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Gata praiana
Fandom: Juacas
Criado: 11/07/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaCiúmesEstudo de PersonagemCenário Canônico
Sal, Sarcasmo e o Charme dos Juacas
O sol de Itacaré não dava trégua, refletindo intensamente nas águas cristalinas da Praia da Tiririca. O som das ondas quebrando era o metrônomo perfeito para o ritmo frenético do CAUSE. Giulia Helena ajustava a cordinha do leash no tornozelo, os cabelos loiros ainda secos, mas já bagunçados pela brisa marinha. Ela não precisava de muito para se destacar: uma lycra simples, o olhar focado e aquela aura de quem preferia enfrentar um tubarão a ter que socializar por mais de dez minutos.
— Ei, novata! Cuidado para não se afogar na espuma. As ondas hoje estão para surfistas de verdade, não para quem faz pose de modelo.
Giulia nem precisou virar para saber quem era. A voz arrastada, carregada de uma autoconfiança irritante e um charme que parecia vir de fábrica, só poderia pertencer a Rafael Smor. Ela revirou os olhos claros, terminando de passar a parafina na prancha com movimentos firmes.
— Engraçado você falar de pose, Rafa — ela respondeu, finalmente encarando-o com um sorriso irônico que não chegava aos olhos. — Achei que seu treino consistia em 90% de tempo ajeitando o cabelo para as câmeras e 10% tentando não cair da prancha.
Rafa soltou uma risada curta, aproximando-se com aquele jeito despojado, a prancha debaixo do braço. Ele a analisou de cima a baixo, um brilho de desafio dançando nos olhos escuros.
— O meu cabelo está sempre perfeito, é um dom. Mas se você quiser uma aula particular de como pegar um tubo de verdade, é só pedir. Eu sei que você está morrendo de vontade de admitir que eu sou seu ídolo.
Giulia soltou uma risada anasalada, carregada de sarcasmo.
— Eu preferiria surfar em uma tábua de passar roupa do que pedir conselho para você. Agora, se me der licença, eu tenho ondas para dominar enquanto você continua aí, sendo... você.
Ela passou por ele, esbarrando propositalmente em seu ombro. Rafa ficou parado por um momento, observando-a caminhar em direção ao mar. Havia algo na determinação de Giulia que o fascinava. Ela era teimosa, afiada e, acima de tudo, talentosa demais para ser ignorada.
— Ela te deu um fora de novo, cara? — Jojó apareceu ao lado de Rafa, contendo o riso.
— Fora? Aquilo foi um flerte pesado, Jojó. Você que não entende o dialeto das garotas marrentas — Rafa rebateu, embora soubesse que a barreira de Giulia era muito mais alta do que ele estava acostumado a pular.
Dentro da água, o clima não era menos tenso. Leilane observava a interação da areia, apertando os punhos. Ela fazia parte das Sirenas com Giulia e Vivi, mas a chegada da loira tinha mudado tudo. Antes, Leilane sentia que o caminho para o coração de Rafa estava livre, apenas esperando o momento certo. Agora, ela via o garoto mais cobiçado do acampamento orbitar Giulia como se ela fosse o centro de gravidade.
— Ela se acha a dona do mar — resmungou Leilane, enquanto Vivi se aproximava com duas garrafas de água.
— Ela é boa, Leilane. E é nossa parceira de equipe. Devíamos estar felizes por ter alguém com o nível dela nas Sirenas — Vivi tentou ponderar, sempre a voz da razão.
— Ela é arrogante. E está distraindo o Rafa. Isso atrapalha o rendimento dele... e o meu — Leilane retrucou, os olhos fixos na silhueta de Giulia remando para o outside.
Lá fora, a disputa começou. Uma série grande despontou no horizonte. Giulia se posicionou, mas sentiu a presença de outra prancha ao seu lado. Rafa estava lá, sorrindo como se estivesse em um passeio no parque.
— Minha onda, Smor — Giulia avisou, a voz firme.
— Só se você for rápida o suficiente, Helena.
Os dois começaram a remar simultaneamente. Era uma dança de força e técnica. No último segundo, Giulia dropou com uma agressividade técnica impressionante, cortando a face da onda e deixando Rafa para trás na espuma. Ela executou uma rasgada perfeita, jogando água para o alto, e finalizou a onda com uma manobra limpa.
Ao retornar para o outside, encontrou Rafa esperando, sentado na prancha.
— Sorte de principiante — ele provocou, embora por dentro estivesse impressionado.
— Admita, Rafa. Você é lento — ela retrucou, passando a mão no rosto para tirar o sal.
