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A noite que mudou tudo
Fandom: Dark
Criado: 11/07/2026
Tags
RomanceSombrioFantasiaOmegaversoAlmas GêmeasSuspenseCrimeNoir Gótico
A Sombra do Predador
A noite em Belgravia, um dos distritos mais aristocráticos e gélidos de Londres, tinha um brilho enganador. As luminárias vitorianas banhavam o asfalto úmido com uma luz âmbar, refletindo nas fachadas de mármore e nas janelas altas das mansões. Elisa caminhava apressada, o som de seus saltos batendo contra o chão ecoando como um metrônomo ansioso. Seus cabelos ruivos, uma cascata de cachos densos que desciam até a altura do quadril, balançavam a cada passo, contrastando com sua pele morena clara, que parecia brilhar sob o luar.
Ela sempre se sentira deslocada ali. Uma órfã que crescera entre as paredes frias de um orfanato religioso, Elisa agora tentava construir uma vida própria, trabalhando como assistente em uma galeria de arte de luxo. Mas, naquela noite, a sensação de deslocamento deu lugar a algo muito mais primitivo: o medo.
À medida que ela se afastava das avenidas principais e entrava nas ruas residenciais mais silenciosas, a iluminação começou a falhar. O bairro chique, antes acolhedor em sua opulência, tornou-se um labirinto de sombras. Elisa apertou o casaco contra o corpo, sentindo um arrepio que não vinha do vento frio de Londres.
Ela não estava sozinha.
O instinto, aguçado por anos de autossuficiência, gritava em seu ouvido. Elisa apressou o passo. Seus olhos castanhos buscavam qualquer sinal de movimento atrás de si. A cada dez metros, a luz de um poste morria, mergulhando o caminho em uma escuridão crescente. Ela olhou de relance por cima do ombro e o viu.
Um vulto alto, imenso, movendo-se com uma fluidez predatória. Ele não estava correndo, mas sua passada era tão larga que a distância entre eles diminuía a cada segundo.
O coração de Elisa disparou, martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado. A respiração tornou-se curta, o ar gelado queimando seus pulmões. Ela começou a correr. Seus cachos ruivos chicoteavam o ar enquanto ela dobrava uma esquina, depois outra. O pânico turvava sua visão. Ela precisava de ajuda, de uma porta aberta, de uma delegacia, de qualquer coisa.
Avistou uma entrada estreita entre dois prédios de tijolos escuros. Um beco. No calor do desespero, ela mergulhou na abertura, esperando encontrar uma saída para a rua paralela. Mas, após alguns metros de corrida frenética, seus pés pararam bruscamente.
À sua frente, uma parede de tijolos maciça, pichada e úmida. Sem saída.
Elisa girou sobre os calcanhares, o peito subindo e descendo em espasmos. Ele estava lá.
A figura bloqueava a entrada do beco, a silhueta preenchendo quase todo o espaço. Ele tinha pelo menos um metro e noventa e cinco de altura, os ombros largos e uma presença que parecia drenar todo o oxigênio do lugar. O que mais a aterrorizou, porém, foi o rosto. Ele usava uma máscara tática modificada, com traços que lembravam uma criatura bestial, algo saído de um pesadelo cinematográfico, mas que ali, na vida real, exalava uma aura de morte e autoridade.
Ele deu um passo à frente. Elisa deu um passo para trás, as costas batendo contra o tijolo frio da parede sem saída.
— Por favor... — a voz dela falhou, saindo como um sussurro quebrado.
O homem continuou avançando, lento e deliberado. Ele a estudava. Victor sabia exatamente quem ela era. Ele a observava há meses. Sabia que ela preferia chá de camomila a café, que lia romances clássicos no parque às terças-feiras e que guardava uma pequena foto desgastada do orfanato na carteira. Ele sabia o cheiro dela — uma mistura de baunilha e medo — que agora inundava seus sentidos de lobo, fazendo seu sangue ferver.
Ele parou a centímetros dela. O calor que emanava do corpo dele era surreal, contrastando com o frio da noite. Victor estendeu os braços, prendendo Elisa contra a parede, as mãos enluvadas apoiadas no tijolo, uma de cada lado da cabeça dela.
— Quem é você? — Elisa perguntou, a voz trêmula, as lágrimas começando a embaçar seus olhos. — Me solta! Por que está fazendo isso?
A respiração dela estava completamente descontrolada. Ela podia ver, através das fendas da máscara, olhos de um azul tão intenso que pareciam queimar, mas por um breve segundo, ela jurou ter visto um brilho dourado, algo inumano, cintilar ali dentro.
