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Fandom: The vampire diaries

Criado: 11/07/2026

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Entre Curativos e Confissões

O sol de Mystic Falls começava a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e roxo que pareciam saídos de uma pintura a óleo. No campo de futebol da escola, o treino havia acabado de encerrar, mas o som das chuteiras batendo no gramado ainda ecoava. Augusto, o capitão do time, retirou o capacete, passando a mão pelos cabelos suados. Ele era o tipo de rapaz que atraía olhares por onde passava — não apenas pelo porte atlético, mas pela inteligência aguçada que demonstrava nas aulas de história e pela lealdade inabalável aos amigos. No entanto, seus olhos castanhos só buscavam uma pessoa naquela arquibancada.

Isabel estava lá, como sempre, com um livro no colo e um sorriso pronto para quem passasse. Ela era a definição de luz: falante, carinhosa e dona de uma beleza que parecia brilhar de dentro para fora. Augusto a amava em segredo há meses, um sentimento que crescia a cada conversa intelectual que compartilhavam ou a cada vez que ela o repreendia por ser "responsável demais". Isabel não era fácil de conquistar; ela valorizava a independência e tinha um radar infalível para garotos que só queriam status. Para ganhar o coração dela, era preciso alma.

O treino terminou e Isabel se levantou, acenando para ele. Ela começou a descer os degraus da arquibancada com sua energia habitual, gesticulando enquanto falava com uma amiga. Foi então que aconteceu. Um passo em falso, um tropeço em uma mochila esquecida no degrau, e Isabel caiu.

Augusto nem pensou. Ele atravessou o campo em uma velocidade que faria qualquer olheiro da NFL babar.

— Isabel! — gritou ele, chegando ao pé da arquibancada no exato momento em que ela tentava se levantar, fazendo uma careta de dor.

— Ai, droga... — resmungou ela, segurando o tornozelo. — Eu e minha mania de falar com as mãos enquanto ando. O chão decidiu me abraçar, Augusto.

Ele se ajoelhou na frente dela, a expressão carregada de uma preocupação que ia muito além da camaradagem.

— Deixe-me ver isso. — Ele tocou o pé dela com uma delicadeza surpreendente para alguém com mãos tão grandes. — Está inchando rápido. Você não vai conseguir andar até o estacionamento.

— Ora, eu sou forte, capitão. — Isabel tentou sorrir, mas um gemido de dor escapou quando ela tentou apoiar o peso. — Talvez eu precise de um pouco de drama para a minha biografia.

— Nada de biografia hoje. — Augusto a olhou nos olhos, e por um segundo, o mundo ao redor, com os outros jogadores gritando e o vento frio, desapareceu. — Eu vou levar você para casa e cuidar disso. Sem discussões.

— Você é sempre tão mandão quando está no modo "responsável", sabia? — Isabel brincou, embora suas bochechas tivessem ganhado um tom rosado que nada tinha a ver com a queda.

Augusto a pegou no colo com facilidade. Isabel instintivamente entrelaçou os braços no pescoço dele, sentindo o calor que emanava de seu corpo. O caminho até o carro dele foi feito em um silêncio confortável, quebrado apenas pela voz incessante de Isabel, que tentava disfarçar o nervosismo contando sobre como o professor de biologia quase explodiu um béquer naquela manhã.

Ao chegarem à casa dela, Augusto a acomodou no sofá da sala. Ele parecia conhecer cada canto daquela casa, movendo-se com agilidade para buscar gelo e uma atadura na cozinha.

— Você não precisa fazer tudo isso — disse ela, observando-o se ajoelhar novamente aos seus pés. — Eu tenho mãos, Augusto. E, tecnicamente, o tornozelo esquerdo ainda funciona.

— Mas o direito não. — Ele olhou para cima, fixando o olhar nela enquanto posicionava a bolsa de gelo. — E enquanto eu estiver por perto, você não precisa se preocupar com nada que doa.

Isabel sentiu um frio na barriga que não era causado pelo gelo. Ela sempre soube que Augusto era protetor, mas havia algo na intensidade do olhar dele naquela tarde que a desarmava. Ela sempre fora difícil de conquistar, sempre mantendo uma barreira de humor e conversas triviais para proteger o próprio coração, mas Augusto estava derrubando as defesas dela com gestos simples.

— Por que você é tão bom para mim? — perguntou ela, a voz subitamente baixa e séria.

Augusto parou o que estava fazendo. Ele segurou a mão dela por um momento, sentindo a pele macia contra a sua.

— Porque você é a pessoa mais incrível que eu já conheci, Isabel. — Ele fez uma pausa, buscando as palavras certas. — E porque ver você sofrer, mesmo que seja por um tropeço bobo, dói mais em mim do que em você.

Isabel piscou, surpresa com a honestidade crua dele.

— Isso soou muito como algo que um herói de livro diria antes do beijo final. — Ela tentou recuperar o tom brincalhão, mas sua voz falhou levemente.

