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Casamento

Fandom: Frozen

Criado: 14/07/2026

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O Gelo sob a Pele

O vento uivava entre os pinheiros da Floresta Encantada, mas não era o inverno de Arendelle que castigava a paisagem. Era um frio diferente, um frio que emanava do coração da Rainha da Neve. Anna apertou o passo, seus pés afundando na neve fofa enquanto seus olhos astutos buscavam qualquer rastro de azul ou branco entre o verde escuro das árvores.

O casamento estava marcado para dali a três dias. O castelo estava decorado com guirlandas de flores silvestres, Kristoff já estava devidamente enfurnado em seu terno de gala (reclamando do colarinho apertado) e o reino inteiro celebrava a união da princesa. Mas Elsa, a peça central da vida de Anna, havia desaparecido. Ela se recusara a aceitar o papel de madrinha e, sem dizer uma palavra, partira para as profundezas da floresta.

Anna não era apenas a irmã mais nova e otimista; ela era inteligente o suficiente para saber que o silêncio de Elsa nunca era apenas silêncio. Era um grito abafado.

— Elsa! — gritou Anna, sua voz ecoando contra os troncos gelados. — Eu sei que você está aqui. Eu conheço o cheiro de neve fresca quando não há nuvens no céu!

Ela contornou uma rocha maciça e lá estava ela. Elsa estava de costas, a capa translúcida flutuando levemente, as mãos cerradas ao lado do corpo. O chão ao redor dela estava coberto por uma camada de gelo cristalino, como se a própria terra estivesse tentando se proteger da intensidade do que a loira sentia.

— Vá embora, Anna — disse Elsa, sem se virar. Sua voz era um sussurro gélido que cortava o ar.

— De jeito nenhum! — Anna se aproximou, ignorando o frio que subia por suas botas. — Você foge no meio dos preparativos, se recusa a entrar na igreja comigo e acha que eu vou simplesmente voltar para provar o bolo? O que está acontecendo, Elsa?

Elsa finalmente se virou. Seus olhos azuis estavam marejados, as pálpebras avermelhadas. Ela parecia exausta, como se estivesse carregando o peso de todo o Mar Sombrio nos ombros.

— Eu não posso ser sua madrinha. Eu não posso estar lá, vendo você entregar sua vida a ele.

— Por que não? — Anna deu um passo à frente, a astúcia brilhando em seus olhos. — Você gosta do Kristoff. Ele é um bom homem, ele cuida de mim, ele...

— É exatamente esse o problema! — explodiu Elsa, e uma rajada de neve rodopiou ao redor delas, criando uma redoma branca. — Ele cuida de você. Ele tem o direito de te tocar, de te beijar, de acordar ao seu lado todos os dias pelo resto da vida!

Anna parou, o coração batendo forte contra as costelas. Ela sentiu o clima mudar, não apenas a temperatura, mas a eletricidade entre elas.

— Elsa... o que você está tentando dizer? Se você está preocupada que eu vá te esquecer, você sabe que isso é impossível. Você é minha irmã.

— Esse é o meu fardo, Anna! — Elsa gritou, a voz carregada de uma dor ancestral. Ela avançou, encurtando a distância até que seus rostos estivessem a centímetros de distância. — "Irmã". Essa palavra é uma faca que me corta todos os dias. Você acha que eu fugi porque não aprovo o casamento? Eu fugi porque eu não suporto a ideia de não ser eu!

— Não ser você o quê? — perguntou Anna, a voz trêmula, embora uma parte de sua mente inteligente já estivesse conectando os pontos que ela sempre teve medo de olhar de perto.

— Eu amo você! — confessou Elsa, as palavras saindo como um desabafo violento, uma erupção de tudo o que fora reprimido por anos. — E não é o amor que os livros dizem que devemos ter. É um amor errado, Anna! É um amor que me consome, que me faz querer queimar o mundo só para ter você só para mim. Eu te amo de uma forma que me torna um monstro mais do que meus poderes jamais poderiam.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Anna olhou para a irmã, vendo a vulnerabilidade crua, o desejo e a agonia estampados naquele rosto pálido. A astúcia de Anna sempre lhe permitira ler as pessoas, mas ela sempre se recusara a ler Elsa dessa forma. Até agora.

— Você acha que é a única? — sussurrou Anna.

Elsa arregalou os olhos, a respiração falhando.

— O quê?

— Você acha que eu passo horas planejando cada detalhe da minha vida com ele porque é o que eu realmente quero? — Anna deu um passo definitivo, pressionando o corpo contra o de Elsa. — Eu tentei ser normal. Eu tentei seguir as regras. Mas toda vez que você me toca, toda vez que você me olha assim... eu sinto que estou traindo o mundo inteiro, porque ninguém mais importa.

