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Herdeiros do Império
Fandom: Original (Dark Romance)
Criado: 11/07/2026
Tags
DramaAngústiaSombrioAçãoSuspenseCrimePsicológicoTragédiaNoir GóticoMistérioSobrevivência
Sombras sob o Berço de Ouro
A atmosfera na mansão Morningstar havia mudado. O que antes era um silêncio reverencial, quebrado apenas pelo som dos passos dos seguranças ou pelo tilintar de cristais, agora era preenchido pelo choro suave de Theodore e pelas patadas rítmicas de Atlas nos corredores de mármore. No entanto, o ar parecia ter ficado mais denso, como se a própria estrutura da casa estivesse prendendo a respiração.
Era tarde da noite quando Azazel se encontrou no escritório, a luz de um único abajur projetando sombras longas contra as estantes de livros raros. À sua frente, Damian Cross e Adrian Hayes mantinham posturas rígidas.
— Os relatórios de inteligência confirmam, senhor — disse Damian, sua voz baixa e monocórdica. — Houve uma movimentação atípica nas contas fantasmas ligadas aos Volkov. Não é apenas ruído. Estão testando nossas defesas periféricas.
Azazel apertou a ponte do nariz, os olhos injetados de sangue pelo cansaço, mas o brilho de frieza calculista ainda estava lá.
— Anastasia? — O nome da ex-esposa saiu como um veneno de seus lábios.
— Não temos confirmação direta de que seja ela — interveio Adrian, cruzando os braços sobre o peito largo. — Mas a sofisticação dos ataques cibernéticos aos nossos servidores de logística sugere alguém que conhece a arquitetura interna dos Morningstar. Alguém que já esteve do lado de dentro.
Azazel levantou-se, caminhando até a janela que dava para os jardins vastos e escuros. Lá fora, a silhueta de Ethan Brooks podia ser vista patrulhando o perímetro leste.
— Eles não querem apenas o dinheiro — murmurou Azazel, mais para si mesmo do que para os homens. — Eles querem o que o nascimento de Theodore representa. Estabilidade. Continuidade. A prova de que eu não sou mais apenas um soldado, mas um patriarca.
— O senhor quer que aumentemos a escolta de Belle? — perguntou Damian.
— Quero que ela nem perceba que está sendo vigiada por um exército — ordenou Azazel, virando-se com um olhar que faria homens comuns tremerem. — Se ela sentir medo, eu falhei. Mas se um único fio de cabelo dela ou do meu filho for tocado, eu não quero prisioneiros. Quero exemplos.
Enquanto isso, no andar de cima, Belle estava sentada na poltrona de amamentação, observando o peito de Theodore subir e descer em um sono profundo. O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pela luz noturna em forma de estrela. Evelyn Hart, a babá, estava encostada no batente da porta, observando a cena com um sorriso melancólico.
— Ele tem os olhos do pai, mas a paz é toda sua, Belle — disse Evelyn, entrando silenciosamente no quarto.
— Às vezes eu sinto que essa paz é um empréstimo, Evelyn — confessou Belle, ajeitando a manta de lã pura sobre o bebê. — Sinto que as paredes desta casa estão ficando mais estreitas. Azazel está mais tenso. Ele acha que não percebo, mas eu vejo o jeito que ele olha para as câmeras de segurança.
Evelyn aproximou-se e colocou uma mão reconfortante no ombro de Belle.
— Homens como Azazel Morningstar não sabem amar sem proteger. Para ele, o amor é uma guerra. Você trouxe luz para este lugar, mas a luz sempre atrai sombras.
— Eu só queria que ele fosse apenas um bebê — sussurrou Belle, as lágrimas ameaçando cair. — Não um herdeiro. Não um alvo.
De repente, um rosnado baixo vindo do canto do quarto interrompeu a conversa. Atlas, o Golden Retriever que geralmente era a personificação da docilidade, estava de pé junto à porta da varanda. Seus pelos estavam eriçados e ele emitia um som gutural, os olhos fixos na escuridão lá fora.
