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Saudades
Fandom: Magi
Criado: 14/07/2026
Tags
RomanceDramaDor/ConfortoAçãoDetetiveCrimeSuspenseSobrevivênciaCiúmesAngústiaViolência Gráfica
Sombras do Passado, Sangue no Presente
Três dias se passaram desde o teatro. Três dias em que eu tentei me convencer de que aquilo no vestíbulo tinha sido só um surto de raiva, um momento de fraqueza, nada mais. Mas toda vez que fechava os olhos, sentia de novo o calor dela, o jeito que ela apertava meus ombros, o som abafado do meu nome na sua boca. Aquela tensão elétrica que sempre existiu entre nós parecia ter se transformado em algo denso, quase sólido, que me seguia pelos corredores da delegacia.
Eu estava debruçada sobre a mesa cheia de papéis, as luzes fluorescentes fazendo minha cabeça latejar. Tentava forçar a mente a focar no caso de tráfico de relíquias que estávamos montando, mas as letras pareciam dançar diante dos meus olhos. Foi quando ouvi o rangido da porta.
Larissa entrou, parou na entrada e me olhou de cima a baixo, soltando um suspiro pesado antes de balançar a cabeça devagar.
— Estão precisando muito de você lá fora, Giovanna.
Levantei o olhar devagar, sentindo o peso do cansaço nas pálpebras, e soltei a caneta sobre os papéis com um estalo seco.
— Pra quê? — perguntei, a voz mais ríspida do que eu pretendia.
— Peguei uns documentos aqui que você tem que entregar para a Dona Garcia — explicou Larissa, balançando a pasta parda na mão com um sorrisinho que eu não gostei nada.
Franzi a testa imediatamente. O nome "Garcia" causava uma reação visceral no meu estômago.
— E por que não manda a Mariana fazer isso? — questionei, recostando-me na cadeira. — Ela é da Federal, devia estar acostumada com esse tipo de encargo burocrático.
— Oh Giovanna, ela tá numa operação sigilosa lá na zona rural, né? — respondeu Larissa, dando de ombros e caminhando até a minha mesa. — Pelo visto só volta amanhã à noite. Sobrou pra você, que é a oficial de ligação neste caso.
Bati a palma na mesa, impaciente. A última coisa que eu precisava era encarar Maya agora.
— Droga… Deixa aí então. Quando eu sair daqui, passo no escritório dela pra entregar.
Larissa deixou a pasta e saiu, mas o silêncio que ficou na sala era preenchido apenas pelo eco do nome de Maya na minha cabeça.
***
Do outro lado da cidade, no escritório jurídico que parecia mais uma fortaleza de vidro e aço, Maya Manoela Garcia Torres também lutava contra seus próprios fantasmas.
Eu estava debruçada sobre os autos, mais uma vez passando a noite trabalhando. Ultimamente era assim: enchia a cabeça de serviço para não sobrar espaço para pensar no que realmente importava — ou no que realmente doía. O brilho da luminária de mesa refletia nos meus óculos, e o silêncio do prédio vazio só era quebrado pelos passos rítmicos de Ana Clara.
Ana entrou devagar na sala, parou ao lado da mesa e ficou me observando por um tempo, com aquele olhar de quem sabia demais.
— Hum… tá tão calada hoje — comentou ela, cruzando os braços sobre o peito. — Saudades da namoradinha?
Senti o sangue subir para as maçãs do rosto instantaneamente.
— Ai Ana, cala a boca — rebati, sem tirar os olhos dos papéis, tentando manter a voz firme.
— E a Mari não é minha namorada não — completei, fechando a pasta com um pouco mais de força do que pretendia, o som ecoando nas paredes altas. — Só estamos ficando, só isso.
— Por que então essa aflição toda? — insistiu ela, aproximando-se e sentando na beirada da mesa, invadindo meu espaço. — Minha filha, você tá com medo do quê? Aquela mulher é uma coisa… diferente. Forte, decidida. Ou será que é justamente por causa dela que você tá assim?
Revirei os olhos, sentindo uma irritação crescente que servia apenas para mascarar minha confusão.
— Então fica pra você então — disparei.
