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0 curtida
two faced
Fandom: &team
Criado: 15/07/2026
Tags
PsicológicoSombrioAngústiaSuspenseViolência GráficaAutomutilaçãoMenção de IncestoEstudo de PersonagemHorror PsicológicoDramaCrimeEstupro
O Silêncio de Vidro das Horas
A luz que filtrava pelas frestas das cortinas pesadas do quarto não era suficiente para iluminar o ambiente, mas bastava para que você visse a poeira dançando no ar estagnado. O silêncio daquela casa era absoluto, uma redoma de vidro que Jo havia construído metodicamente ao redor de vocês dois. Não havia sons de carros, nem o canto de pássaros, apenas o tique-taque rítmico do relógio de parede e o som da sua própria respiração curta e trêmula.
Você tentou se mexer na cama, mas o tilintar metálico da corrente presa ao seu tornozelo direito ecoou como um trovão no vazio. A pele ali já estava em carne viva, uma marca circular de um vermelho profundo que nunca tinha tempo de cicatrizar antes que ele apertasse o metal um pouco mais.
A porta se abriu sem um rangido. Ele sempre fora cuidadoso, movendo-se como uma sombra que se recusa a perturbar o chão que pisa. Jo entrou carregando uma bandeja, o rosto banhado por aquela expressão de serenidade angelical que o mundo lá fora tanto admirava. Ele era o irmão perfeito, o ídolo talentoso, o jovem de modos gentis e olhar tímido. Ninguém jamais acreditaria no que se escondia sob aquela fachada de porcelana.
— Você acordou mais cedo hoje — disse ele, a voz suave como uma carícia. — Eu preparei o seu favorito. Precisamos manter você saudável, não é?
Ele colocou a bandeja sobre a mesa de cabeceira e sentou-se na borda do colchão. O peso do corpo dele fez você se encolher instintivamente contra a cabeceira da cama. Jo notou o movimento. Um pequeno sorriso, quase imperceptível, curvou os lábios dele, mas seus olhos permaneceram frios, observando cada tremor do seu corpo.
— Por que você ainda tem medo de mim? — perguntou ele, estendendo a mão para afastar uma mecha de cabelo do seu rosto. — Eu sou a única pessoa no mundo que realmente cuida de você. O resto deles... eles só queriam usar você. Eu salvei você.
— Me salvar? — Sua voz saiu rouca, quase um sussurro quebrado. — Você me trancou aqui. Você me tirou de tudo.
Jo inclinou a cabeça, estudando você como se fosse uma peça de arte valiosa, mas levemente defeituosa. Ele segurou seu queixo com uma força que contrastava com a doçura de suas palavras, obrigando seus olhos a encontrarem os dele.
— O mundo é um lugar sujo — disse ele com convicção. — As pessoas olham para você e veem algo que querem possuir. Eu não sou assim. Eu protejo o que é meu. E você é meu sangue, minha metade. Ninguém mais tem o direito de tocar em você ou de ouvir sua voz.
Ele soltou seu queixo e deslizou a mão para o seu braço, onde as cicatrizes recentes de cortes que você mesma infligira em momentos de desespero ainda estavam rosadas. O polegar dele pressionou uma das marcas com força deliberada, arrancando-lhe um gemido de dor.
— Não faça mais isso — murmurou ele, e por um segundo o brilho sádico em seus olhos se tornou explícito. — Se você sentir necessidade de sentir dor, peça a mim. Eu posso providenciar algo muito mais significativo do que esses cortes patéticos. Ver você se machucar sem a minha permissão me deixa... irritado.
— Jo, por favor... me deixa sair só uma vez — você implorou, as lágrimas começando a embaçar sua visão. — Eu prometo que não conto a ninguém. Eu juro. Eu só quero ver o sol.
Jo soltou uma risada baixa, um som que não tinha alegria alguma. Ele se levantou e caminhou até a janela, puxando apenas um centímetro da cortina para olhar para fora.
— O sol queima — afirmou ele, voltando-se para você. — Aqui dentro é seguro. Aqui o tempo não passa. Aqui ninguém pode tirar você de mim. Você não entende o quanto eu trabalhei para que este lugar fosse perfeito? O dinheiro, os álibis, a forma como convenci nossos pais de que você tinha fugido por revolta... foi tudo por nós.