Belle sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
— Atlas? O que foi, garoto? — perguntou ela, a voz trêmula.
O cão não se moveu. Ele deu um passo à frente, posicionando-se entre o berço e a janela de vidro. Evelyn, agindo por instinto, caminhou rapidamente até o painel de controle na parede e acionou o trancamento eletrônico das persianas de aço. O som do metal descendo ecoou pelo quarto como um veredito.
— Fique calma — instruiu Evelyn, sua voz agora firme e autoritária, revelando a experiência de quem já vira muito naquela família. — Vou chamar o Damian.
Minutos depois, a mansão estava em polvorosa silenciosa. Não havia sirenes, apenas o som de comunicações via rádio e o clique de armas sendo destravadas. Azazel entrou no quarto como um furacão, indo direto para Belle, que segurava Theodore apertado contra o peito.
— Você está bem? — perguntou ele, segurando o rosto dela com as duas mãos. A frieza de minutos atrás havia desaparecido, substituída por uma angústia crua.
— Eu estou. O que está acontecendo, Azazel? O Atlas... ele sentiu algo.
Azazel olhou para o cão, que agora relaxava levemente, mas permanecia em alerta.
— Um drone de vigilância não autorizado foi abatido no perímetro sul — explicou Azazel, as palavras saindo curtas. — Alguém está tentando mapear a casa.
— Foi ela, não foi? — Belle perguntou, seus olhos encontrando os dele. — Anastasia.
Azazel não respondeu de imediato, e o silêncio foi a confirmação que Belle temia. Ele se virou para Damian, que apareceu na porta.
— Prepare o comboio. Vamos para a propriedade de Nikolai no norte ao amanhecer. É mais isolada e as defesas são mecanizadas.
— Não! — Belle exclamou, levantando-se. — Não podemos viver fugindo, Azazel. Theodore tem apenas semanas de vida. O seu pai... você sabe que ir para a casa de Nikolai significa aceitar que estamos em guerra total.
— Belle, nós *estamos* em guerra desde o momento em que você disse "sim" no altar — disse Azazel, sua voz subindo de tom. — E agora, o prêmio não sou eu. É ele.
Ele apontou para o bebê, que começava a se mexer, incomodado pela tensão no ambiente.
Naquela mesma noite, em um local não revelado em um hotel de luxo no centro de Chicago, Anastasia Volkov girava uma taça de vinho tinto entre os dedos longos e impecavelmente manicurados. À sua frente, fotos granuladas de Belle saindo da maternidade e de Azazel carregando a cadeirinha do bebê estavam espalhadas sobre uma mesa de mogno.
— Ele parece tão doméstico, não acha? — comentou ela para a figura nas sombras do quarto. — O grande lobo dos Morningstar agora troca fraldas. É quase patético.
— Ele está mais perigoso do que nunca, Anastasia — respondeu uma voz masculina, rouca. — Um homem que tem algo a perder luta com a ferocidade de um animal encurralado.
— Deixe que ele lute — disse ela, um sorriso cruel curvando seus lábios. — Eu não quero apenas matá-lo. Eu quero que ele veja o império que Nikolai construiu desmoronar sobre a cabeça daquela camponesa e do bastardo que ela pariu. Os Morningstar me devem um legado, e eu vou cobrar com juros de sangue.
De volta à mansão, a madrugada trouxe uma calmaria inquietante. Belle não conseguiu voltar a dormir. Ela estava na cozinha, preparando um chá para tentar acalmar os nervos, quando Phoebe Morningstar entrou no recinto. A mãe de Azazel parecia ter envelhecido dez anos naquela noite, mas sua elegância permanecia intacta.
— Você me lembra a Estelle agora — disse Phoebe, sentando-se à mesa. — Sua mãe também tinha esse olhar quando as coisas ficavam difíceis. Uma mistura de medo e uma força que ela nem sabia que possuía.
— Phoebe, como vocês aguentaram isso por tanto tempo? — Belle perguntou, as mãos envolvendo a xícara quente. — Essa vigilância constante, essa sensação de que cada sombra é um inimigo?
