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O Amor Dói
Fandom: BTS
Criado: 10/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaHistória DomésticaCiúmesEstudo de PersonagemRealismo
O Açúcar e a Cinza
A luz da manhã filtrava-se pelas janelas da pequena padaria "Petals & Flour", iluminando a poeira de farinha que dançava no ar. Seokjin, vestindo seu avental branco imaculado, trabalhava com uma precisão quase artística. Seus dedos longos e habilidosos moldavam a massa de um brioche, enquanto um sorriso doce brincava em seus lábios. Ele tinha vinte e três anos e a aura de alguém que encontrou a paz no que fazia.
Para Seokjin, a vida era como uma receita perfeita. Ele tinha seu trabalho, que amava, e tinha Jungkook.
Jungkook era o sol em torno do qual o mundo de Seokjin girava. Eles estavam juntos há três anos, uma jornada que começou com um esbarrão em uma galeria de arte e floresceu em um amor profundo, sólido e, até onde Seokjin sabia, inabalável. Jungkook, agora um fotógrafo de renome internacional com apenas vinte anos, era a personificação da paixão e da confiança.
O som do sino acima da porta interrompeu os pensamentos de Jin. Ele olhou para cima, esperando ver um cliente matutino, mas seu coração deu um salto ao ver Jungkook parado ali, com sua câmera pendurada no pescoço e aquele sorriso de lado que sempre desarmava Seokjin.
— Bom dia, meu confeiteiro favorito — disse Jungkook, aproximando-se do balcão e inclinando-se para roubar um beijo rápido que cheirava a baunilha e café.
— Você acordou cedo hoje — comentou Seokjin, limpando as mãos no avental para acariciar o rosto do namorado. — Achei que tivesse uma sessão de fotos editorial no centro.
— Foi cancelada de última hora — Jungkook respondeu, mas havia algo em seu olhar, uma leve hesitação que Seokjin não percebeu de imediato. — O cliente teve um imprevisto. Então, decidi vir ver o homem mais bonito da Coreia.
Seokjin riu, o som cristalino preenchendo o espaço aconchegante.
— Vá se sentar, vou preparar aquele croissant de amêndoas que você adora.
Jungkook assentiu e sentou-se na mesa do canto, a mais reservada. Ele pegou o celular, mas seus dedos hesitaram sobre a tela. Naquela manhã, o "imprevisto" do cliente tinha um nome: Kim Taehyung.
Taehyung havia sido o primeiro grande amor de Jungkook, anos atrás, antes da fama, antes de Seokjin, antes de tudo se tornar complicado. Ele havia partido para a França sem olhar para trás, deixando Jungkook com um coração partido e uma câmera na mão. Agora, ele estava de volta a Seul, e a mensagem que enviara a Jungkook naquela manhã queimava na memória do fotógrafo: *"Estou no hotel Grand Hyatt. Senti sua falta, Ggukie. Venha tomar um café comigo pelo bem dos velhos tempos."*
Jungkook olhou para Seokjin, que estava de costas, assobiando uma melodia suave enquanto organizava a vitrine de doces. A culpa o atingiu como uma onda fria, mas a curiosidade e aquela chama antiga, que ele pensava ter apagado, latejavam em seu peito.
— Jin? — chamou Jungkook, a voz um pouco mais rouca que o normal.
— Sim, meu amor? — Seokjin virou-se, os olhos brilhando com uma bondade genuína.
— Eu... eu lembrei que tenho que passar no estúdio para organizar uns arquivos. Não vou poder ficar para o café.
O sorriso de Seokjin murchou apenas um milímetro, mas ele logo se recuperou, sempre compreensivo.
— Oh, tudo bem. O dever chama, não é? Leve o croissant com você, eu embrulho agora mesmo.
— Obrigado, Jin. Você é o melhor.
