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amores proibidos

Fandom: adolescentes

Criado: 12/07/2026

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Marcas de Giz e Cicatrizes

O silêncio da biblioteca vazia no final da tarde era preenchido apenas pelo som do ar-condicionado e pela respiração pesada de Izadora. Adriana, a professora de História de cinquenta e três anos, mantinha uma postura que oscilava entre a autoridade acadêmica e uma entrega absoluta aos instintos. O casamento de fachada de Adriana parecia uma realidade distante ali, entre as estantes de livros antigos.

— Você não vai a lugar nenhum — disse Adriana, sua voz grave ressoando no peito de Izadora como um comando inquestionável.

Adriana a empurrou contra a mesa de madeira maciça. O contraste entre a pele jovem da aluna e a experiência marcada no olhar da professora era magnético. Quando se entregaram, não houve hesitação. Adriana a possuiu com uma urgência que negava sua posição social. Em um momento de clímax intenso, a professora arqueou o corpo, perdendo o controle que tanto prezava, deixando escapar um som gutural enquanto seu corpo reagia violentamente ao prazer.

Quando Izadora tentou se afastar, ainda atordoada, sentiu a mão firme de Adriana em seu ombro, forçando-a a permanecer.

— Eu disse para ficar — ordenou a voz rouca.

Adriana então assumiu o controle total. Ela cavalgou com uma energia frenética, os olhos fixos nos de Izadora, extraindo cada grama de vigor daquela conexão proibida. O suor misturava-se ao perfume caro da professora e ao cheiro de papel velho. O sexo foi bruto, uma descarga de tensões acumuladas durante meses de olhares furtivos nas aulas sobre a Revolução Francesa. Foi uma entrega total, onde a hierarquia se dissolveu no suor, apenas para ser reconstruída de forma cruel no dia seguinte.

As semanas que se seguiram foram um pesadelo de dissonância cognitiva. O que fora paixão transformou-se em um veneno destilado por Adriana. Nas aulas, a professora não perdia a oportunidade de humilhar a garota.

— Parece que a senhorita Izadora continua com a mesma dificuldade de compreensão que demonstra em outros aspectos da vida — disparou Adriana diante da turma, com um sorriso cínico. — Uma mediocridade persistente.

Izadora sentia as lágrimas queimarem, descendo pelo rosto enquanto baixava a cabeça sobre o caderno. O ciclo de abuso verbal tornou-se a nova rotina. No último dia de aula, após o sinal tocar, Adriana chamou-a à mesa. Quando Izadora se aproximou, esperando talvez um pedido de desculpas ou uma explicação, recebeu um tapa seco e forte no rosto. O estalo ecoou na sala vazia.

— Suma da minha frente — sibilou a professora. — E nunca mais ouse olhar para mim como se fôssemos iguais.

Izadora saiu da sala sem dizer uma palavra. O silêncio entre elas durou quinze anos.

O tempo, no entanto, é um editor implacável. Quinze anos depois, a festa de aposentadoria de Márcia, a ex-coordenadora da escola, reuniu rostos do passado em um salão elegante.

Izadora, agora uma mulher de trinta e dois anos, bem-sucedida e resolvida com sua solteirice, segurava uma taça de vinho enquanto conversava com antigos colegas. Ela não esperava ver Adriana ali.

A ex-professora estava sentada em um canto, observando o movimento. Estava aposentada, o cabelo agora totalmente cinza, mas mantinha a mesma postura ereta. O casamento, soubera Izadora por terceiros, terminara em um divórcio litigioso pouco depois daquela formatura traumática.

Izadora decidiu que não fugiria. Caminhou até a mesa.

— Boa noite, Adriana — disse Izadora, sua voz agora firme e madura.

Adriana levantou o olhar. O impacto do reconhecimento foi imediato. A voz grave, embora levemente cansada, ainda tinha o mesmo timbre.

— Izadora. Você mudou muito.

— O tempo faz isso com as pessoas — respondeu Izadora, sentando-se na cadeira vaga à frente dela. — Algumas amadurecem, outras apenas envelhecem.

Adriana deu um gole em seu uísque, os olhos avaliando a mulher à sua frente. Não havia mais o poder da sala de aula, não havia mais a autoridade da idade. Eram apenas duas mulheres com um histórico de violência e desejo.

— Soube que você nunca se casou — comentou Adriana, tentando manter o tom de superioridade, mas falhando na entrega.

— Gosto da minha liberdade — Izadora deu de ombros. — Aprendi cedo que algumas instituições são prisões disfarçadas de segurança. E você? Aposentada e sozinha?

— A solidão é um preço baixo pela paz — Adriana desviou o olhar para o salão. — Eu fui dura com você.

— Você foi cruel — corrigiu Izadora. — O tapa doeu menos do que as palavras que você usava para me diminuir na frente de todos. Por que fez aquilo?

Adriana demorou a responder. O gelo batia no vidro do copo.

— Porque eu odiava o fato de você ter me visto sem máscaras. Eu odiava o quanto você me fazia sentir viva quando eu deveria estar apenas cumprindo meu papel.

— E por isso decidiu me destruir? — Izadora sorriu, um sorriso sem humor. — Sinto informar que não funcionou. Eu vivi muito depois de você. Conheci pessoas que não precisam bater para se sentirem poderosas.

Adriana olhou para as próprias mãos, as mãos que um dia seguraram Izadora com fervor e depois a agrediram.

— Eu sei — disse a ex-professora em um sussurro.

— Fico feliz que saiba — Izadora levantou-se, ajeitando o vestido. — Aproveite sua festa, Adriana. E sua aposentadoria.

— Você já vai? — perguntou Adriana, e por um breve segundo, a vulnerabilidade transpareceu em seu rosto.

— Já fiquei tempo demais — afirmou Izadora, repetindo as palavras que Adriana lhe dissera naquela tarde na biblioteca, mas com um significado oposto. — Desta vez, eu é que decido quando ir.

Izadora caminhou em direção à saída, sentindo o olhar de Adriana queimar em suas costas. Não havia perdão, mas havia, finalmente, o encerramento. O passado era uma lição de história que Izadora já havia terminado de estudar. Ela saiu para a noite quente da cidade, pronta para conhecer alguém novo, deixando para trás o fantasma da mulher que um dia pensou amar.
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