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Fandom: Airbag

Criado: 13/07/2026

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O Acorde que o Silêncio Não Conseguiu Tocar

O brilho das luzes da arena de Buenos Aires era quase cegante, mas para Maria, o mundo parecia se resumir ao homem parado no centro do palco, com uma guitarra pendurada no peito e um olhar que atravessava a multidão de milhares de pessoas apenas para encontrá-la no canto VIP da lateral.

Patricio Sardelli não era um homem de meias medidas. Quando ele amava, amava com a intensidade de um solo de guitarra distorcido; quando ele cantava, parecia que sua alma estava sendo arrancada e entregue ao público. E naquela noite, a entrega tinha um nome.

Maria sentiu um aperto no peito, mas desta vez não era a dor sufocante que a acompanhara por quase uma década. Era algo novo. Algo vibrante.

Dois anos antes, ela estava em ruínas. Nove anos. Esse era o tempo que ela havia dedicado a Tom. Nove anos de tapetes vermelhos, de esperas em sets de filmagem, de planos sussurrados que nunca saíam do papel. Quando ela finalmente reuniu coragem para perguntar por que a aliança nunca chegava, a resposta de Tom foi um gaguejar desconexo sobre "carreira", "pressão" e "tempo". O término veio como um golpe seco, mas a verdadeira facada foi ver, poucos meses depois, as fotos dele com Zendaya. O noivado que ele dizia não estar pronto para ter com Maria parecia ter se materializado magicamente para o mundo inteiro ver.

Ela fora descartada como um rascunho de uma história que ele agora escrevia com outra pessoa.

— Você está muito pensiva hoje — a voz rouca de Pato a trouxe de volta ao presente, embora fosse apenas uma lembrança da noite anterior, quando estavam no camarim.

No palco, Patricio se aproximou do microfone. O estádio silenciou. Os irmãos, Gastón e Guido, trocaram um olhar cúmplice.

— Esta próxima música... — Patricio começou, a voz ecoando pelas caixas de som monumentais — ... eu a escrevi em um momento de silêncio. Eu conheci alguém que tinha sido ensinada que o amor era uma espera eterna. Mas o amor não é espera. O amor é presença. Maria, esta é para você.

Os primeiros acordes de "Cicatrices de Cristal" preencheram o ar. O público explodiu em um rugido, mas Maria sentiu como se estivesse em uma bolha. As câmeras do telão focaram nela por um breve segundo — o suficiente para o mundo ver a mulher que havia capturado o coração do rockstar argentino.

Enquanto a música fluía, Maria não pôde evitar que seu celular vibrasse no bolso. Ela sabia quem era. Desde que os rumores sobre ela e Patricio começaram a vazar, e especialmente após as fotos "discretas" em jantares em Palermo, certas pessoas do passado decidiram que tinham o direito de reaparecer.

Ela ignorou. O visor mostrava uma notificação de mensagem de um número internacional. "Podemos conversar? Vi as notícias. Isso não combina com você, Maria."

Ela soltou um riso seco que se perdeu na melodia da bateria. Tom sempre achou que sabia o que combinava com ela. Ele a queria em um pedestal de porcelana, silenciosa e previsível. Patricio a queria no caos, na música, na vida real.

Após o show, o camarim era uma mistura de adrenalina e suor. Patricio entrou como um furacão, jogando a palheta para o lado e indo direto até ela. Ele a envolveu em um abraço que cheirava a couro e performance.

— Você é louco — sussurrou Maria, escondendo o rosto no pescoço dele. — O mundo inteiro vai falar disso amanhã.

— Que falem — disse Patricio, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. — Eu cansei de me esconder nos cantos. Você não é um segredo, Maria. Nunca deveria ter sido.

— Você sabe que ele mandou mensagem, não sabe? — Maria perguntou, finalmente deixando o assunto vir à tona.

Patricio endureceu levemente os ombros, mas um sorriso arrogante e charmoso surgiu em seus lábios.

