
O Trono de Marfim e a Doce Rendição
A névoa quente do banho ainda se agarrava à pele de Sara quando ela atravessou o arco de pedra que levava aos seus aposentos privados. Enrolada em uma toalha de linho fino que mal cobria a curva generosa de seus quadris e o volume de seus seios fartos, ela cantarolava uma melodia humana, algo que trazia um pouco de sol para a penumbra eterna de Elfhame. Seus cabelos castanhos e lisos pingavam sobre os ombros brancos, e o calor da água havia deixado suas bochechas com um rubor natural que a tornava ainda mais irresistível.
No entanto, o som da música morreu em sua garganta assim que seus olhos castanhos pousaram sobre a enorme cama de dossel.
Cardan estava lá. O Grande Rei de Elfhame, a criatura mais bela e perigosa que Sara já tivera o azar — e o prazer — de conhecer. Ele estava seminu, vestindo apenas uma calça de seda preta que repousava perigosamente baixa em seus quadris angulosos. A musculatura de seu peito e abdômen era definida, uma obra de arte em mármore vivo, exalando aquele perfume inebriante de musgo, vinho e algo puramente selvagem que só ele possuía.
Ele estava recostado nos travesseiros de veludo, uma perna dobrada e a outra estendida, exibindo sua altura imponente. Em suas mãos longas e pálidas, ele brincava com um par de algemas de ferro frio, revestidas em couro macio. Espalhados sobre os lençóis de seda, havia diversos objetos que faziam o estômago de Sara dar um solavanco: cordas de seda, pequenos frascos de óleos aromáticos e outros brinquedos que prometiam uma noite de exploração intensa.
— Você demorou, minha pequena mortal — disse Cardan, sua voz um barítono arrastado, carregado de um sarcasmo que sempre a incendiava. — Eu estava começando a achar que você tinha se afogado na banheira ou, quem sabe, fugido para o mundo dos homens.
Sara soltou um riso curto, recuperando a compostura. Ela cruzou os braços abaixo dos seios, o que apenas os empurrou para cima, realçando seu decote.
— E perder a visão de você esperando como um presente embrulhado? — Ela caminhou lentamente em direção à cama, balançando os quadris de forma provocante. — Eu não sou tão boba assim, Majestade.
Cardan arqueou uma sobrancelha, seus olhos escuros e profundos percorrendo cada centímetro do corpo dela com uma possessividade que a fazia tremer.
— Aproxime-se — ordenou ele, o tom de comando misturado com uma luxúria mal disfarçada. — Você sabe que eu não gosto de esperar.
Sara parou à beira da cama, a poucos centímetros dos joelhos dele. Ela podia sentir o calor que emanava do corpo musculoso de Cardan.
— E o que o grande rei planejou para a sua humilde serva hoje? — perguntou ela, a voz carregada de uma submissão brincalhona, mas real.
Cardan esticou a mão e agarrou a ponta da toalha dela, puxando-a devagar.
— Eu planejei lembrá-la de quem você é — murmurou ele, a voz descendo uma oitava. — E de a quem você pertence.
Com um movimento rápido, ele desfez o nó da toalha, deixando-a cair no chão de pedra. Sara ficou ali, completamente nua sob o olhar predatório do rei. Ele desceu da cama com a graça de uma pantera, ficando de pé diante dela. A diferença de altura era gritante; Sara precisava inclinar a cabeça para trás para encará-lo, o que a deixava ainda mais vulnerável e excitada.
— Você é tão pequena — disse Cardan, passando os dedos longos pelo contorno de seu ombro, descendo até a curva de sua coxa grossa. — Tão macia e cheia de curvas que parecem ter sido esculpidas apenas para as minhas mãos.
Sara soltou um suspiro trêmulo quando ele apertou sua carne.
— E você é muito convencido — rebateu ela, embora sua respiração estivesse falhando.
— Convencido? — Cardan sorriu, um sorriso perverso que mostrava seus dentes perfeitos. Ele levantou as algemas. — Acho que você precisa ser silenciada por um tempo. De joelhos, Sara.
O coração de Sara disparou. Ela amava quando ele assumia o controle, quando a possessividade dele transbordava e ele a reivindicava como se ela fosse o tesouro mais valioso de seu reino. Ela se ajoelhou no tapete de pele, olhando para cima para encontrar o olhar ardente dele.
Cardan prendeu seus pulsos atrás das costas com as algemas. O clique do metal ecoou pelo quarto silencioso.
— Agora — disse ele, voltando para a cama e sentando-se na beirada, abrindo as pernas para que ela ficasse entre elas —, mostre-me o quanto você sentiu minha falta enquanto se lavava.
Sara não precisou de um segundo convite. Ela avançou, usando a boca e a língua para trilhar um caminho de beijos pela parte interna das coxas dele, subindo até onde o tecido da calça de seda escondia sua ereção evidente. Ela podia sentir o cheiro dele, o sabor de sua pele, e isso a levava à loucura.
Cardan soltou um rosnado baixo, as mãos enterrando-se nos cabelos castanhos dela, puxando sua cabeça para trás para que ela o encarasse.
— Você é uma criaturinha perversa, não é? — Ele a puxou para cima, fazendo-a sentar em seu colo, de frente para ele. As algemas impediam que ela se equilibrasse com as mãos, forçando-a a se esfregar contra o peito dele.
— Eu aprendi com o melhor — sussurrou Sara, aproximando os lábios do ouvido dele. — Ou você esqueceu quem me ensinou todos esses truques?
Cardan riu, um som rouco e vibrante.
