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Haaland

Fandom: Haaland

Criado: 13/07/2026

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Acordes de um Novo Destino

O sol da tarde de Buenos Aires entrava pelas grandes janelas da sala, iluminando os estojos de guitarras espalhados pelo tapete. Maria observava a cena com um sorriso leve, sentindo uma paz que, por dez anos, acreditou ser impossível de alcançar. No centro da sala, Patrício Sardelli afinava seu violão enquanto as trigêmeas — Luna, Sol e Maya — tentavam acompanhar o ritmo em seus próprios instrumentos.

Aos quinze anos, as meninas eram a imagem cuspida de Erling Haaland, com o mesmo vigor atlético e os cabelos loiros, mas a alma delas agora vibrava em uma frequência diferente. Elas não eram mais apenas as filhas do astro do Manchester City; eram adolescentes florescendo sob o sol argentino, influenciadas pela melodia dos irmãos Sardelli.

— Não, Maya, o acorde é um Lá maior aqui — explicou Patrício, com paciência, posicionando os dedos da enteada nas cordas. — Escute a vibração.

— Assim, Pato? — perguntou a menina, arrancando um som limpo do instrumento.

— Perfeito. Você tem o ouvido do seu tio Guido — brincou ele, piscando para Maria.

Maria sentiu um aperto suave no peito, mas desta vez era de felicidade. Ela estava grávida de dois meses. Apenas o círculo íntimo sabia: os irmãos de Patrício, Gastón e Guido, e as meninas. Para o resto do mundo e, principalmente, para o homem que destruiu sua fé no amor anos atrás, ela era apenas uma ex-mulher que havia desaparecido no mapa após o divórcio conturbado.

A separação de Haaland fora um espetáculo midiático doloroso. A descoberta da traição dele com Isabel, a mulher com quem ele agora tinha um filho, foi o estopim para Maria pegar as filhas e se mudar primeiro para os Estados Unidos, buscando anonimato, e depois para a Argentina, onde encontrou não apenas um novo lar, mas um novo amor.

O silêncio da tarde foi interrompido pelo toque insistente do celular de Maria. O visor mostrava o nome que ela evitava ao máximo: Erling.

Ela suspirou e caminhou até a varanda para atender. A relação deles era estritamente burocrática, limitada a datas de visitas e pensão.

— Alô, Erling. Aconteceu algo? — perguntou ela, mantendo a voz neutra.

— Eu quero as meninas em Manchester nas férias de verão — a voz dele soou potente, carregada daquele sotaque norueguês que um dia ela amou. — Isabel e o pequeno Erik sentem falta delas.

— As meninas têm planos, Erling. Elas estão ensaiando para uma apresentação na escola de música e...

— Música? — ele riu do outro lado, um som seco. — Elas deveriam estar treinando. O preparador físico que contratei disse que elas têm potencial para o atletismo de elite. Maria, não desperdice o DNA delas.

— O DNA delas pertence a elas, não a você — rebateu Maria, sentindo a náusea da gravidez apertar. — Elas vão te ligar mais tarde. Tenho que desligar.

Ela não deu tempo para resposta. Voltou para a sala e encontrou Gastón e Guido entrando com caixas de pizza, rindo alto.

— A melhor família de músicos da Argentina chegou! — anunciou Gastón, abraçando Sol e Luna ao mesmo tempo. — Como está o nosso sobrinho ou sobrinha aí dentro, Maria?

— Com fome, pelo visto — ela riu, sentindo-se acolhida.

A dinâmica era orgânica. As meninas adoravam os tios "postiços" e a energia vibrante da família Sardelli. Naquela casa, não se falava de gols ou estatísticas, mas de poesia, composição e o valor da liberdade.

Algumas semanas depois, a notícia do casamento de Maria e Patrício vazou. Mas não foi apenas o casamento. Uma foto de paparazzi capturou Maria e Patrício saindo de uma clínica obstétrica em Palermo, com Maria exibindo uma barriguinha já perceptível.

O impacto em Manchester foi imediato.

Dois dias depois, o jato particular de Haaland pousou em Ezeiza. Ele não avisou. Ele simplesmente apareceu na porta da casa de Maria em um condomínio fechado, exigindo respostas.

Quando Maria abriu a porta, deparou-se com o gigante loiro. Ele parecia fora de lugar naquele ambiente de cores quentes e buganvílias.

— Você vai casar? — foi a primeira coisa que ele disse, sem cumprimentos. — E está grávida?

— Entre, Erling. Não faça cena na calçada — disse Maria, dando espaço.

Ele entrou na sala e estancou. As paredes eram decoradas com fotos das meninas rindo com Patrício, fotos delas no palco com a banda Airbag, e uma foto grande de Maria e Patrício se beijando sob o pôr do sol.

— Quem é esse cara? — perguntou Erling, apontando para Patrício, que acabara de descer as escadas vestindo uma camiseta preta de banda e calças jeans rasgadas.