— O ator? — perguntou ele, pegando uma garrafa de água. — O que ele quer agora? Um autógrafo?

— Ele acha que eu estou em uma fase rebelde — Maria revirou os olhos, sentando-se no sofá de couro desgastado. — Ele não consegue conceber que eu simplesmente segui em frente. Que eu não sou mais a "Maria do Tom".

— Você nunca foi dele — Patricio sentou-se ao lado dela, pegando sua mão. — Ele apenas teve a sorte de estar por perto enquanto você descobria quem era. Mas ele perdeu o tempo dele. E eu não pretendo perder o meu.

O silêncio que se seguiu foi interrompido pela porta abrindo. Gastón entrou, rindo com um celular na mão.

— Pato, você quebrou a internet na Argentina e no Reino Unido. Tem tabloide londrino perguntando se a "ex-namorada do Homem-Aranha" agora é uma groupie de rock.

Maria sentiu uma pontada de irritação, mas Patricio foi mais rápido.

— Groupie? — Patricio levantou-se, a voz carregada de uma autoridade protetora. — Se alguém chamar a mulher que inspirou o melhor álbum da minha carreira de groupie, eu mesmo faço questão de responder.

— Calma, irmão — disse Gastón, levantando as mãos em sinal de paz. — Eu só estou dizendo que o barulho está alto. O círculo social do seu ex está fervendo de ciúmes, Maria. Parece que a perfeição de Hollywood não gosta de ser ofuscada por uns roqueiros latinos.

Maria pegou o celular e, pela primeira vez em dois anos, não sentiu medo. Ela bloqueou o número de Tom definitivamente. Não por raiva, mas por falta de espaço.

— Deixe que fervam — disse Maria, levantando-se e caminhando até Patricio. — Eu passei nove anos tentando caber em um roteiro que não foi escrito para mim.

— E agora? — perguntou Patricio, passando o braço pela cintura dela, puxando-a para perto diante dos irmãos, sem qualquer traço da discrição de meses atrás.

— Agora — Maria sorriu, sentindo o ritmo do coração dele contra o seu — eu prefiro o improviso.

— O improviso é onde as melhores notas acontecem — Patricio inclinou-se para beijá-la.

Naquela noite, enquanto as redes sociais explodiam com comparações, fotos antigas e teorias de fãs, Maria dormiu com o som da respiração pesada de Patricio ao seu lado. O ciúme de Tom, as indiretas de Zendaya em entrevistas polidas ou os comentários maldosos da elite de Hollywood eram apenas ruído branco.

Ela tinha encontrado alguém que não precisava de nove anos para saber que ela era a única. Alguém que não escondia o amor por trás de contratos de publicidade ou medo do compromisso.

Pela manhã, o celular de Maria brilhou com uma nova notificação. Não era uma mensagem de arrependimento de um ex-marido que nunca chegou a ser marido de fato. Era um link enviado por Patricio, que já estava na cozinha com seus irmãos fazendo barulho.

Era uma nova demo. O título do arquivo era simplesmente: "Nossa Vez".

Maria deu o play e fechou os olhos. A música era alta, crua e absolutamente dela.

— Ei — chamou Patricio da porta, segurando duas xícaras de café e usando apenas uma calça de moletom, o cabelo bagunçado de um jeito que Tom Holland nunca permitiria ser fotografado. — Gostou do refrão?

— É um pouco barulhento — brincou ela, levantando-se da cama.

— É Airbag, meu amor — ele piscou, entregando-lhe o café. — Se não incomodar os vizinhos e os ex-namorados, a gente está fazendo errado.

Maria riu, um som livre e autêntico. Ela finalmente tinha entendido que o amor não era um contrato de longo prazo com cláusulas de rescisão dolorosas. O amor era um show ao vivo, com falhas, suor e uma melodia que nunca parava de tocar. E ela nunca esteve tão pronta para o bis.
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