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Romance dark

Fandom: Romance dark

Criado: 12/07/2026

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O Despertar da Obsessão: A Fuga da Chapeuzinho

A noite em Londres tinha um brilho gélido, as luzes da cidade refletindo nas calçadas molhadas pela garoa fina que insistia em cair. Elisa apertou o casaco contra o corpo, sentindo um calafrio que não vinha apenas do vento cortante. Seus cabelos ruivos, uma cascata de cachos intensos que chegavam quase às suas nádegas, balançavam conforme ela apressava o passo. Ela sempre amou a estética daquela cidade, o contraste entre o moderno e o gótico, mas naquela noite, algo parecia diferente. O ar estava pesado, carregado com uma eletricidade que fazia os pelos de seus braços se arrepiarem.

Elisa não sabia, mas estava sendo caçada. Não por um homem comum, mas por uma força da natureza. Victor, o líder implacável da máfia local e um Alfa de linhagem pura, observava cada movimento dela das sombras. Para ele, Elisa não era apenas uma mulher bonita; ela era a personificação de um desejo ancestral. O cheiro dela — uma mistura inebriante de chocolate amargo e a pureza de quem nunca fora tocada — o perseguia em seus sonhos. Seu lobo interior, uma fera de pelagem negra como o abismo e olhos dourados, rugia dentro de seu peito, clamando pela companheira.

Ela dobrou a esquina em direção a um bairro mais isolado, onde a iluminação falhava. O som de seus próprios passos ecoava, mas havia outro som. Um estalo. Um rosnado baixo que parecia vir das próprias paredes de tijolos escuros. O coração de Elisa disparou.

— Tem alguém aí? — perguntou ela, a voz falhando.

Ninguém respondeu, mas a sensação de ser observada tornou-se sufocante. Ela começou a correr. Seus pulmões ardiam enquanto ela atravessava as ruas desertas, o medo nublando seu julgamento. Quando viu um beco estreito, entrou por instinto, esperando encontrar um atalho para a avenida principal. Foi um erro fatal. O beco terminava em um muro alto de concreto.

Ela girou, as costas batendo na parede fria, e lá estava ele. Uma figura alta, de quase dois metros, vestindo roupas escuras e uma máscara aterrorizante que ocultava suas feições. A aura de perigo que emanava dele era quase palpável.

— Por favor... — Elisa sussurrou, as lágrimas começando a brotar em seus olhos verdes esmeralda. — O que você quer? Quem é você?

O homem não disse uma palavra. Ele se aproximou com a graça de um predador, encurralando-a contra o muro. Ele estendeu a mão enluvada e tocou um de seus cachos ruivos, deslizando os dedos pela textura macia. Elisa tremia tanto que mal conseguia se manter em pé.

— Me solta! Por favor, me deixe ir! — ela implorou, a respiração descontrolada.

— Você não tem ideia do quanto eu esperei por este momento — a voz dele saiu abafada pela máscara, um barítono profundo que vibrou no peito de Elisa.

Antes que ela pudesse gritar, ele sacou um pano embebido em um sedativo forte. Ele segurou os braços dela contra a parede com uma força descomunal, mas sem machucá-la, e pressionou o pano contra seu nariz e boca. Elisa lutou, seus olhos verdes fixos nos dele por um breve segundo antes que o mundo começasse a girar e a escuridão a reivindicasse.

Quando ela acordou, o cenário era completamente diferente. Ela estava deitada em uma cama imensa, coberta por lençóis de seda negra. O quarto era luxuoso, com móveis de madeira escura e uma lareira que estalava baixinho.

— Você acordou.

Elisa deu um pulo, sentando-se rapidamente. Victor estava parado perto da janela, agora sem a máscara. Ele era aterrorizantemente lindo. Os cabelos pretos perfeitamente cortados, a pele branca contrastando com as tatuagens que subiam pelo pescoço e braços musculosos. Os olhos azuis dele a analisavam com uma intensidade que a fazia se sentir nua.

— Onde eu estou? Por que me trouxe para cá? — ela perguntou, puxando o cobertor para cobrir o corpo, embora ainda estivesse vestida.

— Você está na minha casa. Na minha proteção — Victor disse, aproximando-se da cama com uma bandeja de comida e água. — Você precisa comer.

— Eu não vou tocar em nada que venha de você — ela respondeu, a voz trêmula, mas firme.

Victor estreitou os olhos. Uma sombra de algo selvagem passou por suas pupilas azuis.

— É melhor você comer, Elisa. Eu não gostaria de ter que mostrar o meu outro lado para você tão cedo. Seja uma boa menina.

O tom de posse na voz dele a arrepiou. Com as mãos trêmulas, ela pegou um pedaço de pão e um copo de água, sob o olhar atento dele.