— Não, querida — ela sorriu de lado, sacudindo a cabeça. — Ela não faz o meu tipo. Faz o seu tipo. E muito bem feito, por sinal. Afinal… já rolou alguma coisa mais?
Respirei fundo, sentindo o peso da pergunta.
— Não… e também eu… eu não consigo. Sei lá, toda vez que tento avançar… travo.
Ana soltou uma risada leve, quase incrédula, jogando a cabeça para trás.
— Ah, tá com bloqueio agora para transar? Logo você, que era uma loba na cama?
— Ai, larga de ser idiota — resmunguei, desviando o olhar para a janela que mostrava as luzes da cidade.
— E tô mentindo? — insistiu ela, apoiando as mãos na mesa e se inclinando para me encarar. — Você mesma ficava aqui contando pra mim, quando era com a Giovanna…
Sem querer, um sorriso leve e involuntário escapou dos meus lábios. A lembrança veio nítida, como se tivesse acontecido há cinco minutos: o toque áspero das mãos de Giovanna, o cheiro de pólvora e perfume caro, a urgência com que ela me possuía. Giovanna tinha um jeito, uma pegada, uma forma de me tocar que fazia eu perder o rumo, que me deixava toda mole, sem forças para resistir a nada.
— Esse sorriso aí… — apontou Ana, a voz suavizando, tornando-se mais séria.
— An? O que foi? — perguntei, saindo do transe e sentindo meu coração acelerar.
— Tá lembrando, né? E aí? Vai continuar negando o que tá na cara?
Fechei os olhos por um segundo, sentindo a pulsação no pescoço. A imagem de Giovanna no teatro, o confronto, a raiva misturada com desejo... era demais.
— Ah, cala a boca, Ana Clara! Quero que a Giovanna se dane! E vamos trabalhar, pelo amor de Deus!
Bati a mão levemente nos papéis, tentando reorganizar meus pensamentos, mas o estrago já estava feito. O fantasma de Giovanna estava sentado ali, entre nós duas.
O tempo passou arrastado. Quando finalmente terminei de organizar os documentos para a audiência do dia seguinte, a lua já estava alta. Despedi-me de Ana no saguão e caminhei em direção ao estacionamento privativo, o som dos meus saltos ecoando no concreto solitário. A noite estava fria, um vento cortante soprava entre os prédios.
Eu estava prestes a destravar o carro quando um movimento brusco à minha direita me fez congelar.
— Doutora Garcia? — uma voz grossa e desconhecida chamou.
Antes que eu pudesse responder ou gritar, dois homens surgiram das sombras. Ambos usavam jaquetas escuras e capuzes. Um deles sacou uma pistola, o cano metálico brilhando sob a luz fraca do poste.
— Nem mais um passo. Entra no carro. Agora! — ordenou o mais alto, agarrando meu braço com uma força que me fez gemer de dor.
— O que vocês querem? Eu não tenho dinheiro aqui… — tentei dizer, a voz trêmula.
— Cale a boca e entra! — ele me empurrou para o banco de trás de um sedan preto que encostou bruscamente ao nosso lado.
Eu estava em pânico. O motor rugiu e o carro arrancou, cantando pneus.
O que eles não sabiam era que, a poucos metros dali, estacionando sua viatura descaracterizada para entregar a maldita pasta, estava Giovanna.
Eu tinha acabado de desligar o motor quando vi a cena. Meus instintos de delegada gritaram antes mesmo do meu cérebro processar a imagem de Maya sendo jogada para dentro daquele veículo.
— Mas que inferno! — exclamei, socando o volante.
Não hesitei. Liguei a ignição, a adrenalina substituindo o cansaço em um milissegundo. O sedan preto saiu em alta velocidade, furando o sinal vermelho na esquina. Eu fui atrás, mantendo uma distância segura, mas sem perder as lanternas traseiras de vista. Peguei o rádio, mas a interferência dos prédios altos estava horrível.
— Central, aqui é a Delegada Torres! Estou em perseguição a um sedan preto, placa não identificada, possível sequestro da Dra. Maya Garcia! — gritei, enquanto desviava de um táxi.
O carro dos criminosos entrou em uma via expressa, costurando o trânsito. Eu pisava no acelerador, sentindo o motor da viatura reclamar. Meus olhos estavam fixos no alvo. Eu não podia perdê-la. Não agora. Não depois de tudo.