Victor não respondeu. Ele apenas a observava, fascinado pela forma como os cachos ruivos dela se espalhavam contra a parede escura e como sua pele chocolate parecia macia sob a luz fraca da lua que alcançava o beco. Ele era um predador, um alfa da máfia e uma fera por direito de sangue. E ela era sua obsessão.
— Você não tem ideia de quanto tempo eu esperei por este momento, Elisa — a voz dele saiu grave, uma vibração profunda que ela sentiu no próprio peito, embora ele falasse quase em um sussurro.
— Como sabe meu nome? — Ela tentou empurrá-lo, mas era como tentar mover uma montanha de músculos e aço. — Me deixa ir!
— Eu sei tudo sobre você, passarinho — disse ele, a mão direita descendo da parede para segurar o braço dela com uma firmeza possessiva, mas sem machucá-la. — Eu sei que você não tem ninguém. Ninguém para vir te buscar. Ninguém para sentir sua falta.
Elisa soluçou, o pânico atingindo o ápice. Ela tentou gritar, mas a mão dele, enluvada e forte, moveu-se com uma velocidade sobre-humana. Em um movimento fluido, Victor tirou um pano embebido em um líquido de odor adocicado e forte do bolso de seu sobretudo negro.
— Shhh... — ele murmurou, aproximando o rosto mascarado do pescoço dela, aspirando o perfume de sua pele uma última vez antes de agir. — Durma agora. Quando acordar, você estará onde sempre deveria ter estado. Comigo.
— Não... por favor... — Elisa lutou, virando o rosto, mas ele pressionou o pano contra seu nariz e boca com precisão.
Ela sentiu o mundo girar. Seus joelhos fraquejaram e a força abandonou seus membros. A última coisa que viu antes da escuridão total foram aqueles olhos azuis — agora definitivamente tingidos de um amarelo predatório e protetor — e a sensação de braços imensos e poderosos a envolvendo, impedindo-a de cair no chão sujo.
Victor a segurou com facilidade, acomodando o corpo pequeno e curvilíneo de Elisa contra seu peito maciço. Ele a pegou no colo, o peso dela sendo nada para sua força de lobo. Ele a apertou contra si, o rosto escondido na curva do pescoço dela, sentindo o batimento cardíaco da jovem diminuir enquanto o sedativo fazia efeito.
— Finalmente — rosnou ele para a noite silenciosa.
Ele saiu do beco com passos silenciosos, desaparecendo nas sombras de Londres com seu tesouro ruivo nos braços. A caçada havia terminado; agora, começava o cativeiro que ele chamaria de proteção.
Ela sempre se sentira deslocada ali. Uma órfã que crescera entre as paredes frias de um orfanato religioso, Elisa agora tentava construir uma vida própria, trabalhando como assistente em uma galeria de arte de luxo. Mas, naquela noite, a sensação de deslocamento deu lugar a algo muito mais primitivo: o medo.
À medida que ela se afastava das avenidas principais e entrava nas ruas residenciais mais silenciosas, a iluminação começou a falhar. O bairro chique, antes acolhedor em sua opulência, tornou-se um labirinto de sombras. Elisa apertou o casaco contra o corpo, sentindo um arrepio que não vinha do vento frio de Londres.
Ela não estava sozinha.
O instinto, aguçado por anos de autossuficiência, gritava em seu ouvido. Elisa apressou o passo. Seus olhos castanhos buscavam qualquer sinal de movimento atrás de si. A cada dez metros, a luz de um poste morria, mergulhando o caminho em uma escuridão crescente. Ela olhou de relance por cima do ombro e o viu.
Um vulto alto, imenso, movendo-se com uma fluidez predatória. Ele não estava correndo, mas sua passada era tão larga que a distância entre eles diminuía a cada segundo.
O coração de Elisa disparou, martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado. A respiração tornou-se curta, o ar gelado queimando seus pulmões. Ela começou a correr. Seus cachos ruivos chicoteavam o ar enquanto ela dobrava uma esquina, depois outra. O pânico turvava sua visão. Ela precisava de ajuda, de uma porta aberta, de uma delegacia, de qualquer coisa.
Avistou uma entrada estreita entre dois prédios de tijolos escuros. Um beco. No calor do desespero, ela mergulhou na abertura, esperando encontrar uma saída para a rua paralela. Mas, após alguns metros de corrida frenética, seus pés pararam bruscamente.
À sua frente, uma parede de tijolos maciça, pichada e úmida. Sem saída.