— Vou deixá-la descansar. Há seguranças em cada porta e corredor. Não tente nenhuma tolice — ele avisou antes de sair e trancar a porta por fora.

Elisa esperou o som dos passos dele desaparecerem. Ela não ia ficar ali. Ela era órfã, aprendeu a se virar sozinha desde que saiu do orfanato aos dezoito anos. Vasculhou o quarto e encontrou o banheiro. Lá, viu uma janela pequena, alta na parede. Para um homem do tamanho de Victor, seria impossível passar, mas para ela, era a única chance.

Com movimentos ágeis, ela começou a dar nós nos lençóis de seda, criando uma corda improvisada. Prendeu uma ponta no pé da banheira de mármore e jogou a outra pela janela. O coração batia na garganta enquanto ela se espremia pela abertura e descia, os dedos queimando no tecido.

Ela caiu na grama úmida do lado de fora. A mansão era cercada por uma floresta densa e escura. Sem olhar para trás, Elisa correu para as árvores.

Lá do alto, em seu escritório, Victor observava a pequena figura ruiva desaparecer entre os troncos. Um sorriso predatório surgiu em seus lábios. Ele sentia o cheiro do medo dela, e isso o excitava.

— Lá vou eu, minha Chapeuzinho Vermelho — ele sussurrou para o vidro. — Vou te encontrar onde quer que esteja.

Ele tirou a camisa, revelando os músculos definidos e as costas cobertas de tatuagens. Em um movimento fluido e doloroso para qualquer humano, seus ossos começaram a quebrar e se reformar. Pelos negros como a noite brotaram de sua pele, e seus olhos azuis tornaram-se dourados como ouro derretido. Em instantes, um lobo imenso, de dois metros e meio, saltou pela sacada, caindo silenciosamente no solo da floresta.

Elisa corria como se sua vida dependesse disso. O terreno era irregular e a escuridão quase total. O som de galhos quebrando atrás dela a aterrorizava. De repente, seu pé prendeu em uma raiz exposta.

— Ah! — ela soltou um grito agudo quando o tornozelo virou com um estalo seco.

A dor foi imediata e lancinante. Ela caiu de joelhos, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Tentou se levantar, mancando, mas a dor a fazia perder o equilíbrio. Ela continuou a se arrastar até chegar à beira de um pequeno barranco.

Foi quando ela ouviu. Um rosnado que não era humano, nem parecia vir de apenas uma fera.

À sua frente, saindo das sombras, um lobo cinzento, magro e de olhos famintos, apareceu. Ele mostrou os dentes, a saliva pingando enquanto encarava Elisa como se ela fosse um banquete. Ela recuou, o coração disparado.

— Não... por favor... — ela murmurou, sem saída.

O lobo cinzento saltou, mas antes que pudesse tocar a pele de Elisa, um vulto negro e massivo colidiu com ele no ar.

Um lobo negro imenso, duas vezes maior que o atacante, rugiu com uma fúria que fez a terra vibrar. Era Victor. Ele mordeu o pescoço do outro lobo, sacudindo-o como se fosse um brinquedo de pano. O lobo cinzento uivou de dor e, percebendo que não tinha chance contra aquele Alfa, fugiu para o fundo da floresta assim que foi solto.

O lobo negro ofegava, a pelagem eriçada. Ele se virou lentamente para Elisa. Ela estava paralisada, os olhos verdes arregalados de pavor diante daquela criatura mística e assustadora.

— O que... o que é você? — ela soluçou.

O lobo deu um passo em direção a ela, os olhos dourados brilhando com uma mistura de proteção e possessividade. Elisa tentou recuar mais uma vez, mas esqueceu que estava na beira do barranco. Seu pé escorregou na terra fofa.

— Não! — ela gritou, caindo para trás.

Sua cabeça atingiu uma pedra saliente na descida. O mundo de Elisa apagou-se instantaneamente.

Victor, vendo sua companheira inconsciente, não hesitou. Ele deslizou pelo barranco com agilidade, transformando-se de volta em humano enquanto se aproximava dela. Ele a pegou nos braços com uma delicadeza extrema, como se ela fosse feita de vidro.

— Eu disse para não tentar fugir, pequena — ele sussurrou, beijando a testa dela enquanto o cheiro de sangue do corte em sua cabeça se misturava ao cheiro doce que ele tanto amava. — Agora, você nunca mais sairá do meu lado.

Ele a carregou de volta para a mansão sob a luz da lua, sabendo que, quando ela acordasse, o mundo que ela conhecia teria mudado para sempre. Ela era dele, e ele era o lobo que a protegeria de tudo, inclusive dela mesma.
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