Ele voltou para a cama e pegou uma colher da bandeja, oferecendo-lhe um pouco da sopa que trouxera. Você manteve os lábios cerrados, um último vestígio de rebeldia que sabia que duraria pouco.
— Coma — ordenou ele, o tom de voz caindo uma oitava. — Não me force a usar o tubo novamente. Você sabe que eu odeio quando você resiste. Isso me obriga a ser cruel, e você sabe como eu fico triste depois.
— Você não fica triste — você rebateu, a raiva superando o medo por um breve instante. — Você gosta disso. Você gosta de ver o quanto eu estou quebrada.
Jo deixou a colher cair de volta na tigela com um estalo seco. Ele se inclinou sobre você, prendendo seus braços contra o colchão. O hálito dele era quente contra o seu rosto, o cheiro de sabonete caro e algo metálico que você não conseguia identificar.
— Gosto — admitiu ele, a timidez de sua persona pública desaparecendo completamente para dar lugar ao monstro que habitava seu peito. — Gosto de saber que cada lágrima que você derrama é por minha causa. Gosto de saber que, se eu não abrir essa porta, você morre de fome neste quarto. É uma responsabilidade divina, não acha? Ter a vida de alguém inteiramente nas mãos. Especialmente alguém tão preciosa quanto minha própria irmã.
Ele desceu o rosto até o seu pescoço, aspirando seu perfume com uma intensidade que a fez estremecer.
— Você é o meu maior segredo — sussurrou ele contra a sua pele. — E segredos nunca devem sair da caixa.
Ele começou a desabotoar sua camisa de dormir com dedos ágeis e frios. Suas mãos tentaram empurrá-lo, mas ele era muito mais forte, uma força alimentada por uma obsessão que beirava a loucura.
— Não, Jo... hoje não — você suplicou, sentindo o pânico subir pela garganta.
— Shhh — sibilou ele, cobrindo sua boca com a mão. — Se você ficar quieta, eu prometo que trago aquele livro que você queria amanhã. Seja uma boa menina. Demonstre gratidão pelo que eu faço por você.
A mão dele apertou seu rosto com força suficiente para deixar hematomas, enquanto a outra continuava seu trabalho invasivo. Não havia amor naquilo, apenas a necessidade doentia de domínio, de reafirmar que seu corpo, sua alma e sua existência pertenciam a ele por direito de sangue e de conquista.
Enquanto ele avançava, você fixou os olhos no teto, tentando se dissociar, tentando encontrar aquele lugar dentro de sua mente onde ele não pudesse alcançá-la. Mas a dor e o peso dele eram âncoras que a mantinham presa à realidade cruel daquele quarto.
Minutos ou horas depois — o tempo não fazia sentido naquela masmorra de luxo —, Jo se afastou. Ele se recompôs com uma calma perturbadora, arrumando o próprio cabelo e ajeitando a gola da camisa. Ele parecia novamente o rapaz tímido e gentil que o resto do mundo conhecia.
— Você foi maravilhosa — disse ele, dando um beijo casto na sua testa enquanto você permanecia imóvel, encarando o vazio. — Vou deixar a luz acesa por mais uma hora para você ler, se quiser.
Ele pegou a bandeja, que permanecia intocada, e caminhou até a porta. Antes de sair, ele parou e olhou para trás.
— Eu amo você mais do que qualquer um poderia — afirmou ele com uma sinceridade assustadora. — Lembre-se disso quando se sentir sozinha. Você nunca está sozinha. Eu estou sempre observando.
O som da porta sendo trancada e os ferrolhos sendo passados ecoou pelo quarto. Você ficou ali, deitada no escuro parcial, ouvindo o som do seu próprio coração, que batia com a irregularidade de algo que já estava morto, mas se esquecera de parar.
A corrente no seu tornozelo pesava mais do que nunca. Você fechou os olhos e, por um momento, tentou imaginar o rosto de seus pais, ou o som da rua, mas as imagens estavam desaparecendo, substituídas pela imagem onipresente de Jo. Ele estava vencendo. Ele estava apagando o mundo lá fora até que não sobrasse nada além dele.