Anna segurou o rosto de Elsa com as duas mãos, o calor de sua pele contrastando violentamente com o frio da Rainha.

— Você disse que é errado — continuou Anna, os olhos fixos nos lábios de Elsa. — Mas se isso for um erro, eu não quero estar certa nunca mais.

Elsa não aguentou mais. O autocontrole que ela cultivara por décadas ruiu como um castelo de gelo sob o sol de verão. Ela agarrou a cintura de Anna e a prensou contra o tronco rugoso de um pinheiro antigo. O impacto fez a neve cair dos galhos acima, mas nenhuma delas sentiu.

O beijo foi desesperado, uma colisão de anos de saudade e desejo proibido. A língua de Elsa invadiu a boca de Anna com uma urgência faminta, e Anna respondeu com a mesma intensidade, suas mãos se perdendo nos cabelos loiros, desfazendo a trança perfeita que Elsa sempre usava como uma armadura.

— Anna... — arquejou Elsa contra os lábios da irmã —, nós não podemos... o casamento...

— Esqueça o casamento — gemeu Anna, puxando Elsa para mais perto, sentindo a curva do corpo dela contra o seu. — Esqueça tudo. Só me sinta. Agora.

As mãos de Elsa, antes hesitantes, tornaram-se possessivas. Ela rasgou a seda do vestido de Anna, a necessidade superando qualquer delicadeza. O frio da floresta parecia evaporar onde suas peles se tocavam. Anna soltou um grito abafado quando a boca de Elsa encontrou a curva de seu pescoço, deixando marcas que nenhum vestido de noiva seria capaz de esconder.

Encostadas na árvore, o mundo ao redor desapareceu. O gelo que Elsa criava involuntariamente começou a subir pelo tronco, brilhando sob a luz pálida, mas o calor que emanava de seus corpos era absoluto. Anna entrelaçou as pernas na cintura de Elsa, puxando-a para o centro de seu desejo, querendo preencher o vazio que a solidão de ambas havia criado.

— Você é minha — rosnou Elsa, a voz rouca, os olhos brilhando com uma cor azul elétrica que Anna nunca vira. — Só minha.

— Sempre fui — respondeu Anna, a respiração curta, a cabeça jogada para trás contra a casca da árvore. — Sempre serei sua, Elsa.

O ato foi frenético, uma dança de pele contra pele, urgência e entrega. Não havia delicadeza, apenas a verdade nua e crua de duas almas que se pertenciam além de qualquer laço de sangue ou lei dos homens. Elsa se movia com uma paixão avassaladora, cada toque seu deixando um rastro de fogo e gelo na alma de Anna. Anna gemia o nome de Elsa como uma prece, suas unhas cravando-se nos ombros da loira enquanto o ápice as atingia como uma tempestade de neve em pleno estio.

Quando o mundo finalmente parou de girar, elas permaneceram abraçadas, a respiração pesada criando nuvens de vapor no ar gelado. A floresta estava silenciosa novamente, mas era um silêncio diferente. O peso do segredo havia sido compartilhado, e a tensão que as afastava havia se transformado em um vínculo inquebrável.

Elsa encostou a testa na de Anna, os dedos acariciando a bochecha corada da ruiva.

— E agora? — perguntou Elsa, a voz ainda trêmula. — O que faremos quando voltarmos?

Anna olhou para a irmã, a inteligência e a astúcia retornando aos seus olhos, mas agora temperadas com uma determinação feroz. Ela ajeitou os restos de suas roupas, um sorriso pequeno e desafiador surgindo em seus lábios.

— Agora — disse Anna, puxando Elsa para um último beijo suave —, nós vamos voltar. Mas eu não vou me casar com um homem que não possui meu coração. E você... você nunca mais vai fugir de mim.

— Anna, o reino... — começou Elsa.

— O reino vai ter que aprender a lidar com duas rainhas — interrompeu Anna, segurando a mão de Elsa com força. — Porque, a partir de hoje, o gelo e o fogo não estão mais em guerra.

Elsa olhou para as mãos entrelaçadas e, pela primeira vez em sua vida, sentiu-se verdadeiramente livre. O casamento de Arendelle seria cancelado, o escândalo seria imenso, mas enquanto caminhavam juntas de volta para o castelo, sob a sombra das árvores que testemunharam sua união, elas sabiam que nenhum inverno seria frio o suficiente para apagar o que acabara de nascer entre elas.
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