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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 14/07/2026

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O Gosto Amargo da Seda e do Sabão

A Paper School nunca foi exatamente o lugar mais seguro do mundo. Entre professores com instintos assassinos e corredores que pareciam mudar de lugar, um aluno precisava estar sempre alerta. Mas Oliver não era um aluno qualquer. Com seu rabo de cavalo branco arrastando quase no chão e seu braço de lápis, ele se sentia o rei daquela bagunça. Para ele, o perigo era apenas um tempero a mais, quase tão bom quanto o sabor de um sabonete de lavanda fresquinho.

Naquela tarde, Oliver caminhava calmamente por um dos corredores menos frequentados da escola. Ele cantarolava uma melodia irritante, girando seu corpo de forma desleixada. Em sua mão direita, ele segurava uma barra de sabão rosa, da qual já havia tirado duas generosas mordidas. O gosto alcalino e a textura macia eram, para ele, o lanche perfeito após uma aula exaustiva de matemática.

— Nada como um lanche higiênico para manter o hálito fresco — murmurou ele para si mesmo, rindo da própria piada.

Ele dobrou a esquina para um atalho que levava aos armários dos fundos. O lugar estava estranhamente silencioso, mergulhado em uma penumbra cinzenta. Foi então que ele viu. Cruzando o corredor, de uma parede a outra, havia uma teia de aranha. Mas não era uma teia comum. Os fios eram grossos como cordas, de um branco luminescente que parecia pulsar levemente.

Oliver parou e inclinou a cabeça, a mecha rebelde no topo de sua cabeça balançando.

— Mas o que é isso? — Ele cutucou a teia com a ponta de seu braço de lápis. — Algum projeto de artes da Miss Sasha que fugiu do controle? Que bobagem.

Ignorando o instinto que dizia para ele dar meia-volta, Oliver decidiu simplesmente atravessar. Ele achou que a teia se romperia facilmente sob seu peso. Ele estava errado.

Assim que seu peito tocou os fios, a teia reagiu como se estivesse viva. Em um movimento rápido e fluido, os fios brancos se chicotearam ao redor de seus pulsos e tornozelos. Oliver soltou um grito de surpresa, mas antes que pudesse articular qualquer palavra, uma tira grossa de seda cruzou sua boca, prendendo-se com firmeza atrás de sua cabeça.

— Mmmph?! — Oliver arregalou os olhos.

Ele tentou recuar, mas seus pés já não tocavam o chão. A teia o puxou para cima, suspendendo-o contra a parede fria. Em questão de segundos, ele estava completamente imobilizado. Os fios brancos o envolviam como um casulo inacabado, prendendo seus braços junto ao corpo e mantendo suas pernas esticadas. A mordaça de seda era apertada, pressionando suas bochechas e abafando qualquer som que ele tentasse emitir.

Oliver começou a se debater freneticamente. Ele sacudia o corpo, tentando usar a ponta afiada de seu braço de lápis para rasgar a seda, mas os fios eram elásticos e resistentes. Quanto mais ele se movia, mais a teia parecia se apertar, prendendo seu longo cabelo branco e seus chifres pretos contra a superfície pegajosa.

— Mmmph! Mmm-mmph! — Ele tentou gritar por socorro, mas o som saiu como resmungos abafados e desesperados.

O pânico começou a subir pela sua garganta. O corredor estava deserto. Ninguém passava por ali àquela hora. Ele olhou para o chão, onde sua barra de sabão rosa jazia esquecida, coberta de poeira. O silêncio da escola era agora seu maior inimigo.

*Não pode ser...* — pensou ele, a voz ecoando dentro de sua própria mente, clara e carregada de ironia, apesar do medo. — *Eu, o grande Oliver, derrotado por uma decoração de Halloween atrasada? Zip e Edward nunca vão me deixar esquecer isso... se eu sair daqui.*

Ele tentou se mover novamente, forçando os músculos, mas a exaustão começou a tomar conta. A teia tinha um efeito anestesiante. Seus olhos pesavam. Ele estava preso, amordaçado e sozinho no escuro.

...

O dia seguinte amanheceu com a rotina habitual da Paper School, mas algo estava fora do lugar. Nos corredores movimentados, dois vultos conhecidos caminhavam com expressões de crescente preocupação.

Zip, com seu cabelo espetado e sua energia caótica, olhava para todos os lados, chutando uma latinha amassada. Edward, com seus óculos e sua postura mais contida, consultava o relógio a cada trinta segundos.

— Isso não é normal — disse Zip, parando no meio do corredor. — O Oliver nunca perde a chance de zoar a primeira aula. A Miss Circle já está com aquela cara de "quem eu vou matar hoje" porque ele não apareceu.

— Eu verifiquei o dormitório dele — respondeu Edward, ajustando os óculos. — A cama estava arrumada. Ele nem chegou a dormir lá. Ele sumiu ontem à tarde, logo depois que saímos do refeitório.

