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Fandom: Haaland
Criado: 10/07/2026
Tags
Fatias de VidaHumorHistória DomésticaCiúmesUA (Universo Alternativo)Estudo de Personagem
O Caos em Dose Tripla
A mansão em Manchester nunca pareceu tão pequena quanto naquela manhã de sábado. Erling Haaland, um homem que encarava os zagueiros mais temidos do mundo sem piscar, estava agora parado no topo da escada, segurando o corrimão com uma força que faria qualquer metal ranger. Seus olhos azuis, geralmente focados no gol, estavam arregalados de puro choque.
Lá embaixo, no hall de entrada, o que ele via era o seu pior pesadelo multiplicado por três.
Suas filhas, as trigêmeas idênticas de quinze anos — Ingrid, Freya e Astrid —, estavam prontas para sair. O problema não era o destino, mas o fato de que, pela primeira vez, as três usavam maquiagem completa, perfumes caros e, o pior de tudo: havia três garotos parados na porta, parecendo alarmados com a estatura monumental do pai das meninas.
— Maria! — Erling rugiu, sua voz ecoando pelas vigas de madeira do teto. — Maria, venha aqui agora! Elas estão tentando fugir!
Maria apareceu na porta da cozinha, secando as mãos em um pano de prato. Ela olhou para o marido, que parecia um viking prestes a declarar guerra, e depois para as filhas, que reviravam os olhos em perfeita sincronia.
— Elas não estão fugindo, Erling — disse Maria, com uma calma que só as mães de trigêmeas conseguem cultivar. — Elas vão ao cinema. Com amigos.
— Amigos? — Erling desceu os degraus dois a dois, parando na frente dos três rapazes, que subitamente pareciam ter metade do tamanho dele. — Por que eles estão usando tanto gel no cabelo? E por que aquele ali está segurando a mão da Freya?
— Papai, por favor, não comece — implorou Ingrid, a mais velha por apenas quatro minutos. — É só um filme.
— Um filme que dura duas horas — Erling cruzou os braços imensos sobre o peito. — Em duas horas muita coisa pode acontecer. Eu já marquei cinco gols em nove minutos, Ingrid. O tempo é relativo!
Astrid, a mais rebelde das três, deu um passo à frente, ajustando a jaqueta de couro que era uma réplica em miniatura de uma que o pai usava.
— Nós já temos quinze anos, pai. Você não pode nos manter em uma bolha de gelo norueguesa para sempre.
Maria se aproximou e colocou a mão no ombro do marido. Ela sentia a tensão nos músculos dele. Erling era um pai devoto, mas a transição de "minhas princesinhas que jogam bola no jardim" para "adolescentes que têm encontros" estava sendo traumática.
— Erling, querido — Maria sussurrou —, deixe-os ir. Você prometeu que tentaria.
Haaland olhou para a esposa, buscando algum sinal de que aquilo era uma piada. Não era. Ele então voltou o olhar para os três rapazes.
— Escutem bem — disse ele, a voz baixando para um tom grave que fazia os vidros vibrarem. — Eu tenho câmeras em toda a cidade. Eu conheço os seguranças do shopping. E, o mais importante, eu corro mais rápido que qualquer um de vocês. Se uma dessas meninas chegar em casa com um fio de cabelo fora do lugar ou uma lágrima no olho...
— Erling! — Maria o repreendeu, embora segurasse o riso.
— Estou apenas estabelecendo as regras do jogo, Maria — defendeu-se ele. — Disciplina é a base de tudo.
— Vamos logo antes que ele decida nos colocar em regime de concentração — Freya puxou o namorado, um rapaz loiro que parecia prestes a desmaiar.
As três saíram, fechando a porta com um estrondo suave. O silêncio que se seguiu na casa foi quase ensurdecedor. Erling caminhou até a janela da sala, afastando a cortina apenas o suficiente para ver os dois carros saindo pelo portão principal.
— Três — murmurou ele. — Por que logo três de uma vez?
— Porque você é um homem eficiente, Erling — Maria riu, abraçando-o pela cintura. — Você não faz nada pela metade.