Elisa girou sobre os calcanhares, o peito subindo e descendo em espasmos. Ele estava lá.
A figura bloqueava a entrada do beco, a silhueta preenchendo quase todo o espaço. Ele tinha pelo menos um metro e noventa e cinco de altura, os ombros largos e uma presença que parecia drenar todo o oxigênio do lugar. O que mais a aterrorizou, porém, foi o rosto. Ele usava uma máscara tática modificada, com traços que lembravam uma criatura bestial, algo saído de um pesadelo cinematográfico, mas que ali, na vida real, exalava uma aura de morte e autoridade.
Ele deu um passo à frente. Elisa deu um passo para trás, as costas batendo contra o tijolo frio da parede sem saída.
— Por favor... — a voz dela falhou, saindo como um sussurro quebrado.
O homem continuou avançando, lento e deliberado. Ele a estudava. Victor sabia exatamente quem ela era. Ele a observava há meses. Sabia que ela preferia chá de camomila a café, que lia romances clássicos no parque às terças-feiras e que guardava uma pequena foto desgastada do orfanato na carteira. Ele sabia o cheiro dela — uma mistura de baunilha e medo — que agora inundava seus sentidos de lobo, fazendo seu sangue ferver.
Ele parou a centímetros dela. O calor que emanava do corpo dele era surreal, contrastando com o frio da noite. Victor estendeu os braços, prendendo Elisa contra a parede, as mãos enluvadas apoiadas no tijolo, uma de cada lado da cabeça dela.
— Quem é você? — Elisa perguntou, a voz trêmula, as lágrimas começando a embaçar seus olhos. — Me solta! Por que está fazendo isso?
A respiração dela estava completamente descontrolada. Ela podia ver, através das fendas da máscara, olhos de um azul tão intenso que pareciam queimar, mas por um breve segundo, ela jurou ter visto um brilho dourado, algo inumano, cintilar ali dentro.
Victor não respondeu. Ele apenas a observava, fascinado pela forma como os cachos ruivos dela se espalhavam contra a parede escura e como sua pele chocolate parecia macia sob a luz fraca da lua que alcançava o beco. Ele era um predador, um alfa da máfia e uma fera por direito de sangue. E ela era sua obsessão.
— Você não tem ideia de quanto tempo eu esperei por este momento, Elisa — a voz dele saiu grave, uma vibração profunda que ela sentiu no próprio peito, embora ele falasse quase em um sussurro.
— Como sabe meu nome? — Ela tentou empurrá-lo, mas era como tentar mover uma montanha de músculos e aço. — Me deixa ir!
— Eu sei tudo sobre você, passarinho — disse ele, a mão direita descendo da parede para segurar o braço dela com uma firmeza possessiva, mas sem machucá-la. — Eu sei que você não tem ninguém. Ninguém para vir te buscar. Ninguém para sentir sua falta.
Elisa soluçou, o pânico atingindo o ápice. Ela tentou gritar, mas a mão dele, enluvada e forte, moveu-se com uma velocidade sobre-humana. Em um movimento fluido, Victor tirou um pano embebido em um líquido de odor adocicado e forte do bolso de seu sobretudo negro.
— Shhh... — ele murmurou, aproximando o rosto mascarado do pescoço dela, aspirando o perfume de sua pele uma última vez antes de agir. — Durma agora. Quando acordar, você estará onde sempre deveria ter estado. Comigo.
— Não... por favor... — Elisa lutou, virando o rosto, mas ele pressionou o pano contra seu nariz e boca com precisão.
Ela sentiu o mundo girar. Seus joelhos fraquejaram e a força abandonou seus membros. A última coisa que viu antes da escuridão total foram aqueles olhos azuis — agora definitivamente tingidos de um amarelo predatório e protetor — e a sensação de braços imensos e poderosos a envolvendo, impedindo-a de cair no chão sujo.
Victor a segurou com facilidade, acomodando o corpo pequeno e curvilíneo de Elisa contra seu peito maciço. Ele a pegou no colo, o peso dela sendo nada para sua força de lobo. Ele a apertou contra si, o rosto escondido na curva do pescoço dela, sentindo o batimento cardíaco da jovem diminuir enquanto o sedativo fazia efeito.
— Finalmente — rosnou ele para a noite silenciosa.
Ele saiu do beco com passos silenciosos, desaparecendo nas sombras de Londres com seu tesouro ruivo nos braços. A caçada havia terminado; agora, começava o cativeiro que ele chamaria de proteção.