— Você acha que ele se meteu em briga com a Alice? — Zip perguntou, a voz baixando um tom.

— Se ele tivesse entrado na sala da Alice, não restaria nem o rabo de cavalo para contar a história — Edward suspirou. — Vamos procurar nos corredores antigos. Ele gosta de se esconder por lá para comer sabonete em paz.

Eles caminharam por dez minutos, chamando o nome do amigo, recebendo apenas o eco de suas próprias vozes como resposta. Até que, ao passarem perto do corredor dos armários dos fundos, um som estranho cortou o silêncio.

*Mmmph! Mmmph! Mmmph! Mmmph!*

Foram quatro barulhos rítmicos, abafados e urgentes. Zip parou bruscamente, as orelhas quase se agitando.

— Você ouviu isso? — perguntou ela, apontando para a esquina escura.

— Veio dali — Edward confirmou, apressando o passo.

Ao dobrarem o corredor, os dois pararam petrificados. A visão era surreal. Oliver estava suspenso a um metro do chão, preso a uma gigantesca teia branca que brilhava fracamente na penumbra. Ele parecia uma estátua de papel mal embrulhada. Seus olhos, arregalados e injetados, fixaram-se nos amigos com uma mistura de alívio e humilhação suprema.

— Oliver! — exclamou Zip, metade preocupada, metade segurando o riso. — Cara, o que aconteceu com você?

— Mmmph! Mmm-mmmmph! — Oliver se debateu violentamente, os sons saindo abafados pela mordaça de seda que cobria metade de seu rosto.

— Espera, não se mexa, você só está se enrolando mais — Edward disse, aproximando-se com cautela. Ele tocou em um dos fios e sentiu a viscosidade. — Isso não é uma teia comum. É quase como polímero sintético.

— Menos ciência e mais ajuda, Edward! — Zip puxou um pequeno canivete que guardava no bolso. — Aguenta aí, Olly.

Zip começou a cortar a mordaça primeiro. A seda era dura, mas a lâmina bem afiada conseguiu abrir um rasgo. Com um puxão firme, ela livrou a boca do amigo.

Oliver respirou fundo, tossindo e tentando recuperar o fôlego. A primeira coisa que ele fez foi cuspir alguns fiapos de seda que haviam entrado em sua boca.

— Finalmente! — gritou ele, a voz um pouco rouca. — Eu achei que ia morrer de tédio ou de fome! E o pior de tudo: aquele sabonete lá no chão era edição limitada!

Edward começou a trabalhar nos fios que prendiam os braços de Oliver, enquanto Zip cortava a teia nas pernas.

— Como você conseguiu ficar preso nisso? — perguntou Edward, genuinamente curioso. — Você é o cara mais esperto que eu conheço, exceto quando decide comer produtos de limpeza.

— Eu achei que era bobagem! — Oliver protestou, enquanto Zip o ajudava a descer. — Eu fui atravessar e a coisa simplesmente me deu um abraço de urso! E não foi um abraço carinhoso, eu garanto.

Com um último corte, Oliver caiu de pé, embora suas pernas estivessem um pouco bambas. Ele imediatamente começou a limpar a poeira e os restos de teia de sua camisa preta, ajeitando seu rabo de cavalo com uma expressão de desgosto. O laço preto estava torto e a marca de "A+" em seu cabelo parecia ter perdido um pouco do brilho.

— Você está bem, cara? — Zip perguntou, dando um tapinha no ombro dele.

Oliver olhou para o braço de lápis, verificando se não havia sofrido danos, e depois para os amigos. Ele soltou um suspiro dramático e recuperou seu sorriso travesso habitual, embora houvesse um brilho de gratidão em seus olhos.

— Tirando o fato de que eu passei a noite parecendo um presente de grego embrulhado para presente, eu estou ótimo — Oliver disse, pegando o sabonete sujo do chão e limpando-o na calça antes de guardá-lo. — Mas se algum de vocês contar isso para a Miss Circle ou para o Abbie... eu transformo o caderno de vocês em confete.

— Ah, relaxa — Zip riu, começando a caminhar de volta para o corredor principal. — Mas você vai ter que nos pagar uns lanches por termos salvado sua pele. E nada de sabonete, queremos comida de verdade.

— Justo — concordou Oliver, seguindo-os.

Ele olhou uma última vez para trás, para os restos da teia destruída no corredor escuro. Ele ainda conseguia sentir o gosto estranho da seda em sua língua, um contraste bizarro com o sabor cítrico do sabão que ele tanto amava.

— Ei, Edward — chamou Oliver, enquanto caminhavam.

— Sim?

— Da próxima vez que você vir uma aranha gigante... me avisa. Acho que vou começar a andar com um spray inseticida além do meu lápis.

Os três amigos riram, o som ecoando pelos corredores da Paper School, enquanto o sol da manhã finalmente dissipava as sombras daquele corredor esquecido. Oliver estava de volta, e a escola, para o bem ou para o mal, nunca ficaria em silêncio por muito tempo.
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