— Talvez seja porque eu não estou interpretando um papel. — Augusto aproximou-se um pouco mais, o rosto a poucos centímetros do dela. — Eu faria qualquer coisa por você. Eu amo o jeito que você fala sem parar quando está animada, amo como você cuida de todo mundo e esquece de si mesma... E eu passaria o resto da vida cuidando desse tornozelo se isso significasse ter você por perto.

O silêncio que se seguiu não era pesado; era carregado de possibilidades. Isabel estudou o rosto dele — a determinação, a inteligência brilhando nos olhos e a vulnerabilidade que ele raramente mostrava a outros.

— Você sabe que eu não sou fácil, não sabe? — sussurrou ela. — Eu falo demais, eu sou teimosa e eu provavelmente vou te dar muito trabalho.

Augusto soltou uma risada curta e anasalada, um som que Isabel adorava.

— Eu sou o capitão do time, Isabel. Eu gosto de desafios. E você não é um trabalho... você é o prêmio que eu passei a temporada inteira esperando ganhar.

Isabel sorriu, um sorriso verdadeiro que iluminou o rosto dela como o sol que agora se escondia no horizonte.

— Bem... — começou ela, voltando ao seu tom falante e carinhoso —, nesse caso, acho que você deveria começar o seu trabalho de conquista me trazendo um chocolate quente. O gelo está frio e eu sinto que mereço um mimo.

Augusto levantou-se, mas antes de ir para a cozinha, curvou-se e beijou a testa dela com ternura.

— Seu desejo é uma ordem. Mas não pense que o chocolate quente é a única coisa que eu vou te dar.

— Ah, é? — Isabel arqueou uma sobrancelha, divertida. — O que mais, senhor capitão?

Augusto parou no batente da porta e olhou para trás com um sorriso de lado que a fez derreter.

— Todo o meu tempo. Toda a minha proteção. E, se você deixar, todo o amor que eu guardei esse tempo todo.

Ele saiu da sala, deixando Isabel sem palavras pela primeira vez na vida. Ela olhou para o tornozelo enfaixado e depois para a porta por onde ele saíra. Talvez, pensou ela, cair não tenha sido uma ideia tão ruim assim. Afinal, foi a queda que a fez perceber quem estaria lá para segurá-la todas as vezes.

Alguns minutos depois, o cheiro doce de chocolate começou a invadir a sala. Augusto voltou com duas canecas fumegantes e sentou-se no chão, ao lado do sofá, apoiando a cabeça perto do joelho dela.

— Aqui está. O melhor chocolate quente de Mystic Falls. — Ele entregou a caneca a ela.

— Obrigada, Augusto. — Ela tomou um gole, sentindo o calor descer pelo peito. — Sabe, eu estava pensando...

— Isso é perigoso — brincou ele.

— Cala a boca. — Ela riu, dando um tapinha de leve no ombro dele. — Eu estava pensando que você é muito bom nisso. Em cuidar das pessoas.

— Eu só sou bom em cuidar de você. — Ele olhou para ela com uma sinceridade que a fez perder o fôlego novamente. — Com os outros, eu sou apenas o Augusto. Com você, eu sinto que posso ser mais.

Isabel sentiu seu coração acelerar. Ela sempre fora a pessoa que falava, que preenchia os espaços vazios com palavras, mas naquele momento, ela percebeu que as ações de Augusto falavam muito mais alto do que qualquer frase bonita que ela pudesse formular.

— Augusto? — chamou ela suavemente.

— Sim?

— Você não precisa mais tentar tanto me conquistar.

O rosto dele caiu um pouco, a incerteza nublando seus olhos inteligentes por um breve segundo.

— Não?

— Não. — Isabel esticou a mão e acariciou o rosto dele, sentindo a leve aspereza da barba por fazer. — Porque eu acho que você já conseguiu.

O sorriso que se abriu no rosto de Augusto foi o mais radiante que ela já vira. Ele se inclinou para frente, e desta vez, o beijo não foi na testa. Foi um selinho demorado, doce e cheio de promessas, que selou o início de algo que nenhum dos dois pretendia deixar acabar tão cedo.

— Então — disse Augusto, quando se afastaram —, agora que somos oficiais, posso dizer que o seu tornozelo não está tão ruim assim?

Isabel riu, jogando a cabeça para trás.

— Você é um idiota! Eu ainda estou machucada!

— Eu sei, eu sei. — Ele riu junto, segurando a mão dela com força. — E eu vou continuar cuidando de você. Mas agora, eu tenho um motivo extra para não sair do seu lado.

E ali, na penumbra da sala, entre canecas de chocolate quente e curativos improvisados, Isabel percebeu que, embora fosse difícil de conquistar, valera a pena esperar por alguém que visse nela não apenas a beleza, mas a alma que ela tanto protegia. E Augusto, o capitão que sempre teve um plano para tudo, finalmente entendeu que o melhor plano de todos era simplesmente amar Isabel com tudo o que tinha.
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