Jungkook saiu da padaria dez minutos depois, com um pacote de papel pardo na mão e o estômago embrulhado. Ele não foi para o estúdio. Ele dirigiu em direção ao hotel de luxo onde Taehyung o esperava.
O encontro não deveria ser nada além de um encerramento. Pelo menos, era o que Jungkook dizia a si mesmo enquanto subia o elevador. Mas quando as portas se abriram e ele viu Taehyung parado na varanda da suíte, vestindo um robe de seda e segurando uma taça de vinho mesmo sendo tão cedo, o ar pareceu fugir de seus pulmões.
Taehyung era a definição de perigo envolto em beleza. Seus olhos eram felinos, e o sorriso que ele deu ao ver Jungkook era o de um caçador que finalmente encontrara sua presa.
— Você veio — disse Taehyung, sua voz profunda vibrando no ar. — Eu sabia que viria. Você nunca conseguiu me dizer não, Jungkook.
— Taehyung — Jungkook murmurou, parando a alguns metros de distância. — O que você está fazendo aqui? Por que voltou depois de tanto tempo?
Taehyung caminhou lentamente em direção a ele, cada passo carregado de uma confiança predatória. Ele parou tão perto que Jungkook podia sentir o perfume caro e amadeirado que ele usava.
— Voltei para buscar o que é meu — respondeu Taehyung, estendendo a mão para tocar o colar de Jungkook, o mesmo que Seokjin lhe dera de aniversário. — E você sabe que sempre foi meu, não sabe?
— Eu tenho um namorado, Taehyung — disse Jungkook, embora sua voz soasse fraca até para seus próprios ouvidos. — Eu amo o Seokjin. Ele é... ele é tudo para mim.
Taehyung soltou uma risada baixa, um som sombrio que arrepiou a espinha de Jungkook.
— Ele é seguro, Jungkook. Ele é como esse pão que você está carregando: morno, comum e previsível. Mas eu? Eu sou o fogo. E eu sei que você sente falta de se queimar.
— Não sinto — mentiu Jungkook, mas seus olhos traíram sua determinação ao descerem para os lábios de Taehyung.
— Mentiroso — sussurrou Taehyung.
O que aconteceu em seguida foi um borrão de impulsividade e traição. Taehyung reduziu a distância restante e pressionou seus lábios contra os de Jungkook. O beijo não foi doce como os de Seokjin; foi urgente, exigente e carregado de uma história que Jungkook tentara enterrar.
Por um momento, Jungkook tentou recuar, a imagem do sorriso bondoso de Seokjin piscando em sua mente. Mas a mão de Taehyung se enroscou em seu cabelo, puxando-o para mais perto, e a vontade de Jungkook desmoronou. Ele retribuiu o beijo com uma intensidade desesperada, deixando o pacote de papel pardo cair no chão, onde o croissant de amêndoas, feito com tanto carinho por Jin, se esmagou contra o tapete caro.
Enquanto isso, na padaria, Seokjin limpava o balcão com um pano úmido. Ele sentiu um aperto estranho no peito, uma inquietação que não conseguia explicar. Ele olhou para o relógio na parede.
— Ele deve estar muito ocupado hoje — murmurou Seokjin para si mesmo, tentando afastar a sensação ruim.
Ele pegou o celular e enviou uma mensagem rápida: *"Espero que o trabalho esteja indo bem. Te amo, Kookiah! Mal posso esperar pelo nosso jantar hoje à noite."*
No quarto de hotel, o celular de Jungkook vibrou sobre a mesa de cabeceira. A tela acendeu, exibindo a mensagem de Seokjin, mas ninguém a viu. Jungkook estava perdido demais nos braços de Taehyung, entregando-se a um passado que prometia destruir seu futuro.
Taehyung, entre um beijo e outro, abriu os olhos e olhou para o celular vibrando. Um sorriso vitorioso cruzou seu rosto. Ele não se importava com Seokjin. Ele não se importava com quem Jungkook amava agora. Ele estava de volta para retomar seu lugar, e ele usaria cada grama de seu charme e manipulação para garantir que Jungkook nunca mais escapasse.
