um caderno com seus fones de ouvido no pescoço, apenas bufou.
— Pelo menos você consegue dormir na aula, Mizi. O cara fica me encarando como se eu fosse explodir a escola a qualquer momento só por causa do meu piercing.
— Mas você passa essa vibe mesmo, Till — Hyuna riu, jogando uma batata frita nele. Ela era a definição de "descolada", com a jaqueta de couro por cima do uniforme e um sorriso que desafiava qualquer regra da coordenação. — É o charme do emo revoltado.
Luka, que estava sentado na ponta da mesa ajustando os óculos e revisando algumas anotações, limpou a garganta.
— Na verdade, a termodinâmica é fascinante se você observar pelo prisma da transferência de energia cinética... — Ele parou ao ver o olhar mortal de Mizi. — Enfim, eu tenho uma surpresa para hoje.
— Surpresa? — Hyuna arqueou a sobrancelha. — Vindo de você, ou é um novo RPG de mesa ou um gráfico de desempenho escolar.
— Não exatamente — Luka deu um sorriso enigmático, algo raro para o nerd do grupo. — Eu convidei uns amigos para almoçarem com a gente.
— Amigos? — Till finalmente largou a caneta. — A gente é o seu único grupo de amigos, Luka. Você é estranho demais para o resto da escola.
— Isso é rude, Till. Mas, para sua informação, eu tenho mantido contato com os irmãos Baek.
O silêncio caiu sobre a mesa de forma instantânea. Até Mizi, que parecia estar em estado vegetativo, levantou a cabeça, os olhos brilhando com uma intensidade repentina.
— Os "Irmãos de Gelo"? — Mizi perguntou, um sorriso de canto surgindo em seus lábios. — Ivan e Sua? Você tá brincando, né?
— Eles não falam com ninguém desde o primeiro ano — Hyuna cruzou os braços, cética. — Teve um cara que tentou chamar a Sua pra sair no mês passado e ela só olhou pra ele até o garoto pedir desculpas por existir e sair correndo.
— Eu ajudei o Ivan com uns projetos de codificação avançada — explicou Luka, mantendo a postura formal. — E a Sua frequenta a mesma seção da biblioteca que eu. Eles são... incompreendidos. E devem chegar a qualquer momento.
— Duvido — disse Till, voltando para o caderno. — Eles são areia demais pro seu caminhãozinho de nerd, Luka.
Mal as palavras saíram da boca de Till, o burburinho do refeitório pareceu diminuir de volume em uma onda, começando pela porta de entrada.
Caminhando com uma calma que beirava a arrogância, Ivan e Sua atravessaram o salão. Ambos tinham a pele pálida e uma expressão de tédio absoluto que parecia repelir qualquer tentativa de aproximação social. Ivan tinha as mãos nos bolsos, o uniforme impecável, enquanto Sua segurava um livro grosso contra o peito, os olhos escuros fixos em algum ponto no horizonte.
Para a surpresa de todos (exceto Luka), eles não passaram direto. Eles pararam exatamente na frente da mesa do grupo.
— Estão atrasados dois minutos — disse Luka, consultando o relógio de pulso.
— O corredor estava cheio de idiotas lentos — a voz de Ivan era fria, mas ele puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Till, que parecia ter esquecido como se respira.
Sua permaneceu de pé por um segundo, os olhos varrendo o grupo com uma melancolia profunda, até que seu olhar encontrou o de Mizi.
Mizi não desviou. Pelo contrário, ela se espreguiçou como um gato, deixando o olhar intenso e sedutor travar no de Sua. Ela soltou um chiclete de morango que estava mastigando, fazendo uma bola e estourando-a com um estalo seco.
— Então os mitos resolveram descer do Olimpo? — Mizi disse, a voz arrastada e carregada de uma provocação divertida. — Prazer, eu sou a Mizi. Mas você já deve saber disso, né, boneca?
Sua piscou, uma leve quebra em sua máscara de gelo. Ela sentou-se lentamente na frente de Mizi, sem desviar o olhar.
— Sua — respondeu ela, curta e grossa. — E não, eu não sabia. Eu não costumo prestar atenção no barulho de fundo.
— Ui, gelada — Hyuna riu, batendo palmas. — Gostei dela! E aí, Ivan? O Luka disse que você é um gênio dos computadores ou algo assim.
Ivan deu de ombros, tirando um pirulito do bolso e desembrulhando-o com uma indiferença calculada.
— Eu só sei fazer as coisas funcionarem. As pessoas é que são complicadas demais.
— Concordo plenamente — murmurou Till, sentindo uma estranha afinidade com o jeito seco do garoto ao seu lado.
A conversa na mesa começou a fluir de um jeito estranho. Luka tentava manter um nível intelectual, Hyuna fazia piadas que Ivan ocasionalmente retribuía com um comentário sarcástico, e Till e Ivan começaram uma discussão silenciosa sobre qual banda de rock era menos "vendida".