— Nós nos tornamos as sombras, Belle — respondeu Phoebe, com tristeza. — Nikolai e eu cometemos erros. Muitos erros. Achamos que o poder compraria a paz, mas o poder é apenas um alvo maior. O segredo que você precisa entender é que nesta família, a lealdade é a única moeda que não desvaloriza.
Phoebe fez uma pausa, olhando para a porta onde Adrian Hayes montava guarda.
— Há coisas sobre o passado de Nikolai e do pai de Anastasia que Azazel ainda não te contou. Alianças feitas no sangue que nunca foram totalmente pagas. Theodore é a promessa de um novo começo, mas para os nossos inimigos, ele é a última peça de uma vingança que começou antes mesmo de você nascer.
Belle sentiu o peso daquelas palavras. Ela não era apenas uma esposa e mãe; ela era a guardiã de uma linhagem que estava sendo caçada.
Ao amanhecer, o comboio de SUVs pretos estava alinhado no pátio. Damian e sua equipe moviam-se com precisão militar. Amelia Petrov, que havia sido avisada da situação, chegou à mansão às pressas, ignorando os protocolos de segurança para abraçar a amiga.
— Belle, eu ouvi... — começou Amelia, mas as palavras falharam ao ver o aparato de guerra montado. — Meu Deus, isso é sério, não é?
— É a nossa vida agora, Amelia — disse Belle, tentando manter a voz firme. — Por favor, tome cuidado. Se eles estão atrás de nós, podem tentar chegar aos nossos amigos.
— Eu sei me cuidar, Belle. Minha família não é exatamente composta por anjos, você sabe disso — Amelia respondeu, com um brilho de determinação nos olhos. — Mas você... prometa que não vai deixar que eles apaguem quem você é. Não se torne uma deles.
Belle olhou para Azazel, que estava ao telefone, dando ordens curtas e duras. Ele parecia uma estátua de gelo, o herdeiro implacável que o mundo conhecia. Mas então, ele olhou para ela e, por um breve segundo, a vulnerabilidade cruzou seu rosto.
— Eu vou tentar — prometeu Belle.
Enquanto entravam no carro blindado, Atlas saltou para o banco de trás, instalando-se aos pés de Belle e do bebê. O motor rugiu e o portão principal da mansão se abriu.
O trajeto para o norte foi feito em silêncio absoluto. Theodore dormia, alheio ao fato de que estava sendo transportado para uma fortaleza. Azazel segurava a mão de Belle, seus dedos apertando os dela com uma força que beirava a dor.
— Azazel — chamou ela suavemente.
— Sim?
— O que seu pai fez? O que é esse segredo que a Phoebe mencionou?
Azazel suspirou, olhando para a estrada à frente.
— Meu pai e o pai de Anastasia, Mikhail Volkov, eram sócios. Eles dividiram o país em territórios. Mas houve uma traição. Um carregamento que desapareceu e uma vida que foi tirada em troca. Mikhail morreu acreditando que meu pai o traiu. Anastasia cresceu com essa mentira alimentando seu ódio.
— E foi traição? — Belle perguntou, temendo a resposta.
Azazel olhou para ela, os olhos sombrios.
— Na nossa família, a verdade é uma questão de perspectiva, Belle. Mas o que importa agora é que Anastasia acredita ter um direito legítimo sobre tudo o que é meu. Incluindo o lugar que você ocupa.
Ao chegarem à propriedade de Nikolai, uma construção imponente isolada por florestas densas, o patriarca estava à espera. Nikolai Morningstar, com sua bengala de castão de prata e olhar penetrante, observou o neto ser retirado do carro.
— Ele é um Morningstar legítimo — declarou Nikolai, sua voz falhando levemente pela emoção. — Ele tem o porte.
— Ele tem um nome que o coloca em perigo, pai — retrucou Azazel, passando pelo pai sem parar. — Vamos entrar. Temos muito o que discutir sobre os Volkov.
