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World Cup

Fandom: Sem Fandom

Criado: 15/07/2026

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O Bunker dos Camisas Amarelas

O silêncio no quarto de hotel de Vinícius Júnior era interrompido apenas pelo som do ar-condicionado central e pelo barulho frenético de dedos batendo em telas de celulares. Vini estava jogado na poltrona de couro, encarando o teto com uma expressão de quem preferia estar enfrentando a marcação mais agressiva da Champions League a ter que lidar com as notificações de seu WhatsApp.

No canto do quarto, Endrick estava encolhido em um puff, parecendo subitamente muito menor do que o atacante potente que assombrava as defesas adversárias. E Gabriel Magalhães? O zagueiro estava parado perto da porta, com o ouvido colado na madeira, como se estivesse esperando uma invasão da SWAT a qualquer momento.

— Ele parou de mandar mensagem faz dez minutos — sussurrou Gabriel, a voz carregada de uma paranoia quase cômica. — Isso é pior. O silêncio do Erling é sempre o prelúdio de um desastre. Ele deve estar vindo pra cá.

Vini soltou um suspiro pesado, finalmente desviando o olhar do teto para encarar o amigo.

— Gabriel, relaxa. O andar tá bloqueado pela segurança da CBF. Nem o Haaland, com aquele tamanho de titã, consegue passar pelos seguranças sem causar um incidente diplomático.

— Você diz isso porque o Kylian está em outra cidade, Vini! — Gabriel rebateu, gesticulando freneticamente. — O Erling está no mesmo hotel. Ele só precisa de um elevador de serviço ou de uma distração. Você sabe como ele é quando quer alguma coisa. Ele não aceita um "não" como resposta, nem no campo, nem no quarto.

— Pelo menos o Haaland é... previsível — Endrick murmurou, finalmente levantando os olhos do celular. — O Lamine me mandou um vídeo agora pouco. Ele estava sorrindo, aquele sorriso de quem sabe exatamente onde eu estou escondido. Ele disse que, se a Espanha ganhar o próximo jogo, ele vai exigir que eu use a camisa dele na frente das câmeras. Eu sou brasileiro! Imagina o que o pessoal lá em casa vai falar se me virem com a camisa da Espanha?

Vini deu uma risada amarga, sentindo o peso do próprio fardo.

— Vocês estão reclamando de barriga cheia — disse ele, sentando-se com esforço. — O Kylian viu aquela matéria falsa sobre a Virgínia. Ele não só acreditou, como decidiu que a punição dele vai ser "proporcional ao tamanho da desonra". Vocês têm noção do que o Kylian considera proporcional? Eu não vou conseguir andar por uma semana se a França levar essa taça. Ele fica insuportável quando ganha. O ego dele já é do tamanho da Torre Eiffel, imagina com o troféu na mão e o ciúme queimando o juízo dele?

— Por que a gente namora estrangeiros, hein? — perguntou Endrick, genuinamente curioso. — Não tinha nenhum brasileiro legal disponível?

— O coração não escolhe, Endrick — respondeu Gabriel, voltando a encostar o ouvido na porta. — Mas, às vezes, eu acho que o meu coração tem um gosto péssimo para a paz de espírito. O Erling é um viking. Literalmente. Ele acha que tudo se resolve na base da conquista e da possessividade.

De repente, o celular de Vini vibrou sobre a mesa de cabeceira. O som parecia um tiro de canhão no ambiente tenso. Os três pularam simultaneamente. Vini pegou o aparelho com as mãos levemente trêmulas. Era uma chamada de vídeo.

— É ele — anunciou Vini, a voz falhando.

— Não atende! — exclamou Endrick.

— Se eu não atender, ele pega um jato particular e pousa no meio do campo de treinamento amanhã — rebateu Vini, apertando o botão verde e forçando seu melhor sorriso de "está tudo bem, amor".

A tela foi preenchida pelo rosto de Kylian Mbappé. Ele ainda estava com o uniforme de treino da França, o suor brilhando em sua pele, e aquele olhar intenso que fazia Vini tremer por motivos que ele não admitiria em voz alta na frente dos companheiros.

— *Mon amour* — a voz de Kylian saiu grave, carregada de um sotaque francês que normalmente seria sedutor, mas agora soava como uma ameaça velada. — Por que demorou a atender? Estava ocupado... conversando com brasileiros? Ou talvez lendo notícias sobre influenciadoras?

Vini engoliu em seco, sentindo o suor frio escorrer por suas costas.

— Estava apenas descansando, Kylian. A eliminação foi dura, você sabe. Estou tentando processar tudo com o Gabriel e o Endrick.

Kylian estreitou os olhos, a câmera se movendo enquanto ele parecia caminhar por um corredor.

— Gabriel e Endrick. Os três fugitivos. Eu falei com o Erling e com o pequeno Lamine. Eles também estão sentindo a falta de vocês. É engraçado como a seleção brasileira decide se esconder exatamente quando nós estamos livres para visitas, não é?

— Não é esconderijo, Kylian — disse Vini, tentando manter a voz firme —, são as regras da CBF. Segurança em primeiro lugar.

— Segurança... — Kylian repetiu a palavra como se fosse uma piada interna. — Aproveite sua segurança enquanto ela dura, Vinícius. Quando a final acabar, e eu estiver com a medalha no pescoço, não haverá segurança, treinador ou federação que te proteja de mim. Você me deve explicações sobre aquela história da Virgínia. E eu pretendo cobrar cada segundo de silêncio que você me deu hoje.

Vini sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele conhecia aquele tom. Era o tom de quando Kylian decidia que o jogo era dele e de mais ninguém.