— Eu preferia que elas fossem zagueiras — ele resmungou, encostando a testa no vidro. — Zagueiras brutas. Ninguém quer namorar uma zagueira que quebra canelas. Mas não, elas tinham que ser lindas como você.
— Elas têm o seu temperamento — Maria o lembrou, conduzindo-o para o sofá. — E o seu ciúme. Você viu como a Ingrid olhou para a Freya quando o rapaz trouxe flores apenas para uma delas?
— Eu vi — Erling sentou-se, parecendo subitamente exausto. — A Ingrid quase chutou a canela dele. Fiquei orgulhoso, para ser honesto. Boa técnica.
— Esse é o problema — Maria sentou-se ao lado dele. — O ciúme não é só seu. Elas competem por tudo. Pela atenção, pelas roupas e, agora, pelos namorados. Eu ouvi a Astrid dizendo que o namorado da Freya era "básico demais" para o nível da família Haaland.
Erling soltou uma risada curta, a primeira do dia.
— Bem, ela não está errada. O garoto nem parece que consome proteína suficiente.
— Erling, não comece com a dieta deles — Maria revirou os olhos. — O ponto é que elas estão crescendo. E nós precisamos sobreviver a essa fase sem que você acabe sendo preso por intimidar menores de idade.
— Eu não intimido — ele protestou. — Eu apenas... projeto presença física.
— Você é um gigante de quase dois metros que ganha a vida destruindo defesas — Maria retrucou com um sorriso. — Para aqueles meninos, você é o último chefe de um videogame muito difícil.
Eles ficaram em silêncio por um momento, aproveitando a rara paz da casa. Mas a mente de Erling não parava. Ele estava calculando o tempo de trajeto até o shopping, a duração média de um filme e o tempo de retorno.
— Maria? — chamou ele, pensativo.
— Sim?
— Você acha que se eu fosse ao cinema, disfarçado, elas me veriam?
— Erling Braut Haaland — Maria disse, firmemente —, você tem o cabelo loiro mais reconhecível do planeta e o tamanho de um prédio. Não existe disfarce no mundo que esconda você em um cinema.
— Eu poderia usar um chapéu — sugeriu ele. — E óculos escuros.
— Você pareceria um agente secreto norueguês malfeito. Esqueça. Vamos assistir a um filme aqui. Nós dois.
— Tudo bem — ele cedeu, mas logo pegou o celular. — Vou só mandar uma mensagem para o segurança que está de folga e mora perto do shopping. Só para ele dar uma passada casual pela praça de alimentação.
— Deixe o celular no balcão, Erling.
— É uma questão de segurança nacional, Maria!
Enquanto isso, no shopping, o clima não era tão pacífico quanto os pais imaginavam. As trigêmeas estavam sentadas na praça de alimentação, mas a tensão entre elas era palpável.
— Eu não acredito que você usou o meu gloss favorito, Astrid — Ingrid disse, cruzando os braços. — Aquele que o papai trouxe de Paris.
— Você nem estava usando — Astrid deu de ombros, ignorando o namorado ao lado. — E combina muito mais com o meu tom de pele hoje.
— Nós temos o mesmo tom de pele! — Ingrid exclamou. — Somos trigêmeas idênticas, sua tonta!
— Identidade não é apenas genética, Ingrid — Freya interveio, tentando ser a diplomata, mas falhando ao olhar para o relógio. — E, por falar nisso, por que o seu namorado não para de olhar para o meu?
Os três garotos estavam sentados em silêncio, visivelmente intimidados não apenas pela sombra do pai das meninas, mas pela intensidade das próprias irmãs.
— Ele não está olhando para o seu namorado, Freya — Ingrid rebateu. — Ele está tentando entender por que o seu namorado está usando uma camisa que claramente é dois tamanhos menor que o ideal. Ele quer ser o papai?
— Parem com isso! — Freya sibilou. — Estamos em público. Se alguém filmar e chegar no Instagram do papai, ele vem buscar a gente de helicóptero em cinco minutos. E ele faria isso. Você sabe que ele faria.
As três se calaram simultaneamente. A imagem de Erling Haaland pousando um helicóptero no estacionamento do shopping era uma possibilidade muito real para ser ignorada.
— Ele estava estranho hoje, não estava? — Astrid perguntou, sua voz suavizando. — Parecia que ia chorar ou chutar alguém.
