Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Ela tem dona

Fandom: Magi

Criado: 11/07/2026

Tags

RomanceFatias de VidaHistória DomésticaFantasiaDetetiveCrimeCiúmesFofura
Índice

Entre Segredos e Plantões

Acordei devagar, ainda com o corpo pesado e a memória viva de tudo o que tínhamos feito na noite anterior. Estiquei os braços para o lado, procurando o calor do corpo dela, e para minha surpresa, Giovanna já não estava mais na cama.

Sentei-me apoiada no travesseiro, olhando ao redor e franzi a testa.

— Ué… ela nem me chamou — murmurei para mim mesma, achando estranho.

Não era do feitio dela sair sem deixar um recado ou pelo menos me dar um bom dia antes de ir. Giovanna era intensa, protetora, e aquele vazio no lençol parecia frio demais para uma manhã de sol. Levantei-me com calma, sentindo ainda um pouco de cansaço, e fui fazer minha higiene matinal. Tomei um banho demorado, deixando a água morna relaxar os músculos, e quando terminei, me vesti com uma roupa leve e confortável. Hoje não tinha expediente no hospital, então podia aproveitar o dia sem pressa nenhuma.

Desci as escadas devagar, e assim que cheguei à cozinha, parei surpresa: ela já tinha deixado tudo pronto. A mesa estava arrumada, havia café passado, suco de frutas, pães, bolos integrais e até as opções veganas que eu gostava, separadas com cuidado. Em um cantinho, sobre o prato, havia um bilhete escrito com a letra firme e conhecida dela:

"Tive que ir à delegacia resolver um assunto urgente, não quis te acordar porque você merecia descansar. Coma tudo, viu? Mais tarde volto correndo para ficar com você. Te amo."

Sorri sozinha, sentindo o coração se encher de carinho. Mesmo corrida, mesmo com tudo o que tinha para fazer, ela sempre se lembrava de cada detalhe, de tudo o que eu precisava. Sentei-me à mesa, peguei a xícara de café e deixei o sabor amargo e quente despertar meus sentidos por completo.

***

Enquanto isso, do outro lado da cidade, o clima era bem menos idílico. Giovanna apertava o volante com força enquanto aguardava o sinal abrir. Seus olhos estavam fixos na estrada, mas sua mente ainda estava no quarto, observando o rosto sereno de Maya antes de sair.

— Droga de urgência — resmungou Giovanna para o painel do carro.

Ela odiava ter que deixá-la daquela forma. O trabalho na delegacia não dava tréguas, e um caso de tráfico de artefatos mágicos que estava sob sua investigação havia dado um salto inesperado durante a madrugada. Como inspetora, ela não podia simplesmente ignorar o chamado do dever, mas a culpa de não ter dado um beijo de despedida em Maya a corroía.

Ao chegar na delegacia, o ambiente estava um caos. Papéis voavam, telefones não paravam de tocar e a energia de rukh no ar estava pesada, indicando que algum objeto amaldiçoado havia sido apreendido.

— Inspetora, finalmente! — gritou um dos subordinados. — O capitão está na sala de interrogatório três. Ele disse que é pessoal.

Giovanna apenas assentiu, seu rosto assumindo aquela máscara de frieza e autoridade que só quem lidava com o submundo de Magnostadt e das cidades vizinhas conseguia manter. Mas, por dentro, ela só conseguia pensar no sorriso de Maya e no café da manhã que esperava que ela estivesse aproveitando.

***

De volta ao apartamento, Maya terminou sua refeição e decidiu que o dia estava bonito demais para ficar trancada em casa. Resolveu descer para as áreas comuns do condomínio de luxo onde Giovanna morava, um lugar cercado por jardins suspensos e uma vista privilegiada.

Ela caminhava distraidamente perto da piscina quando avistou uma silhueta familiar. O sangue de Maya gelou por um segundo antes de ferver.

Sentada em uma espreguiçadeira, lendo um tablet de medicina, estava Júlia. Júlia não era apenas uma colega de hospital; ela era a personificação da arrogância acadêmica e, para piorar, uma das poucas pessoas que conseguia tirar Maya do sério com comentários passivo-agressivos sobre seus métodos de cura.

— Não pode ser... — sussurrou Maya, parando a poucos metros.

Júlia levantou os olhos, ajustando os óculos de leitura. Um sorriso sarcástico surgiu em seus lábios.

— Ora, se não é a Doutora Garcia Collins. O que faz aqui? Se perdeu do caminho do ambulatório popular? — Júlia fechou o tablet, cruzando as pernas elegantemente.

— Eu que pergunto, Júlia. O que você está fazendo no prédio da minha... — Maya parou, recompondo-se. — O que você está fazendo aqui?