— Eu nunca esqueço minhas lições. Especialmente quando a aluna é tão... dedicada.
Ele pegou um dos frascos sobre a cama, um óleo com cheiro de jasmim e âmbar. Com uma destreza cruel, ele derramou o líquido quente sobre os seios de Sara. Ela arqueou as costas, soltando um gemido abafado enquanto o óleo escorria pelas curvas de seu corpo.
— Você está tão bonita assim, brilhando sob a luz das velas — murmurou Cardan, suas mãos grandes agora massageando o óleo em sua pele, apertando seus seios com uma força que beirava a dor, mas que a inundava de prazer. — Diga-me, Sara, o que você quer que eu faça?
— Eu quero que você me use — disse ela, o orgulho dando lugar à necessidade pura. — Eu quero sentir você, Cardan. Agora.
Ele sorriu, mas não cedeu imediatamente. Cardan adorava o jogo, a antecipação. Ele pegou uma corda de seda e começou a passá-la pelo pescoço dela, não para apertar, mas para guiá-la.
— Você é tão impaciente — provocou ele. — Mas eu sou o rei, e as coisas acontecem no meu tempo.
Ele a deitou de costas na cama, posicionando-se entre suas pernas. Sara sentiu o peso do corpo musculoso dele sobre o seu, um contraste delicioso entre a pele branca dela e a compleição atlética dele. Cardan beijou seu pescoço, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha, enquanto sua mão descia para explorar a umidade entre as coxas dela.
— Você está tão pronta — comentou ele, os dedos trabalhando com habilidade, provocando ondas de choque que faziam Sara contorcer-se sob ele.
— Cardan, por favor... — implorou ela, a voz falhando.
— Por favor, o quê? — Ele parou o movimento, olhando-a nos olhos, desafiando-a.
— Por favor, entre em mim. Eu pertenço a você, não é? Então tome o que é seu!
O olhar de Cardan escureceu. A possessividade que ele tentava esconder sob camadas de sarcasmo explodiu. Ele se livrou do restante de suas roupas com uma pressa incomum e, com um impulso firme, uniu seus corpos.
Sara soltou um grito que foi abafado pelo beijo faminto dele. Era intenso, quase selvagem. Cardan movia-se com uma força dominante, cada estocada sendo um lembrete de seu poder e de sua obsessão por aquela humana que havia capturado seu coração de gelo.
— Minha — rosnou ele contra os lábios dela. — Só minha.
— Sim — respondeu Sara, as pernas envolvendo a cintura dele, puxando-o para mais perto, querendo fundir-se a ele. — Sempre sua.
O ritmo aumentou, transformando-se em uma dança frenética de pele contra pele, o som dos corpos se encontrando e a respiração pesada preenchendo o ar. Cardan não era gentil; ele era um rei guerreiro, e Sara era seu campo de batalha e seu refúgio. Ele a virou de costas, forçando-a a apoiar-se nos joelhos enquanto ele a possuía por trás, as mãos dela ainda algemadas repousando na base de suas costas.
A visão das costas brancas dela, marcadas pelo óleo e pelo suor, e o som de seus gemidos de prazer eram o combustível que Cardan precisava. Ele a puxou pelos cabelos, obrigando-a a olhar para trás, para que ele pudesse ver o prazer devastador em seu rosto.
— Olhe para mim — ordenou ele. — Quero ver você quebrar.
Sara obedeceu, seus olhos castanhos nublados pela luxúria. Ela sentia que estava prestes a explodir, o ápice chegando como uma onda gigante.
— Eu te odeio — arfou ela, embora o sorriso em seus lábios dissesse o contrário.
— Eu sei — respondeu Cardan, um brilho de triunfo nos olhos. — E eu adoro isso.
Quando o momento finalmente chegou, foi como se o mundo ao redor deles desaparecesse. Sara gritou o nome dele enquanto as contrações a dominavam, e Cardan a seguiu logo depois, enterrando-se profundamente nela, seu corpo tremendo com a força da liberação.
Minutos depois, eles estavam caídos sobre os lençóis bagunçados, a respiração voltando ao normal. Cardan esticou a mão e, com um movimento casual, destrancou as algemas de Sara. Ela esfregou os pulsos, sentindo o calor do corpo dele ao seu lado.
Cardan a puxou para o seu peito, envolvendo-a em seus braços fortes.
— Você é uma criatura muito barulhenta, Sara — disse ele, recuperando seu tom sarcástico, embora seus dedos acariciassem gentilmente o cabelo dela.
— E você é um rei muito exigente — retrucou ela, aninhando-se nele. — Mas acho que podemos chegar a um acordo para a próxima rodada.
Cardan soltou uma risada baixa e beijou o topo da cabeça dela.
— A próxima rodada? Você mal consegue ficar de pé, humana.
Sara levantou a cabeça, um brilho travesso nos olhos castanhos.
— Quer apostar, Majestade?
Cardan olhou para ela, a admiração e a obsessão brilhando em seus olhos escuros. Ele a queria mais do que queria o trono, mais do que queria o próprio poder.
— Nunca aposte contra um rei, Sara — murmurou ele, virando-a novamente para baixo dele. — Especialmente quando ele está disposto a perder tudo para ganhar você.
E ali, entre as sombras de Elfhame e o calor de seus corpos, a noite estava apenas começando. Eles eram fogo e gelo, humano e feérico, unidos por um desejo que nenhum reino ou lei poderia conter. Cardan a dominava, mas no fundo, ambos sabiam que ele era tão escravo dela quanto ela era dele. E para eles, essa era a única verdade que importava.