Dentro da fortaleza, enquanto Evelyn acomodava Theodore em um novo berço, Belle caminhava pelos corredores repletos de retratos de antepassados que pareciam julgá-la. Ela parou diante de um quadro antigo, uma pintura de uma mulher que se parecia estranhamente com ela, mas com olhos cheios de uma tristeza infinita.
— Aquela foi a primeira Rosabelle — disse a voz de Nikolai atrás dela. — A irmã do meu avô. Ela foi o motivo da primeira guerra entre as famílias. A história tem o hábito irritante de se repetir, minha querida.
Belle virou-se para o sogro.
— Eu não sou uma pintura, Nikolai. E não vou deixar que meu filho seja uma vítima da sua história.
Nikolai deu um sorriso seco, quase de admiração.
— É por isso que Azazel a escolheu. Você tem o fogo que falta no gelo dele. Mas esteja avisada: o aviso que recebemos hoje foi apenas o começo. Eles não querem apenas Theodore. Eles querem que você o entregue.
O clima de tensão atingiu o ápice naquela noite quando, durante o jantar, um envelope de papel pardo foi entregue por um segurança. Damian o abriu com luvas, revelando o conteúdo.
Não havia carta. Apenas um sapatinho de bebê idêntico ao que Theodore estava usando naquela manhã, manchado com o que parecia ser tinta vermelha — ou sangue. E, junto a ele, um pingente antigo com o brasão dos Volkov.
Belle sentiu o estômago revirar, e a náusea a dominou. Azazel levantou-se tão rápido que a cadeira caiu para trás.
— Damian, Adrian... — a voz de Azazel era um trovão contido. — Encontrem quem entregou isso. Não me importa quantos corpos tenham que empilhar.
Ele caminhou até Belle e a puxou para um abraço apertado, mas seus olhos estavam fixos no pingente sobre a mesa. O jogo de sombras havia acabado. A caçada tinha começado oficialmente.
Enquanto a neve começava a cair do lado de fora da fortaleza no norte, Belle percebeu que a inocência de sua vida anterior havia morrido definitivamente. Theodore chorou no andar de cima, um som agudo que cortou o silêncio da sala. Atlas uivou em resposta, um som que parecia um lamento e um aviso.
O destino dos Morningstar estava agora intrinsecamente ligado a um passado que se recusava a permanecer enterrado, e o herdeiro, em seu berço de ouro e ferro, era a única coisa que mantinha o império unido — ou a peça que o faria explodir.
Era tarde da noite quando Azazel se encontrou no escritório, a luz de um único abajur projetando sombras longas contra as estantes de livros raros. À sua frente, Damian Cross e Adrian Hayes mantinham posturas rígidas.
— Os relatórios de inteligência confirmam, senhor — disse Damian, sua voz baixa e monocórdica. — Houve uma movimentação atípica nas contas fantasmas ligadas aos Volkov. Não é apenas ruído. Estão testando nossas defesas periféricas.
Azazel apertou a ponte do nariz, os olhos injetados de sangue pelo cansaço, mas o brilho de frieza calculista ainda estava lá.
— Anastasia? — O nome da ex-esposa saiu como um veneno de seus lábios.
— Não temos confirmação direta de que seja ela — interveio Adrian, cruzando os braços sobre o peito largo. — Mas a sofisticação dos ataques cibernéticos aos nossos servidores de logística sugere alguém que conhece a arquitetura interna dos Morningstar. Alguém que já esteve do lado de dentro.
Azazel levantou-se, caminhando até a janela que dava para os jardins vastos e escuros. Lá fora, a silhueta de Ethan Brooks podia ser vista patrulhando o perímetro leste.
— Eles não querem apenas o dinheiro — murmurou Azazel, mais para si mesmo do que para os homens. — Eles querem o que o nascimento de Theodore representa. Estabilidade. Continuidade. A prova de que eu não sou mais apenas um soldado, mas um patriarca.
— O senhor quer que aumentemos a escolta de Belle? — perguntou Damian.
