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My rich girl
Fandom: BLACKPINK/JENLISA
Criado: 14/07/2026
Tags
RomanceFatias de VidaDor/ConfortoFofuraHumorCiúmesEstudo de PersonagemDramaHistória DomésticaDiscriminaçãoAngústiaUA (Universo Alternativo)
Entre Equações e Arquibancadas
O corredor principal da Universidade de Nova York parecia um labirinto interminável de concreto e metal, e para Lalisa Manoban, era também um campo minado. Com seus 1,80m de altura, era difícil para Lisa passar despercebida, por mais que ela tentasse se encolher dentro de seus moletons largos e óculos de armação grossa. Ela carregava uma pilha de livros de astrofísica contra o peito, os dedos longos e finos apertando o papel como se sua vida dependesse disso.
Lisa era o que muitos chamavam de "beleza de outro mundo", embora ela mesma não acreditasse nisso. Seus traços eram esculpidos, os olhos grandes e expressivos, e a estrutura óssea digna de passarelas de Paris, mas sua postura curvada e a timidez crônica escondiam o diamante bruto que ela era. Ser uma mulher intersexual em um ambiente acadêmico competitivo e, por vezes, cruel, só a fazia querer se isolar ainda mais.
— Ora, ora, se não é a nossa aberração favorita tentando ser invisível — uma voz estridente ecoou, seguida pelo som de risadinhas.
Lisa fechou os olhos por um segundo, sentindo o estômago dar um nó. Era Jackson e seu grupo de amigos do time de futebol. Antes que ela pudesse apressar o passo, um pé foi colocado estrategicamente em seu caminho. Lisa tropeçou, os livros voando pelo chão de mármore com um estrondo seco.
— Ops, caiu tudo, gênio? — Jackson riu, chutando um dos livros de Lisa para longe. — Por que você não volta para o buraco de onde saiu? Ninguém quer uma esquisita como você aqui.
Lisa se ajoelhou para recolher seus pertences, sentindo o rosto queimar de humilhação. Ela estava acostumada, mas a dor nunca diminuía. Justo quando Jackson se preparava para dizer algo ainda pior, o som de saltos altos batendo ritmadamente contra o chão interrompeu o momento.
— Jackson, se você não tirar esse seu pé sujo de perto dela em três segundos, eu vou garantir que o treinador saiba exatamente quem vandalizou o armário da diretoria na semana passada.
A voz era doce, mas carregava o peso de uma autoridade inquestionável. Lisa nem precisava olhar para cima para saber quem era. Jennie Kim. A capitã das líderes de torcida, a garota mais popular da NYU e, coincidentemente, sua vizinha de porta.
Jackson empalideceu, recuando imediatamente.
— Qual é, Jennie, a gente só estava brincando com a nerd.
— A brincadeira acabou — Jennie disse, cruzando os braços sobre o uniforme de torcida que parecia ter sido feito sob medida para sua silhueta perfeita. — Sumam daqui. Agora.
O grupo se dispersou como fumaça. Jennie soltou um suspiro pesado e se abaixou, ajudando Lisa a pegar o último livro. Quando suas mãos se tocaram brevemente, Lisa sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo, fazendo-a recolher a mão rapidamente.
— Você está bem, Lili? — perguntou Jennie, a voz agora suave, desprovida de qualquer vestígio da frieza de segundos atrás.
— Estou... estou bem, Jennie. Obrigada. De novo — Lisa murmurou, ajustando os óculos e evitando o contato visual direto.
— Eles são idiotas. Não deixe que entrem na sua cabeça — Jennie estendeu o livro de Lisa. — Nos vemos mais tarde para o "estudo"?
— Ah, sim. Se você ainda quiser. Eu sei que você é muito ocupada e...
— Lisa — Jennie a interrompeu com um sorriso pequeno e charmoso que fez o coração da mais alta errar uma batida —, eu nunca estou ocupada demais para as nossas sessões. Às sete?
— Às sete — Lisa confirmou, sentindo um calor estranho no peito enquanto observava Jennie se afastar, os cabelos castanhos balançando perfeitamente a cada passo.
