
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Dia
Fandom: Magi
Criado: 11/07/2026
Tags
RomanceDramaDor/ConfortoFatias de VidaHistória DomésticaDetetiveCrimeCiúmesSuspense
Sombras do Passado e Vizinhos Indesejados
A tarde passou em um piscar de olhos, mas com uma estranha sensação de peso que eu não conseguia explicar. Tentei me distrair lendo alguns prontuários e assistindo a um documentário, mas a conversa matinal com Giovanna ecoava na minha mente. Aquele tom de voz dela... havia algo que ela não estava me contando.
Quando o sol começou a se pôr, pintando o céu de Magnostadt com tons de laranja e violeta, ouvi o barulho do carro dela estacionando. Senti um alívio imediato. Levantei-me do sofá e fui até a porta, mas parei antes de abrir. Eu queria fazer uma surpresa, talvez um abraço por trás assim que ela entrasse.
No entanto, quando Giovanna passou pela porta, ela não parecia a mulher vibrante de sempre. Ela estava pálida, com os ombros tensos e, para minha surpresa, ostentava um curativo impecável no antebraço esquerdo. Um curativo técnico demais para alguém que costuma apenas colocar um band-aid e seguir em frente.
— Oi, meu amor — disse ela, tentando sorrir, mas o cansaço em seus olhos era evidente. Ela deixou as chaves sobre o aparador e veio em minha direção para um beijo rápido.
— Oi... — respondi, segurando o braço dela com delicadeza. — O que é isso, Gio? Você se machucou na delegacia?
Ela olhou para o curativo e deu de ombros, desviando o olhar por um segundo.
— Ah, foi uma bobagem. Um arquivo de metal estava com uma ponta solta e eu acabei raspando o braço. Mas está tudo bem, uma pessoa me ajudou a limpar.
— Uma pessoa? — Arqueei a sobrancelha. Como médica, eu conhecia aquele tipo de bandagem. Era uma sutura de aproximação feita com fita micropore, algo que só alguém com mãos treinadas faria. — Quem fez esse curativo, Giovanna? Está perfeito demais para ter sido feito por um policial no meio do plantão.
— Foi uma vizinha — ela respondeu, tentando parecer casual enquanto caminhava em direção à cozinha para pegar água. — Eu estava chegando e ela estava saindo, viu que eu estava sangrando um pouco e insistiu em ajudar. Sabe como é, cortesia de vizinhança.
Eu a segui, sentindo uma pontinha de irritação que eu não sabia de onde vinha.
— Vizinha? Desde quando você tem vizinhos tão prestativos que carregam um kit de primeiros socorros profissional no carro?
Antes que ela pudesse responder, a campainha tocou. Três toques curtos e insistentes.
Giovanna suspirou, fechando os olhos por um momento como se estivesse prevendo um desastre.
— Deve ser ela — murmurou Giovanna.
Eu fui até a porta antes dela. Quando abri, meu sangue gelou e, logo em seguida, ferveu. Parada ali, com um sorriso presunçoso e uma chave de carro na mão, estava Júlia. A Dra. Júlia Vasconcelos. A mesma mulher que vivia tentando me diminuir nas reuniões do hospital e que, não era segredo para ninguém, tinha um interesse pouco profissional na "inspetora bonitona" que ocasionalmente aparecia para buscar a namorada.
— Oh... Maya? — Júlia fingiu surpresa, embora seus olhos brilhassem com uma malícia evidente. — Eu não sabia que você estava aqui. Quer dizer, eu sabia que vocês estavam... juntas, mas não achei que fosse algo tão doméstico.
— O que você está fazendo na minha porta, Júlia? — perguntei, minha voz saindo mais fria do que eu pretendia.
— Na verdade, eu moro no 402, logo ali — ela apontou para o apartamento vizinho com um gesto displicente. — E eu vim pedir um favor para a Giovanna. Meu carro deu problema na bateria de novo, e como ela foi tão gentil em me deixar ajudá-la com aquele corte horrível mais cedo... achei que ela não se importaria de me dar uma carga.
Giovanna apareceu logo atrás de mim, colocando a mão no meu ombro. Eu senti a tensão dela, mas eu estava ocupada demais processando a informação de que a mulher que eu mais detestava no trabalho era vizinha de porta da minha namorada.