A perseguição durou minutos que pareceram horas. Eles saíram da via principal, entrando em uma área industrial mais afastada, cheia de galpões abandonados e pouca iluminação. O sedan começou a ziguezaguear, tentando me despistar.
— Você não vai fugir, seu desgraçado — rosnei entre dentes.
Vi o carro deles diminuir a velocidade para entrar em um pátio cercado. Era a minha chance. Se eles entrassem ali e fechassem o portão, eu a perderia. Acelerei tudo o que podia, o velocímetro marcando o limite.
Eu ia interceptá-los. Ia bater na lateral traseira para fazê-los rodar.
Mas o motorista do sedan era habilidoso. Ele percebeu minha manobra e freou bruscamente, fazendo com que eu perdesse o ângulo. Tentei corrigir a direção, mas o asfalto estava sujo de óleo ou areia. Os pneus perderam a aderência.
O mundo girou.
O som do metal colidindo contra um poste de concreto foi ensurdecedor. O airbag estourou no meu rosto com um impacto seco, enchendo a cabine de um pó branco e um cheiro de queimado. Minha visão ficou turva, um zumbido agudo tomou conta dos meus ouvidos.
Tentei me mexer, mas meu corpo pesava toneladas. Olhei pelo para-brisa trincado e vi, com a visão embaçada, o sedan preto parar a poucos metros. Os homens desceram, armas em punho, olhando para os destroços do meu carro.
— Giovanna… — sussurrei, embora soubesse que ninguém podia me ouvir. A dor na minha lateral era aguda.
Um dos homens se aproximou da viatura destruída, apontando a arma para a minha cabeça através do vidro quebrado. Ele sorriu, um gesto cruel que me fez gelar o sangue.
— Parece que a delegada não sabe dirigir — ele debochou, engatilhando a pistola.
Dentro do sedan, eu vi o vulto de Maya lutando contra o homem que a segurava. Ela gritava meu nome, o desespero na voz dela atravessando o metal e a dor.
Eu precisava reagir. Minha mão tateou o coldre na cintura, mas a porta estava amassada contra mim, prendendo meu braço. O cano da arma do criminoso estava agora a centímetros do meu rosto.
A escuridão começou a fechar as bordas da minha visão, mas o rosto de Maya, aterrorizada, foi a última coisa que vi antes de um segundo impacto — desta vez, não do carro, mas de algo que explodiu no pátio, iluminando a noite em chamas.
Eu estava debruçada sobre a mesa cheia de papéis, as luzes fluorescentes fazendo minha cabeça latejar. Tentava forçar a mente a focar no caso de tráfico de relíquias que estávamos montando, mas as letras pareciam dançar diante dos meus olhos. Foi quando ouvi o rangido da porta.
Larissa entrou, parou na entrada e me olhou de cima a baixo, soltando um suspiro pesado antes de balançar a cabeça devagar.
— Estão precisando muito de você lá fora, Giovanna.
Levantei o olhar devagar, sentindo o peso do cansaço nas pálpebras, e soltei a caneta sobre os papéis com um estalo seco.
— Pra quê? — perguntei, a voz mais ríspida do que eu pretendia.
— Peguei uns documentos aqui que você tem que entregar para a Dona Garcia — explicou Larissa, balançando a pasta parda na mão com um sorrisinho que eu não gostei nada.
Franzi a testa imediatamente. O nome "Garcia" causava uma reação visceral no meu estômago.
— E por que não manda a Mariana fazer isso? — questionei, recostando-me na cadeira. — Ela é da Federal, devia estar acostumada com esse tipo de encargo burocrático.
— Oh Giovanna, ela tá numa operação sigilosa lá na zona rural, né? — respondeu Larissa, dando de ombros e caminhando até a minha mesa. — Pelo visto só volta amanhã à noite. Sobrou pra você, que é a oficial de ligação neste caso.
Bati a palma na mesa, impaciente. A última coisa que eu precisava era encarar Maya agora.
— Droga… Deixa aí então. Quando eu sair daqui, passo no escritório dela pra entregar.
Larissa deixou a pasta e saiu, mas o silêncio que ficou na sala era preenchido apenas pelo eco do nome de Maya na minha cabeça.