Mas o verdadeiro espetáculo estava entre as duas garotas no centro.
Mizi não parava de encarar Sua. Não era um encarar agressivo, era... exploratório. Ela apoiava o queixo na mão, observando como Sua segurava o livro, como seus dedos eram longos e delicados, e como ela parecia carregar o peso do mundo nos ombros.
— O que você está lendo? — Mizi perguntou, esticando a mão para tocar a capa do livro.
Sua hesitou, mas não puxou o livro de volta.
— Poesias de um autor que você provavelmente acharia entediante — respondeu Sua, embora o tom estivesse um pouco menos defensivo.
— Tenta a sorte — Mizi inclinou-se para frente, diminuindo a distância entre elas. O perfume de morango do chiclete de Mizi invadiu o espaço pessoal de Sua. — Eu gosto de coisas tristes. Elas dão mais vontade de viver intensamente depois, não acha?
Sua olhou para Mizi, realmente olhando agora. Ela viu o brilho de inteligência e malícia nos olhos rosados, a confiança inabalável que Mizi exalava. Era o oposto total de sua própria existência contida e silenciosa.
— Você é muito barulhenta — disse Sua, mas havia um traço quase imperceptível de um sorriso no canto de sua boca.
— E você é muito quieta — rebateu Mizi, piscando um olho. — A gente devia equilibrar isso. O que você faz depois da aula?
Ivan, que estava ouvindo a conversa enquanto mastigava seu pirulito, soltou uma risadinha seca.
— Boa sorte com isso, rosa. Minha irmã não sai com "barulho de fundo".
— Cala a boca, Ivan — Sua disse, sem olhar para o irmão. Ela voltou a focar em Mizi. — Eu vou para a biblioteca estudar.
— Que coincidência — mentiu Mizi descaradamente, já que sua última visita à biblioteca tinha sido para recuperar um casaco esquecido no ano passado. — Eu também ia pra lá. Dormir no sofá do fundo é uma delícia, sabia?
Luka olhou para cima de seus óculos, pronto para corrigir que a biblioteca não era lugar de dormir, mas Hyuna chutou sua canela por baixo da mesa.
— É, Luka, deixa elas — Hyuna sussurrou, piscando para o nerd.
O sinal tocou, anunciando o fim do intervalo. O grupo começou a se levantar, mas a tensão — ou a conexão — entre Mizi e Sua parecia mantê-las presas àquelas cadeiras plásticas por alguns segundos a mais.
— Te vejo na biblioteca então? — Mizi perguntou, levantando-se e jogando a mochila sobre um ombro só, deixando a alça cair levemente pelo braço.
Sua fechou o livro com um estalo, levantando-se com a elegância de uma estátua de mármore.
— Se você não roncar e me atrapalhar... talvez.
Ivan passou por Mizi e deu um tapinha no ombro dela, o olhar frio agora tingido de um respeito relutante.
— Você tem coragem, garota. Ninguém nunca sobreviveu a mais de dois minutos de conversa com ela sem levar um fora monumental.
— Eu não sou todo mundo, gelinho — Mizi riu, observando os dois irmãos se afastarem.
Till se aproximou de Mizi, olhando para a direção onde Ivan tinha ido.
— Cara, aqueles dois são bizarros. Mas o Ivan... ele entende de sintetizadores. É meio bizarro.
— Viu? Eu disse que eles eram legais — Luka comentou, orgulhoso de sua "ponte social".
Hyuna passou o braço pelo pescoço de Mizi enquanto caminhavam em direção às salas.
— E aí, Mizi? Atingiu o objetivo? O gelo derreteu ou você só ganhou um "não" muito elegante?
Mizi sorriu, um olhar intenso focado na porta por onde Sua tinha acabado de passar. Ela ainda conseguia sentir o cheiro suave de papel antigo que emanava da outra garota.
— O gelo não derrete de uma vez, Hyuna — disse Mizi, colocando um novo chiclete na boca. — Ele primeiro racha. E eu acabei de ouvir o primeiro estalo.
Enquanto o grupo se dispersava para suas respectivas aulas, Mizi já planejava como "estudar" na biblioteca. Ela não era do tipo que desistia fácil, e havia algo naquela tristeza profunda nos olhos de Sua que a fazia querer ser o barulho que finalmente acordaria aquela melancolia.
No corredor, Sua sentiu o coração bater um pouco mais rápido do que o normal. Ela olhou para o irmão, que a encarava com um sorrisinho de lado.
— O que foi? — ela perguntou, voltando à sua fachada fria.
— Nada — Ivan respondeu, voltando a focar no caminho. — Só acho que a biblioteca vai ficar bem mais interessante hoje.
Sua não respondeu, mas apertou o livro contra o peito. Pela primeira vez em muito tempo, o silêncio da escola não parecia tão confortável quanto o eco da risada de uma garota de cabelos rosa.