— Eu moro aqui, querida. Unidade 402. — Júlia apontou para a torre B. — Sou vizinha de porta daquela inspetora de polícia, a Giovanna. Uma mulher fascinante, por sinal. Já conversamos algumas vezes no elevador. Ela tem um gosto impecável para vinhos... e para vizinhas.

O estômago de Maya deu um nó. A ideia de Júlia, com seu veneno disfarçado de sofisticação, rondando a porta de Giovanna era insuportável.

— Engraçado você mencionar a Giovanna — disse Maya, dando um passo à frente, a voz agora carregada de uma firmeza que ela raramente usava fora das salas de cirurgia. — Porque eu acabei de sair do apartamento dela. E, pelo que eu saiba, ela não mencionou nenhuma vizinha interessante. Na verdade, ela nem deve lembrar que você existe entre um plantão e outro.

Júlia levantou-se, a expressão de deboche vacilando por um instante.

— Então os boatos eram verdadeiros? A "santinha" do hospital está saindo com a lei? — Júlia deu uma risada seca. — Cuidado, Maya. Pessoas como a Giovanna lidam com sujeira o dia todo. Eventualmente, essa sujeira acaba respingando em quem está perto. E você é tão... limpinha.

— A única sujeira que eu estou vendo aqui é a sua inveja, Júlia — rebateu Maya, sentindo a magia rukh vibrar levemente ao seu redor, uma resposta emocional involuntária. — Você pode ter o melhor diploma e o melhor apartamento, mas continua sendo uma médica medíocre porque não tem empatia. Nem com os pacientes, e pelo visto, nem com a privacidade alheia.

— Como você ousa? — Júlia se aproximou, o rosto vermelho. — Eu sou a chefe da ala de traumas!

— E eu sou a pessoa que a Giovanna escolheu para acordar ao lado todos os dias — interrompeu Maya, com um sorriso vitorioso que não costumava ostentar. — Então, faça um favor a nós duas: da próxima vez que vir a minha namorada no elevador, limite-se a dar bom dia. Ou nem isso. O silêncio combina mais com você.

Júlia abriu a boca para retrucar, mas Maya apenas deu as costas, caminhando com a cabeça erguida. Seu coração batia acelerado, metade por raiva, metade por uma satisfação súbita.

Ela voltou para o apartamento e, assim que fechou a porta, encostou-se nela, respirando fundo. Pegou o celular e viu uma mensagem de Giovanna enviada há poucos minutos.

"Consegui um intervalo. Chego em 20 minutos. Quero te levar para almoçar naquele lugar que você gosta. Saudades."

Maya sorriu, a irritação com Júlia dissipando-se como fumaça ao vento. Ela não deixaria que a vizinha amarga estragasse o brilho daquele dia. Afinal, Júlia tinha apenas a vista da varanda. Maya tinha o coração da dona do lugar.

Ela começou a se arrumar, escolhendo um vestido que sabia que Giovanna adorava. Enquanto se olhava no espelho, pensou que, talvez, ter Júlia como vizinha não fosse tão ruim assim. Seria divertido ver a cara de derrota da outra médica toda vez que Maya aparecesse por ali para passar o final de semana.

A campainha tocou. Não era o porteiro, nem a vizinha indesejada. Era o toque rítmico que só Giovanna fazia.

Maya abriu a porta com um sorriso radiante.

— Você não acredita na manhã que eu tive — disse Maya, puxando Giovanna para dentro antes mesmo que ela pudesse tirar o distintivo do cinto.

— O caso foi difícil, mas não achei que você estivesse tão ansiosa para me ver — Giovanna riu, envolvendo a cintura de Maya com os braços.

— O caso? Ah, não. O caso agora é outro. Temos uma vizinha que precisa aprender algumas lições de etiqueta médica... e pessoal.

Giovanna arqueou uma sobrancelha, interessada.

— Júlia? Aquela loira metida do quarto andar?

— Ela mesma.

Giovanna soltou uma gargalhada baixa, beijando a testa de Maya.

— Deixe ela para lá, meu amor. Se ela te incomodar de novo, eu dou um jeito de apreender o tablet dela por "suspeita de conteúdo subversivo". Agora, vamos? Eu estou morrendo de fome, e não é só de comida.

As duas saíram, e Maya fez questão de passar pelo hall de entrada rindo alto, de braços dados com Giovanna, sabendo que, de algum lugar, Júlia poderia estar assistindo. A vida em Magnostadt podia ser cheia de perigos e intrigas políticas, mas ali, naquele momento, a única coisa que importava era o calor da mão de Giovanna na sua.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic