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Dormindo com o amor da minha vida

Fandom: Real life

Criado: 12/07/2026

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RomanceFatias de VidaHistória DomésticaDor/ConfortoFofuraEstudo de PersonagemRealismo
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Contrastes em Veludo e Ouro

A luz âmbar do entardecer filtrava-se pelas persianas de madeira do apartamento de Bettina, criando um padrão de sombras lineares que dançavam sobre o tapete persa. O ambiente cheirava a café recém-passado e a um perfume caro, algo que misturava sândalo e jasmim, a marca registrada da dona da casa.

Tauane estava sentada no sofá de veludo azul-marinho, com as pernas dobradas e uma caneca de cerâmica entre as mãos. Seus olhos escuros e expressivos observavam Bettina, que estava de pé junto à janela, segurando uma taça de vinho tinto. A pele negra de Tauane parecia brilhar sob a luz suave, um contraste profundo e magnífico com o ambiente sofisticado e minimalista.

— Às vezes eu ainda não acredito que você realmente parou para me ajudar naquele dia — disse Tauane, quebrando o silêncio confortável que se instalara entre as duas. — Eu estava literalmente sentada no meio-fio, com o salto quebrado e uma pilha de currículos molhados pela chuva. Eu parecia um desastre.

Bettina soltou uma risada baixa, um som aveludado que sempre fazia o estômago de Tauane dar voltas. Ela se virou, os olhos azuis brilhando com uma mistura de diversão e ternura. O cabelo loiro, cortado em um chanel impecável, moldava seu rosto de traços maduros e decididos.

— Você não parecia um desastre, querida — Bettina caminhou lentamente em direção ao sofá. — Você parecia uma força da natureza que tinha acabado de enfrentar uma tempestade e estava apenas recuperando o fôlego. Havia algo no seu olhar, mesmo com raiva do sapato, que me impediu de simplesmente passar direto.

— E você parou aquele carro que custa mais que a minha vida inteira e simplesmente abriu a porta — relembrou Tauane, sorrindo com a memória. — Eu achei que fosse um sequestro ou algum tipo de pegadinha de programa de TV.

Bettina sentou-se ao lado dela, diminuindo a distância entre os corpos. O calor que emanava da mulher mais velha era um convite silencioso.

— Eu só vi uma mulher jovem e fascinante que precisava de uma carona e, talvez, de um pouco de sorte — Bettina estendeu a mão, afastando uma mecha do cabelo cacheado de Tauane. — Mas, conforme conversávamos no carro, percebi que a sorte, na verdade, foi minha.

Tauane sentiu o coração acelerar. A diferença de idade entre elas, que no início parecia um abismo, havia se tornado apenas um detalhe charmoso, uma ponte feita de experiências compartilhadas e descobertas mútuas.

— Eu tive medo no começo — confessou Tauane, a voz baixando um tom. — Medo de que eu fosse apenas uma... uma novidade para você. Alguém de um mundo tão diferente do seu.

— Tauane, olhe para mim — pediu Bettina, deixando a taça de vinho na mesa de centro e segurando o rosto de Tauane com as duas mãos. — Você não é uma novidade. Você é a primeira pessoa em anos que me faz sentir que o meu apartamento não é apenas um espaço decorado, mas um lugar onde eu quero estar. Onde eu quero que você esteja.

— Eu sinto que pertenço a este lugar quando estou com você — respondeu Tauane, deslizando as mãos pelos braços de Bettina, sentindo a textura da blusa de seda. — Mas não é por causa do luxo, Bettina. É por causa do modo como você me ouve. Ninguém nunca me olhou desse jeito.

Bettina sorriu, uma expressão de pura vulnerabilidade que ela raramente mostrava ao mundo lá fora.

— É porque ninguém nunca viu o que eu vejo — sussurrou Bettina.

O ar entre elas tornou-se denso, carregado de uma eletricidade que vinha sendo alimentada por semanas de jantares, conversas até a madrugada e toques acidentais. Tauane inclinou-se para frente, a distância entre seus lábios reduzindo-se a milímetros.

— E o que você vê agora? — perguntou Tauane, o hálito quente contra a boca de Bettina.

