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amores proibidos

Fandom: adolescentes

Criado: 13/07/2026

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Entre Giz, Dança e Desejos Proibidos

O sol de Porto Alegre mal havia cruzado a linha do horizonte quando Adriana estacionou seu carro em frente ao Colégio Romano Santa Marta. Aos 53 anos, a professora de História exalava uma elegância autoritária que fazia os corredores silenciarem. O coque impecável e os óculos de leitura pendurados no pescoço eram sua marca registrada. No entanto, naquela manhã, uma tontura súbita a fez segurar no capô do veículo.

— Tudo bem, Adriana? — Maria Eduarda, a supervisora, aproximou-se com o cenho franzido. — Você está pálida.

— Só um mal-estar passageiro, Duda. Coisa da idade ou talvez o café forte demais — mentiu Adriana, respirando fundo para disfarçar o tremor nas mãos.

No segundo andar, Anna Helena e Izadora observavam a cena da janela do terceiro ano. Anna, com seus 17 anos e a mente sempre orbitando entre os passos de dança e a figura misteriosa de Telesca, cutucou a amiga.

— Olha lá a tua obsessão, Iza. Parece que viu um fantasma.

Izadora, de apenas 15 anos e no primeiro ano do ensino médio, suspirou pesado, colando o rosto no vidro.

— Ela é perfeita até passando mal, Anna. Imagina só, eu tenho que esperar um ano inteiro para ter aula com ela de novo. O destino é cruel.

— Cruel é a Camila nos encarando lá do fundo do pátio — rebateu Anna, mudando o tom de voz para algo mais sombrio.

As duas olharam para a coordenadora, Camila, que mantinha os braços cruzados e um olhar predatório. O afastamento entre elas havia sido traumático. Desde o dia em que Camila, em um surto de falta de limites, decidira mostrar fotos íntimas de seus próprios seios para as adolescentes, a amizade morrera. Agora, Camila vivia em um ciclo de bloqueios em redes sociais e fofocas ácidas, focada apenas em suas conquistas sexuais e no desejo obsessivo pelo professor de matemática, Gustavo.

— Ela só sabe falar de como quer "pegar" o Gustavo na sala dos professores — sussurrou Izadora, fazendo uma careta de nojo. — Vamos para a aula antes que ela venha falar de fluidos corporais de novo.

A manhã passou como um borrão. Na aula de Adriana, Anna Helena tentava se concentrar na Revolução Francesa, mas seus olhos fugiam para a porta, onde Telesca, a aluna do segundo ano, passava propositalmente devagar, lançando olhares intensos que faziam o estômago de Anna dar piruetas.

À tarde, o cenário mudou para o Colégio Emílio Massot. O projeto de dança para crianças carentes era o refúgio das meninas, e Adriana, como vice-diretora, estava lá para supervisionar. No entanto, o mal-estar da professora piorou. No meio de uma coreografia, Adriana desabou em uma cadeira, o suor frio escorrendo pela têmpora.

— Professora! — Izadora correu, esquecendo qualquer protocolo. — Anna, pega água!

— Eu estou bem, menina... — Adriana tentou levantar, mas a tontura a venceu.

O que ninguém esperava era que, no meio do caos, a tensão acumulada de meses explodisse. Adriana, sentindo-se vulnerável, permitiu que as meninas a levassem para a sala da vice-diretoria. Anna Helena, percebendo que Izadora estava em transe ao tocar o braço da professora, deu uma desculpa e saiu para buscar a supervisora, deixando as duas sozinhas.

— Você cuida muito bem de mim, Izadora — murmurou Adriana, a voz rouca. — É uma pena que seja tão jovem.

O clima na sala mudou drasticamente. A obsessão de Izadora encontrou, pela primeira vez, um eco no olhar cansado, mas faminto, da mulher casada. Adriana, sufocada por um casamento de conveniência e pela rotina exaustiva, viu na devoção daquela adolescente uma chama que julgava extinta.

— Eu esperaria mil anos, Adriana — confessou Izadora, a ousadia superando o medo.

Enquanto isso, no corredor lateral, Anna Helena foi interceptada por Telesca. A garota do segundo ano a prensou levemente contra a parede de azulejos descascados.

