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Recomeço

Fandom: Haaland, airbag

Criado: 12/07/2026

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Acordes de Felicidade e o Silêncio do Passado

O jardim da nova casa de Maria não parecia um cenário de contos de fadas tradicional, e era exatamente assim que ela gostava. Não havia tons pastéis excessivos, nem laços de cetim ou ursinhos de pelúcia decorando as mesas. Em vez disso, o ambiente exalava a personalidade vibrante que ela finalmente havia recuperado após o divórcio conturbado com Erling Haaland.

Havia arranjos de flores silvestres escuras, discos de vinil servindo como descanso para os pratos e uma energia de antecipação que pairava no ar quente da tarde. Maria, vestindo um vestido preto fluido que marcava discretamente a saliência de sua barriga de quatro meses, observava as filhas trigêmeas — Maya, Ingrid e Astrid — correndo de um lado para o outro. Elas estavam radiantes, uma imagem bem diferente das adolescentes cabisbaixas de um ano atrás, quando o escândalo da traição de Erling com Isabela e o nascimento do bebê fruto dessa infidelidade haviam despedaçado a família.

Patrício Sardelli estava ao lado dela, com a mão pousada protetoramente em sua cintura. Ele era o oposto da frieza nórdica que Maria suportara por tanto tempo. Patrício era fogo, música e presença.

— Você está nervosa? — perguntou Patrício, aproximando-se para beijar a têmpora dela.

— Um pouco — confessou Maria, sorrindo para o noivo. — Mas é um nervoso bom. Pela primeira vez em muito tempo, sinto que este momento é inteiramente nosso. Sem câmeras, sem a pressão de ser a "esposa perfeita" de um craque mundial. Apenas nós.

— E as meninas — lembrou Patrício, piscando para as enteadas. — Elas estão mais ansiosas do que nós para saber se terão um irmão ou uma irmã para ensinar a tocar baixo.

Enquanto isso, a quilômetros dali, em uma cobertura luxuosa que ainda cheirava a tinta fresca e móveis de design, Erling Haaland estava sentado no chão da sala, tentando montar um brinquedo para o filho pequeno, fruto de sua relação com Isabela. A vida com Isabela não era o que ele imaginava. A paixão proibida da infância, uma vez consumada, havia se transformado em uma rotina de cobranças e no peso constante da culpa que ele tentava ignorar.

O celular de Erling vibrou sobre a mesa de centro. Eram as filhas no grupo da família. Ele sorriu, esperando ver uma foto delas no shopping ou em algum treino. Em vez disso, o vídeo que começou a carregar mostrava o jardim de Maria.

— O que elas estão aprontando? — murmurou Erling para si mesmo, franzindo o cenho ao ver a decoração festiva.

Isabela passou pela sala, segurando o bebê no colo, e olhou por cima do ombro dele.

— É uma festa na casa da Maria? — perguntou ela, o tom de voz carregado de uma curiosidade ácida que Erling detestava. — Achei que ela estivesse vivendo de forma "privada" agora.

Erling não respondeu. Ele deu o play no vídeo enviado por Ingrid.

Na tela, Maria e Patrício estavam no centro de um pequeno palco improvisado no gramado. Cada um segurava uma guitarra elétrica — uma Fender Stratocaster desgastada para ele e uma Telecaster preta para ela. As trigêmeas estavam na frente, segurando baquetas e pulando de excitação.

— Atenção, família! — gritou Maya no vídeo, segurando o celular. — O momento chegou! O segredo do nosso novo integrante vai ser revelado do jeito Sardelli-Haaland de ser!

No vídeo, Patrício olhou para Maria com um amor tão genuíno que Erling sentiu uma pontada aguda no peito, algo que ele não sentia há anos. O remorso, que ele vinha abafando com títulos e gols, subiu pela garganta como bile.

— Pronta, meu amor? — perguntou Patrício no vídeo.

— Pronta! — respondeu Maria, com um brilho nos olhos que Erling percebeu que nunca tinha sido capaz de dar a ela, ou talvez tivesse se esquecido de como fazer.

De repente, os alto-falantes no jardim começaram a ecoar o riff icônico de "Enter Sandman", do Metallica. O som era pesado, vibrante e cheio de vida. Maria e Patrício começaram a acompanhar o ritmo, fingindo um duelo de guitarras que fez as meninas gritarem de alegria.

No clímax do refrão, exatamente quando a bateria explodiu, Maria e Patrício levantaram as guitarras acima das cabeças e, com um movimento coordenado, as chocaram contra suportes metálicos preparados para o impacto, quebrando as carcaças de madeira que haviam sido especialmente modificadas para o chá revelação.

Do interior das guitarras despedaçadas, uma densa e vibrante fumaça azul disparou para o céu, envolvendo o casal em uma nuvem neon.

— É UM MENINO! — gritaram as trigêmeas em uníssono, correndo para abraçar a mãe e o padrasto.

