Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Gata praiana

Fandom: Juacas

Criado: 11/07/2026

Tags

RomanceDramaAçãoCiúmesCenário CanônicoLinguagem ExplícitaEstudo de Personagem
Índice

Ondas de Tensão e Desejo

O sol de Itacaré não pedia licença; ele dominava o céu, refletindo no azul intenso do mar e aquecendo a areia fina da Praia da Tiririca. Para Giulia Helena, aquele calor era o combustível perfeito. Ela ajeitou a prancha debaixo do braço, deixando que o vento movesse seus longos cabelos loiros, e caminhou em direção ao mar com a confiança de quem sabia exatamente onde estava pisando.

Ela não era apenas "a menina nova" das Sirenas. Em poucas semanas, Giulia já havia mostrado que seu surfe era técnico, agressivo e impecável. Mas, no CAOSS, o respeito não vinha apenas das manobras; vinha da capacidade de aguentar a pressão. E a pressão, naquele momento, tinha nome, sobrenome e um sorriso convencido: Rafael Smor.

— Cuidado para não se afogar na própria marra, novata — a voz de Rafa ecoou atrás dela, carregada daquele tom sarcástico que fazia o sangue de Giulia ferver.

Ela parou, virando-se lentamente. Rafa estava sem camisa, a pele bronzeada brilhando sob o sol, os músculos do abdômen definidos pelo treino constante. Ele girava a cordinha da prancha no dedo, com aquele olhar de quem achava que o mundo era seu playground particular.

— Se eu fosse você, me preocuparia menos com o meu surfe e mais com o fato de que eu bati seu tempo no treino de hoje cedo — Giulia rebateu, arqueando uma sobrancelha clara. — O capitão dos Juacas está ficando lento ou é só impressão minha?

Rafa soltou uma risada curta, aproximando-se dela até que o espaço entre os dois fosse mínimo. Ele era mais alto, mas Giulia não recuou um centímetro.

— Foi sorte, loira. O vento estava a seu favor. Mas se quiser testar de verdade... que tal uma aposta? Quem pegar a maior onda da série paga o jantar. E eu escolho o lugar.

— Preparado para passar vergonha na frente de todo mundo? — Giulia sorriu, um sorriso desafiador que escondia a eletricidade que sentia sempre que ele chegava perto. — Fechado. Mas se eu ganhar, você vai ter que admitir na frente do rádio do acampamento que eu sou melhor que você.

— Combinado. Mas prepare o estômago, porque eu estou com fome de vitória.

Eles correram para o mar, mergulhando na água gelada que servia apenas para camuflar o calor que emanava entre os dois. De longe, na areia, Leilane observava a cena com os punhos cerrados. Ela fingia ajeitar o protetor solar, mas seus olhos estavam fixos na interação.

— Eles não param, né? — Vivi comentou, sentando-se ao lado da capitã. — A química é tanta que dá para sentir o cheiro de queimado daqui.

— Não vejo química nenhuma, Vivi — Leilane respondeu secamente. — Vejo desrespeito com o treino. A Giulia deveria estar focada nas Sirenas, não em ficar de joguinho com o Rafa.

— Ah, para, Lei. Todo mundo sabe que o Rafa está caidinho por ela. Ele nunca deu esse tipo de atenção para ninguém. Nem para você, quando vocês... enfim.

Leilane sentiu a pontada de ciúmes transformar-se em amargura. Ela sempre acreditou que, eventualmente, ela e Rafa seriam o "casal real" do surfe. Ver aquela garota nova, com aquele jeito arrogante e talento nato, roubar o foco de Rafa era mais do que ela podia aguentar.

No mar, a competição era feroz. Rafa e Giulia disputavam o pico como se suas vidas dependessem disso. Quando uma série maior entrou, ambos remarcaram com força. Rafa dropou primeiro, executando um cutback perfeito, mas Giulia surgiu logo atrás, rasgando a onda com uma força impressionante, finalizando com um batida no lip que deixou até os veteranos na areia de boca aberta.

Ao saírem do mar, a tensão não havia diminuído; tinha mudado de forma.

— Aquela última foi minha — Rafa disse, ofegante, enquanto caminhavam de volta para os chuveiros.

— Nos seus sonhos, Smor. Eu tive mais controle e a finalização foi mais limpa — Giulia parou embaixo do chuveiro frio, fechando os olhos enquanto a água escorria pelo seu corpo, colando o biquíni à pele clara.

Rafa parou ao lado dela, ignorando o próprio chuveiro. Ele a observou. Giulia era hipnotizante. A forma como ela não se deixava abalar, como respondia à altura, como o desafiava... era viciante.

