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Fandom: Sem Fandom

Criado: 15/07/2026

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O Peso da Coroa e o Preço da Fuga

O silêncio no vestiário brasileiro após a derrota para a Noruega não era apenas o silêncio do luto esportivo; para Vinícius Júnior, era o som do inevitável. Enquanto a água do chuveiro batia em suas costas, ele não pensava apenas no gol perdido ou na tática falha que os eliminou precocemente. Seus pensamentos estavam a quilômetros dali, em um hotel de luxo onde a seleção francesa celebrava mais uma vitória, e especificamente em um homem que, com certeza, já estava conferindo o horário do voo de Vini.

Vini fechou os olhos, encostando a testa nos azulejos frios. Ser o camisa 7 do Brasil era o sonho de uma vida, mas carregar as expectativas de 200 milhões de pessoas era um fardo que pesava toneladas. Ele já havia pedido desculpas públicas, já havia sentido o gosto amargo das críticas, mas nada disso o assustava tanto quanto a notificação que vibraria em seu celular a qualquer momento.

Kylian Mbappé era uma força da natureza, tanto em campo quanto fora dele. O relacionamento de nove meses era uma montanha-russa de intensidade que Vini, às vezes, mal conseguia acompanhar. Kylian não era apenas competitivo; ele era territorial. E as recentes notícias falsas ligando o nome de Vinícius ao de Virgínia haviam despertado o que havia de pior no temperamento do francês. O ciúme de Mbappé não era silencioso; era uma tempestade de mensagens, ligações por vídeo de madrugada e exigências de atenção que beiravam o absurdo.

— Ele já te mandou mensagem? — A voz de Gabriel Magalhães ecoou no vestiário agora quase vazio.

Vini desligou o chuveiro e suspirou, pegando a toalha.

— Ainda não. O que é pior. Ele deve estar esperando o jantar acabar para começar o interrogatório. Ou pior, para me dizer que já comprou minha passagem para Paris em vez de me deixar ir para o Rio.

Gabriel soltou uma risada seca, sentando-se no banco de madeira com o rosto enterrado nas mãos.

— Pelo menos o seu quer que você vá para Paris. O Erling me mandou uma localização de uma cabana isolada na Noruega. Ele disse que, já que o Brasil foi eliminado, eu "finalmente tenho tempo para aprender a pescar no gelo com ele". Ele é maluco, Vini. Completamente surtado.

— Vocês reclamam de barriga cheia — interrompeu Endrick, o mais novo do grupo, que parecia tentar se esconder dentro do próprio casaco da seleção. — O Lamine me mandou cinquenta fotos de praias em Barcelona e disse que, se eu for visto em qualquer balada em Madri sem ele, ele vai pedir pro treinador dele me marcar individualmente até em amistoso. Aquele garoto tem a idade de um tiktoker, mas a possessividade de um imperador romano.

Vini olhou para os companheiros de equipe e não pôde deixar de sentir uma pontada de solidariedade. Ali estavam eles, três dos maiores jogadores do mundo, escondidos em um vestiário pós-eliminação, fugindo não dos jornalistas, mas de seus respectivos namorados estrangeiros.

— Será que todo europeu é assim? — perguntou Vini, vestindo sua camisa. — Ou a gente que tem um imã para gente doida?

— Eu acho que é o nosso brilho — Gabriel brincou, embora houvesse um fundo de cansaço em seus olhos. — Eles veem esse gingado brasileiro e decidem que precisam trancar a gente em um cofre.

O celular de Vinícius vibrou em cima do banco. O visor brilhou com o nome "Kylian" acompanhado de um emoji de coração vermelho e uma chama. Os três ficaram em silêncio, encarando o aparelho como se fosse uma bomba prestes a detonar.

— Não atende — sussurrou Endrick. — Se você atender, ele vai saber que você já saiu do estádio.

— Se eu não atender, ele liga para o segurança do estádio — rebateu Vini, pegando o celular com as mãos trêmulas. — Ele já fez isso uma vez quando eu demorei para sair do treino no Real Madrid.

Ele deslizou o dedo pela tela e colocou o telefone no ouvido. Antes que pudesse dizer "oi", a voz grave e decidida de Mbappé preencheu o espaço.