— Os dois — Ingrid suspirou. — Ele ainda nos vê como se tivéssemos cinco anos e estivéssemos usando aquelas camisas da Noruega que ficavam parecendo vestidos na gente.
— Eu me sinto mal por ele às vezes — Freya admitiu, olhando para o seu namorado, que estava ocupado demais tentando não ser notado por ninguém. — Deve ser difícil ser o rei do mundo e não conseguir controlar três adolescentes.
— Ele não é o rei do mundo — Astrid sorriu de lado. — A mamãe é. Ele é só o primeiro-ministro.
De volta à mansão, Erling estava inquieto. Ele já tinha verificado o aplicativo de rastreamento dos celulares das filhas três vezes nos últimos dez minutos.
— Elas estão paradas na praça de alimentação há muito tempo — comentou ele, andando de um lado para o outro na sala. — Por que não foram para a sala de cinema ainda? Será que houve um problema com os ingressos? Eu deveria ligar para o gerente?
— Erling, sente-se — Maria ordenou, apontando para o sofá. — Elas estão apenas conversando. Meninas conversam.
— Eu sei o que acontece em praças de alimentação — Erling disse, dramaticamente. — É onde os planos são feitos. É o meio de campo da vida social. Se elas perderem o controle do meio de campo, o jogo está perdido.
Maria não aguentou e começou a rir alto.
— Você está analisando o encontro das suas filhas como se fosse uma final da Champions League?
— É mais importante que isso — ele parou e olhou para uma foto das três no aparador. — Na Champions, se eu perder, tem o ano que vem. Aqui, se eu perder... elas crescem. E eu não estou pronto para que elas cresçam.
Maria levantou-se e caminhou até ele, pegando suas mãos grandes nas suas.
— Elas sempre serão suas filhas, Erling. Mas você precisa confiar no que nós ensinamos a elas. Elas são fortes, são inteligentes e, honestamente, são mais assustadoras que você quando querem.
Erling sorriu, lembrando-se de como Freya tinha convencido um árbitro a mudar uma marcação em um jogo escolar no mês passado apenas com o olhar.
— É verdade. A Astrid tem um "encarar" que me dá calafrios.
— Viu? Elas estão bem. Agora, vamos fazer o seguinte: você vai desligar esse celular, e nós vamos preparar aquele jantar norueguês que elas gostam. Quando elas chegarem, com o coração cheio de histórias de adolescentes, nós estaremos aqui. Sem interrogatórios, sem ameaças de expulsão para os meninos e sem câmeras de segurança.
Erling suspirou, derrotado pela lógica da esposa.
— Tudo bem. Mas se aquele garoto de camisa apertada entrar aqui de novo, eu vou sugerir que ele comece a treinar levantamento de peso. É para o bem da postura dele.
— Negócio fechado — Maria riu, beijando-o no rosto.
A noite caiu sobre Manchester, e quando as luzes dos carros das trigêmeas finalmente iluminaram a fachada da casa, Erling estava na cozinha, cortando vegetais com uma precisão cirúrgica. Ele ouviu o som das risadas delas antes mesmo de a porta abrir.
As três entraram correndo, falando ao mesmo tempo, competindo para contar quem tinha passado mais vergonha no cinema e como os garotos ficaram nervosos quando um segurança passou perto deles.
Erling olhou para Maria e piscou. Ele ainda estava com ciúmes, ainda queria colocar os três namorados em um foguete para Marte, mas ao ver o brilho nos olhos das filhas, ele entendeu que o seu papel tinha mudado. Ele não era mais o único herói da vida delas, mas sempre seria o porto seguro.
— E então? — Erling perguntou, tentando soar casual enquanto colocava a travessa na mesa. — Como foi o... treinamento de campo hoje?
As três pararam e olharam para ele. Depois, correram e o abraçaram juntas, quase derrubando o gigante.
— Foi horrível, papai — Astrid disse, rindo. — O meu namorado é um tonto.
— O meu também — Ingrid concordou.
— O meu é legal — Freya defendeu —, mas ele perguntou se você realmente come coração de boi.
Erling abriu um sorriso largo, sentindo-se vitorioso.
— E o que você disse?
— Eu disse que você come corações de meninos que não trazem as filhas no horário — Freya piscou.
Erling Haaland finalmente relaxou os ombros. Elas eram, definitivamente, suas filhas. O mundo poderia tentar, mas ninguém estava à altura daquele time.
Lá embaixo, no hall de entrada, o que ele via era o seu pior pesadelo multiplicado por três.
Suas filhas, as trigêmeas idênticas de quinze anos — Ingrid, Freya e Astrid —, estavam prontas para sair. O problema não era o destino, mas o fato de que, pela primeira vez, as três usavam maquiagem completa, perfumes caros e, o pior de tudo: havia três garotos parados na porta, parecendo alarmados com a estatura monumental do pai das meninas.
— Maria! — Erling rugiu, sua voz ecoando pelas vigas de madeira do teto. — Maria, venha aqui agora! Elas estão tentando fugir!
Maria apareceu na porta da cozinha, secando as mãos em um pano de prato. Ela olhou para o marido, que parecia um viking prestes a declarar guerra, e depois para as filhas, que reviravam os olhos em perfeita sincronia.
— Elas não estão fugindo, Erling — disse Maria, com uma calma que só as mães de trigêmeas conseguem cultivar. — Elas vão ao cinema. Com amigos.
— Amigos? — Erling desceu os degraus dois a dois, parando na frente dos três rapazes, que subitamente pareciam ter metade do tamanho dele. — Por que eles estão usando tanto gel no cabelo? E por que aquele ali está segurando a mão da Freya?
— Papai, por favor, não comece — implorou Ingrid, a mais velha por apenas quatro minutos. — É só um filme.
— Um filme que dura duas horas — Erling cruzou os braços imensos sobre o peito. — Em duas horas muita coisa pode acontecer. Eu já marquei cinco gols em nove minutos, Ingrid. O tempo é relativo!
Astrid, a mais rebelde das três, deu um passo à frente, ajustando a jaqueta de couro que era uma réplica em miniatura de uma que o pai usava.
— Nós já temos quinze anos, pai. Você não pode nos manter em uma bolha de gelo norueguesa para sempre.
Maria se aproximou e colocou a mão no ombro do marido. Ela sentia a tensão nos músculos dele. Erling era um pai devoto, mas a transição de "minhas princesinhas que jogam bola no jardim" para "adolescentes que têm encontros" estava sendo traumática.
— Erling, querido — Maria sussurrou —, deixe-os ir. Você prometeu que tentaria.
Haaland olhou para a esposa, buscando algum sinal de que aquilo era uma piada. Não era. Ele então voltou o olhar para os três rapazes.
— Escutem bem — disse ele, a voz baixando para um tom grave que fazia os vidros vibrarem. — Eu tenho câmeras em toda a cidade. Eu conheço os seguranças do shopping. E, o mais importante, eu corro mais rápido que qualquer um de vocês. Se uma dessas meninas chegar em casa com um fio de cabelo fora do lugar ou uma lágrima no olho...
— Erling! — Maria o repreendeu, embora segurasse o riso.
— Estou apenas estabelecendo as regras do jogo, Maria — defendeu-se ele. — Disciplina é a base de tudo.
— Vamos logo antes que ele decida nos colocar em regime de concentração — Freya puxou o namorado, um rapaz loiro que parecia prestes a desmaiar.
As três saíram, fechando a porta com um estrondo suave. O silêncio que se seguiu na casa foi quase ensurdecedor. Erling caminhou até a janela da sala, afastando a cortina apenas o suficiente para ver os dois carros saindo pelo portão principal.
— Três — murmurou ele. — Por que logo três de uma vez?
— Porque você é um homem eficiente, Erling — Maria riu, abraçando-o pela cintura. — Você não faz nada pela metade.
— Eu preferia que elas fossem zagueiras — ele resmungou, encostando a testa no vidro. — Zagueiras brutas. Ninguém quer namorar uma zagueira que quebra canelas. Mas não, elas tinham que ser lindas como você.
— Elas têm o seu temperamento — Maria o lembrou, conduzindo-o para o sofá. — E o seu ciúme. Você viu como a Ingrid olhou para a Freya quando o rapaz trouxe flores apenas para uma delas?