— Eu já disse que era fake news, Kylian. Eu nem conheço ela direito!

— Veremos — disse o francês, com um sorriso de canto que prometia noites sem sono. — Agora, passe o telefone para o Gabriel. Erling quer dar um "oi".

Vini, sem hesitar, estendeu o celular para Gabriel Magalhães como se estivesse passando uma granada prestes a explodir. Gabriel pegou o aparelho com os dedos rígidos.

— Oi, Erling... — Gabriel tentou soar casual, mas falhou miseravelmente.

Do outro lado da linha, a voz de Haaland surgiu, alta e estrondosa, mesmo sem estar no viva-voz.

— GABRIEL! Por que você trancou a porta por dentro? Eu sei que você está aí. Eu consigo sentir o seu cheiro de medo daqui do corredor!

Gabriel empalideceu instantaneamente.

— Você está no corredor? Erling, você não pode estar aqui!

— Eu sou o Erling Haaland — a voz do norueguês ecoou, e todos no quarto puderam ouvir um baque surdo vindo da porta real do quarto de Vini. — Eu vou onde eu quiser. Abra essa porta agora ou eu vou pedir para o serviço de quarto trazer um aríete!

Endrick se encolheu ainda mais no puff, cobrindo a cabeça com um travesseiro.

— A gente vai morrer — ele choramingou. — O Lamine vai chegar a qualquer momento com um exército de estagiários do Barcelona e me levar à força.

Vini pegou o telefone de volta das mãos de um Gabriel em estado de choque e olhou para Kylian na tela.

— Kylian, manda o seu amigo parar! Isso é loucura!

— Loucura é você achar que pode fugir de mim, Vinícius — Kylian disse, a expressão suavizando para algo que era metade desejo e metade possessividade pura. — O Erling é impaciente, você sabe. E eu também sou. Mas eu sei esperar. O sabor da vitória é melhor quando o prêmio está ansioso.

Kylian desligou a chamada sem se despedir, deixando Vini encarando a tela preta com o coração disparado.

— Ele desligou — anunciou Vini, a voz trêmula.

— E o Haaland parou de bater — observou Gabriel, que ainda estava paralisado.

O silêncio voltou ao quarto, mas não era um silêncio de paz. Era o silêncio que precede a tempestade. Os três jogadores brasileiros se entreolharam. Eles eram estrelas mundiais, ídolos de milhões, homens que enfrentavam estádios lotados sem tremer. Mas ali, naquele quarto de hotel, eles eram apenas três namorados aterrorizados pela intensidade avassaladora dos europeus que haviam conquistado seus corações — e suas sanidades.

— Vini — Endrick chamou, a voz abafada pelo travesseiro.

— Fala, garoto.

— Se a gente pedir asilo político em algum lugar... você acha que eles nos encontram?

Vini soltou uma risada curta e sem humor, lembrando-se do olhar de Kylian através da tela.

— Endrick, o Kylian controla metade de Paris e o Haaland é um viking que provavelmente sabe rastrear pessoas pelo batimento cardíaco. O Lamine é jovem, ele tem energia para te perseguir pelo resto da vida. Não tem asilo que nos salve.

Gabriel Magalhães finalmente se afastou da porta, sentando-se na beira da cama e enterrando o rosto nas mãos.

— Eu só queria ganhar a Copa e ter umas férias tranquilas — lamentou o zagueiro. — Agora, a Copa acabou pra gente e as nossas "férias" vão ser um campo de treinamento de como sobreviver a namorados possessivos.

— O pior — Vini acrescentou, deitando-se novamente e encarando o teto — é que, no fundo, a gente gosta dessa loucura. Se não gostasse, não estaria aguentando esses três lunáticos há tanto tempo.

— Fala por você — resmungou Endrick, embora todos soubessem que ele era o primeiro a sorrir quando recebia as mensagens melosas (e levemente obsessivas) de Yamal.

— É — concordou Gabriel, soltando um suspiro longo. — Mas que eles são malucos, eles são. O que tem na água da Europa, afinal?

— Não é a água, Gabriel — Vini disse, fechando os olhos e tentando imaginar como seria o encontro com Kylian após a final. — É o futebol. Eles jogam para ganhar tudo. E, infelizmente para a nossa lombar, eles decidiram que nós somos o troféu mais importante da temporada.

O som de uma nova notificação ecoou no quarto. Dessa vez, era o celular de Endrick.

— É o Lamine — disse o mais novo, a voz resignada. — Ele mandou uma foto de uma passagem de trem. Ele está vindo.

— Bem — Vini se levantou, caminhando até o frigobar para pegar uma água, tentando preparar o espírito para o que viria —, foi bom conhecer vocês, rapazes. Se a gente não se vir no próximo treino da seleção, digam ao mundo que tentamos resistir.

— Resistir é uma palavra forte — murmurou Gabriel, olhando para a porta uma última vez antes de se jogar na cama. — A gente só está adiando o inevitável.

Enquanto a noite caía sobre a cidade sede da Copa, os três craques brasileiros permaneciam trancados, divididos entre o medo da "punição" que os aguardava e a saudade inevitável daqueles que, apesar de malucos, eram os donos de seus corações. Vini olhou para a tela do celular uma última vez, vendo a foto de fundo de tela: ele e Kylian, sorrindo após um jogo em Madri.

— É, Kylian... — sussurrou para si mesmo. — Você é um idiota possessivo. Mas é o meu idiota possessivo.

Lá fora, o som de passos pesados no corredor recomeçou. O viking estava de volta. E, dessa vez, ele parecia ter trazido reforços. O bunker estava prestes a cair.
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