— Sinto muito pela derrota, mon ange — disse Kylian, embora o tom não parecesse nem um pouco triste. — Mas olhe pelo lado positivo: agora você não tem mais distrações. O motorista já está a caminho do seu hotel. Ele vai pegar suas malas.

Vini arregalou os olhos, olhando para Gabriel e Endrick, que tentavam ler seus lábios.

— Kylian, o que? Como assim motorista? Eu ia voltar para o Brasil com o time, eu preciso ver minha família, eu...

— O Brasil pode esperar — a voz de Mbappé ficou um tom mais baixa, aquela nota possessiva que sempre fazia os pelos da nuca de Vini se arrepiarem. — Eu ganhei meu jogo, Vinícius. Eu estou de bom humor. Mas esse bom humor depende de você estar no meu quarto de hotel em duas horas. Eu vi as fotos daquela influenciadora de novo hoje de manhã. Acho que precisamos conversar sobre... limites. De novo.

Vini engoliu em seco. Ele sabia exatamente o que "conversar sobre limites" significava na linguagem de Mbappé. Significava que ele passaria os próximos três dias trancado entre lençóis de seda, sendo lembrado de cada centímetro de seu corpo a quem ele pertencia.

— Eu não sou sua propriedade, Kylian — Vini tentou soar firme, mas sua voz falhou levemente.

— Não? — Kylian soltou uma risada curta e sem humor do outro lado da linha. — Engraçado. Eu me lembro de você gritando meu nome na semana passada de um jeito que dizia o contrário. Duas horas, Vinícius. Se você entrar naquele avião para o Rio, eu juro que compro a companhia aérea só para fazer o avião pousar em Paris.

A chamada foi encerrada. Vini olhou para o celular, atônito.

— E então? — perguntou Gabriel.

— Ele vai desviar o avião da seleção se eu não for encontrar ele — resumiu Vini, jogando a mochila nas costas. — Ele descobriu onde eu estou hospedado e mandou um carro.

— O Lamine me mandou um "estou te vendo" agora — Endrick disse, mostrando a tela do celular onde uma foto borrada do ônibus da seleção brasileira saindo do estádio aparecia. — Ele está no estádio? Ele nem joga hoje!

— Eles são obcecados — Gabriel suspirou, levantando-se. — O Erling acabou de postar um story com uma camisa com o meu nome. Ele está marcando território publicamente. Se a gente não fugir agora, vamos passar o resto das férias algemados mentalmente — e talvez fisicamente — a esses caras.

— Fugir para onde? — Vini perguntou, já sentindo que a batalha estava perdida. — Eles têm jatinhos, têm dinheiro, têm contatos. O Kylian provavelmente tem o GPS do meu celular rastreado desde que a gente começou a namorar.

— Para o aeroporto, mas não para os destinos óbvios — sugeriu Endrick, com os olhos brilhando com uma ideia travessa. — Vamos para algum lugar onde eles não esperem. Um lugar... comum.

— Não existe lugar comum para o Mbappé — Vini rebateu. — Ele acha que o mundo é o quintal dele.

Enquanto caminhavam em direção à saída secreta do estádio para evitar a imprensa, Vini sentia o peso do fardo que mencionara antes. Não era apenas a expectativa do povo brasileiro, mas a intensidade avassaladora de amar alguém como Kylian. O francês era brilhante, era um líder, mas era também um homem que não aceitava perder — nem em campo, nem no amor.

Ao chegarem ao estacionamento, um sedã preto com vidros escurecidos já aguardava. O motorista, um homem de terno que Vini reconheceu como um dos seguranças pessoais de Kylian, acenou com a cabeça.

— Senhor Vinícius. O senhor Mbappé solicitou sua presença imediata.

Vini parou, olhando para Gabriel e Endrick.

— Se eu não aparecer nas notícias nos próximos dias, digam à minha mãe que eu a amo — brincou Vini, embora houvesse um fundo de verdade em seu nervosismo.

— Boa sorte, guerreiro — disse Gabriel, batendo no ombro dele. — Eu vou tentar bloquear o Erling, mas acho que ele vai acabar aparecendo na minha casa de paraquedas.