— Eu vi — Erling sentou-se, parecendo subitamente exausto. — A Ingrid quase chutou a canela dele. Fiquei orgulhoso, para ser honesto. Boa técnica.
— Esse é o problema — Maria sentou-se ao lado dele. — O ciúme não é só seu. Elas competem por tudo. Pela atenção, pelas roupas e, agora, pelos namorados. Eu ouvi a Astrid dizendo que o namorado da Freya era "básico demais" para o nível da família Haaland.
Erling soltou uma risada curta, a primeira do dia.
— Bem, ela não está errada. O garoto nem parece que consome proteína suficiente.
— Erling, não comece com a dieta deles — Maria revirou os olhos. — O ponto é que elas estão crescendo. E nós precisamos sobreviver a essa fase sem que você acabe sendo preso por intimidar menores de idade.
— Eu não intimido — ele protestou. — Eu apenas... projeto presença física.
— Você é um gigante de quase dois metros que ganha a vida destruindo defesas — Maria retrucou com um sorriso. — Para aqueles meninos, você é o último chefe de um videogame muito difícil.
Eles ficaram em silêncio por um momento, aproveitando a rara paz da casa. Mas a mente de Erling não parava. Ele estava calculando o tempo de trajeto até o shopping, a duração média de um filme e o tempo de retorno.
— Maria? — chamou ele, pensativo.
— Sim?
— Você acha que se eu fosse ao cinema, disfarçado, elas me veriam?
— Erling Braut Haaland — Maria disse, firmemente —, você tem o cabelo loiro mais reconhecível do planeta e o tamanho de um prédio. Não existe disfarce no mundo que esconda você em um cinema.
— Eu poderia usar um chapéu — sugeriu ele. — E óculos escuros.
— Você pareceria um agente secreto norueguês malfeito. Esqueça. Vamos assistir a um filme aqui. Nós dois.
— Tudo bem — ele cedeu, mas logo pegou o celular. — Vou só mandar uma mensagem para o segurança que está de folga e mora perto do shopping. Só para ele dar uma passada casual pela praça de alimentação.
— Deixe o celular no balcão, Erling.
— É uma questão de segurança nacional, Maria!
Enquanto isso, no shopping, o clima não era tão pacífico quanto os pais imaginavam. As trigêmeas estavam sentadas na praça de alimentação, mas a tensão entre elas era palpável.
— Eu não acredito que você usou o meu gloss favorito, Astrid — Ingrid disse, cruzando os braços. — Aquele que o papai trouxe de Paris.
— Você nem estava usando — Astrid deu de ombros, ignorando o namorado ao lado. — E combina muito mais com o meu tom de pele hoje.
— Nós temos o mesmo tom de pele! — Ingrid exclamou. — Somos trigêmeas idênticas, sua tonta!
— Identidade não é apenas genética, Ingrid — Freya interveio, tentando ser a diplomata, mas falhando ao olhar para o relógio. — E, por falar nisso, por que o seu namorado não para de olhar para o meu?
Os três garotos estavam sentados em silêncio, visivelmente intimidados não apenas pela sombra do pai das meninas, mas pela intensidade das próprias irmãs.
— Ele não está olhando para o seu namorado, Freya — Ingrid rebateu. — Ele está tentando entender por que o seu namorado está usando uma camisa que claramente é dois tamanhos menor que o ideal. Ele quer ser o papai?
— Parem com isso! — Freya sibilou. — Estamos em público. Se alguém filmar e chegar no Instagram do papai, ele vem buscar a gente de helicóptero em cinco minutos. E ele faria isso. Você sabe que ele faria.
As três se calaram simultaneamente. A imagem de Erling Haaland pousando um helicóptero no estacionamento do shopping era uma possibilidade muito real para ser ignorada.
— Ele estava estranho hoje, não estava? — Astrid perguntou, sua voz suavizando. — Parecia que ia chorar ou chutar alguém.
— Os dois — Ingrid suspirou. — Ele ainda nos vê como se tivéssemos cinco anos e estivéssemos usando aquelas camisas da Noruega que ficavam parecendo vestidos na gente.