— Júlia, agora não é um bom momento — disse Giovanna, o tom firme, mas educado.
— Ah, qual é, Gio? — Júlia usou o apelido, e eu senti um estalo no meu peito. — É rapidinho. Eu prometo que não mordo... a menos que você peça.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Eu me virei para Giovanna, ignorando Júlia por um segundo.
— "Gio"? Ela te chama de "Gio" agora? E desde quando você é o socorro mecânico dela?
— Maya, calma — Giovanna pediu baixinho, mas Júlia interrompeu com uma risadinha.
— Não precisa ficar com ciúmes, Maya. Eu só estava cuidando da sua namorada enquanto você não estava. Aquele corte no braço dela... ela é tão durona, nem reclamou enquanto eu limpava a pele dela. Ela tem uma resistência à dor fascinante, não acha?
Eu dei um passo à frente, cruzando os braços. A gravidez estava me deixando mais sensível, sim, mas aquilo era puro instinto de preservação.
— Escuta aqui, Júlia. Se o seu carro está com problema, ligue para o seguro. A Giovanna teve um dia exaustivo resolvendo problemas reais na delegacia, e a última coisa que ela precisa é brincar de mecânica com alguém que claramente esqueceu o significado de ética profissional e limites pessoais.
Júlia arqueou as sobrancelhas, parecendo se divertir com a minha reação.
— Nossa, os hormônios estão à flor da pele, hein? Cuidado, Maya, estresse não faz bem para o bebê.
O rosto de Giovanna mudou instantaneamente. A "autoridade gentil" desapareceu, dando lugar à inspetora que não aceitava desaforo. Ela se colocou entre mim e a porta.
— Chega, Júlia. Vá para o seu apartamento agora. Se eu vir você importunando a Maya ou rondando a minha porta com desculpas esfarrapadas de novo, vamos ter um problema que não vai ser resolvido com "cortesia de vizinhança". Fui clara?
Júlia murchou um pouco sob o olhar gélido de Giovanna. Ela deu um passo para trás, bufando.
— Credo, que mau humor. Só estava tentando ser amigável. Boa noite para vocês... se é que é possível com tanta tensão.
Ela se virou e caminhou pelo corredor, o som dos seus saltos ecoando até que a porta do 402 se fechasse com força.
Giovanna fechou a nossa porta e trancou. O silêncio na sala era pesado. Eu me sentei no sofá, sentindo meu coração batendo rápido demais.
— Então é isso? — perguntei, olhando para o nada. — Ela mora ao lado. Ela cuidou de você. E você nem me contou que ela era sua vizinha.
Giovanna se ajoelhou na minha frente, pegando minhas mãos.
— Maya, eu juro por tudo que eu mais amo que eu não sabia que ela era médica no seu hospital até semana passada. Eu quase não fico em casa, você sabe. E sobre o curativo... eu cheguei sangrando, ela estava no corredor e praticamente me arrastou para o lado para limpar. Eu só queria entrar e ver você. Não queria começar uma briga ou te preocupar com bobagem.
— Não é bobagem, Giovanna! — exclamei, sentindo as lágrimas arderem. — Ela me odeia. Ela passa o dia tentando me sabotar no hospital e agora descobri que ela fica dando em cima de você no corredor de casa?
— Ela não significa nada — afirmou Giovanna, apertando minhas mãos com força. — Nada. Você é a mulher da minha vida. Você carrega nosso futuro. A Júlia é só um ruído de fundo, um incômodo que eu vou tratar de neutralizar.
Eu suspirei, deixando minha cabeça cair no ombro dela. O cheiro de Giovanna, uma mistura de sândalo e o cansaço do dia, começou a me acalmar, mas a semente da dúvida sobre o que tinha acontecido na delegacia ainda estava lá.
— Por que você estava tão estranha no telefone hoje? — perguntei em voz baixa. — E por que se machucou? Foi o Christopher, não foi?
Giovanna ficou rígida. Ela sabia que não podia mentir para mim por muito tempo.
— O caso está avançando, Maya. O tribunal quer depoimentos. Eles querem que você e a Ana Clara falem.
Eu me afastei um pouco para olhar nos olhos dela.
— Eu não tenho medo de falar a verdade sobre o que ele fez.