Vini entrou no carro. O cheiro do perfume de Kylian — algo caro, amadeirado e marcante — já impregnava o interior do veículo, como se o próprio francês estivesse ali, vigiando-o. O trajeto até o hotel da seleção francesa foi um borrão de luzes da cidade e notificações de redes sociais. O mundo estava pegando fogo com a eliminação do Brasil, mas dentro daquele carro, a única coisa que importava era a tempestade que aguardava Vini atrás da porta da suíte presidencial.

Quando o elevador abriu no último andar, o corredor estava silencioso. Vini caminhou até a porta 707 — claro que o número seria sete — e respirou fundo antes de passar o cartão magnético.

A suíte estava à meia-luz. A única iluminação vinha da varanda, que oferecia uma vista panorâmica da cidade. Kylian estava lá, de pé, ainda vestindo o agasalho de treino da França, observando o horizonte com uma taça de cristal na mão. Ele não se virou quando Vini entrou, mas sua presença preenchia o quarto.

— Você demorou dez minutos a mais do que o previsto — disse Kylian, sua voz suave, mas carregada de uma autoridade perigosa.

— O trânsito estava ruim, Kylian. E eu acabei de ser eliminado de uma Copa, você poderia ter um pouco de compaixão — Vini respondeu, jogando a mochila no sofá.

Kylian se virou lentamente. O rosto, que o mundo conhecia como o de um herói nacional, estava endurecido por uma expressão de possessividade indisfarçável. Ele caminhou até Vini, parando a milímetros de distância, forçando o brasileiro a olhar para cima.

— Compaixão? — Kylian esticou a mão, segurando o queixo de Vini com firmeza. — Eu te dei compaixão durante as eliminatórias. Eu te dei espaço enquanto você treinava. E o que eu recebo em troca? Fotos suas sorrindo em tabloides com mulheres que não chegam aos seus pés, e uma eliminação que te deixa livre para fazer o que quiser.

— Você sabe que aquelas fotos eram velhas, ou falsas! — Vini protestou, tentando se afastar, mas o aperto de Kylian era como aço.

— Eu não me importo se eram de dez anos atrás — sibilou o francês. — Você é meu, Vinícius. Cada drible, cada sorriso, cada pensamento. O Brasil pode ter te perdido hoje, mas eu não perco o que me pertence.

Kylian inclinou o rosto, o hálito quente contra a orelha de Vini.

— Você está triste pela derrota? — perguntou ele, a voz agora um sussurro rouco. — Não se preocupe. Eu vou fazer você esquecer que o futebol existe pelas próximas quarenta e oito horas. E quando eu terminar, você não vai conseguir nem lembrar o próprio nome, muito menos o de qualquer outra pessoa que não seja o meu.

Vini sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era uma mistura de medo, exaustão e uma atração inevitável que ele odiava sentir. Ele olhou nos olhos de Kylian e viu a determinação absoluta de um homem que estava acostumado a conquistar tudo o que desejava.

— Você é louco — murmurou Vini.

— Por você? — Kylian sorriu, um sorriso predatório que não chegava aos olhos. — Completamente. E é melhor você se acostumar. A Copa ainda não acabou para mim, e você vai ser o meu prêmio todas as noites até eu levantar aquela taça.

Kylian soltou o queixo de Vini, apenas para descer a mão para a cintura dele e puxá-lo para um beijo que era mais uma reivindicação do que um gesto de afeto. Naquele momento, Vinícius soube que Gabriel e Endrick estavam certos em fugir. Mas para ele, o camisa 7 que o mundo inteiro observava, não havia para onde correr. Ele estava no centro do furacão chamado Kylian Mbappé, e a tempestade estava apenas começando.

Enquanto as roupas eram deixadas de lado e as luzes da cidade brilhavam lá fora, Vini só conseguia pensar em uma coisa: se a França ganhasse aquela Copa, ele provavelmente passaria o resto do ano sem conseguir andar direito. E, de um jeito distorcido e louco que só eles entendiam, uma parte dele mal podia esperar por isso.

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