
amores proibidos
Fandom: adolescentes
Criado: 16/07/2026
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Entre Giz, Tensões e Laços de Sangue
O corredor do Colégio Dom Bosco parecia mais estreito naquela manhã de terça-feira. Para Izadora, cada passo em direção à sala de História era uma mistura de euforia e pânico. Aos quinze anos, ela sabia que o que sentia por Adriana não era apenas admiração juvenil; era um abismo onde ela mergulhava de bom grado.
Adriana, por outro lado, organizava seus livros sobre a mesa com as mãos levemente trêmulas. Aos cinquenta e três anos, uma carreira sólida e um casamento que, embora morno, era seu porto seguro, ela se via questionando a própria sanidade toda vez que os olhos castanhos daquela aluna do primeiro ano encontravam os seus.
— Bom dia, professora — disse Izadora, encostando-se no batente da porta com um sorriso tímido.
Adriana levantou o olhar, sentindo o ar fugir por um segundo.
— Bom dia, Izadora. Você chegou cedo. A aula só começa em dez minutos.
— Eu queria... queria tirar uma dúvida sobre a Revolução Francesa — mentiu a menina, aproximando-se da mesa.
— A Revolução Francesa ou o que vem depois do terror? — Adriana perguntou, com um tom de voz que denunciava uma intimidade perigosa.
Enquanto isso, no pátio, Anna Helena, a irmã mais velha, observava a cena de longe, com o cenho franzido. Aos dezessete anos e no auge do estresse do terceiro ano, Anna tinha um radar apurado para problemas. E Izadora era um problema ambulante quando se tratava daquela professora.
— Ela vai acabar se machucando, Telesca — murmurou Anna, sem tirar os olhos da sala de História.
Telesca, uma garota do segundo ano com um estilo despojado e um sorriso que sempre desarmava Anna, encostou-se no muro ao lado dela.
— Você se preocupa demais, Anna. A Izadora sabe se cuidar. E, honestamente, quem sou eu para julgar quem se apaixona por quem?
Anna virou-se para ela, as bochechas corando levemente.
— É diferente. A Adriana é casada. É nossa professora. É... velha!
— O amor não tem cronômetro, sabia? — Telesca brincou, aproximando-se um pouco mais do espaço pessoal de Anna. — Às vezes a gente só sente. Tipo o que eu sinto quando você fica brava desse jeito.
Anna revirou os olhos, mas não se afastou. A tensão entre as duas era palpável, mas Anna ainda resistia, presa em suas próprias barreiras de responsabilidade e medo.
O clima de romance e descoberta, porém, era obscurecido por uma sombra que rondava os corredores. Camila, a coordenadora pedagógica, observava as irmãs com um olhar que nada tinha de profissional. Para a escola, ela era a mulher eficiente que vivia suspirando pelo professor de matemática, Gustavo.
— Ai, Gustavo, você viu como ele me olhou hoje? — Camila dizia para qualquer um que passasse no corredor administrativo. — Ele está louco para me convidar para sair, mas é tão tímido, coitado.
Na realidade, Gustavo mal lembrava o sobrenome de Camila e fazia de tudo para evitar suas investidas invasivas. O foco de Camila, infelizmente, estava em outro lugar. Naquela tarde, ela chamou Izadora até sua sala sob o pretexto de conferir as notas.
— Sente-se, Izadora querida — disse Camila, fechando a porta e trancando-a com um clique quase imperceptível. — Notei que você anda muito distraída nas aulas de História. Algum problema com a professora Adriana?
— Não, nenhum, dona Camila — respondeu Izadora, sentindo um desconforto súbito.
Camila aproximou-se, colocando a mão sobre o ombro da menina e descendo-a lentamente pelas costas.
— Você sabe que pode contar tudo para mim, não sabe? Meninas bonitas como você precisam de proteção.
O toque era asqueroso. Izadora sentiu um calafrio e se levantou bruscamente.
— Eu preciso ir para o treino de vôlei. Com licença.
Ela saiu da sala com o coração disparado, encontrando Anna no corredor. Anna percebeu a palidez da irmã na hora.
— O que foi, Iza? A Camila de novo?