E o pior de tudo, o pensamento que mais a aterrorizava enquanto o sono forçado pelo cansaço começava a chegar, era a percepção de que, naquela casa isolada do mundo, o silêncio de Jo era a única coisa que restava para definir quem você era.
Você era o segredo dele. E Jo nunca, jamais, perdia seus pertences.
Você tentou se mexer na cama, mas o tilintar metálico da corrente presa ao seu tornozelo direito ecoou como um trovão no vazio. A pele ali já estava em carne viva, uma marca circular de um vermelho profundo que nunca tinha tempo de cicatrizar antes que ele apertasse o metal um pouco mais.
A porta se abriu sem um rangido. Ele sempre fora cuidadoso, movendo-se como uma sombra que se recusa a perturbar o chão que pisa. Jo entrou carregando uma bandeja, o rosto banhado por aquela expressão de serenidade angelical que o mundo lá fora tanto admirava. Ele era o irmão perfeito, o ídolo talentoso, o jovem de modos gentis e olhar tímido. Ninguém jamais acreditaria no que se escondia sob aquela fachada de porcelana.
— Você acordou mais cedo hoje — disse ele, a voz suave como uma carícia. — Eu preparei o seu favorito. Precisamos manter você saudável, não é?
Ele colocou a bandeja sobre a mesa de cabeceira e sentou-se na borda do colchão. O peso do corpo dele fez você se encolher instintivamente contra a cabeceira da cama. Jo notou o movimento. Um pequeno sorriso, quase imperceptível, curvou os lábios dele, mas seus olhos permaneceram frios, observando cada tremor do seu corpo.
— Por que você ainda tem medo de mim? — perguntou ele, estendendo a mão para afastar uma mecha de cabelo do seu rosto. — Eu sou a única pessoa no mundo que realmente cuida de você. O resto deles... eles só queriam usar você. Eu salvei você.
— Me salvar? — Sua voz saiu rouca, quase um sussurro quebrado. — Você me trancou aqui. Você me tirou de tudo.
Jo inclinou a cabeça, estudando você como se fosse uma peça de arte valiosa, mas levemente defeituosa. Ele segurou seu queixo com uma força que contrastava com a doçura de suas palavras, obrigando seus olhos a encontrarem os dele.
— O mundo é um lugar sujo — disse ele com convicção. — As pessoas olham para você e veem algo que querem possuir. Eu não sou assim. Eu protejo o que é meu. E você é meu sangue, minha metade. Ninguém mais tem o direito de tocar em você ou de ouvir sua voz.
Ele soltou seu queixo e deslizou a mão para o seu braço, onde as cicatrizes recentes de cortes que você mesma infligira em momentos de desespero ainda estavam rosadas. O polegar dele pressionou uma das marcas com força deliberada, arrancando-lhe um gemido de dor.
— Não faça mais isso — murmurou ele, e por um segundo o brilho sádico em seus olhos se tornou explícito. — Se você sentir necessidade de sentir dor, peça a mim. Eu posso providenciar algo muito mais significativo do que esses cortes patéticos. Ver você se machucar sem a minha permissão me deixa... irritado.
— Jo, por favor... me deixa sair só uma vez — você implorou, as lágrimas começando a embaçar sua visão. — Eu prometo que não conto a ninguém. Eu juro. Eu só quero ver o sol.
Jo soltou uma risada baixa, um som que não tinha alegria alguma. Ele se levantou e caminhou até a janela, puxando apenas um centímetro da cortina para olhar para fora.
— O sol queima — afirmou ele, voltando-se para você. — Aqui dentro é seguro. Aqui o tempo não passa. Aqui ninguém pode tirar você de mim. Você não entende o quanto eu trabalhei para que este lugar fosse perfeito? O dinheiro, os álibis, a forma como convenci nossos pais de que você tinha fugido por revolta... foi tudo por nós.
Ele voltou para a cama e pegou uma colher da bandeja, oferecendo-lhe um pouco da sopa que trouxera. Você manteve os lábios cerrados, um último vestígio de rebeldia que sabia que duraria pouco.