***
Do outro lado da cidade, no escritório jurídico que parecia mais uma fortaleza de vidro e aço, Maya Manoela Garcia Torres também lutava contra seus próprios fantasmas.
Eu estava debruçada sobre os autos, mais uma vez passando a noite trabalhando. Ultimamente era assim: enchia a cabeça de serviço para não sobrar espaço para pensar no que realmente importava — ou no que realmente doía. O brilho da luminária de mesa refletia nos meus óculos, e o silêncio do prédio vazio só era quebrado pelos passos rítmicos de Ana Clara.
Ana entrou devagar na sala, parou ao lado da mesa e ficou me observando por um tempo, com aquele olhar de quem sabia demais.
— Hum… tá tão calada hoje — comentou ela, cruzando os braços sobre o peito. — Saudades da namoradinha?
Senti o sangue subir para as maçãs do rosto instantaneamente.
— Ai Ana, cala a boca — rebati, sem tirar os olhos dos papéis, tentando manter a voz firme.
— E a Mari não é minha namorada não — completei, fechando a pasta com um pouco mais de força do que pretendia, o som ecoando nas paredes altas. — Só estamos ficando, só isso.
— Por que então essa aflição toda? — insistiu ela, aproximando-se e sentando na beirada da mesa, invadindo meu espaço. — Minha filha, você tá com medo do quê? Aquela mulher é uma coisa… diferente. Forte, decidida. Ou será que é justamente por causa dela que você tá assim?
Revirei os olhos, sentindo uma irritação crescente que servia apenas para mascarar minha confusão.
— Então fica pra você então — disparei.
— Não, querida — ela sorriu de lado, sacudindo a cabeça. — Ela não faz o meu tipo. Faz o seu tipo. E muito bem feito, por sinal. Afinal… já rolou alguma coisa mais?
Respirei fundo, sentindo o peso da pergunta.
— Não… e também eu… eu não consigo. Sei lá, toda vez que tento avançar… travo.
Ana soltou uma risada leve, quase incrédula, jogando a cabeça para trás.
— Ah, tá com bloqueio agora para transar? Logo você, que era uma loba na cama?
— Ai, larga de ser idiota — resmunguei, desviando o olhar para a janela que mostrava as luzes da cidade.
— E tô mentindo? — insistiu ela, apoiando as mãos na mesa e se inclinando para me encarar. — Você mesma ficava aqui contando pra mim, quando era com a Giovanna…
Sem querer, um sorriso leve e involuntário escapou dos meus lábios. A lembrança veio nítida, como se tivesse acontecido há cinco minutos: o toque áspero das mãos de Giovanna, o cheiro de pólvora e perfume caro, a urgência com que ela me possuía. Giovanna tinha um jeito, uma pegada, uma forma de me tocar que fazia eu perder o rumo, que me deixava toda mole, sem forças para resistir a nada.
— Esse sorriso aí… — apontou Ana, a voz suavizando, tornando-se mais séria.
— An? O que foi? — perguntei, saindo do transe e sentindo meu coração acelerar.
— Tá lembrando, né? E aí? Vai continuar negando o que tá na cara?
Fechei os olhos por um segundo, sentindo a pulsação no pescoço. A imagem de Giovanna no teatro, o confronto, a raiva misturada com desejo... era demais.
— Ah, cala a boca, Ana Clara! Quero que a Giovanna se dane! E vamos trabalhar, pelo amor de Deus!
Bati a mão levemente nos papéis, tentando reorganizar meus pensamentos, mas o estrago já estava feito. O fantasma de Giovanna estava sentado ali, entre nós duas.
O tempo passou arrastado. Quando finalmente terminei de organizar os documentos para a audiência do dia seguinte, a lua já estava alta. Despedi-me de Ana no saguão e caminhei em direção ao estacionamento privativo, o som dos meus saltos ecoando no concreto solitário. A noite estava fria, um vento cortante soprava entre os prédios.
Eu estava prestes a destravar o carro quando um movimento brusco à minha direita me fez congelar.
— Doutora Garcia? — uma voz grossa e desconhecida chamou.