No vídeo, Maria chorava de rir, sendo erguida nos braços por Patrício, que a girava no ar enquanto a fumaça azul ainda pairava sobre eles. Era uma cena de felicidade absoluta, crua e moderna.

Erling deixou o celular cair sobre o tapete. O silêncio em sua sala era ensurdecedor.

— Um menino... — sussurrou Erling. — Ela está grávida. E vai casar com ele.

— O quê? — Isabela se aproximou, a expressão mudando de curiosidade para choque. — Maria está grávida daquele músico? Mas eles nem estão juntos há tanto tempo assim!

— Quase dois anos, Isabela — corrigiu Erling, a voz fria. — Ela reconstruiu a vida dela enquanto eu... enquanto nós estávamos escondidos no começo.

Ele olhou para o próprio filho no colo de Isabela. Ele amava o pequeno, mas a realização de que Maria tinha encontrado um homem que não apenas a amava, mas que estava criando um novo legado com ela e com as filhas dele, era um golpe que nenhum zagueiro jamais conseguira desferir.

O telefone de Erling tocou. Era uma chamada de vídeo de Ingrid. Ele hesitou, mas atendeu.

— Pai! Você viu? — A garota estava ofegante, o rosto sujo de um pouco de pó azul. — Eu vou ter um irmão! Um irmão de verdade, que vai morar com a gente!

Erling forçou um sorriso, embora seu coração estivesse em pedaços.

— Eu vi, querida. Parabéns. A festa parece... barulhenta.

— É a cara do Patrício e da mamãe! — disse Ingrid, virando a câmera para mostrar Maria e Patrício ao fundo, brindando com taças de suco enquanto os convidados aplaudiam. — Eles vão casar em três meses, pai. A mamãe quer que a gente use vestidos azuis agora, por causa do bebê.

— Três meses — repetiu Erling, sentindo o peso da palavra finalidade.

— Ei, Ingrid! — A voz de Patrício soou ao fundo do vídeo. — Venha aqui tirar uma foto com seu irmãozinho na barriga da sua mãe!

— Tenho que ir, pai! Tchau! — A ligação caiu.

Erling ficou olhando para a tela preta. Ele se lembrou dos 15 anos de casamento. Lembrou-se de como Maria sempre fora o seu porto seguro, a mulher que aguentava a pressão da sua fama e cuidava de tudo para que ele pudesse brilhar. Ele a tinha trocado por uma nostalgia de infância, por um momento de fraqueza que se tornou permanente.

— Você está bem? — perguntou Isabela, tocando o ombro dele.

Erling se afastou sutilmente.

— Eu só... eu não sabia que era tão sério entre eles.

— Ela seguiu em frente, Erling. Você deveria fazer o mesmo — disse Isabela, com um tom de aviso.

— Eu segui, não segui? — Ele olhou em volta, para a sala luxuosa, para a mulher que agora era sua companheira. — Mas parece que ela seguiu para algo muito mais real do que eu deixei para trás.

De volta ao jardim, Maria sentia o peso do passado finalmente se dissipar com o vento que levava a fumaça azul. Ela viu Ingrid desligar o celular e soube, instintivamente, que a filha tinha falado com Erling. Por um segundo, ela pensou em como ele se sentiria, mas a sensação passou rápido.

Patrício aproximou-se dela com um copo de água e um sorriso que iluminava tudo.

— No que está pensando? — perguntou ele.

— Que guitarras são muito mais difíceis de quebrar do que eu pensava — brincou ela, encostando a cabeça no ombro dele. — E que eu nunca estive tão pronta para o futuro.

— O nosso pequeno roqueiro já está causando impacto antes mesmo de nascer — disse Patrício, colocando a mão sobre a barriga de Maria. — E quanto ao casamento... você ainda quer as flores escuras ou a fumaça azul te deu novas ideias?

— Eu quero tudo, Patrício — respondeu Maria, olhando para as três filhas que dançavam ao som de Metallica no meio do jardim. — Eu quero a música alta, a família reunida e a certeza de que, desta vez, eu escolhi o homem certo para dividir o palco da vida.

— Você sempre terá o microfone principal, meu amor — sussurrou Patrício antes de beijá-la sob o céu que ainda guardava vestígios do azul da revelação.

A festa continuou noite adentro. Não era apenas a celebração de um novo bebê, mas o batismo de uma nova vida para Maria. Ela não era mais a "ex-mulher de Haaland". Ela era Maria, a noiva de Patrício, a mãe de quatro, a mulher que aprendera que, às vezes, é preciso quebrar tudo — como uma guitarra velha — para que algo novo e vibrante possa surgir das cinzas.

E enquanto a música ecoava pelo bairro, Maria sabia que, independentemente do que o mundo pensasse, ela finalmente havia encontrado o seu ritmo perfeito.
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