— Quero que ela nem perceba que está sendo vigiada por um exército — ordenou Azazel, virando-se com um olhar que faria homens comuns tremerem. — Se ela sentir medo, eu falhei. Mas se um único fio de cabelo dela ou do meu filho for tocado, eu não quero prisioneiros. Quero exemplos.
Enquanto isso, no andar de cima, Belle estava sentada na poltrona de amamentação, observando o peito de Theodore subir e descer em um sono profundo. O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pela luz noturna em forma de estrela. Evelyn Hart, a babá, estava encostada no batente da porta, observando a cena com um sorriso melancólico.
— Ele tem os olhos do pai, mas a paz é toda sua, Belle — disse Evelyn, entrando silenciosamente no quarto.
— Às vezes eu sinto que essa paz é um empréstimo, Evelyn — confessou Belle, ajeitando a manta de lã pura sobre o bebê. — Sinto que as paredes desta casa estão ficando mais estreitas. Azazel está mais tenso. Ele acha que não percebo, mas eu vejo o jeito que ele olha para as câmeras de segurança.
Evelyn aproximou-se e colocou uma mão reconfortante no ombro de Belle.
— Homens como Azazel Morningstar não sabem amar sem proteger. Para ele, o amor é uma guerra. Você trouxe luz para este lugar, mas a luz sempre atrai sombras.
— Eu só queria que ele fosse apenas um bebê — sussurrou Belle, as lágrimas ameaçando cair. — Não um herdeiro. Não um alvo.
De repente, um rosnado baixo vindo do canto do quarto interrompeu a conversa. Atlas, o Golden Retriever que geralmente era a personificação da docilidade, estava de pé junto à porta da varanda. Seus pelos estavam eriçados e ele emitia um som gutural, os olhos fixos na escuridão lá fora.
Belle sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
— Atlas? O que foi, garoto? — perguntou ela, a voz trêmula.
O cão não se moveu. Ele deu um passo à frente, posicionando-se entre o berço e a janela de vidro. Evelyn, agindo por instinto, caminhou rapidamente até o painel de controle na parede e acionou o trancamento eletrônico das persianas de aço. O som do metal descendo ecoou pelo quarto como um veredito.
— Fique calma — instruiu Evelyn, sua voz agora firme e autoritária, revelando a experiência de quem já vira muito naquela família. — Vou chamar o Damian.
Minutos depois, a mansão estava em polvorosa silenciosa. Não havia sirenes, apenas o som de comunicações via rádio e o clique de armas sendo destravadas. Azazel entrou no quarto como um furacão, indo direto para Belle, que segurava Theodore apertado contra o peito.
— Você está bem? — perguntou ele, segurando o rosto dela com as duas mãos. A frieza de minutos atrás havia desaparecido, substituída por uma angústia crua.
— Eu estou. O que está acontecendo, Azazel? O Atlas... ele sentiu algo.
Azazel olhou para o cão, que agora relaxava levemente, mas permanecia em alerta.
— Um drone de vigilância não autorizado foi abatido no perímetro sul — explicou Azazel, as palavras saindo curtas. — Alguém está tentando mapear a casa.
— Foi ela, não foi? — Belle perguntou, seus olhos encontrando os dele. — Anastasia.
Azazel não respondeu de imediato, e o silêncio foi a confirmação que Belle temia. Ele se virou para Damian, que apareceu na porta.
— Prepare o comboio. Vamos para a propriedade de Nikolai no norte ao amanhecer. É mais isolada e as defesas são mecanizadas.
— Não! — Belle exclamou, levantando-se. — Não podemos viver fugindo, Azazel. Theodore tem apenas semanas de vida. O seu pai... você sabe que ir para a casa de Nikolai significa aceitar que estamos em guerra total.
— Belle, nós *estamos* em guerra desde o momento em que você disse "sim" no altar — disse Azazel, sua voz subindo de tom. — E agora, o prêmio não sou eu. É ele.
Ele apontou para o bebê, que começava a se mexer, incomodado pela tensão no ambiente.