— Você é meu — sussurrou Taehyung contra o pescoço de Jungkook, marcando a pele do fotógrafo com uma posse cruel.
— Sim... — respondeu Jungkook, a voz embargada pelo desejo e pela culpa que ele empurrava para o fundo da alma.
Naquela manhã, a receita perfeita de Seokjin começou a desandarem. O açúcar da vida que ele construiu com tanto zelo estava sendo lentamente substituído por cinzas, e ele ainda não fazia ideia de que o homem que ele mais amava acabara de incendiar tudo.
As horas passaram e Seokjin começou a preparar o jantar. Ele comprou os melhores ingredientes, decorou a mesa com velas e colocou a música favorita de Jungkook para tocar. Ele queria celebrar os três anos de união, mesmo que a data oficial fosse apenas na semana seguinte. Ele queria apenas estar com ele.
Quando a porta do apartamento finalmente se abriu, já passava das nove da noite. Jungkook entrou, parecendo exausto. Suas roupas estavam levemente desalinhadas e ele não conseguia olhar Seokjin nos olhos.
— Oi, meu amor! — disse Seokjin, caminhando até ele para um abraço. — Você demorou. O trabalho foi tão pesado assim?
Jungkook sentiu o cheiro da comida caseira e viu a dedicação de Seokjin em cada detalhe da sala. O peso da traição quase o fez cair de joelhos ali mesmo.
— Foi... — Jungkook engoliu em seco, aceitando o abraço, mas sentindo-se como um impostor. — Muitos problemas no estúdio. Desculpe não ter respondido sua mensagem.
— Tudo bem, eu entendo — Seokjin sorriu, afastando-se para olhar para ele. — Mas o que é isso no seu pescoço?
O coração de Jungkook parou. Ele levou a mão à gola da camisa, tentando esconder a marca que Taehyung deixara.
— Ah, isso? — Jungkook riu nervoso. — Eu... eu devo ter batido em algum equipamento de luz. Sabe como é o estúdio, uma bagunça.
Seokjin franziu a testa por um segundo, a dúvida cruzando seus olhos castanhos, mas ele a afastou rapidamente. Ele confiava em Jungkook. Jungkook nunca mentiria para ele.
— Tenha mais cuidado, Kookiah — disse Seokjin de forma carinhosa, pegando a mão do namorado. — Agora venha comer. Fiz sua massa favorita.
Jungkook sentou-se à mesa, mas a comida parecia cinza em sua boca. Ele olhava para Seokjin, para o homem que cuidava dele, que o respeitava e que o amava com uma pureza avassaladora, e depois pensava em Taehyung. O caos de Taehyung o atraía de uma forma que ele não conseguia explicar, uma força magnética que o puxava para longe da segurança que Jin oferecia.
— Você está tão quieto — comentou Seokjin, servindo mais vinho. — Aconteceu algo mais?
— Não, Jin. Só estou cansado. Realmente cansado.
— Então depois do jantar, você vai direto para o banho e eu faço uma massagem em você, o que acha?
Jungkook forçou um sorriso.
— Você é bom demais para mim, Seokjin.
— Eu apenas te amo — respondeu o confeiteiro, sem saber que aquelas palavras eram como facas no peito de Jungkook.
Longe dali, em sua suíte luxuosa, Taehyung observava as luzes de Seul pela janela. Ele segurava uma fotografia antiga, de quando ele e Jungkook eram apenas adolescentes com sonhos grandes. Ele a rasgou ao meio, jogando a parte que tinha seu próprio rosto no lixo e guardando a parte de Jungkook em sua carteira.
— O jogo só começou, Seokjin — murmurou Taehyung para o vazio. — E eu nunca perco o que eu decido conquistar.