— Mas eu tenho medo do que ele vai fazer com a sua verdade — Giovanna confessou, a voz falhando pela primeira vez. — Ele quer usar a nossa relação, a sua gravidez... ele quer transformar você na vilã para se livrar da culpa. E eu não vou deixar. Eu prefiro que esse caso desmorone a ver você sendo humilhada por aquele canalha.
Eu levei a mão ao rosto dela, acariciando a cicatriz leve que ela tinha perto da têmpora.
— Nós vamos enfrentar isso juntas, Gio. Mas sem segredos. Nem sobre o Christopher, nem sobre vizinhas inconvenientes.
Giovanna esboçou um sorriso fraco e me puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no meu pescoço.
— Sem segredos. Eu prometo. E amanhã mesmo eu vou falar com o síndico. Se a Júlia aparecer a menos de dois metros da nossa porta, eu juro que peço uma medida protetiva por importunação.
Eu ri baixinho, sentindo a tensão finalmente se dissipar.
— Você é exagerada.
— Sou protetora — corrigiu ela, dando um beijo na ponta do meu nariz. — Agora, chega de falar de gente que não presta. Você comeu tudo o que eu deixei?
— Comi, senhora inspetora. Mas agora eu quero outra coisa.
— O quê?
— Que você tire esse curativo que a Júlia fez e deixe que eu faça um novo. Do meu jeito.
Giovanna sorriu, os olhos brilhando com aquele amor profundo que sempre me desarmava.
— Sim, doutora. Sou todo seu.
Naquela noite, enquanto eu refazia o curativo no braço dela, o mundo lá fora parecia perigoso e incerto. Christopher era uma sombra ameaçadora e Júlia era uma pedra no sapato, mas ali, naquele pequeno refúgio que havíamos construído, eu sabia que nada poderia nos derrubar enquanto estivéssemos do mesmo lado.
Depois de terminar, deitei minha cabeça em seu peito e ouvi o ritmo constante do seu coração.
— Gio? — chamei baixinho, quase pegando no sono.
— Oi, meu amor.
— Se ela bater na porta de novo pedindo carga na bateria...
— Eu sei — interrompeu ela, rindo. — Eu mando ela ligar para o guincho.
— Bom mesmo.
Dormimos abraçadas, protegidas pelo silêncio da noite, prontas para as batalhas que o tribunal — e a vizinhança — nos reservariam na manhã seguinte.
Quando o sol começou a se pôr, pintando o céu de Magnostadt com tons de laranja e violeta, ouvi o barulho do carro dela estacionando. Senti um alívio imediato. Levantei-me do sofá e fui até a porta, mas parei antes de abrir. Eu queria fazer uma surpresa, talvez um abraço por trás assim que ela entrasse.
No entanto, quando Giovanna passou pela porta, ela não parecia a mulher vibrante de sempre. Ela estava pálida, com os ombros tensos e, para minha surpresa, ostentava um curativo impecável no antebraço esquerdo. Um curativo técnico demais para alguém que costuma apenas colocar um band-aid e seguir em frente.
— Oi, meu amor — disse ela, tentando sorrir, mas o cansaço em seus olhos era evidente. Ela deixou as chaves sobre o aparador e veio em minha direção para um beijo rápido.
— Oi... — respondi, segurando o braço dela com delicadeza. — O que é isso, Gio? Você se machucou na delegacia?
Ela olhou para o curativo e deu de ombros, desviando o olhar por um segundo.
— Ah, foi uma bobagem. Um arquivo de metal estava com uma ponta solta e eu acabei raspando o braço. Mas está tudo bem, uma pessoa me ajudou a limpar.
— Uma pessoa? — Arqueei a sobrancelha. Como médica, eu conhecia aquele tipo de bandagem. Era uma sutura de aproximação feita com fita micropore, algo que só alguém com mãos treinadas faria. — Quem fez esse curativo, Giovanna? Está perfeito demais para ter sido feito por um policial no meio do plantão.
— Foi uma vizinha — ela respondeu, tentando parecer casual enquanto caminhava em direção à cozinha para pegar água. — Eu estava chegando e ela estava saindo, viu que eu estava sangrando um pouco e insistiu em ajudar. Sabe como é, cortesia de vizinhança.