— Você corre demais, Anna Helena — disse Telesca, a voz baixa, quase um sussurro contra o pescoço da outra. — Eu cansei de só olhar.

— Telesca... a gente está na escola — Anna tentou protestar, mas suas mãos já buscavam a cintura da garota.

— Ninguém está vendo. Estão todos preocupados com a vice-diretora.

O beijo foi urgente, carregado de meses de fanfics escritas em cadernos escondidos e trocas de olhares silenciosas. Anna sentiu que o mundo girava mais rápido que qualquer pirueta de dança.

Contudo, a bolha de romance foi estourada por um grito estridente. Camila, a coordenadora, estava parada no fim do corredor, segurando o celular.

— Mas que pouca vergonha é essa? — Camila riu, mas era um riso amargo, desprovido de humor. — A santinha e a rebelde? E eu aqui, tentando algo com o Gustavo enquanto vocês se pegam no corredor?

— Cala a boca, Camila! — Anna se afastou de Telesca, sentindo o sangue ferver. — Você não tem moral nenhuma para falar de ninguém depois do que fez com a gente.

— Eu mostrei o que é o corpo real, queridinha. Coisa que vocês ainda não conhecem — Camila se aproximou, o olhar vidrado. — Eu vou contar tudo para a Maria Eduarda. Vocês estão ferradas.

— Ah, você vai contar? — Izadora apareceu na porta da sala da vice-diretoria, seguida por uma Adriana que, apesar de ainda pálida, mantinha a postura imperial. — Pois nós já contamos.

O plot twist atingiu Camila como um soco. Maria Eduarda, a supervisora, apareceu logo atrás de Adriana, com os braços cruzados e uma expressão de profunda decepção.

— Camila, nós precisamos conversar na minha sala. Agora — disse Maria Eduarda. — E traga seu celular. Recebi denúncias sobre o conteúdo que você anda compartilhando com as alunas.

O castelo de cartas de Camila desmoronou. Ela tentou balbuciar algo sobre Gustavo, sobre como o sexo era a única coisa que importava naquele ambiente repressivo, mas foi escoltada para fora sob o olhar vigilante da supervisão.

Semanas depois, o ambiente no Romano e no Massot havia mudado. Camila fora afastada e respondia a um processo administrativo. Adriana, após exames que constataram apenas estresse severo e anemia, decidiu pedir o divórcio, percebendo que a vida era curta demais para ser vivida pela metade.

Em uma noite quente, após o encerramento do projeto de dança, o grupo se reuniu na casa de Anna Helena. A liberdade tinha um gosto doce.

— Eu ainda não acredito que a gente contou tudo — disse Anna, abraçada a Telesca no sofá. As duas agora eram um casal oficial, para o deleite dos corredores da escola e para a paz de espírito de Anna.

— Foi o melhor que fizemos — respondeu Izadora, sentada no tapete. — A Maria Eduarda foi incrível. Ela disse que o que a Camila fez foi assédio e que a escola não tolera isso.

A campainha tocou. Era Adriana. Ela não estava lá como professora, mas como alguém que finalmente encontrou seu lugar. O relacionamento com Izadora ainda era algo delicado, um segredo guardado por camadas de cuidado e espera, mas a conexão era inegável.

Naquela noite, entre risadas e confissões, elas falaram abertamente sobre tudo. Falaram sobre o desejo que Anna sentia por Telesca, sobre as descobertas do corpo e sobre como o sexo, quando consensual e baseado no afeto, era a celebração da vida — exatamente o oposto do que Camila pregava com sua vulgaridade e exibicionismo.

— Eu nunca achei que minha vida daria uma fanfic tão boa — brincou Izadora, olhando para Adriana, que sorriu de volta, um sorriso que não era de professora, mas de uma mulher livre.

— Às vezes — disse Adriana, servindo-se de um copo de vinho —, a realidade precisa de um pouco de caos para se organizar.

Anna Helena beijou Telesca, sentindo que, pela primeira vez, o ritmo da sua vida estava em perfeita harmonia com a música que tocava em seu coração. Os amores estavam juntos, a toxicidade havia sido expurgada e o futuro, embora incerto, era desenhado com as cores da verdade.
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