Lisa caminhou para sua próxima aula com a mente longe. Ela nunca entenderia por que Jennie Kim, a garota que todos queriam ser ou ter, perdia tempo com ela. Na faculdade, elas mal se falavam. Lisa acreditava piamente que Jennie tinha uma reputação a manter e que ser vista com a "nerd esquisita" arruinaria seu status de patricinha cobiçada. O que Lisa não sabia era que Jennie não dava a mínima para o que os outros pensavam; ela só queria proteger a pessoa que, secretamente, habitava seus sonhos todas as noites.
***
Às sete horas em ponto, a campainha do apartamento de Lisa tocou. Lisa abriu a porta e encontrou Jennie segurando dois copos de café e uma mochila que parecia leve demais para alguém que supostamente precisava de reforço acadêmico.
— Trouxe reforço de cafeína — anunciou Jennie, entrando no apartamento com a familiaridade de quem já conhecia cada canto.
— Obrigada. Eu estava mesmo precisando para terminar os cálculos de termodinâmica — Lisa disse, fechando a porta.
Elas se sentaram na pequena mesa de estudos no canto da sala. Lisa abriu seus cadernos, pronta para explicar conceitos complexos, enquanto Jennie abria um livro de história da arte, embora seus olhos estivessem constantemente desviando para o perfil de Lisa.
— Então, onde paramos na última vez? — perguntou Lisa, concentrada.
— Na verdade, eu tive muita dificuldade com a parte de Renascimento — mentiu Jennie descaradamente. Ela era a segunda melhor aluna da turma, mas se admitisse que sabia tudo, não teria desculpa para passar horas observando como Lisa franzia a testa quando estava pensativa.
— O Renascimento é fascinante — Lisa começou, seus olhos brilhando. Quando ela falava sobre o que amava, a timidez desaparecia. — É sobre a redescoberta do potencial humano, Jennie. Como se o mundo estivesse saindo das sombras para a luz.
Jennie apoiou o queixo na mão, observando os lábios de Lisa se moverem.
— É exatamente como eu me sinto às vezes — sussurrou Jennie, tão baixo que Lisa quase não ouviu.
— O quê? — Lisa piscou, confusa.
— Nada. Continue, Lili. Você explica muito melhor que o professor.
As horas passaram voando. O "estudo" era apenas uma fachada confortável. Jennie fazia perguntas que ela já sabia a resposta só para ouvir a voz aveludada de Lisa, e Lisa, por sua vez, sentia-se segura naquele pequeno casulo que as duas haviam criado.
— Chega de livros por hoje? — Jennie sugeriu, fechando o caderno de repente. — Minha cabeça vai explodir se eu ler mais um nome de pintor italiano.
— Desculpe, eu me empolguei — Lisa corou, coçando a nuca.
— Não peça desculpas. Eu adoro quando você se empolga — Jennie sorriu, levantando-se e indo em direção ao sofá. — É a minha vez de escolher o filme.
Esse era o ritual delas. Depois do estudo, vinha o cinema particular. Lisa se juntou a ela no sofá, mantendo uma distância segura, embora seu corpo clamasse para se aproximar.
— O que vamos assistir hoje? — perguntou Lisa.
— Escolhi um clássico. "10 Coisas que Eu Odeio em Você" — Jennie anunciou, já dando o play.
Enquanto o filme rodava, o silêncio entre elas não era desconfortável, mas carregado de palavras não ditas. Lisa estava consciente de cada movimento de Jennie ao seu lado. O perfume de cereja da outra garota preenchia o espaço, tornando difícil para Lisa se concentrar na tela.
No meio do filme, Jennie bocejou e, como quem não quer nada, inclinou a cabeça até descansar no ombro de Lisa. A mais alta congelou, o fôlego preso na garganta.
— Você se importa? — murmurou Jennie, fechando os olhos.
— N-não. Nem um pouco — Lisa respondeu, o coração batendo tão forte que ela tinha certeza de que Jennie podia ouvir.
Lentamente, Lisa criou coragem e descansou sua própria cabeça contra a de Jennie. A diferença de altura era notável, mas elas se encaixavam perfeitamente. Jennie suspirou, sentindo-se em paz. Ela amava o jeito como Lisa era gentil, o jeito como ela a protegia silenciosamente em seus pensamentos, mesmo que Lisa achasse que era Jennie quem fazia todo o trabalho pesado.
— Lisa? — Jennie chamou baixinho, sem se afastar.
— Sim, Nini?
O apelido carinhoso fez o coração de Jennie dar um salto.
— Por que você nunca fala comigo nos corredores da faculdade?