O drama estava apenas começando, e a doçura da padaria de Seokjin seria em breve testada pelo amargor de uma traição que ele nunca viu chegar. O primeiro capítulo de uma queda dolorosa fora escrito, e o destino dos três estava agora entrelaçado em uma teia de mentiras, desejo e um passado que se recusava a morrer.
Para Seokjin, a vida era como uma receita perfeita. Ele tinha seu trabalho, que amava, e tinha Jungkook.
Jungkook era o sol em torno do qual o mundo de Seokjin girava. Eles estavam juntos há três anos, uma jornada que começou com um esbarrão em uma galeria de arte e floresceu em um amor profundo, sólido e, até onde Seokjin sabia, inabalável. Jungkook, agora um fotógrafo de renome internacional com apenas vinte anos, era a personificação da paixão e da confiança.
O som do sino acima da porta interrompeu os pensamentos de Jin. Ele olhou para cima, esperando ver um cliente matutino, mas seu coração deu um salto ao ver Jungkook parado ali, com sua câmera pendurada no pescoço e aquele sorriso de lado que sempre desarmava Seokjin.
— Bom dia, meu confeiteiro favorito — disse Jungkook, aproximando-se do balcão e inclinando-se para roubar um beijo rápido que cheirava a baunilha e café.
— Você acordou cedo hoje — comentou Seokjin, limpando as mãos no avental para acariciar o rosto do namorado. — Achei que tivesse uma sessão de fotos editorial no centro.
— Foi cancelada de última hora — Jungkook respondeu, mas havia algo em seu olhar, uma leve hesitação que Seokjin não percebeu de imediato. — O cliente teve um imprevisto. Então, decidi vir ver o homem mais bonito da Coreia.
Seokjin riu, o som cristalino preenchendo o espaço aconchegante.
— Vá se sentar, vou preparar aquele croissant de amêndoas que você adora.
Jungkook assentiu e sentou-se na mesa do canto, a mais reservada. Ele pegou o celular, mas seus dedos hesitaram sobre a tela. Naquela manhã, o "imprevisto" do cliente tinha um nome: Kim Taehyung.
Taehyung havia sido o primeiro grande amor de Jungkook, anos atrás, antes da fama, antes de Seokjin, antes de tudo se tornar complicado. Ele havia partido para a França sem olhar para trás, deixando Jungkook com um coração partido e uma câmera na mão. Agora, ele estava de volta a Seul, e a mensagem que enviara a Jungkook naquela manhã queimava na memória do fotógrafo: *"Estou no hotel Grand Hyatt. Senti sua falta, Ggukie. Venha tomar um café comigo pelo bem dos velhos tempos."*
Jungkook olhou para Seokjin, que estava de costas, assobiando uma melodia suave enquanto organizava a vitrine de doces. A culpa o atingiu como uma onda fria, mas a curiosidade e aquela chama antiga, que ele pensava ter apagado, latejavam em seu peito.
— Jin? — chamou Jungkook, a voz um pouco mais rouca que o normal.
— Sim, meu amor? — Seokjin virou-se, os olhos brilhando com uma bondade genuína.
— Eu... eu lembrei que tenho que passar no estúdio para organizar uns arquivos. Não vou poder ficar para o café.
O sorriso de Seokjin murchou apenas um milímetro, mas ele logo se recuperou, sempre compreensivo.
— Oh, tudo bem. O dever chama, não é? Leve o croissant com você, eu embrulho agora mesmo.
— Obrigado, Jin. Você é o melhor.
Jungkook saiu da padaria dez minutos depois, com um pacote de papel pardo na mão e o estômago embrulhado. Ele não foi para o estúdio. Ele dirigiu em direção ao hotel de luxo onde Taehyung o esperava.