— Eu me sinto mal por ele às vezes — Freya admitiu, olhando para o seu namorado, que estava ocupado demais tentando não ser notado por ninguém. — Deve ser difícil ser o rei do mundo e não conseguir controlar três adolescentes.
— Ele não é o rei do mundo — Astrid sorriu de lado. — A mamãe é. Ele é só o primeiro-ministro.
De volta à mansão, Erling estava inquieto. Ele já tinha verificado o aplicativo de rastreamento dos celulares das filhas três vezes nos últimos dez minutos.
— Elas estão paradas na praça de alimentação há muito tempo — comentou ele, andando de um lado para o outro na sala. — Por que não foram para a sala de cinema ainda? Será que houve um problema com os ingressos? Eu deveria ligar para o gerente?
— Erling, sente-se — Maria ordenou, apontando para o sofá. — Elas estão apenas conversando. Meninas conversam.
— Eu sei o que acontece em praças de alimentação — Erling disse, dramaticamente. — É onde os planos são feitos. É o meio de campo da vida social. Se elas perderem o controle do meio de campo, o jogo está perdido.
Maria não aguentou e começou a rir alto.
— Você está analisando o encontro das suas filhas como se fosse uma final da Champions League?
— É mais importante que isso — ele parou e olhou para uma foto das três no aparador. — Na Champions, se eu perder, tem o ano que vem. Aqui, se eu perder... elas crescem. E eu não estou pronto para que elas cresçam.
Maria levantou-se e caminhou até ele, pegando suas mãos grandes nas suas.
— Elas sempre serão suas filhas, Erling. Mas você precisa confiar no que nós ensinamos a elas. Elas são fortes, são inteligentes e, honestamente, são mais assustadoras que você quando querem.
Erling sorriu, lembrando-se de como Freya tinha convencido um árbitro a mudar uma marcação em um jogo escolar no mês passado apenas com o olhar.
— É verdade. A Astrid tem um "encarar" que me dá calafrios.
— Viu? Elas estão bem. Agora, vamos fazer o seguinte: você vai desligar esse celular, e nós vamos preparar aquele jantar norueguês que elas gostam. Quando elas chegarem, com o coração cheio de histórias de adolescentes, nós estaremos aqui. Sem interrogatórios, sem ameaças de expulsão para os meninos e sem câmeras de segurança.
Erling suspirou, derrotado pela lógica da esposa.
— Tudo bem. Mas se aquele garoto de camisa apertada entrar aqui de novo, eu vou sugerir que ele comece a treinar levantamento de peso. É para o bem da postura dele.
— Negócio fechado — Maria riu, beijando-o no rosto.
A noite caiu sobre Manchester, e quando as luzes dos carros das trigêmeas finalmente iluminaram a fachada da casa, Erling estava na cozinha, cortando vegetais com uma precisão cirúrgica. Ele ouviu o som das risadas delas antes mesmo de a porta abrir.
As três entraram correndo, falando ao mesmo tempo, competindo para contar quem tinha passado mais vergonha no cinema e como os garotos ficaram nervosos quando um segurança passou perto deles.
Erling olhou para Maria e piscou. Ele ainda estava com ciúmes, ainda queria colocar os três namorados em um foguete para Marte, mas ao ver o brilho nos olhos das filhas, ele entendeu que o seu papel tinha mudado. Ele não era mais o único herói da vida delas, mas sempre seria o porto seguro.
— E então? — Erling perguntou, tentando soar casual enquanto colocava a travessa na mesa. — Como foi o... treinamento de campo hoje?
As três pararam e olharam para ele. Depois, correram e o abraçaram juntas, quase derrubando o gigante.
— Foi horrível, papai — Astrid disse, rindo. — O meu namorado é um tonto.
— O meu também — Ingrid concordou.
— O meu é legal — Freya defendeu —, mas ele perguntou se você realmente come coração de boi.
Erling abriu um sorriso largo, sentindo-se vitorioso.
— E o que você disse?
— Eu disse que você come corações de meninos que não trazem as filhas no horário — Freya piscou.
Erling Haaland finalmente relaxou os ombros. Elas eram, definitivamente, suas filhas. O mundo poderia tentar, mas ninguém estava à altura daquele time.