Naquela mesma noite, em um local não revelado em um hotel de luxo no centro de Chicago, Anastasia Volkov girava uma taça de vinho tinto entre os dedos longos e impecavelmente manicurados. À sua frente, fotos granuladas de Belle saindo da maternidade e de Azazel carregando a cadeirinha do bebê estavam espalhadas sobre uma mesa de mogno.
— Ele parece tão doméstico, não acha? — comentou ela para a figura nas sombras do quarto. — O grande lobo dos Morningstar agora troca fraldas. É quase patético.
— Ele está mais perigoso do que nunca, Anastasia — respondeu uma voz masculina, rouca. — Um homem que tem algo a perder luta com a ferocidade de um animal encurralado.
— Deixe que ele lute — disse ela, um sorriso cruel curvando seus lábios. — Eu não quero apenas matá-lo. Eu quero que ele veja o império que Nikolai construiu desmoronar sobre a cabeça daquela camponesa e do bastardo que ela pariu. Os Morningstar me devem um legado, e eu vou cobrar com juros de sangue.
De volta à mansão, a madrugada trouxe uma calmaria inquietante. Belle não conseguiu voltar a dormir. Ela estava na cozinha, preparando um chá para tentar acalmar os nervos, quando Phoebe Morningstar entrou no recinto. A mãe de Azazel parecia ter envelhecido dez anos naquela noite, mas sua elegância permanecia intacta.
— Você me lembra a Estelle agora — disse Phoebe, sentando-se à mesa. — Sua mãe também tinha esse olhar quando as coisas ficavam difíceis. Uma mistura de medo e uma força que ela nem sabia que possuía.
— Phoebe, como vocês aguentaram isso por tanto tempo? — Belle perguntou, as mãos envolvendo a xícara quente. — Essa vigilância constante, essa sensação de que cada sombra é um inimigo?
— Nós nos tornamos as sombras, Belle — respondeu Phoebe, com tristeza. — Nikolai e eu cometemos erros. Muitos erros. Achamos que o poder compraria a paz, mas o poder é apenas um alvo maior. O segredo que você precisa entender é que nesta família, a lealdade é a única moeda que não desvaloriza.
Phoebe fez uma pausa, olhando para a porta onde Adrian Hayes montava guarda.
— Há coisas sobre o passado de Nikolai e do pai de Anastasia que Azazel ainda não te contou. Alianças feitas no sangue que nunca foram totalmente pagas. Theodore é a promessa de um novo começo, mas para os nossos inimigos, ele é a última peça de uma vingança que começou antes mesmo de você nascer.
Belle sentiu o peso daquelas palavras. Ela não era apenas uma esposa e mãe; ela era a guardiã de uma linhagem que estava sendo caçada.
Ao amanhecer, o comboio de SUVs pretos estava alinhado no pátio. Damian e sua equipe moviam-se com precisão militar. Amelia Petrov, que havia sido avisada da situação, chegou à mansão às pressas, ignorando os protocolos de segurança para abraçar a amiga.
— Belle, eu ouvi... — começou Amelia, mas as palavras falharam ao ver o aparato de guerra montado. — Meu Deus, isso é sério, não é?
— É a nossa vida agora, Amelia — disse Belle, tentando manter a voz firme. — Por favor, tome cuidado. Se eles estão atrás de nós, podem tentar chegar aos nossos amigos.
— Eu sei me cuidar, Belle. Minha família não é exatamente composta por anjos, você sabe disso — Amelia respondeu, com um brilho de determinação nos olhos. — Mas você... prometa que não vai deixar que eles apaguem quem você é. Não se torne uma deles.
Belle olhou para Azazel, que estava ao telefone, dando ordens curtas e duras. Ele parecia uma estátua de gelo, o herdeiro implacável que o mundo conhecia. Mas então, ele olhou para ela e, por um breve segundo, a vulnerabilidade cruzou seu rosto.
— Eu vou tentar — prometeu Belle.
Enquanto entravam no carro blindado, Atlas saltou para o banco de trás, instalando-se aos pés de Belle e do bebê. O motor rugiu e o portão principal da mansão se abriu.