Lisa hesitou, os dedos brincando nervosamente com a barra da camiseta.
— Eu não quero estragar as coisas para você. Você é a Jennie Kim. Todo mundo te ama. E eu... eu sou apenas a bolsista estranha que sofre bullying. Se as pessoas souberem que somos amigas, elas podem começar a tratar você mal também.
Jennie se afastou o suficiente para olhar nos olhos de Lisa. Havia uma mistura de tristeza e determinação em seu olhar felino.
— Você realmente acha que eu me importo com o que aqueles idiotas pensam? — Jennie tocou o rosto de Lisa, a pele macia sob seus dedos. — Lisa, eu te protejo na escola porque eu não suporto ver ninguém machucando você. Mas eu venho aqui todas as noites porque você é a única pessoa que me faz sentir que eu não preciso ser a "patricinha perfeita" o tempo todo.
Lisa sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos.
— Mas eu sou diferente, Jennie. Você sabe disso. Minha altura, meu corpo... eu não sou o que as pessoas esperam.
— Você é perfeita exatamente como é — Jennie disse com firmeza, encurtando a distância entre elas. — Sua beleza é de outro universo, Lisa. E eu não estou falando só da sua aparência. É a sua mente, o seu coração...
O ar entre elas ficou denso. Lisa podia sentir a respiração de Jennie contra seus lábios. O mundo exterior, com seus valentões e pressões sociais, parecia ter deixado de existir. Ali, naquele sofá, eram apenas duas garotas que se encontravam na solidão uma da outra.
— Jennie... — Lisa sussurrou, uma mistura de aviso e súplica.
— Shhh — Jennie colocou um dedo sobre os lábios de Lisa. — Apenas me diga se você quer que eu pare.
Lisa não disse nada. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, inclinando-se e selando seus lábios nos de Jennie em um selinho casto e trêmulo. Foi como se uma represa tivesse quebrado. Jennie respondeu imediatamente, aprofundando o beijo com uma urgência que vinha de meses de desejo reprimido.
O beijo era doce, com gosto de café e descoberta. As mãos de Lisa encontraram a cintura de Jennie, puxando-a para mais perto, enquanto as mãos de Jennie se enredaram nos cabelos curtos da nuca de Lisa. Quando se separaram para buscar ar, ambas estavam ofegantes, os rostos colados.
— Eu queria fazer isso desde que você se mudou para o apartamento ao lado — confessou Jennie, encostando a testa na de Lisa.
— Eu também — Lisa admitiu, um sorriso genuíno finalmente iluminando seu rosto. — Mas eu achei que você só precisava de ajuda com as notas.
Jennie soltou uma risadinha, o som mais bonito que Lisa já ouvira.
— Lisa, eu sou a segunda melhor aluna da NYU. Eu sei tudo sobre o Renascimento e muito mais sobre equações diferenciais.
Lisa arregalou os olhos, processando a informação.
— Então... todas aquelas perguntas sobre termodinâmica na semana passada?
— Pura atuação — Jennie piscou, travessa. — Eu só queria uma desculpa para passar o tempo com você sem que você fugisse de mim.
Lisa riu, uma risada leve e solta que aqueceu o peito de Jennie.
— Você é inacreditável, Kim.
— E você é minha — Jennie retrucou, voltando a se aninhar nos braços de Lisa. — Amanhã, na faculdade, você vai almoçar comigo na mesa das líderes de torcida. E se alguém disser um "a", eu mesma cuido disso.
— Na mesa das populares? — Lisa estremeceu levemente com a ideia.
— Sim. Porque está na hora de todo mundo saber que a nerd mais incrível de Nova York tem a proteção — Jennie fez uma pausa, olhando nos olhos de Lisa com intensidade — e o coração da capitã.
Lisa sentiu uma segurança que nunca experimentara antes. Ela sabia que os desafios não desapareceriam da noite para o dia, e que o bullying poderia não cessar imediatamente, mas com Jennie ao seu lado, ela se sentia capaz de enfrentar qualquer equação, por mais difícil que fosse.
— Tudo bem — Lisa concordou, beijando o topo da cabeça de Jennie. — Mas você ainda tem que terminar de assistir ao filme comigo.
— Combinado — Jennie sorriu, fechando os olhos e sentindo o batimento constante e seguro de Lisa sob sua orelha.