Eu a segui, sentindo uma pontinha de irritação que eu não sabia de onde vinha.
— Vizinha? Desde quando você tem vizinhos tão prestativos que carregam um kit de primeiros socorros profissional no carro?
Antes que ela pudesse responder, a campainha tocou. Três toques curtos e insistentes.
Giovanna suspirou, fechando os olhos por um momento como se estivesse prevendo um desastre.
— Deve ser ela — murmurou Giovanna.
Eu fui até a porta antes dela. Quando abri, meu sangue gelou e, logo em seguida, ferveu. Parada ali, com um sorriso presunçoso e uma chave de carro na mão, estava Júlia. A Dra. Júlia Vasconcelos. A mesma mulher que vivia tentando me diminuir nas reuniões do hospital e que, não era segredo para ninguém, tinha um interesse pouco profissional na "inspetora bonitona" que ocasionalmente aparecia para buscar a namorada.
— Oh... Maya? — Júlia fingiu surpresa, embora seus olhos brilhassem com uma malícia evidente. — Eu não sabia que você estava aqui. Quer dizer, eu sabia que vocês estavam... juntas, mas não achei que fosse algo tão doméstico.
— O que você está fazendo na minha porta, Júlia? — perguntei, minha voz saindo mais fria do que eu pretendia.
— Na verdade, eu moro no 402, logo ali — ela apontou para o apartamento vizinho com um gesto displicente. — E eu vim pedir um favor para a Giovanna. Meu carro deu problema na bateria de novo, e como ela foi tão gentil em me deixar ajudá-la com aquele corte horrível mais cedo... achei que ela não se importaria de me dar uma carga.
Giovanna apareceu logo atrás de mim, colocando a mão no meu ombro. Eu senti a tensão dela, mas eu estava ocupada demais processando a informação de que a mulher que eu mais detestava no trabalho era vizinha de porta da minha namorada.
— Júlia, agora não é um bom momento — disse Giovanna, o tom firme, mas educado.
— Ah, qual é, Gio? — Júlia usou o apelido, e eu senti um estalo no meu peito. — É rapidinho. Eu prometo que não mordo... a menos que você peça.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Eu me virei para Giovanna, ignorando Júlia por um segundo.
— "Gio"? Ela te chama de "Gio" agora? E desde quando você é o socorro mecânico dela?
— Maya, calma — Giovanna pediu baixinho, mas Júlia interrompeu com uma risadinha.
— Não precisa ficar com ciúmes, Maya. Eu só estava cuidando da sua namorada enquanto você não estava. Aquele corte no braço dela... ela é tão durona, nem reclamou enquanto eu limpava a pele dela. Ela tem uma resistência à dor fascinante, não acha?
Eu dei um passo à frente, cruzando os braços. A gravidez estava me deixando mais sensível, sim, mas aquilo era puro instinto de preservação.
— Escuta aqui, Júlia. Se o seu carro está com problema, ligue para o seguro. A Giovanna teve um dia exaustivo resolvendo problemas reais na delegacia, e a última coisa que ela precisa é brincar de mecânica com alguém que claramente esqueceu o significado de ética profissional e limites pessoais.
Júlia arqueou as sobrancelhas, parecendo se divertir com a minha reação.
— Nossa, os hormônios estão à flor da pele, hein? Cuidado, Maya, estresse não faz bem para o bebê.
O rosto de Giovanna mudou instantaneamente. A "autoridade gentil" desapareceu, dando lugar à inspetora que não aceitava desaforo. Ela se colocou entre mim e a porta.
— Chega, Júlia. Vá para o seu apartamento agora. Se eu vir você importunando a Maya ou rondando a minha porta com desculpas esfarrapadas de novo, vamos ter um problema que não vai ser resolvido com "cortesia de vizinhança". Fui clara?
Júlia murchou um pouco sob o olhar gélido de Giovanna. Ela deu um passo para trás, bufando.
— Credo, que mau humor. Só estava tentando ser amigável. Boa noite para vocês... se é que é possível com tanta tensão.
Ela se virou e caminhou pelo corredor, o som dos seus saltos ecoando até que a porta do 402 se fechasse com força.
Giovanna fechou a nossa porta e trancou. O silêncio na sala era pesado. Eu me sentei no sofá, sentindo meu coração batendo rápido demais.