O trajeto para o norte foi feito em silêncio absoluto. Theodore dormia, alheio ao fato de que estava sendo transportado para uma fortaleza. Azazel segurava a mão de Belle, seus dedos apertando os dela com uma força que beirava a dor.
— Azazel — chamou ela suavemente.
— Sim?
— O que seu pai fez? O que é esse segredo que a Phoebe mencionou?
Azazel suspirou, olhando para a estrada à frente.
— Meu pai e o pai de Anastasia, Mikhail Volkov, eram sócios. Eles dividiram o país em territórios. Mas houve uma traição. Um carregamento que desapareceu e uma vida que foi tirada em troca. Mikhail morreu acreditando que meu pai o traiu. Anastasia cresceu com essa mentira alimentando seu ódio.
— E foi traição? — Belle perguntou, temendo a resposta.
Azazel olhou para ela, os olhos sombrios.
— Na nossa família, a verdade é uma questão de perspectiva, Belle. Mas o que importa agora é que Anastasia acredita ter um direito legítimo sobre tudo o que é meu. Incluindo o lugar que você ocupa.
Ao chegarem à propriedade de Nikolai, uma construção imponente isolada por florestas densas, o patriarca estava à espera. Nikolai Morningstar, com sua bengala de castão de prata e olhar penetrante, observou o neto ser retirado do carro.
— Ele é um Morningstar legítimo — declarou Nikolai, sua voz falhando levemente pela emoção. — Ele tem o porte.
— Ele tem um nome que o coloca em perigo, pai — retrucou Azazel, passando pelo pai sem parar. — Vamos entrar. Temos muito o que discutir sobre os Volkov.
Dentro da fortaleza, enquanto Evelyn acomodava Theodore em um novo berço, Belle caminhava pelos corredores repletos de retratos de antepassados que pareciam julgá-la. Ela parou diante de um quadro antigo, uma pintura de uma mulher que se parecia estranhamente com ela, mas com olhos cheios de uma tristeza infinita.
— Aquela foi a primeira Rosabelle — disse a voz de Nikolai atrás dela. — A irmã do meu avô. Ela foi o motivo da primeira guerra entre as famílias. A história tem o hábito irritante de se repetir, minha querida.
Belle virou-se para o sogro.
— Eu não sou uma pintura, Nikolai. E não vou deixar que meu filho seja uma vítima da sua história.
Nikolai deu um sorriso seco, quase de admiração.
— É por isso que Azazel a escolheu. Você tem o fogo que falta no gelo dele. Mas esteja avisada: o aviso que recebemos hoje foi apenas o começo. Eles não querem apenas Theodore. Eles querem que você o entregue.
O clima de tensão atingiu o ápice naquela noite quando, durante o jantar, um envelope de papel pardo foi entregue por um segurança. Damian o abriu com luvas, revelando o conteúdo.
Não havia carta. Apenas um sapatinho de bebê idêntico ao que Theodore estava usando naquela manhã, manchado com o que parecia ser tinta vermelha — ou sangue. E, junto a ele, um pingente antigo com o brasão dos Volkov.
Belle sentiu o estômago revirar, e a náusea a dominou. Azazel levantou-se tão rápido que a cadeira caiu para trás.
— Damian, Adrian... — a voz de Azazel era um trovão contido. — Encontrem quem entregou isso. Não me importa quantos corpos tenham que empilhar.
Ele caminhou até Belle e a puxou para um abraço apertado, mas seus olhos estavam fixos no pingente sobre a mesa. O jogo de sombras havia acabado. A caçada tinha começado oficialmente.
Enquanto a neve começava a cair do lado de fora da fortaleza no norte, Belle percebeu que a inocência de sua vida anterior havia morrido definitivamente. Theodore chorou no andar de cima, um som agudo que cortou o silêncio da sala. Atlas uivou em resposta, um som que parecia um lamento e um aviso.
O destino dos Morningstar estava agora intrinsecamente ligado a um passado que se recusava a permanecer enterrado, e o herdeiro, em seu berço de ouro e ferro, era a única coisa que mantinha o império unido — ou a peça que o faria explodir.