Antes que eu pudesse responder ou gritar, dois homens surgiram das sombras. Ambos usavam jaquetas escuras e capuzes. Um deles sacou uma pistola, o cano metálico brilhando sob a luz fraca do poste.
— Nem mais um passo. Entra no carro. Agora! — ordenou o mais alto, agarrando meu braço com uma força que me fez gemer de dor.
— O que vocês querem? Eu não tenho dinheiro aqui… — tentei dizer, a voz trêmula.
— Cale a boca e entra! — ele me empurrou para o banco de trás de um sedan preto que encostou bruscamente ao nosso lado.
Eu estava em pânico. O motor rugiu e o carro arrancou, cantando pneus.
O que eles não sabiam era que, a poucos metros dali, estacionando sua viatura descaracterizada para entregar a maldita pasta, estava Giovanna.
Eu tinha acabado de desligar o motor quando vi a cena. Meus instintos de delegada gritaram antes mesmo do meu cérebro processar a imagem de Maya sendo jogada para dentro daquele veículo.
— Mas que inferno! — exclamei, socando o volante.
Não hesitei. Liguei a ignição, a adrenalina substituindo o cansaço em um milissegundo. O sedan preto saiu em alta velocidade, furando o sinal vermelho na esquina. Eu fui atrás, mantendo uma distância segura, mas sem perder as lanternas traseiras de vista. Peguei o rádio, mas a interferência dos prédios altos estava horrível.
— Central, aqui é a Delegada Torres! Estou em perseguição a um sedan preto, placa não identificada, possível sequestro da Dra. Maya Garcia! — gritei, enquanto desviava de um táxi.
O carro dos criminosos entrou em uma via expressa, costurando o trânsito. Eu pisava no acelerador, sentindo o motor da viatura reclamar. Meus olhos estavam fixos no alvo. Eu não podia perdê-la. Não agora. Não depois de tudo.
A perseguição durou minutos que pareceram horas. Eles saíram da via principal, entrando em uma área industrial mais afastada, cheia de galpões abandonados e pouca iluminação. O sedan começou a ziguezaguear, tentando me despistar.
— Você não vai fugir, seu desgraçado — rosnei entre dentes.
Vi o carro deles diminuir a velocidade para entrar em um pátio cercado. Era a minha chance. Se eles entrassem ali e fechassem o portão, eu a perderia. Acelerei tudo o que podia, o velocímetro marcando o limite.
Eu ia interceptá-los. Ia bater na lateral traseira para fazê-los rodar.
Mas o motorista do sedan era habilidoso. Ele percebeu minha manobra e freou bruscamente, fazendo com que eu perdesse o ângulo. Tentei corrigir a direção, mas o asfalto estava sujo de óleo ou areia. Os pneus perderam a aderência.
O mundo girou.
O som do metal colidindo contra um poste de concreto foi ensurdecedor. O airbag estourou no meu rosto com um impacto seco, enchendo a cabine de um pó branco e um cheiro de queimado. Minha visão ficou turva, um zumbido agudo tomou conta dos meus ouvidos.
Tentei me mexer, mas meu corpo pesava toneladas. Olhei pelo para-brisa trincado e vi, com a visão embaçada, o sedan preto parar a poucos metros. Os homens desceram, armas em punho, olhando para os destroços do meu carro.
— Giovanna… — sussurrei, embora soubesse que ninguém podia me ouvir. A dor na minha lateral era aguda.
Um dos homens se aproximou da viatura destruída, apontando a arma para a minha cabeça através do vidro quebrado. Ele sorriu, um gesto cruel que me fez gelar o sangue.
— Parece que a delegada não sabe dirigir — ele debochou, engatilhando a pistola.
Dentro do sedan, eu vi o vulto de Maya lutando contra o homem que a segurava. Ela gritava meu nome, o desespero na voz dela atravessando o metal e a dor.
Eu precisava reagir. Minha mão tateou o coldre na cintura, mas a porta estava amassada contra mim, prendendo meu braço. O cano da arma do criminoso estava agora a centímetros do meu rosto.
A escuridão começou a fechar as bordas da minha visão, mas o rosto de Maya, aterrorizada, foi a última coisa que vi antes de um segundo impacto — desta vez, não do carro, mas de algo que explodiu no pátio, iluminando a noite em chamas.