O filme continuou rodando na TV, mas nenhuma das duas estava prestando atenção. Elas tinham seu próprio universo agora, um onde as estrelas eram feitas de coragem e o amor era a única lei da física que realmente importava. Naquela noite, em um pequeno apartamento em Nova York, a nerd e a patricinha descobriram que, entre fórmulas e pompons, o que elas realmente precisavam era apenas uma da outra.
Lisa era o que muitos chamavam de "beleza de outro mundo", embora ela mesma não acreditasse nisso. Seus traços eram esculpidos, os olhos grandes e expressivos, e a estrutura óssea digna de passarelas de Paris, mas sua postura curvada e a timidez crônica escondiam o diamante bruto que ela era. Ser uma mulher intersexual em um ambiente acadêmico competitivo e, por vezes, cruel, só a fazia querer se isolar ainda mais.
— Ora, ora, se não é a nossa aberração favorita tentando ser invisível — uma voz estridente ecoou, seguida pelo som de risadinhas.
Lisa fechou os olhos por um segundo, sentindo o estômago dar um nó. Era Jackson e seu grupo de amigos do time de futebol. Antes que ela pudesse apressar o passo, um pé foi colocado estrategicamente em seu caminho. Lisa tropeçou, os livros voando pelo chão de mármore com um estrondo seco.
— Ops, caiu tudo, gênio? — Jackson riu, chutando um dos livros de Lisa para longe. — Por que você não volta para o buraco de onde saiu? Ninguém quer uma esquisita como você aqui.
Lisa se ajoelhou para recolher seus pertences, sentindo o rosto queimar de humilhação. Ela estava acostumada, mas a dor nunca diminuía. Justo quando Jackson se preparava para dizer algo ainda pior, o som de saltos altos batendo ritmadamente contra o chão interrompeu o momento.
— Jackson, se você não tirar esse seu pé sujo de perto dela em três segundos, eu vou garantir que o treinador saiba exatamente quem vandalizou o armário da diretoria na semana passada.
A voz era doce, mas carregava o peso de uma autoridade inquestionável. Lisa nem precisava olhar para cima para saber quem era. Jennie Kim. A capitã das líderes de torcida, a garota mais popular da NYU e, coincidentemente, sua vizinha de porta.
Jackson empalideceu, recuando imediatamente.
— Qual é, Jennie, a gente só estava brincando com a nerd.
— A brincadeira acabou — Jennie disse, cruzando os braços sobre o uniforme de torcida que parecia ter sido feito sob medida para sua silhueta perfeita. — Sumam daqui. Agora.
O grupo se dispersou como fumaça. Jennie soltou um suspiro pesado e se abaixou, ajudando Lisa a pegar o último livro. Quando suas mãos se tocaram brevemente, Lisa sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo, fazendo-a recolher a mão rapidamente.
— Você está bem, Lili? — perguntou Jennie, a voz agora suave, desprovida de qualquer vestígio da frieza de segundos atrás.
— Estou... estou bem, Jennie. Obrigada. De novo — Lisa murmurou, ajustando os óculos e evitando o contato visual direto.
— Eles são idiotas. Não deixe que entrem na sua cabeça — Jennie estendeu o livro de Lisa. — Nos vemos mais tarde para o "estudo"?
— Ah, sim. Se você ainda quiser. Eu sei que você é muito ocupada e...
— Lisa — Jennie a interrompeu com um sorriso pequeno e charmoso que fez o coração da mais alta errar uma batida —, eu nunca estou ocupada demais para as nossas sessões. Às sete?
— Às sete — Lisa confirmou, sentindo um calor estranho no peito enquanto observava Jennie se afastar, os cabelos castanhos balançando perfeitamente a cada passo.
Lisa caminhou para sua próxima aula com a mente longe. Ela nunca entenderia por que Jennie Kim, a garota que todos queriam ser ou ter, perdia tempo com ela. Na faculdade, elas mal se falavam. Lisa acreditava piamente que Jennie tinha uma reputação a manter e que ser vista com a "nerd esquisita" arruinaria seu status de patricinha cobiçada. O que Lisa não sabia era que Jennie não dava a mínima para o que os outros pensavam; ela só queria proteger a pessoa que, secretamente, habitava seus sonhos todas as noites.