— Eu não sou lento. Eu só gosto de apreciar a vista. E admito, a vista daqui está ficando bem interessante.
Giulia sentiu o rosto esquentar, mas sua máscara de ferro não caiu.
— Guarda suas cantadas baratas para quem cai nelas. Eu vim aqui para ganhar o Juaca, não para ser mais um troféu na sua estante.
— Quem disse que eu te quero como troféu? — O tom de Rafa mudou levemente, ficando mais baixo, mais sério. — Talvez eu só queira alguém que consiga me acompanhar.
O olhar que trocaram durou mais do que o necessário, uma eletricidade estática que parecia competir com o barulho do oceano. O momento foi quebrado quando um grito vindo do deck dos Red Sharks ecoou.
— Ei, Juaca! Deixa a garota em paz e vai treinar com os peixinhos! — era Minhoca, rindo com Malha ao lado. — Giulia, se quiser surfar com quem realmente entende, o convite para o nosso lado está sempre aberto!
Rafa sentiu o sangue ferver instantaneamente. O sarcasmo habitual deu lugar a uma possessividade que ele tentava esconder.
— Ela está muito bem onde está, Minhoca. Vai cuidar das suas barbatanas — Rafa gritou de volta, a mandíbula cerrada.
Giulia percebeu a mudança de humor dele e, por puro prazer de irritá-lo, lançou um beijo no ar em direção aos Red Sharks, apenas para ver a expressão de Rafa escurecer.
— O que foi, Smor? Ficou com ciúmes? — ela provocou, voltando a remar.
— Eu? Ciúmes de você com aquele projeto de surfista? Por favor, Giulia. Eu só me preocupo com o nível técnico do acampamento.
— Sei... — ela murmurou, desviando o olhar para esconder um pequeno sorriso.
A tarde caiu e o treino deu lugar ao relaxamento. No alojamento das Sirenas, o clima estava pesado. Leilane mal falava com Giulia, e Vivi tentava, sem sucesso, puxar assunto sobre as táticas para a próxima bateria.
— Eu vou dar uma volta — Giulia anunciou, pegando um casaco leve. Ela precisava de espaço. Precisava de silêncio para processar por que o coração dela ainda batia mais rápido depois daquela troca de olhares com Rafa.
Ela caminhou até uma parte mais isolada da praia, onde as pedras formavam uma espécie de refúgio natural. O que ela não esperava era encontrar Rafa lá, sentado com um violão, dedilhando uma melodia suave que não combinava em nada com a imagem de "garoto popular" que ele ostentava.
Giulia pensou em dar meia volta, mas o som de um galho quebrando sob seus pés a entregou.
— Vai me espionar agora, Helena? — Rafa perguntou, sem parar de tocar, mas com um sorriso de canto.
— Nos seus sonhos. Eu só queria um lugar sem gente chata, mas pelo visto você chegou primeiro — ela disse, aproximando-se e sentando-se a uma distância segura na areia.
— Eu venho aqui para pensar. O acampamento às vezes fica... pequeno demais.
Giulia o observou de perfil. Sem as provocações e sem a plateia, Rafa parecia diferente. Menos personagem, mais real.
— Você é muito convencido, sabia? — ela disse, a voz perdendo um pouco da acidez.
— E você é muito teimosa. E defensiva. Por que você sempre responde com uma pedra na mão?
— Porque é mais fácil do que deixar as pessoas acharem que podem entrar — ela respondeu, sincera por um breve momento, antes de se arrepender. — E porque você merece, na maioria das vezes.
Rafa parou de tocar e se virou para ela. A luz da lua refletia nos olhos claros de Giulia, tornando-os quase prateados.
— Eu não sou o vilão da história, Giulia. Eu só... gostei de você desde o primeiro dia. E você é a única pessoa aqui que não me dá o que eu quero.
— E o que você quer, Rafa?
Ele se inclinou um pouco mais, a distância entre eles diminuindo perigosamente. O cheiro de mar e maresia emanava de ambos.
— Eu quero saber quem é a Giulia de verdade. A que não precisa de ironias para se proteger.
Giulia sentiu a respiração falhar. O impulso de fugir era grande, mas o de ficar era, pela primeira vez, maior. Ela o encarou desafiadoramente.
— Talvez você não aguente a Giulia de verdade. Ela é muito mais complicada do que suas conquistas de verão.
— Tenta a sorte — ele sussurrou.
Rafa estendeu a mão e tocou levemente uma mecha do cabelo loiro dela, afastando-a do rosto. O toque foi elétrico. Por um segundo, o mundo parou. O "quase beijo" pairou no ar, denso e carregado de promessas.