— Ela é estranha, Anna. Ela me tocou de um jeito... — Izadora não conseguiu terminar.
— A gente precisa contar para a mamãe — disse Anna, a voz firme apesar do medo.
— Não! Você sabe como a mamãe é. Ela vai vir aqui, vai fazer um escândalo e a gente vai ficar marcada. Por favor, Anna, vamos deixar isso quieto.
Anna hesitou. A mãe delas era uma força da natureza. Rigorosa, mas profundamente protetora. Um "barraco" na escola era a última coisa que elas queriam, mas o silêncio também pesava.
Os dias passaram e o clima para o Interclasse começou a tomar conta da escola. Era o evento do ano. Izadora e Adriana continuavam em seu jogo de olhares e mensagens furtivas, algo que deixava Anna furiosa.
Na noite anterior aos jogos, a discussão estourou na cozinha de casa.
— Você perdeu o juízo, Izadora? — Anna gritou, enquanto a mãe ainda não tinha chegado do trabalho. — Ela tem idade para ser sua mãe! Ela é casada! Você está jogando seu futuro no lixo por um capricho.
— Não é capricho, Anna! Você não entende o que eu sinto. A Adriana me vê de verdade, não como uma criança.
— Ela te vê como uma presa, isso sim! — rebateu Anna.
— Você fala isso porque tem inveja! Porque a Telesca está rastejando atrás de você e você é covarde demais para aceitar que gosta de garotas também!
O tapa de Anna no balcão da cozinha ecoou pela casa.
— Eu não sou covarde. Eu sou sensata. O que você está fazendo é errado.
— Errado é viver infeliz como você! — Izadora gritou, subindo as escadas correndo.
A mãe delas, entrando pela porta da frente naquele exato momento, suspirou fundo.
— O que está acontecendo aqui? Anna Helena, por que sua irmã está chorando?
— Coisa de escola, mãe. O Interclasse está deixando todo mundo nervoso — mentiu Anna, sentindo o peso da culpa.
O dia dos jogos chegou. O ginásio estava lotado. O time de Anna estava em quadra contra o segundo ano. Adriana estava na primeira fileira da arquibancada, torcendo discretamente por Izadora, que jogaria na sequência.
Durante um rali intenso, Anna recebeu um levantamento ruim. Ela tentou salvar a bola com toda a força, mas sua mão escorregou. A bola viajou em uma trajetória errática e rápida, atingindo em cheio o rosto de Adriana, que estava distraída conversando com outro professor.
O ginásio ficou em silêncio por um segundo.
— Professora! — Izadora gritou, correndo da lateral para o meio da quadra.
Adriana segurava o nariz, que começava a sangrar.
— Você fez de propósito! — acusou Izadora, virando-se para Anna com os olhos cheios de lágrimas. — Eu vi como você olhou para ela antes de sacar!
— O quê? Iza, foi um acidente! — Anna tentou se defender, as mãos estendidas.
— Foi proposital, sim — disse Adriana, a voz anasalada pelo sangue, tentando manter a postura, mas claramente irritada e confusa. — Eu vi o jeito que você estava me encarando o jogo todo, Anna Helena.
— Isso é um absurdo! — interveio Telesca, saindo do banco de reservas e ficando entre Anna e a professora. — Eu estava do lado dela. A bola desviou no bloqueio. Anna nunca faria isso de propósito. Vocês estão delirando!
— Não se meta, Telesca! — Izadora disparou.
— Me meto sim, porque a Anna é a pessoa mais honesta dessa escola e você está cega por causa dessa... dessa situação toda! — Telesca segurou a mão de Anna. — Vem, Anna. Vamos sair daqui.
Aquele gesto, a proteção pública de Telesca, quebrou a última resistência de Anna. Ela permitiu ser levada para fora do ginásio. No vestiário vazio, o silêncio era interrompido apenas pela respiração ofegante das duas.
— Obrigada — sussurrou Anna.
— Eu sempre vou te defender, Anna. Mesmo quando você estiver errada, mas dessa vez eu sei que você não estava.
Anna olhou para Telesca, vendo a sinceridade em seus olhos. Sem pensar nas consequências, ela encurtou a distância e beijou Telesca. Foi um beijo urgente, carregado de meses de repressão.