— Coma — ordenou ele, o tom de voz caindo uma oitava. — Não me force a usar o tubo novamente. Você sabe que eu odeio quando você resiste. Isso me obriga a ser cruel, e você sabe como eu fico triste depois.
— Você não fica triste — você rebateu, a raiva superando o medo por um breve instante. — Você gosta disso. Você gosta de ver o quanto eu estou quebrada.
Jo deixou a colher cair de volta na tigela com um estalo seco. Ele se inclinou sobre você, prendendo seus braços contra o colchão. O hálito dele era quente contra o seu rosto, o cheiro de sabonete caro e algo metálico que você não conseguia identificar.
— Gosto — admitiu ele, a timidez de sua persona pública desaparecendo completamente para dar lugar ao monstro que habitava seu peito. — Gosto de saber que cada lágrima que você derrama é por minha causa. Gosto de saber que, se eu não abrir essa porta, você morre de fome neste quarto. É uma responsabilidade divina, não acha? Ter a vida de alguém inteiramente nas mãos. Especialmente alguém tão preciosa quanto minha própria irmã.
Ele desceu o rosto até o seu pescoço, aspirando seu perfume com uma intensidade que a fez estremecer.
— Você é o meu maior segredo — sussurrou ele contra a sua pele. — E segredos nunca devem sair da caixa.
Ele começou a desabotoar sua camisa de dormir com dedos ágeis e frios. Suas mãos tentaram empurrá-lo, mas ele era muito mais forte, uma força alimentada por uma obsessão que beirava a loucura.
— Não, Jo... hoje não — você suplicou, sentindo o pânico subir pela garganta.
— Shhh — sibilou ele, cobrindo sua boca com a mão. — Se você ficar quieta, eu prometo que trago aquele livro que você queria amanhã. Seja uma boa menina. Demonstre gratidão pelo que eu faço por você.
A mão dele apertou seu rosto com força suficiente para deixar hematomas, enquanto a outra continuava seu trabalho invasivo. Não havia amor naquilo, apenas a necessidade doentia de domínio, de reafirmar que seu corpo, sua alma e sua existência pertenciam a ele por direito de sangue e de conquista.
Enquanto ele avançava, você fixou os olhos no teto, tentando se dissociar, tentando encontrar aquele lugar dentro de sua mente onde ele não pudesse alcançá-la. Mas a dor e o peso dele eram âncoras que a mantinham presa à realidade cruel daquele quarto.
Minutos ou horas depois — o tempo não fazia sentido naquela masmorra de luxo —, Jo se afastou. Ele se recompôs com uma calma perturbadora, arrumando o próprio cabelo e ajeitando a gola da camisa. Ele parecia novamente o rapaz tímido e gentil que o resto do mundo conhecia.
— Você foi maravilhosa — disse ele, dando um beijo casto na sua testa enquanto você permanecia imóvel, encarando o vazio. — Vou deixar a luz acesa por mais uma hora para você ler, se quiser.
Ele pegou a bandeja, que permanecia intocada, e caminhou até a porta. Antes de sair, ele parou e olhou para trás.
— Eu amo você mais do que qualquer um poderia — afirmou ele com uma sinceridade assustadora. — Lembre-se disso quando se sentir sozinha. Você nunca está sozinha. Eu estou sempre observando.
O som da porta sendo trancada e os ferrolhos sendo passados ecoou pelo quarto. Você ficou ali, deitada no escuro parcial, ouvindo o som do seu próprio coração, que batia com a irregularidade de algo que já estava morto, mas se esquecera de parar.
A corrente no seu tornozelo pesava mais do que nunca. Você fechou os olhos e, por um momento, tentou imaginar o rosto de seus pais, ou o som da rua, mas as imagens estavam desaparecendo, substituídas pela imagem onipresente de Jo. Ele estava vencendo. Ele estava apagando o mundo lá fora até que não sobrasse nada além dele.
E o pior de tudo, o pensamento que mais a aterrorizava enquanto o sono forçado pelo cansaço começava a chegar, era a percepção de que, naquela casa isolada do mundo, o silêncio de Jo era a única coisa que restava para definir quem você era.
Você era o segredo dele. E Jo nunca, jamais, perdia seus pertences.