— Você é muito teimosa — ele murmurou, a voz agora mais baixa e rouca, perdendo o tom de brincadeira.

— E você é muito convencido — ela abriu os olhos, encontrando os dele.

A mão de Rafa subiu, afastando uma mecha de cabelo molhado do rosto dela. O toque foi leve, mas pareceu um choque elétrico. Giulia sentiu o coração disparar, mas sua máscara de indiferença permaneceu firme.

— O que foi? Perdeu a voz? — ela provocou, embora sua respiração estivesse ficando pesada.

— Estou só pensando em como vai ser bom ver você admitindo que perdeu — ele se aproximou mais, o rosto a centímetros do dela. — Ou talvez eu esteja pensando em outra coisa.

Antes que qualquer coisa acontecesse, uma voz masculina interrompeu o momento.

— Ei, Giulia! Que onda foi aquela, hein? Mandou muito bem!

Era Marcelo, um dos integrantes dos Red Sharks. Ele se aproximou com um sorriso largo, ignorando completamente a presença de Rafa, que endureceu a postura instantaneamente.

— Valeu, Marcelo — Giulia sorriu para ele, grata pela interrupção que salvou seu coração de saltar pelo peito. — O mar estava ótimo hoje.

— A gente vai fazer um luau mais tarde na ponta da praia, só o pessoal mais chegado. Os Sharks vão estar lá. Você devia ir, a gente queria trocar uma ideia sobre aquela sua manobra de hoje — Marcelo tocou levemente o ombro de Giulia.

Rafa deu um passo à frente, a mandíbula travada.

— Ela já tem compromisso, Shark. Vai pagar uma aposta que perdeu para mim.

Marcelo riu, olhando para Rafa com desdém.

— Engraçado, não vi você ganhando nada hoje, Smor. Deixa a garota decidir. O convite está feito, Giulia. Você combina muito mais com o nosso estilo do que com essa vibe "paz e amor" dos Juacas.

Marcelo piscou para ela e se afastou. O silêncio que se seguiu entre Rafa e Giulia era denso, carregado de uma irritação palpável.

— Você não vai naquele luau — Rafa disse, o tom autoritário transbordando ciúmes.

— Eu vou para onde eu quiser, Rafael. Você não é meu dono — Giulia rebateu, pegando sua prancha. — E sobre o jantar... perdi a fome.

Ela saiu andando, deixando-o sozinho sob o sol.

A noite caiu em Itacaré, trazendo consigo uma brisa morna e o som rítmico das ondas. No alojamento das Sirenas, o clima estava tenso. Leilane mal falava com Giulia, e Vivi tentava, sem sucesso, aliviar o ambiente.

— Eu vou sair — Giulia anunciou, vestindo um short jeans curto e uma regata branca que realçava seu bronzeado.

— Vai encontrar o pessoal dos Red Sharks? — Leilane perguntou, sem tirar os olhos do celular. — Cuidado, Giulia. Eles não são flor que se cheire. Ou talvez você se encaixe bem lá, já que gosta tanto de ser o centro das atenções.

Giulia parou na porta, respirando fundo para não perder a paciência.

— O meu foco é o surfe, Leilane. Se o seu foco é cuidar da minha vida, talvez seja por isso que suas notas na competição estão caindo.

Ela saiu antes que a capitã pudesse responder.

A festa na praia estava agitada. Fogueiras iluminavam a areia e a música alta se misturava ao som do mar. Giulia estava sentada em um tronco, conversando com Marcelo e outro integrante dos Sharks, tentando ignorar o fato de que seus olhos buscavam constantemente por um certo Juaca de olhos provocadores.

Ela não precisou procurar muito. Rafa apareceu pouco depois, acompanhado de Billy e Jojó. Assim que seus olhos encontraram os de Giulia junto aos rivais, seu humor mudou visivelmente. Ele pegou uma bebida e se encostou em um coqueiro, observando de longe como um predador.

— Ele não para de te olhar — Marcelo sussurrou no ouvido de Giulia, aproximando-se propositalmente. — O Smor é muito previsível. Ele acha que tudo aqui pertence a ele.

— Ele é só idiota — Giulia mentiu, sentindo o peso do olhar de Rafa sobre si.

Cansada daquele jogo de sombras, Giulia levantou-se e caminhou em direção à parte mais escura da praia, onde as pedras formavam uma barreira natural. Ela precisava de silêncio. Mas o silêncio durou pouco.

— Fugindo da festa ou dos seus novos melhores amigos? — a voz de Rafa surgiu das sombras.

Giulia se virou, encontrando-o ali, com o rosto iluminado apenas pela luz da lua.