Patrício manteve a calma. Ele sabia quem era Haaland, o mundo inteiro sabia, mas ele não se intimidou.

— Eu sou o Patrício, o noivo da Maria — disse ele, estendendo a mão.

Erling ignorou a mão estendida, os olhos fixos na barriga de Maria. O ciúme, um sentimento que ele raramente experimentava por ter tudo o que queria, subiu-lhe à garganta.

— Você me substituiu por um... um músico? — Erling desdenhou.

Nesse momento, as trigêmeas entraram correndo na sala, vindas do jardim.

— Pato! Olha o riff que a gente aprendeu! — gritou Luna, mas parou bruscamente ao ver o pai biológico. — Oi, pai. O que faz aqui?

O tom de Luna não era de alegria, mas de surpresa educada. Erling sentiu o golpe.

— Vim ver vocês. E saber por que não me contaram que teria um... um irmãozinho.

— A gente achou que a mamãe deveria contar quando estivesse pronta — disse Maya, aproximando-se de Patrício e ficando ao lado dele de forma protetora. — O Pato tem cuidado muito bem dela. E da gente também.

— Ele ensinou a Sol a tocar bateria, pai! — disse Luna, animada, tentando quebrar o gelo. — E o tio Guido vai produzir nossa primeira demo.

Erling olhou para as filhas. Elas pareciam mais felizes, mais soltas do que ele jamais as vira em Manchester. Havia uma cumplicidade entre elas e Patrício que ele, em dez anos de casamento e quinze de paternidade, nunca conseguira construir por estar sempre focado em sua própria glória.

— Eu quero conversar com a Maria. A sós — exigiu Erling.

Patrício olhou para Maria, buscando um sinal. Ela assentiu levemente.

— Meninas, vão para o estúdio com o Pato. Eu já vou — disse ela.

Quando ficaram sozinhos, Erling começou a andar de um lado para o outro.

— Isso é ridículo, Maria. Você nos mudou para o fim do mundo para viver com um guitarrista? E esse filho? Como você pôde?

— Como eu pude o quê, Erling? Seguir minha vida? — Maria cruzou os braços sobre a barriga. — Você tem um filho com a mulher que destruiu nosso casamento. Você seguiu em frente no segundo em que eu saí de casa. Eu levei dois anos para me curar.

— Mas as meninas... elas o chamam de "Pato". Elas parecem... — ele hesitou, a palavra custando a sair — ...em casa com ele.

— Porque elas estão em casa, Erling. A família do Patrício as recebeu como se fossem sangue deles. Gastón e Guido são como irmãos mais velhos para elas. Elas não são "o DNA de Haaland" aqui. Elas são apenas a Luna, a Sol e a Maya.

Erling sentou-se no sofá, parecendo subitamente menor do que seus quase dois metros de altura. Ele olhou para um porta-retratos na mesa de centro. Era uma foto das meninas com Patrício e os irmãos dele, todos sujos de farinha, fazendo pizza.

— Eu perdi muita coisa, não é? — perguntou ele, a voz baixa.

— Você escolheu perder, Erling. Mas você ainda é o pai delas. Só precisa aceitar que a vida delas agora tem mais notas musicais do que gols. E que eu encontrei alguém que não precisa me trair para se sentir homem.

O silêncio que se seguiu foi preenchido pelo som de uma bateria vindo do fundo da casa. Era Sol, praticando um ritmo complexo. Erling ouviu, chocado com a precisão e a força das batidas da filha.

— Ela é boa — admitiu ele, a contragosto.

— Ela é incrível — corrigiu Maria. — Todos eles são.

Erling levantou-se, olhando para Maria com uma mistura de arrependimento e uma ponta de inveja da paz que ela exalava.

— Eu vou para o hotel. Amanhã quero almoçar com elas. Posso?

— Claro. Desde que não tente convencê-las a ir para um acampamento de futebol na Noruega.

Ele soltou um riso curto e sem graça.

— Vou tentar me comportar.

Ao sair, Erling cruzou com Patrício no corredor. O músico apenas acenou com a cabeça, um gesto de respeito entre homens que compartilhavam, de formas diferentes, o amor pelas mesmas pessoas.

Quando a porta se fechou, Patrício abraçou Maria por trás, repousando as mãos sobre o ventre dela.

— Ele ficou impressionado — comentou Patrício.

— Ele ficou em choque — corrigiu Maria, encostando a cabeça no ombro do noivo. — Ele nunca imaginou que a vida poderia ser tão barulhenta e feliz sem ele.

— E vai ficar ainda mais barulhenta daqui a sete meses — brincou Patrício, beijando o pescoço dela.

Naquele momento, Maria soube que a melodia que haviam composto juntos era muito mais forte do que qualquer grito de torcida em um estádio lotado. Ela estava finalmente em casa, e o passado, embora alto e imponente, não passava agora de um eco distante.
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