O encontro não deveria ser nada além de um encerramento. Pelo menos, era o que Jungkook dizia a si mesmo enquanto subia o elevador. Mas quando as portas se abriram e ele viu Taehyung parado na varanda da suíte, vestindo um robe de seda e segurando uma taça de vinho mesmo sendo tão cedo, o ar pareceu fugir de seus pulmões.
Taehyung era a definição de perigo envolto em beleza. Seus olhos eram felinos, e o sorriso que ele deu ao ver Jungkook era o de um caçador que finalmente encontrara sua presa.
— Você veio — disse Taehyung, sua voz profunda vibrando no ar. — Eu sabia que viria. Você nunca conseguiu me dizer não, Jungkook.
— Taehyung — Jungkook murmurou, parando a alguns metros de distância. — O que você está fazendo aqui? Por que voltou depois de tanto tempo?
Taehyung caminhou lentamente em direção a ele, cada passo carregado de uma confiança predatória. Ele parou tão perto que Jungkook podia sentir o perfume caro e amadeirado que ele usava.
— Voltei para buscar o que é meu — respondeu Taehyung, estendendo a mão para tocar o colar de Jungkook, o mesmo que Seokjin lhe dera de aniversário. — E você sabe que sempre foi meu, não sabe?
— Eu tenho um namorado, Taehyung — disse Jungkook, embora sua voz soasse fraca até para seus próprios ouvidos. — Eu amo o Seokjin. Ele é... ele é tudo para mim.
Taehyung soltou uma risada baixa, um som sombrio que arrepiou a espinha de Jungkook.
— Ele é seguro, Jungkook. Ele é como esse pão que você está carregando: morno, comum e previsível. Mas eu? Eu sou o fogo. E eu sei que você sente falta de se queimar.
— Não sinto — mentiu Jungkook, mas seus olhos traíram sua determinação ao descerem para os lábios de Taehyung.
— Mentiroso — sussurrou Taehyung.
O que aconteceu em seguida foi um borrão de impulsividade e traição. Taehyung reduziu a distância restante e pressionou seus lábios contra os de Jungkook. O beijo não foi doce como os de Seokjin; foi urgente, exigente e carregado de uma história que Jungkook tentara enterrar.
Por um momento, Jungkook tentou recuar, a imagem do sorriso bondoso de Seokjin piscando em sua mente. Mas a mão de Taehyung se enroscou em seu cabelo, puxando-o para mais perto, e a vontade de Jungkook desmoronou. Ele retribuiu o beijo com uma intensidade desesperada, deixando o pacote de papel pardo cair no chão, onde o croissant de amêndoas, feito com tanto carinho por Jin, se esmagou contra o tapete caro.
Enquanto isso, na padaria, Seokjin limpava o balcão com um pano úmido. Ele sentiu um aperto estranho no peito, uma inquietação que não conseguia explicar. Ele olhou para o relógio na parede.
— Ele deve estar muito ocupado hoje — murmurou Seokjin para si mesmo, tentando afastar a sensação ruim.
Ele pegou o celular e enviou uma mensagem rápida: *"Espero que o trabalho esteja indo bem. Te amo, Kookiah! Mal posso esperar pelo nosso jantar hoje à noite."*
No quarto de hotel, o celular de Jungkook vibrou sobre a mesa de cabeceira. A tela acendeu, exibindo a mensagem de Seokjin, mas ninguém a viu. Jungkook estava perdido demais nos braços de Taehyung, entregando-se a um passado que prometia destruir seu futuro.
Taehyung, entre um beijo e outro, abriu os olhos e olhou para o celular vibrando. Um sorriso vitorioso cruzou seu rosto. Ele não se importava com Seokjin. Ele não se importava com quem Jungkook amava agora. Ele estava de volta para retomar seu lugar, e ele usaria cada grama de seu charme e manipulação para garantir que Jungkook nunca mais escapasse.
— Você é meu — sussurrou Taehyung contra o pescoço de Jungkook, marcando a pele do fotógrafo com uma posse cruel.