***
Às sete horas em ponto, a campainha do apartamento de Lisa tocou. Lisa abriu a porta e encontrou Jennie segurando dois copos de café e uma mochila que parecia leve demais para alguém que supostamente precisava de reforço acadêmico.
— Trouxe reforço de cafeína — anunciou Jennie, entrando no apartamento com a familiaridade de quem já conhecia cada canto.
— Obrigada. Eu estava mesmo precisando para terminar os cálculos de termodinâmica — Lisa disse, fechando a porta.
Elas se sentaram na pequena mesa de estudos no canto da sala. Lisa abriu seus cadernos, pronta para explicar conceitos complexos, enquanto Jennie abria um livro de história da arte, embora seus olhos estivessem constantemente desviando para o perfil de Lisa.
— Então, onde paramos na última vez? — perguntou Lisa, concentrada.
— Na verdade, eu tive muita dificuldade com a parte de Renascimento — mentiu Jennie descaradamente. Ela era a segunda melhor aluna da turma, mas se admitisse que sabia tudo, não teria desculpa para passar horas observando como Lisa franzia a testa quando estava pensativa.
— O Renascimento é fascinante — Lisa começou, seus olhos brilhando. Quando ela falava sobre o que amava, a timidez desaparecia. — É sobre a redescoberta do potencial humano, Jennie. Como se o mundo estivesse saindo das sombras para a luz.
Jennie apoiou o queixo na mão, observando os lábios de Lisa se moverem.
— É exatamente como eu me sinto às vezes — sussurrou Jennie, tão baixo que Lisa quase não ouviu.
— O quê? — Lisa piscou, confusa.
— Nada. Continue, Lili. Você explica muito melhor que o professor.
As horas passaram voando. O "estudo" era apenas uma fachada confortável. Jennie fazia perguntas que ela já sabia a resposta só para ouvir a voz aveludada de Lisa, e Lisa, por sua vez, sentia-se segura naquele pequeno casulo que as duas haviam criado.
— Chega de livros por hoje? — Jennie sugeriu, fechando o caderno de repente. — Minha cabeça vai explodir se eu ler mais um nome de pintor italiano.
— Desculpe, eu me empolguei — Lisa corou, coçando a nuca.
— Não peça desculpas. Eu adoro quando você se empolga — Jennie sorriu, levantando-se e indo em direção ao sofá. — É a minha vez de escolher o filme.
Esse era o ritual delas. Depois do estudo, vinha o cinema particular. Lisa se juntou a ela no sofá, mantendo uma distância segura, embora seu corpo clamasse para se aproximar.
— O que vamos assistir hoje? — perguntou Lisa.
— Escolhi um clássico. "10 Coisas que Eu Odeio em Você" — Jennie anunciou, já dando o play.
Enquanto o filme rodava, o silêncio entre elas não era desconfortável, mas carregado de palavras não ditas. Lisa estava consciente de cada movimento de Jennie ao seu lado. O perfume de cereja da outra garota preenchia o espaço, tornando difícil para Lisa se concentrar na tela.
No meio do filme, Jennie bocejou e, como quem não quer nada, inclinou a cabeça até descansar no ombro de Lisa. A mais alta congelou, o fôlego preso na garganta.
— Você se importa? — murmurou Jennie, fechando os olhos.
— N-não. Nem um pouco — Lisa respondeu, o coração batendo tão forte que ela tinha certeza de que Jennie podia ouvir.
Lentamente, Lisa criou coragem e descansou sua própria cabeça contra a de Jennie. A diferença de altura era notável, mas elas se encaixavam perfeitamente. Jennie suspirou, sentindo-se em paz. Ela amava o jeito como Lisa era gentil, o jeito como ela a protegia silenciosamente em seus pensamentos, mesmo que Lisa achasse que era Jennie quem fazia todo o trabalho pesado.
— Lisa? — Jennie chamou baixinho, sem se afastar.
— Sim, Nini?
O apelido carinhoso fez o coração de Jennie dar um salto.
— Por que você nunca fala comigo nos corredores da faculdade?
Lisa hesitou, os dedos brincando nervosamente com a barra da camiseta.
— Eu não quero estragar as coisas para você. Você é a Jennie Kim. Todo mundo te ama. E eu... eu sou apenas a bolsista estranha que sofre bullying. Se as pessoas souberem que somos amigas, elas podem começar a tratar você mal também.