Mas o som de vozes se aproximando — Billy e Jojó procurando por Rafa — quebrou o encanto. Giulia se afastou rapidamente, recuperando sua máscara de indiferença.
— Seus súditos estão te chamando, "Rei da Praia" — ela disse, levantando-se e limpando a areia do short.
— A gente ainda não terminou essa conversa — Rafa afirmou, observando-a se afastar.
— A gente nem começou, Smor.
Giulia voltou para o alojamento com o coração na boca. Ao entrar, deu de cara com Leilane, que cruzava os braços com um olhar de puro veneno.
— Onde você estava? — perguntou Leilane.
— Andando. A praia é pública, não é? — Giulia respondeu, passando direto para sua cama.
— Eu vi você saindo depois do Rafa. Se você acha que vai usar ele para subir na competição ou para se sentir a tal, está muito enganada.
Giulia parou e virou-se lentamente.
— Leilane, eu não preciso do Rafa para nada. E se você está tão insegura sobre o que ele sente por você, talvez o problema não seja eu. Talvez o problema seja que ele simplesmente não está interessado.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Vivi entrou no quarto logo depois, sentindo a tensão no ar.
— Meninas, por favor... amanhã temos competição. Precisamos estar unidas.
— Diz isso para a sua nova protegida — Leilane cuspiu as palavras e saiu, batendo a porta.
Vivi suspirou e olhou para Giulia.
— Ela gosta dele há muito tempo, Giu.
— Isso não dá a ela o direito de ser uma idiota — Giulia respondeu, deitando-se e virando para a parede. — E eu não tenho culpa se o Rafa não consegue manter os olhos na prancha dele.
Mas, no escuro do quarto, Giulia tocou os próprios lábios. Ela sabia que a guerra entre as Sirenas estava apenas começando, e que o campo de batalha mais perigoso não era o mar, mas sim o que ela estava começando a sentir por um certo Juaca convencido.
A competição do dia seguinte prometia ser intensa. Os Red Sharks estavam prontos para jogar sujo, Leilane estava pronta para sabotar, e Rafa... Rafa estava pronto para continuar desarmando as defesas de Giulia, uma provocação por vez. E no meio de tanta testosterona, adrenalina e o calor de Itacaré, a única certeza era que ninguém sairia ileso daquela temporada.
Giulia fechou os olhos, mas a imagem de Rafa sorrindo sob a luz da lua foi a última coisa que viu antes de dormir. Ela odiava admitir, mas o slow burn estava começando a queimar mais rápido do que ela podia controlar.
— Ei, novata! Cuidado para não se afogar na espuma. As ondas hoje estão para surfistas de verdade, não para quem faz pose de modelo.
Giulia nem precisou virar para saber quem era. A voz arrastada, carregada de uma autoconfiança irritante e um charme que parecia vir de fábrica, só poderia pertencer a Rafael Smor. Ela revirou os olhos claros, terminando de passar a parafina na prancha com movimentos firmes.
— Engraçado você falar de pose, Rafa — ela respondeu, finalmente encarando-o com um sorriso irônico que não chegava aos olhos. — Achei que seu treino consistia em 90% de tempo ajeitando o cabelo para as câmeras e 10% tentando não cair da prancha.
Rafa soltou uma risada curta, aproximando-se com aquele jeito despojado, a prancha debaixo do braço. Ele a analisou de cima a baixo, um brilho de desafio dançando nos olhos escuros.
— O meu cabelo está sempre perfeito, é um dom. Mas se você quiser uma aula particular de como pegar um tubo de verdade, é só pedir. Eu sei que você está morrendo de vontade de admitir que eu sou seu ídolo.
Giulia soltou uma risada anasalada, carregada de sarcasmo.
— Eu preferiria surfar em uma tábua de passar roupa do que pedir conselho para você. Agora, se me der licença, eu tenho ondas para dominar enquanto você continua aí, sendo... você.
Ela passou por ele, esbarrando propositalmente em seu ombro. Rafa ficou parado por um momento, observando-a caminhar em direção ao mar. Havia algo na determinação de Giulia que o fascinava. Ela era teimosa, afiada e, acima de tudo, talentosa demais para ser ignorada.
— Ela te deu um fora de novo, cara? — Jojó apareceu ao lado de Rafa, contendo o riso.
— Fora? Aquilo foi um flerte pesado, Jojó. Você que não entende o dialeto das garotas marrentas — Rafa rebateu, embora soubesse que a barreira de Giulia era muito mais alta do que ele estava acostumado a pular.