— Então é isso? — perguntei, olhando para o nada. — Ela mora ao lado. Ela cuidou de você. E você nem me contou que ela era sua vizinha.
Giovanna se ajoelhou na minha frente, pegando minhas mãos.
— Maya, eu juro por tudo que eu mais amo que eu não sabia que ela era médica no seu hospital até semana passada. Eu quase não fico em casa, você sabe. E sobre o curativo... eu cheguei sangrando, ela estava no corredor e praticamente me arrastou para o lado para limpar. Eu só queria entrar e ver você. Não queria começar uma briga ou te preocupar com bobagem.
— Não é bobagem, Giovanna! — exclamei, sentindo as lágrimas arderem. — Ela me odeia. Ela passa o dia tentando me sabotar no hospital e agora descobri que ela fica dando em cima de você no corredor de casa?
— Ela não significa nada — afirmou Giovanna, apertando minhas mãos com força. — Nada. Você é a mulher da minha vida. Você carrega nosso futuro. A Júlia é só um ruído de fundo, um incômodo que eu vou tratar de neutralizar.
Eu suspirei, deixando minha cabeça cair no ombro dela. O cheiro de Giovanna, uma mistura de sândalo e o cansaço do dia, começou a me acalmar, mas a semente da dúvida sobre o que tinha acontecido na delegacia ainda estava lá.
— Por que você estava tão estranha no telefone hoje? — perguntei em voz baixa. — E por que se machucou? Foi o Christopher, não foi?
Giovanna ficou rígida. Ela sabia que não podia mentir para mim por muito tempo.
— O caso está avançando, Maya. O tribunal quer depoimentos. Eles querem que você e a Ana Clara falem.
Eu me afastei um pouco para olhar nos olhos dela.
— Eu não tenho medo de falar a verdade sobre o que ele fez.
— Mas eu tenho medo do que ele vai fazer com a sua verdade — Giovanna confessou, a voz falhando pela primeira vez. — Ele quer usar a nossa relação, a sua gravidez... ele quer transformar você na vilã para se livrar da culpa. E eu não vou deixar. Eu prefiro que esse caso desmorone a ver você sendo humilhada por aquele canalha.
Eu levei a mão ao rosto dela, acariciando a cicatriz leve que ela tinha perto da têmpora.
— Nós vamos enfrentar isso juntas, Gio. Mas sem segredos. Nem sobre o Christopher, nem sobre vizinhas inconvenientes.
Giovanna esboçou um sorriso fraco e me puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no meu pescoço.
— Sem segredos. Eu prometo. E amanhã mesmo eu vou falar com o síndico. Se a Júlia aparecer a menos de dois metros da nossa porta, eu juro que peço uma medida protetiva por importunação.
Eu ri baixinho, sentindo a tensão finalmente se dissipar.
— Você é exagerada.
— Sou protetora — corrigiu ela, dando um beijo na ponta do meu nariz. — Agora, chega de falar de gente que não presta. Você comeu tudo o que eu deixei?
— Comi, senhora inspetora. Mas agora eu quero outra coisa.
— O quê?
— Que você tire esse curativo que a Júlia fez e deixe que eu faça um novo. Do meu jeito.
Giovanna sorriu, os olhos brilhando com aquele amor profundo que sempre me desarmava.
— Sim, doutora. Sou todo seu.
Naquela noite, enquanto eu refazia o curativo no braço dela, o mundo lá fora parecia perigoso e incerto. Christopher era uma sombra ameaçadora e Júlia era uma pedra no sapato, mas ali, naquele pequeno refúgio que havíamos construído, eu sabia que nada poderia nos derrubar enquanto estivéssemos do mesmo lado.
Depois de terminar, deitei minha cabeça em seu peito e ouvi o ritmo constante do seu coração.
— Gio? — chamei baixinho, quase pegando no sono.
— Oi, meu amor.
— Se ela bater na porta de novo pedindo carga na bateria...
— Eu sei — interrompeu ela, rindo. — Eu mando ela ligar para o guincho.
— Bom mesmo.
Dormimos abraçadas, protegidas pelo silêncio da noite, prontas para as batalhas que o tribunal — e a vizinhança — nos reservariam na manhã seguinte.
