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De volta

Fandom: Magi

Criado: 13/07/2026

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Entre o Desejo e o Rancor

— Não, estamos bem, obrigada — respondi direta, sem hesitar. — Vou subir agora, preciso descansar um pouco. Tenha uma boa noite, Lorena.

Lorena ficou parada ali por um instante, com os olhos fixos em mim, como se esperasse que eu dissesse algo mais, ou que a convidasse para ficar. Havia uma tensão silenciosa no ar, algo que ela tentava cultivar, mas eu não tinha paciência para jogos naquela noite. Apenas fiz um pequeno aceno com a cabeça e comecei a subir as escadas, deixando-a para trás no salão, mergulhada na própria frustração.

Ao entrar no quarto, o aroma suave de flores e umidade quente me atingiu. Maya acabava de sair do banho. Ela estava deslumbrante, usando um roupão branco felpudo com sua inicial bordada em dourado no peito. Seus cabelos ainda estavam levemente úmidos, e a pele irradiava aquele frescor pós-banho que sempre me atraía.

Eu não disse nada de imediato. Apenas soltei um suspiro pesado e me joguei sobre a cama, exausta. O colchão macio pareceu me abraçar, mas minha mente ainda estava acelerada pelos eventos do dia em Magnostadt.

Maya sorriu, um brilho travesso surgindo em seus olhos escuros. Ela veio na minha direção com passos leves e sentou-se na beirada da cama, pondo os pés sobre o lençol para começar a passar creme nas pernas. O movimento era lento, quase hipnótico.

— Que foi? — perguntou ela, a voz suave como seda.

— Tô exausta, Garcia — murmurei contra o travesseiro, usando o sobrenome dela como costumava fazer quando queria ser manhosa ou estava sem energia.

Maya parou o movimento das mãos por um segundo, olhando-me de cima a baixo. O olhar dela mudou. Não era mais apenas carinho; havia algo mais profundo ali, uma centelha de desejo que começou a aquecer o quarto. Ela terminou de espalhar o creme e se inclinou sobre mim, o cheiro do seu perfume misturado ao calor do corpo me fazendo abrir os olhos.

— Você está tensa — disse ela, a voz baixando um tom. — Mas antes de qualquer coisa... vá tomar um banho. Você vai se sentir melhor se tirar essa poeira do corpo.

Eu resmunguei, fingindo resistência, mas a verdade é que o jeito que ela me olhava já estava despertando algo em mim que o cansaço não conseguia apagar. Levantei-me com esforço e caminhei até o banheiro.

Alguns minutos depois, saí de lá apenas de roupão, sentindo a água quente ter feito milagres pelos meus músculos, mas feito estragos na minha sanidade. Maya ainda estava na cama, mas agora estava deitada de lado, observando a porta.

Quando meus olhos encontraram os dela, o ar pareceu desaparecer. Giovanna, minha mente gritava, mas meu corpo apenas reagia. A forma como o roupão dela estava levemente aberto no decote e a maneira como ela mordeu o lábio inferior me fizeram perder o juízo instantaneamente.

— Melhor agora? — perguntou ela, estendendo a mão para mim.

Eu não respondi com palavras. Aproximei-me da cama e segurei sua mão, puxando-a para que ela ficasse de pé na minha frente. O contraste entre o branco dos nossos roupões e a intensidade do que sentíamos era quase palpável. Eu a puxei pela cintura, colando nossos corpos.

— Você não tem ideia do que está fazendo comigo — sussurrei, sentindo o calor dela atravessar o tecido.

Maya riu baixo, um som rouco que vibrou contra meu pescoço quando ela se inclinou para me beijar.

— Ah, eu tenho uma boa ideia, Giovanna. E pretendo fazer muito mais.

Suas mãos subiram para o meu rosto, puxando-me para um beijo profundo, urgente. Era como se estivéssemos recuperando o tempo perdido, cada toque sendo uma afirmação de posse e desejo. Eu a empurrei suavemente de volta para a cama, e o som dos nossos corpos se encontrando ecoou pelo quarto silencioso.

Do lado de fora, no corredor mal iluminado, Lorena caminhava em direção ao seu próprio quarto. Ela parou abruptamente diante da porta de Maya e Giovanna. O silêncio da estalagem era quebrado apenas pelo som distante do vento, mas, conforme ela se aproximava, outros sons começaram a vazar pelas frestas da madeira pesada.

O som de risadas baixas logo deu lugar a suspiros pesados. Lorena sentiu o sangue ferver. Ela apertou os punhos ao lado do corpo, as unhas cravando na palma das mãos.

— Maya... — a voz de Giovanna ecoou, carregada de uma entrega que Lorena nunca ouvira antes.

Lorena encostou a cabeça na parede ao lado da porta, fechando os olhos com força. O som de beijos molhados e o roçar de lençóis eram como agulhas em sua pele. Ela ouvira o desprezo de Giovanna lá embaixo, a forma como fora dispensada com um simples "boa noite", e agora, ouvir a paixão desenfreada que acontecia a poucos metros de distância a deixava possuída por uma raiva gélida.

Lá dentro, o clima atingia o ápice. Maya tinha o controle, as mãos explorando cada curva de Giovanna com uma maestria que a fazia perder o fôlego.

— Mais... — pediu Giovanna, a voz falhando, as mãos perdidas nos cabelos de Maya. — Não para.

Maya sorriu contra a pele dela, sentindo a pulsação acelerada de Giovanna sob seus lábios. Ela sabia exatamente como fazê-la perder o juízo, como transformar aquela exaustão em puro prazer.

— Eu não vou a lugar nenhum — sussurrou Maya, antes de se entregar novamente àquele emaranhado de lençóis e desejo.

No corredor, Lorena soltou um suspiro trêmulo, uma mistura de ódio e inveja. Ela deu um passo para trás, encarando a porta de carvalho como se pudesse incendiá-la apenas com o olhar. O som de um gemido mais alto de Giovanna foi o limite.

Sem olhar para trás, Lorena girou nos calcanhares e caminhou rapidamente para o seu quarto, cada passo ecoando sua frustração. Ela não esqueceria aquela noite. Enquanto Giovanna e Maya se perdiam uma na outra, Lorena alimentava uma chama muito diferente: a do rancor que, em breve, buscaria sua própria forma de sair.
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