Dentro da água, o clima não era menos tenso. Leilane observava a interação da areia, apertando os punhos. Ela fazia parte das Sirenas com Giulia e Vivi, mas a chegada da loira tinha mudado tudo. Antes, Leilane sentia que o caminho para o coração de Rafa estava livre, apenas esperando o momento certo. Agora, ela via o garoto mais cobiçado do acampamento orbitar Giulia como se ela fosse o centro de gravidade.
— Ela se acha a dona do mar — resmungou Leilane, enquanto Vivi se aproximava com duas garrafas de água.
— Ela é boa, Leilane. E é nossa parceira de equipe. Devíamos estar felizes por ter alguém com o nível dela nas Sirenas — Vivi tentou ponderar, sempre a voz da razão.
— Ela é arrogante. E está distraindo o Rafa. Isso atrapalha o rendimento dele... e o meu — Leilane retrucou, os olhos fixos na silhueta de Giulia remando para o outside.
Lá fora, a disputa começou. Uma série grande despontou no horizonte. Giulia se posicionou, mas sentiu a presença de outra prancha ao seu lado. Rafa estava lá, sorrindo como se estivesse em um passeio no parque.
— Minha onda, Smor — Giulia avisou, a voz firme.
— Só se você for rápida o suficiente, Helena.
Os dois começaram a remar simultaneamente. Era uma dança de força e técnica. No último segundo, Giulia dropou com uma agressividade técnica impressionante, cortando a face da onda e deixando Rafa para trás na espuma. Ela executou uma rasgada perfeita, jogando água para o alto, e finalizou a onda com uma manobra limpa.
Ao retornar para o outside, encontrou Rafa esperando, sentado na prancha.
— Sorte de principiante — ele provocou, embora por dentro estivesse impressionado.
— Admita, Rafa. Você é lento — ela retrucou, passando a mão no rosto para tirar o sal.
— Eu não sou lento. Eu só gosto de apreciar a vista. E admito, a vista daqui está ficando bem interessante.
Giulia sentiu o rosto esquentar, mas sua máscara de ferro não caiu.
— Guarda suas cantadas baratas para quem cai nelas. Eu vim aqui para ganhar o Juaca, não para ser mais um troféu na sua estante.
— Quem disse que eu te quero como troféu? — O tom de Rafa mudou levemente, ficando mais baixo, mais sério. — Talvez eu só queira alguém que consiga me acompanhar.
O olhar que trocaram durou mais do que o necessário, uma eletricidade estática que parecia competir com o barulho do oceano. O momento foi quebrado quando um grito vindo do deck dos Red Sharks ecoou.
— Ei, Juaca! Deixa a garota em paz e vai treinar com os peixinhos! — era Minhoca, rindo com Malha ao lado. — Giulia, se quiser surfar com quem realmente entende, o convite para o nosso lado está sempre aberto!
Rafa sentiu o sangue ferver instantaneamente. O sarcasmo habitual deu lugar a uma possessividade que ele tentava esconder.
— Ela está muito bem onde está, Minhoca. Vai cuidar das suas barbatanas — Rafa gritou de volta, a mandíbula cerrada.
Giulia percebeu a mudança de humor dele e, por puro prazer de irritá-lo, lançou um beijo no ar em direção aos Red Sharks, apenas para ver a expressão de Rafa escurecer.
— O que foi, Smor? Ficou com ciúmes? — ela provocou, voltando a remar.
— Eu? Ciúmes de você com aquele projeto de surfista? Por favor, Giulia. Eu só me preocupo com o nível técnico do acampamento.
— Sei... — ela murmurou, desviando o olhar para esconder um pequeno sorriso.
A tarde caiu e o treino deu lugar ao relaxamento. No alojamento das Sirenas, o clima estava pesado. Leilane mal falava com Giulia, e Vivi tentava, sem sucesso, puxar assunto sobre as táticas para a próxima bateria.
— Eu vou dar uma volta — Giulia anunciou, pegando um casaco leve. Ela precisava de espaço. Precisava de silêncio para processar por que o coração dela ainda batia mais rápido depois daquela troca de olhares com Rafa.
Ela caminhou até uma parte mais isolada da praia, onde as pedras formavam uma espécie de refúgio natural. O que ela não esperava era encontrar Rafa lá, sentado com um violão, dedilhando uma melodia suave que não combinava em nada com a imagem de "garoto popular" que ele ostentava.
Giulia pensou em dar meia volta, mas o som de um galho quebrando sob seus pés a entregou.
— Vai me espionar agora, Helena? — Rafa perguntou, sem parar de tocar, mas com um sorriso de canto.
— Nos seus sonhos. Eu só queria um lugar sem gente chata, mas pelo visto você chegou primeiro — ela disse, aproximando-se e sentando-se a uma distância segura na areia.
— Eu venho aqui para pensar. O acampamento às vezes fica... pequeno demais.
Giulia o observou de perfil. Sem as provocações e sem a plateia, Rafa parecia diferente. Menos personagem, mais real.
— Você é muito convencido, sabia? — ela disse, a voz perdendo um pouco da acidez.
— E você é muito teimosa. E defensiva. Por que você sempre responde com uma pedra na mão?
— Porque é mais fácil do que deixar as pessoas acharem que podem entrar — ela respondeu, sincera por um breve momento, antes de se arrepender. — E porque você merece, na maioria das vezes.
Rafa parou de tocar e se virou para ela. A luz da lua refletia nos olhos claros de Giulia, tornando-os quase prateados.
— Eu não sou o vilão da história, Giulia. Eu só... gostei de você desde o primeiro dia. E você é a única pessoa aqui que não me dá o que eu quero.
— E o que você quer, Rafa?
Ele se inclinou um pouco mais, a distância entre eles diminuindo perigosamente. O cheiro de mar e maresia emanava de ambos.
— Eu quero saber quem é a Giulia de verdade. A que não precisa de ironias para se proteger.
Giulia sentiu a respiração falhar. O impulso de fugir era grande, mas o de ficar era, pela primeira vez, maior. Ela o encarou desafiadoramente.
— Talvez você não aguente a Giulia de verdade. Ela é muito mais complicada do que suas conquistas de verão.
— Tenta a sorte — ele sussurrou.
Rafa estendeu a mão e tocou levemente uma mecha do cabelo loiro dela, afastando-a do rosto. O toque foi elétrico. Por um segundo, o mundo parou. O "quase beijo" pairou no ar, denso e carregado de promessas.
Mas o som de vozes se aproximando — Billy e Jojó procurando por Rafa — quebrou o encanto. Giulia se afastou rapidamente, recuperando sua máscara de indiferença.
— Seus súditos estão te chamando, "Rei da Praia" — ela disse, levantando-se e limpando a areia do short.
— A gente ainda não terminou essa conversa — Rafa afirmou, observando-a se afastar.
— A gente nem começou, Smor.
Giulia voltou para o alojamento com o coração na boca. Ao entrar, deu de cara com Leilane, que cruzava os braços com um olhar de puro veneno.
— Onde você estava? — perguntou Leilane.
— Andando. A praia é pública, não é? — Giulia respondeu, passando direto para sua cama.
— Eu vi você saindo depois do Rafa. Se você acha que vai usar ele para subir na competição ou para se sentir a tal, está muito enganada.
Giulia parou e virou-se lentamente.
— Leilane, eu não preciso do Rafa para nada. E se você está tão insegura sobre o que ele sente por você, talvez o problema não seja eu. Talvez o problema seja que ele simplesmente não está interessado.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Vivi entrou no quarto logo depois, sentindo a tensão no ar.
— Meninas, por favor... amanhã temos competição. Precisamos estar unidas.
— Diz isso para a sua nova protegida — Leilane cuspiu as palavras e saiu, batendo a porta.
Vivi suspirou e olhou para Giulia.
— Ela gosta dele há muito tempo, Giu.
— Isso não dá a ela o direito de ser uma idiota — Giulia respondeu, deitando-se e virando para a parede. — E eu não tenho culpa se o Rafa não consegue manter os olhos na prancha dele.
Mas, no escuro do quarto, Giulia tocou os próprios lábios. Ela sabia que a guerra entre as Sirenas estava apenas começando, e que o campo de batalha mais perigoso não era o mar, mas sim o que ela estava começando a sentir por um certo Juaca convencido.
A competição do dia seguinte prometia ser intensa. Os Red Sharks estavam prontos para jogar sujo, Leilane estava pronta para sabotar, e Rafa... Rafa estava pronto para continuar desarmando as defesas de Giulia, uma provocação por vez. E no meio de tanta testosterona, adrenalina e o calor de Itacaré, a única certeza era que ninguém sairia ileso daquela temporada.
Giulia fechou os olhos, mas a imagem de Rafa sorrindo sob a luz da lua foi a última coisa que viu antes de dormir. Ela odiava admitir, mas o slow burn estava começando a queimar mais rápido do que ela podia controlar.