— O que você quer, Rafa? Veio me dar mais ordens?

— Eu vim ver se você finalmente recuperou o juízo. Aqueles caras só querem te usar para atingir os Juacas. Eles sabem que você é o nosso ponto fraco... ou melhor, o meu ponto fraco.

Giulia riu, uma risada amarga.

— Eu não sou ponto fraco de ninguém. E para de fingir que você se importa com a minha segurança. Você só está com o ego ferido porque eu não caio no seu papo de conquistador barato.

Rafa caminhou até ela, encurralando-a contra uma das pedras grandes. O calor que emanava de seus corpos era um contraste gritante com a brisa fria da noite.

— Você acha que isso é papo? — ele perguntou, a voz baixa, quase um sussurro contra os lábios dela. — Você acha que eu fico perdendo meu tempo provocando qualquer uma? Giulia, você me tira do sério. Você me deixa completamente fora de órbita.

— Então me deixa em paz — ela murmurou, embora suas mãos tivessem subido para o peito nu dele, sentindo o coração de Rafa bater tão rápido quanto o seu.

— Eu não consigo.

Rafa não esperou por uma resposta. Ele selou seus lábios nos dela em um beijo urgente, faminto. Não era um beijo suave; era uma explosão de toda a tensão que vinham acumulando desde o primeiro encontro. Giulia passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto, enquanto os dedos de Rafa se entrelaçavam em seus cabelos loiros.

O desejo, alimentado por semanas de negação e provocações, transbordou. Rafa a ergueu, e Giulia entrelaçou as pernas em sua cintura, sentindo a rigidez do corpo dele contra o seu. Eles se moveram para um recuo mais escondido entre as rochas, onde a sombra era completa e o som das ondas abafava qualquer outro ruído.

Ali, no calor da noite baiana, as defesas de Giulia finalmente caíram. Rafa a colocou cuidadosamente sobre uma superfície plana de pedra, suas mãos explorando cada curva do corpo dela com uma possessividade que a fazia arfar.

— Eu odeio o quanto eu quero você — ela sussurrou entre beijos no pescoço.

— Então me odeia mais um pouco — ele respondeu, a voz carregada de desejo, enquanto suas mãos deslizavam para baixo da regata dela.

As roupas foram descartadas rapidamente, as peças de tecido esquecidas na areia enquanto seus corpos se uniam. O toque de Rafa era firme, mas carregado de uma urgência que Giulia correspondia com a mesma intensidade. Ela não era delicada; ela o puxava para si, arranhando suas costas, deixando que sua natureza competitiva e intensa se transformasse em puro prazer.

Quando ele finalmente entrou nela, o mundo lá fora — a competição, as Sirenas, os Red Sharks, as brigas com Leilane — deixou de existir. Havia apenas o ritmo frenético de seus corpos, o suor misturado à maresia e os gemidos abafados contra a pele um do outro. Rafa a possuía com uma entrega que ele nunca havia demonstrado a ninguém, e Giulia se permitia, pela primeira vez, ser vulnerável e poderosa ao mesmo tempo.

O ápice veio como uma onda gigante, avassaladora, deixando-os exaustos e trêmulos nos braços um do outro.

Minutos depois, ainda recuperando o fôlego, Rafa a abraçou por trás, sentindo o cheiro de sal em seus cabelos.

— Isso não muda a aposta — ele brincou, tentando recuperar sua fachada de confiança, mas sua voz o traía.

Giulia sorriu, encostando a cabeça no ombro dele.

— Claro que não. Até porque eu ainda vou ganhar de você amanhã.

— Veremos, loira. Veremos.

Eles se vestiram em silêncio, uma cumplicidade nova e frágil pairando entre eles. Mas ao voltarem para a área iluminada da praia, viram Leilane parada perto da fogueira, observando-os sair das sombras. O olhar da capitã era de pura traição.

— Espero que tenha valido a pena, Giulia — Leilane disse, alto o suficiente para que alguns Red Sharks ouvissem. — Porque as Sirenas não aceitam quem coloca os próprios interesses acima da equipe.

Giulia sentiu o peso do conflito que estava por vir. Ela olhou para Rafa, que estava pronto para defendê-la, mas ela colocou a mão em seu braço, impedindo-o.

— Eu conquisto o meu espaço nas ondas, Leilane. O que eu faço fora delas não é da sua conta.

Ela caminhou em direção ao alojamento, sentindo o olhar de todos sobre suas costas. O clima no CAOSS estava prestes a explodir, e o surfe era apenas o começo de uma guerra onde o amor e a rivalidade caminhavam lado a lado na mesma prancha.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic