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Rain

Fandom: Naruto

Criado: 12/07/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoHistória DomésticaEstudo de PersonagemCenário Canônico
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O Eco do Silêncio entre os Lençóis de Seda

A noite em Konoha carregava um frescor úmido, o aroma de terra molhada subindo dos jardins do complexo Uchiha após uma chuva passageira. Dentro dos limites da residência principal, o silêncio não era apenas a ausência de som, mas uma entidade densa, carregada de expectativas e segredos guardados sob sete chaves. Itachi Uchiha estava sentado à beira da cama, suas mãos repousando sobre os joelhos, os dedos longos e pálidos levemente trêmulos.

Fora necessário um esforço hercúleo para que Shisui e ele chegassem a esse estágio. Fugaku, o patriarca austero e implacável, demorara anos para aceitar que o herdeiro do clã e o prodígio dos olhos cintilantes desejavam unir suas vidas. A aceitação viera com o preço da discrição absoluta e da manutenção de uma fachada de perfeição. Contudo, entre as quatro paredes do quarto, a perfeição era uma máscara que começava a rachar.

Shisui estava encostado no batente da porta, observando as costas de Itachi. O amor que sentia por ele era algo que transcendia a compreensão lógica; era uma devoção que beirava o espiritual. No entanto, o peso da descoberta recente o esmagava. Ele descobrira, através de uma conversa fragmentada e de confissões arrancadas pelo cansaço, que o prazer que ele acreditava ser mútuo era, na verdade, um teatro meticuloso encenado por Itachi.

— Por que você não me contou, Itachi? — A voz de Shisui era um sussurro rouco, carregado de uma mágoa que ele não conseguia esconder.

Itachi não se virou. Seus ombros se retesaram, a postura tornando-se ainda mais rígida, como se estivesse se preparando para um golpe físico.

— Eu não queria decepcioná-lo — respondeu Itachi, a voz desprovida de emoção, embora o brilho nos seus olhos revelasse a tormenta interna. — Você parecia tão... completo. Eu achei que, com o tempo, eu aprenderia a sentir o que você sente.

Shisui caminhou lentamente até ele, mas parou a dois passos de distância. Ele sabia que o toque, para Itachi, era muitas vezes um fardo, uma invasão sensorial que o deixava desconfortável, embora o Uchiha mais jovem fizesse de tudo para suportar em nome do amor.

— Eu me sinto um monstro — disse Shisui, fechando os punhos ao lado do corpo. — Passei meses, anos, tocando você, entrando em você, acreditando que estávamos compartilhando algo sublime. E o tempo todo, você estava apenas... esperando que terminasse? Você entende como isso me faz sentir? Eu me sinto como se tivesse violado você a cada vez que nos deitamos juntos.

Itachi finalmente se virou, a expressão de dor em seu rosto sendo a coisa mais honesta que Shisui vira em semanas.

— Não diga isso. Nunca foi uma violação. Eu permiti porque amo você. Eu queria estar perto de você da única forma que o mundo diz que amantes devem estar.

— Mas não é a única forma! — exclamou Shisui, a frustração transbordando. — Se você tivesse dito que o toque o incomoda, se tivesse dito que o sexo não lhe traz prazer, teríamos encontrado outro caminho. Eu não preciso do seu corpo nu para amar sua alma, Itachi. Mas eu preciso da sua verdade.

O silêncio voltou a reinar, pesado e asfixiante. Itachi baixou o olhar para o chão de madeira polida. Ele nunca entendeu a fascinação de Shisui por vê-lo sem roupas. Para Itachi, o corpo era apenas um instrumento de dever, uma ferramenta para o combate ou um receptáculo para a linhagem. A nudez o deixava vulnerável de uma forma que ele detestava; a sensação da pele de outra pessoa contra a sua era como um ruído estático constante, uma sobrecarga de nervos que ele precisava processar racionalmente para não recuar.

— Eu não entendo por que você gosta tanto disso — confessou Itachi, a voz falhando minimamente. — A fricção, o calor... para mim, é apenas barulho. Eu prefiro o som da sua voz no escuro, ou a forma como você entende meus pensamentos antes mesmo de eu formular as palavras. O resto... o sexo... é um enigma que eu não consigo decifrar.

Shisui sentiu uma pontada no peito. O desejo dele por Itachi era visceral, sim, mas era alimentado pela conexão emocional profunda. Saber que Itachi passava por aquilo apenas por obrigação ou medo de perdê-lo era uma agonia insuportável.

— Vamos recomeçar — propôs Shisui, aproximando-se com cautela. — Sem máscaras. Sem fingimentos. Eu quero que você se sinta seguro aqui, comigo. Não como um Uchiha, não como um shinobi, mas como você mesmo.

Ele estendeu a mão, mas não tocou Itachi. Esperou que o outro fizesse o movimento. Após um longo momento, Itachi estendeu a mão e tocou a ponta dos dedos de Shisui. Era um contato leve, quase inexistente, mas para eles, era um campo de batalha.

— O que você quer fazer? — perguntou Itachi.

— Eu quero que você me mostre o que é bom para você — respondeu Shisui suavemente. — E se o bom for apenas estarmos sentados aqui, vestidos, conversando até o sol nascer, então faremos isso.

Itachi suspirou, um som de alívio que pareceu desinflar toda a tensão de seus ombros. Ele se levantou e, com movimentos lentos e deliberados, começou a desamarrar o manto que usava. Shisui sentiu o impulso habitual de admiração, mas o conteve, focando-se nos olhos de Itachi, buscando a permissão silenciosa.

— Eu quero tentar — disse Itachi, a voz agora mais firme. — Mas não da forma antiga. Sem o teatro. Se eu pedir para parar, você para?

— No mesmo instante — prometeu Shisui, a seriedade gravada em cada linha de seu rosto. — Minha felicidade não vale o seu desconforto, Itachi. Nunca valeu.

Eles se deitaram sobre as cobertas de seda, a luz da lua filtrando-se pelas persianas de bambu, criando listras de prata sobre a pele pálida de Itachi. Shisui manteve uma distância respeitosa, permitindo que Itachi ditasse o ritmo. Não houve pressa. Não houve a urgência da paixão cega que costumava dominar Shisui.

— Posso tocar seu rosto? — perguntou Shisui.

Itachi assentiu levemente. Os dedos de Shisui traçaram as linhas profundas sob os olhos de Itachi, um toque tão leve quanto o bater de asas de uma borboleta. Itachi fechou os olhos, concentrando-se não na sensação tátil, mas na intenção por trás dela. Ele tentou desarmar os escudos mentais que sempre ergueria em momentos de intimidade.

— É estranho — sussurrou Itachi. — Quando você me toca assim, sem a pressão de chegar a algum lugar... não é tão ruim.

Shisui sorriu, um sorriso triste, mas esperançoso.

— A intimidade não é uma meta, Itachi. É um estado de ser.

Com o passar das horas, a tensão foi se dissipando. Shisui começou a explorar o corpo de Itachi com uma reverência nova, tratando-o não como um objeto de desejo sexual, mas como um santuário delicado. Ele beijou os ombros de Itachi, sentindo a pele arrepiar, mas desta vez, não era um arrepio de repulsa, mas de surpresa.

Itachi, por sua vez, tentava se comunicar. Pela primeira vez, ele não forçou gemidos ou movimentos que não sentia vontade de fazer. Ele permaneceu quieto, observando a devoção nos olhos de Shisui. Ele percebeu que a nudez, embora ainda desconfortável, era uma forma de Shisui dizer que o aceitava em sua totalidade, com todas as suas falhas e desinteresses.

— Shisui — chamou Itachi, quando as mãos do outro desceram para seus quadris. — Eu não sinto... o que você sente. Meu corpo não responde a isso com o mesmo fogo.

— Eu sei — respondeu Shisui, parando imediatamente e olhando-o nos olhos. — E está tudo bem. Eu só quero estar perto de você. Se você quiser que eu pare, eu paro agora.

Itachi olhou para o teto por um momento, processando a liberdade daquela escolha. Ele nunca tivera escolha em nada na sua vida — seu clã, seu destino, suas habilidades, tudo fora pré-determinado. Mas ali, naquela cama, com Shisui, ele tinha o poder de dizer "não". E ironicamente, ter esse poder fez com que ele quisesse dizer "sim", mas a um "sim" diferente.

— Continue — pediu Itachi. — Mas seja devagar. Não procure pelo meu prazer. Procure pela minha presença.

Shisui seguiu o pedido. O ato que se seguiu foi desprovido da ferocidade típica dos encontros anteriores. Foi uma dança de sombras e sussurros. Shisui usou as mãos e a boca para adorar Itachi, não buscando uma reação orgástica, mas buscando uma conexão de almas. Ele beijou cada cicatriz, cada linha de tensão, enquanto Itachi mantinha as mãos entrelaçadas nas dele, um âncora em meio ao mar de sensações desconhecidas.

Quando Shisui finalmente se moveu para unir seus corpos, ele o fez com uma lentidão que era quase dolorosa. Ele observava o rosto de Itachi a cada centímetro, procurando por qualquer sinal de sofrimento.

— Dói? — perguntou Shisui, a voz embargada.

— Não — respondeu Itachi, os olhos fixos nos de Shisui. — É apenas... muito. Mas eu estou aqui. Eu não fui embora para dentro da minha mente desta vez.

Aquela declaração foi o maior presente que Shisui poderia receber. Ele percebeu que o prazer de Itachi não era físico, era a segurança de ser compreendido. O ato sexual, para Itachi, não era sobre liberação, mas sobre entrega e confiança.

Enquanto se moviam em um ritmo calmo, Shisui sentiu as lágrimas arderem em seus olhos. A raiva que sentira antes — a raiva de ter sido enganado e a culpa de ter sido um "violador" inconsciente — começou a se transformar em uma compreensão profunda. Ele amava um homem que via o mundo de forma diferente, que sentia o mundo de forma diferente. E ele teria que aprender a linguagem de Itachi, em vez de forçar Itachi a falar a dele.

— Eu te amo — sussurrou Shisui, encostando a testa na de Itachi. — E eu sinto muito por ter demorado tanto para entender.

Itachi envolveu o pescoço de Shisui com os braços, um gesto de afeto espontâneo que raramente acontecia durante o sexo.

— Eu também te amo, Shisui. Obrigado por não desistir de mim, mesmo quando eu sou um enigma sem solução.

O clímax veio para Shisui de forma intensa, mas ele não se afastou depois. Ele permaneceu ali, abraçado a Itachi, sentindo o bater do coração do outro contra o seu peito. O silêncio que antes era pesado agora era leve, preenchido pela aceitação mútua.

— Você está bem? — perguntou Shisui minutos depois, puxando o lençol para cobri-los, protegendo Itachi da exposição que ele tanto evitava.

— Sim — respondeu Itachi, acomodando a cabeça no ombro de Shisui. — Pela primeira vez, eu não sinto que perdi uma parte de mim mesma para agradar você. Eu sinto que ganhei algo.

Shisui beijou o topo da cabeça de Itachi. Ele sabia que o caminho à frente ainda teria desafios. Fugaku ainda esperaria netos, o clã ainda esperaria perfeição, e a natureza de Itachi como alguém que não desfrutava do toque físico continuaria a ser uma parte dele. Mas agora, eles tinham um alicerce de verdade.

— Nós não precisamos fazer isso sempre, sabe? — disse Shisui suavemente. — O sexo. Podemos encontrar outras formas. Muitas outras formas.

Itachi deu um pequeno sorriso, um daqueles que raramente saíam de seus lábios.

— Eu gostaria disso. Mas, de vez em quando... se for assim, como foi hoje... eu acho que posso aprender a apreciar a paz que você me traz.

Eles ficaram ali, dois prodígios de um clã amaldiçoado, encontrando um momento de redenção em meio à incompreensão. A linguagem formal e a etiqueta que dominavam suas vidas públicas não tinham lugar ali. Eram apenas dois jovens tentando navegar as complexidades do desejo, da aversão e, acima de tudo, da paciência que o verdadeiro amor exige.

A noite continuou lá fora, o ciclo de Konoha seguindo seu curso, mas dentro daquele quarto, o tempo havia parado para que uma nova verdade fosse escrita. Uma verdade onde o silêncio não era uma mentira, e onde o toque, embora estranho, era finalmente um convite, e não uma invasão.

— Durma, Itachi — murmurou Shisui, sentindo o corpo do outro finalmente relaxar por completo em seus braços. — Eu estou aqui. E eu nunca mais vou pedir que você finja ser quem não é.

Itachi fechou os olhos, e pela primeira vez em muito tempo, o sono não foi uma fuga, mas um repouso merecido nos braços do único homem que realmente aprendera a vê-lo, não com o Sharingan, mas com o coração.
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