— Sim... — respondeu Jungkook, a voz embargada pelo desejo e pela culpa que ele empurrava para o fundo da alma.
Naquela manhã, a receita perfeita de Seokjin começou a desandarem. O açúcar da vida que ele construiu com tanto zelo estava sendo lentamente substituído por cinzas, e ele ainda não fazia ideia de que o homem que ele mais amava acabara de incendiar tudo.
As horas passaram e Seokjin começou a preparar o jantar. Ele comprou os melhores ingredientes, decorou a mesa com velas e colocou a música favorita de Jungkook para tocar. Ele queria celebrar os três anos de união, mesmo que a data oficial fosse apenas na semana seguinte. Ele queria apenas estar com ele.
Quando a porta do apartamento finalmente se abriu, já passava das nove da noite. Jungkook entrou, parecendo exausto. Suas roupas estavam levemente desalinhadas e ele não conseguia olhar Seokjin nos olhos.
— Oi, meu amor! — disse Seokjin, caminhando até ele para um abraço. — Você demorou. O trabalho foi tão pesado assim?
Jungkook sentiu o cheiro da comida caseira e viu a dedicação de Seokjin em cada detalhe da sala. O peso da traição quase o fez cair de joelhos ali mesmo.
— Foi... — Jungkook engoliu em seco, aceitando o abraço, mas sentindo-se como um impostor. — Muitos problemas no estúdio. Desculpe não ter respondido sua mensagem.
— Tudo bem, eu entendo — Seokjin sorriu, afastando-se para olhar para ele. — Mas o que é isso no seu pescoço?
O coração de Jungkook parou. Ele levou a mão à gola da camisa, tentando esconder a marca que Taehyung deixara.
— Ah, isso? — Jungkook riu nervoso. — Eu... eu devo ter batido em algum equipamento de luz. Sabe como é o estúdio, uma bagunça.
Seokjin franziu a testa por um segundo, a dúvida cruzando seus olhos castanhos, mas ele a afastou rapidamente. Ele confiava em Jungkook. Jungkook nunca mentiria para ele.
— Tenha mais cuidado, Kookiah — disse Seokjin de forma carinhosa, pegando a mão do namorado. — Agora venha comer. Fiz sua massa favorita.
Jungkook sentou-se à mesa, mas a comida parecia cinza em sua boca. Ele olhava para Seokjin, para o homem que cuidava dele, que o respeitava e que o amava com uma pureza avassaladora, e depois pensava em Taehyung. O caos de Taehyung o atraía de uma forma que ele não conseguia explicar, uma força magnética que o puxava para longe da segurança que Jin oferecia.
— Você está tão quieto — comentou Seokjin, servindo mais vinho. — Aconteceu algo mais?
— Não, Jin. Só estou cansado. Realmente cansado.
— Então depois do jantar, você vai direto para o banho e eu faço uma massagem em você, o que acha?
Jungkook forçou um sorriso.
— Você é bom demais para mim, Seokjin.
— Eu apenas te amo — respondeu o confeiteiro, sem saber que aquelas palavras eram como facas no peito de Jungkook.
Longe dali, em sua suíte luxuosa, Taehyung observava as luzes de Seul pela janela. Ele segurava uma fotografia antiga, de quando ele e Jungkook eram apenas adolescentes com sonhos grandes. Ele a rasgou ao meio, jogando a parte que tinha seu próprio rosto no lixo e guardando a parte de Jungkook em sua carteira.
— O jogo só começou, Seokjin — murmurou Taehyung para o vazio. — E eu nunca perco o que eu decido conquistar.
O drama estava apenas começando, e a doçura da padaria de Seokjin seria em breve testada pelo amargor de uma traição que ele nunca viu chegar. O primeiro capítulo de uma queda dolorosa fora escrito, e o destino dos três estava agora entrelaçado em uma teia de mentiras, desejo e um passado que se recusava a morrer.