Jennie se afastou o suficiente para olhar nos olhos de Lisa. Havia uma mistura de tristeza e determinação em seu olhar felino.
— Você realmente acha que eu me importo com o que aqueles idiotas pensam? — Jennie tocou o rosto de Lisa, a pele macia sob seus dedos. — Lisa, eu te protejo na escola porque eu não suporto ver ninguém machucando você. Mas eu venho aqui todas as noites porque você é a única pessoa que me faz sentir que eu não preciso ser a "patricinha perfeita" o tempo todo.
Lisa sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos.
— Mas eu sou diferente, Jennie. Você sabe disso. Minha altura, meu corpo... eu não sou o que as pessoas esperam.
— Você é perfeita exatamente como é — Jennie disse com firmeza, encurtando a distância entre elas. — Sua beleza é de outro universo, Lisa. E eu não estou falando só da sua aparência. É a sua mente, o seu coração...
O ar entre elas ficou denso. Lisa podia sentir a respiração de Jennie contra seus lábios. O mundo exterior, com seus valentões e pressões sociais, parecia ter deixado de existir. Ali, naquele sofá, eram apenas duas garotas que se encontravam na solidão uma da outra.
— Jennie... — Lisa sussurrou, uma mistura de aviso e súplica.
— Shhh — Jennie colocou um dedo sobre os lábios de Lisa. — Apenas me diga se você quer que eu pare.
Lisa não disse nada. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, inclinando-se e selando seus lábios nos de Jennie em um selinho casto e trêmulo. Foi como se uma represa tivesse quebrado. Jennie respondeu imediatamente, aprofundando o beijo com uma urgência que vinha de meses de desejo reprimido.
O beijo era doce, com gosto de café e descoberta. As mãos de Lisa encontraram a cintura de Jennie, puxando-a para mais perto, enquanto as mãos de Jennie se enredaram nos cabelos curtos da nuca de Lisa. Quando se separaram para buscar ar, ambas estavam ofegantes, os rostos colados.
— Eu queria fazer isso desde que você se mudou para o apartamento ao lado — confessou Jennie, encostando a testa na de Lisa.
— Eu também — Lisa admitiu, um sorriso genuíno finalmente iluminando seu rosto. — Mas eu achei que você só precisava de ajuda com as notas.
Jennie soltou uma risadinha, o som mais bonito que Lisa já ouvira.
— Lisa, eu sou a segunda melhor aluna da NYU. Eu sei tudo sobre o Renascimento e muito mais sobre equações diferenciais.
Lisa arregalou os olhos, processando a informação.
— Então... todas aquelas perguntas sobre termodinâmica na semana passada?
— Pura atuação — Jennie piscou, travessa. — Eu só queria uma desculpa para passar o tempo com você sem que você fugisse de mim.
Lisa riu, uma risada leve e solta que aqueceu o peito de Jennie.
— Você é inacreditável, Kim.
— E você é minha — Jennie retrucou, voltando a se aninhar nos braços de Lisa. — Amanhã, na faculdade, você vai almoçar comigo na mesa das líderes de torcida. E se alguém disser um "a", eu mesma cuido disso.
— Na mesa das populares? — Lisa estremeceu levemente com a ideia.
— Sim. Porque está na hora de todo mundo saber que a nerd mais incrível de Nova York tem a proteção — Jennie fez uma pausa, olhando nos olhos de Lisa com intensidade — e o coração da capitã.
Lisa sentiu uma segurança que nunca experimentara antes. Ela sabia que os desafios não desapareceriam da noite para o dia, e que o bullying poderia não cessar imediatamente, mas com Jennie ao seu lado, ela se sentia capaz de enfrentar qualquer equação, por mais difícil que fosse.
— Tudo bem — Lisa concordou, beijando o topo da cabeça de Jennie. — Mas você ainda tem que terminar de assistir ao filme comigo.
— Combinado — Jennie sorriu, fechando os olhos e sentindo o batimento constante e seguro de Lisa sob sua orelha.
O filme continuou rodando na TV, mas nenhuma das duas estava prestando atenção. Elas tinham seu próprio universo agora, um onde as estrelas eram feitas de coragem e o amor era a única lei da física que realmente importava. Naquela noite, em um pequeno apartamento em Nova York, a nerd e a patricinha descobriram que, entre fórmulas e pompons, o que elas realmente precisavam era apenas uma da outra.
