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Fandom: Contryhumans

Criado: 13/07/2026

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Entre Fumaça e Seda

O corredor do Ministério das Relações Internacionais cheirava a café forte e papel novo, mas para China, aquele aroma era constantemente interrompido por algo que o irritava profundamente: o cheiro de tabaco. Ele ajustou os óculos no rosto, seus olhos vermelhos escuros percorrendo os relatórios de exportação com uma precisão cirúrgica. Aos 25 anos, China era o epítome da eficiência. Disciplinado, focado e avesso a qualquer tipo de desordem, ele acreditava que o trabalho era o pilar central da existência.

Pena que seu novo colega de equipe parecia ter sido enviado pelo destino apenas para testar os limites de sua sanidade.

Brasil, um jovem de 22 anos com um sorriso que parecia esconder sempre uma piada interna, era o oposto de tudo o que China representava. Com seus 1,67m, ele era menor que o chinês, mas sua presença preenchia a sala de uma forma barulhenta e caótica.

— Brasil! — China exclamou, sem tirar os olhos da tela do computador. — Eu já disse que é proibido fumar dentro do escritório. As normas de segurança são claras.

Um som de riso abafado veio do canto da sala. Brasil estava encostado na janela aberta, segurando um cigarro entre os dedos longos. Seus cabelos escuros, um pouco mais compridos do que o padrão exigido, caíam sobre os olhos de forma rebelde. Quando ele sorriu, um de seus dentes caninos — levemente mais pontudo, como o de um morcego — apareceu sobre o lábio inferior.

— Relaxa, Chininha — Brasil soltou a fumaça para fora da janela, piscando um olho para o colega. — A janela tá aberta, o vento leva. Você precisa de menos planilhas e mais dopamina. Tá muito tenso, cara.

— Meu nome não é "Chininha" — respondeu o mais velho, sentindo uma veia pulsar em sua têmpera. — E a "dopamina" que eu preciso é ver este relatório entregue no prazo. Apague isso agora.

Brasil soltou um suspiro dramaticamente longo, mas obedeceu, esmagando o cigarro no cinzeiro improvisado que ele carregava no bolso. Ele caminhou até a mesa de China, sentando-se na borda dela com uma agilidade atlética que denunciava seu corpo magro, porém bem cuidado.

— Você é tão certinho que chega a ser fofo — provocou Brasil, inclinando-se para frente. — Sabia que se você franzir a testa assim por muito tempo, vai ficar com rugas antes dos trinta?

China finalmente levantou o olhar. A proximidade de Brasil sempre trazia aquele ar de provocação barata, mas havia algo no olhar do brasileiro que era difícil de ignorar: uma energia vibrante que China não conseguia compreender.

— Volte para sua mesa, Brasil. Temos a reunião de cúpula em trinta minutos.

— Ih, é mesmo! — Brasil saltou da mesa, batendo a mão na testa. — Esqueci que hoje tem que usar aquela coleira de pano... como é o nome? Ah, gravata.

China apenas balançou a cabeça, voltando ao trabalho enquanto ouvia os passos leves de Brasil se afastando pelo corredor.

Cerca de quinze minutos depois, China percebeu que havia esquecido sua própria pasta de anotações no vestiário privativo dos funcionários de alto escalão, onde costumavam deixar seus pertences e trocar os uniformes de campo pelos ternos formais. Ele caminhou apressado, sua mente já revisando os pontos principais do discurso que teria que proferir.

Ao abrir a porta do vestiário com um movimento brusco, ele parou imediatamente. O som da porta batendo na parede ecoou pelo ambiente silencioso.

Ali, no meio do vestiário, Brasil estava de costas. Ele estava sem camisa.

China sentiu o ar fugir de seus pulmões por um segundo. Ele sempre soube que Brasil era "atlético", mas ver a realidade era diferente. A pele de Brasil tinha um tom quente, e seus músculos eram definidos de forma sutil, sem exageros, típicos de quem pratica esportes de agilidade. As escápulas se moviam sob a pele enquanto ele lutava com algo em suas mãos.

Brasil se virou rapidamente ao ouvir o barulho, seus cabelos escuros bagunçados ao redor do rosto.

— Opa! — Brasil soltou uma risada curta, sem parecer nem um pouco envergonhado pela nudez parcial. — Entra aí, a festa tá só começando.

China sentiu o calor subir pelo pescoço, atingindo suas bochechas com uma intensidade que ele não conseguia controlar. Ele desviou o olhar para o chão, mas a imagem do peitoral definido e do abdômen de Brasil parecia gravada em sua retina.

— Eu... eu sinto muito — gaguejou China, algo extremamente raro para ele. — Eu vim buscar minha pasta. Não sabia que você ainda estava se trocando.

— Relaxa, a gente é tudo homem, não é? — Brasil deu um passo à frente, segurando uma tira de seda verde e amarela nas mãos. — Mas já que você apareceu como um anjo salvador... me dá uma mãozinha aqui?

China finalmente olhou para o rosto de Brasil, tentando manter o contato visual estritamente acima da linha dos ombros. O brasileiro parecia genuinamente frustrado com o pedaço de pano em suas mãos.