— Eu vejo tudo o que eu não sabia que estava procurando — respondeu Bettina, antes de finalmente selar a distância.

O beijo começou lento, uma exploração cuidadosa de sabores e texturas. A doçura do vinho nos lábios de Bettina misturava-se ao calor vibrante de Tauane. A mão de Tauane subiu para a nuca de Bettina, os dedos perdendo-se nos fios loiros e sedosos, enquanto Bettina a puxava para mais perto, querendo sentir cada curva daquele corpo jovem e firme contra o seu.

— Você é tão linda — murmurou Bettina entre os beijos, a voz falha. — Tão intensa.

— E você me deixa sem chão — respondeu Tauane, a respiração ofegante.

As mãos de Bettina começaram a explorar, descendo pelas costas de Tauane, sentindo a pele macia sob a blusa leve. Tauane soltou um gemido baixo quando os lábios de Bettina deixaram sua boca para traçar um caminho de beijos pelo seu pescoço, encontrando o ponto exato onde seu pulso pulsava forte.

O clima no sofá esquentou rapidamente. O que antes era uma conversa nostálgica transformou-se em uma urgência palpável. Bettina afastou-se apenas o suficiente para desabotoar os primeiros botões da blusa de Tauane, seus olhos azuis fixos nos dela, pedindo permissão e ao mesmo tempo declarando desejo.

— Tem certeza? — perguntou Bettina em voz baixa, a mão repousando sobre o coração de Tauane.

— Eu nunca tive tanta certeza de nada — Tauane respondeu, ajudando Bettina a tirar a própria blusa, revelando a pele clara que parecia brilhar sob a luz da sala.

Elas se acomodaram no sofá largo, os corpos se entrelaçando como se tivessem sido feitos para aquele encaixe. A pele negra de Tauane contra a pele pálida de Bettina criava uma imagem de contraste absoluto e beleza rara, um quadro vivo de desejo e entrega.

Os toques de Bettina eram experientes, mas carregados de uma ternura que desarmava Tauane. Ela explorava cada centímetro do corpo da mulher mais jovem com uma reverência que beirava o sagrado. Tauane, por sua vez, trazia uma paixão crua, uma energia que acendia em Bettina um fogo que ela acreditava ter se apagado há muito tempo.

— Bettina... — o nome dela saiu como um suspiro quando as mãos de Bettina encontraram a curva de seu quadril.

— Estou aqui, querida. Eu estou bem aqui — sussurrou Bettina, beijando a testa de Tauane antes de descer novamente para seus lábios.

O sofá de veludo tornou-se o centro do universo. Ali, não havia diferença de classe, de idade ou de vivências. Havia apenas o som da respiração acelerada, o roçar da pele e o sentimento que florescia a cada toque. O amor delas não era apenas físico; era uma afirmação de que dois mundos diferentes podiam, sim, colidir e criar algo novo, algo quente e acolhedor.

As carícias tornaram-se mais urgentes, os movimentos mais sincronizados. Tauane sentia-se segura nos braços de Bettina, protegida pela experiência e pelo carinho da outra, enquanto Bettina sentia-se renovada pela vitalidade e pela entrega total de Tauane.

Quando o ápice chegou, veio como uma onda suave, um estremecimento que percorreu ambos os corpos unidos. Elas permaneceram abraçadas por muito tempo depois, o silêncio retornando ao apartamento, mas agora preenchido por uma satisfação profunda.

Tauane descansou a cabeça no peito de Bettina, ouvindo o ritmo gradualmente mais lento do coração da outra. Bettina acariciava os ombros de Tauane, cobrindo as duas com uma manta de tricô que estava jogada no encosto do sofá.

— No que você está pensando? — perguntou Bettina, a voz sonolenta e doce.

Tauane sorriu, fechando os olhos e aproveitando o calor do momento.

— Estou pensando que aquele salto quebrado foi a melhor coisa que já me aconteceu — disse ela, sentindo Bettina beijar o topo de sua cabeça.

— Para mim também, Tauane — respondeu Bettina, apertando o abraço. — Para mim também.

Lá fora, a noite caía sobre a cidade, mas dentro daquele apartamento, o tempo parecia ter parado em um eterno e dourado entardecer.
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