— Eu não consigo fazer essa droga de nó — confessou Brasil, fazendo um biquinho que destacava seu dente de morcego. — Eu tento, tento e no final parece que eu tô tentando me enforcar. Você é o mestre da etiqueta, não é? Ajuda o parceiro aqui.

China hesitou. Seu coração batia um pouco mais rápido do que o normal.

— Você deveria aprender a fazer isso sozinho, Brasil. É uma habilidade básica para alguém na sua posição.

— Pois é, mas eu sou um desastre — Brasil se aproximou ainda mais, ficando a poucos centímetros de China. — Vai, Chininha. Por favor? Senão eu vou entrar lá parecendo um desleixado e você vai ficar com vergonha de sentar do meu lado.

China soltou um suspiro pesado, tentando recuperar sua compostura habitual.

— Tudo bem. Fique parado.

Ele se aproximou. A diferença de altura obrigou Brasil a inclinar levemente a cabeça para trás para que China pudesse trabalhar. China pegou a gravata das mãos de Brasil, suas pontas dos dedos roçando acidentalmente na pele quente do outro. O contato enviou uma faísca elétrica pelo braço de China, que ele tentou ignorar a todo custo.

— Você precisa manter a postura ereta — instruiu China, sua voz saindo um pouco mais rouca do que o pretendido.

— Sim, senhor, capitão — zombou Brasil em voz baixa, mas ele ficou estranhamente quieto enquanto China passava o tecido ao redor de seu pescoço.

China começou a cruzar as pontas da gravata. Ele estava tão perto que podia sentir o calor emanando do corpo de Brasil. O cheiro de tabaco, que normalmente o irritava, agora estava misturado a um perfume cítrico e fresco, criando uma combinação inebriante.

China tentava manter o foco no nó, mas era impossível não notar a suavidade da pele do pescoço de Brasil ou a forma como a clavícula dele se movia quando ele respirava. Os olhos vermelhos de China baixaram involuntariamente, capturando a visão do peito de Brasil, tão perto que ele poderia encostar o próprio rosto ali se desse um passo em falso.

— Você tá bem? — perguntou Brasil. Sua voz não tinha o tom provocador de sempre. Estava suave, quase um sussurro. — Suas mãos estão tremendo um pouco.

— É o café — mentiu China rapidamente, concentrando-se em puxar a ponta da gravata pelo laço. — Eu bebi demais esta manhã.

— Sei... — Brasil sorriu de canto, observando a expressão concentrada e o rosto visivelmente corado do chinês. — Você fica bonito quando tá focado. Sabia?

China parou o movimento por um segundo, seus olhos encontrando os de Brasil. O brasileiro o encarava com uma intensidade nova, uma mistura de diversão e algo mais profundo, algo que fez o estômago de China dar um nó mais apertado do que o da gravata.

— Não diga bobagens — murmurou China, terminando o nó e ajustando o colarinho da camisa que Brasil ainda não tinha abotoado completamente. — Pronto. Está feito.

China tentou se afastar, mas Brasil foi mais rápido. Ele segurou levemente os pulsos de China, impedindo-o de recuar.

— Calma aí, apressadinho — Brasil riu, seus olhos brilhando. — Ainda falta o paletó. E você esqueceu de fechar os botões da camisa pra mim.

— Brasil, você tem mãos — retrucou China, embora não fizesse nenhum esforço real para se soltar.

— Mas as suas são muito mais precisas — Brasil soltou os pulsos dele e fez um gesto dramático para o próprio peito. — Vai lá, termina o serviço. Eu prometo que não fumo na sala de reuniões hoje. Nem uma vez.

China olhou para os botões da camisa branca e depois para o rosto expectante de Brasil. Ele sabia que estava sendo manipulado, que Brasil estava adorando vê-lo perder a compostura, mas havia uma parte dele que não queria sair dali.

Com dedos que ele lutava para manter firmes, China começou a abotoar a camisa de Brasil, de baixo para cima. Cada botão que ele fechava parecia esconder uma parte daquele corpo que o distraía, mas a tensão no ar só aumentava.

Quando ele chegou ao último botão, perto da garganta, seus dedos tocaram o queixo de Brasil.

— Pronto — disse China, sua voz quase sumindo. — Agora coloque o paletó e vamos. Estamos atrasados.

Brasil deu um passo para trás, finalmente vestindo o paletó escuro que estava pendurado no armário. Ele se olhou no espelho, ajeitando o cabelo com as mãos.

— Olha só, eu pareço até um diplomata de verdade — Brasil piscou para o reflexo de China no espelho. — Valeu, Chininha. Você é um amigão.

China apenas pegou sua pasta, que estava sobre o banco de madeira, e caminhou em direção à porta. Antes de sair, ele parou e olhou por cima do ombro.

— Se eu vir você com um cigarro hoje, eu mesmo confisco todos os seus isqueiros.

Brasil soltou uma gargalhada sonora, seguindo-o pelo corredor.

— Sim, senhor! Mas ó... se eu me comportar, você faz o nó da gravata pra mim amanhã de novo?

China não respondeu, mas enquanto caminhava apressado para a reunião, ele sentiu um pequeno sorriso, quase imperceptível, surgir em seus lábios. A irritação ainda estava lá, mas agora, ela vinha acompanhada de um calor que nenhuma planilha de exportação jamais conseguiria explicar.
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