Enquanto isso, na enfermaria, o clima era outro. Adriana limpava o sangue enquanto Izadora a ajudava.
— Ela me odeia — disse Adriana. — Ela sabe de nós, Izadora.
— Ela está preocupada, só isso. Mas ela não tem o direito de te agredir.
— Foi um acidente, Iza... no fundo eu sei que foi. Eu estou confusa. Isso tudo é tão errado perante a lei, perante o meu casamento... mas quando estou com você, parece a única coisa certa.
Elas se aproximaram para um beijo rápido, mas foram interrompidas pela porta abrindo. Era Camila.
— Oh, interrompo algo? — O sorriso da coordenadora era predatório. — Adriana, o diretor quer falar com você sobre o "incidente". E Izadora, sua mãe ligou. Ela está vindo buscar você e sua irmã. Parece que alguém andou fazendo denúncias anônimas sobre o comportamento de certas alunas...
O pânico se instalou. Camila havia armado uma armadilha. Ela vinha assediando as irmãs há semanas e, sentindo que elas poderiam falar, decidiu atacar primeiro, distorcendo a relação de Izadora e Adriana para tirar o foco de si mesma.
Uma hora depois, a sala do diretor era um campo de batalha. A mãe de Anna e Izadora estava sentada, com a bolsa no colo, a postura ereta e os olhos faiscando.
— Então, deixe-me ver se entendi — começou a mãe, com uma calma que precedia o furacão. — A senhora, dona Camila, afirma que minhas filhas estão envolvidas em comportamentos inadequados, enquanto a professora Adriana teria sido "vítima" de uma agressão?
— Exatamente, dona Maria — disse Camila, vitoriosa. — E eu mesma presenciei a Izadora em momentos de intimidade excessiva com a professora.
Anna, que estava no canto da sala com Telesca e Izadora, não aguentou mais.
— Mentira! Mãe, a Camila está mentindo porque ela nos assedia! Ela tranca a porta da sala, ela passa a mão na gente e diz que o professor Gustavo está apaixonado por ela para fingir que é normal!
O silêncio que se seguiu foi sepulcral. Gustavo, que tinha sido chamado como testemunha, arregalou os olhos.
— O quê? Camila, eu já te disse mil vezes para parar de inventar histórias sobre nós! E o que é isso que as meninas estão dizendo?
A mãe das meninas levantou-se lentamente.
— Assédio? — Ela caminhou até Camila. — Você tocou nas minhas filhas?
— Elas estão inventando! São crianças rebeldes! — Camila gaguejou, recuando até a parede.
— Eu conheço minhas filhas — disse a mãe, a voz subindo de tom. — E eu conheço gente do seu tipo. Se você encostou um dedo nelas, eu vou destruir a sua carreira e essa escola junto!
O "barraco" foi épico. A mãe exigiu a abertura das câmeras de segurança do corredor da coordenação. As imagens não mostravam o que acontecia dentro da sala, mas mostravam Camila trancando a porta e saindo logo depois de Izadora, que aparecia visivelmente abalada nas gravações.
Camila foi demitida por justa causa naquela mesma tarde, sob ameaça de processo criminal.
No estacionamento da escola, o sol começava a se pôr. O silêncio era pesado, mas não mais sufocante.
— Mãe... sobre a Adriana — começou Izadora, cabisbaixa.
A mãe suspirou, olhando para a professora, que estava encostada em seu carro a alguns metros de distância, parecendo envelhecida dez anos em uma tarde.
— Eu vi como ela olha para você, Izadora. E vi como você olha para ela. Eu não aprovo. Ela é adulta, ela deveria ter tido mais juízo. Mas... eu também vi que ela não te forçou a nada.
Anna aproximou-se da irmã.
— Desculpa pela bola na cara dela, Iza. Foi sem querer, juro.
Izadora sorriu fraco, abraçando a irmã.
— Eu sei. Eu só estava com medo de te perder.
— Você não vai me perder. Nunca. Mesmo que você namore uma professora de história que tem idade para ser nossa tia avó.
— Ei! — Izadora riu, dando um soco de leve no braço de Anna.
Telesca aproximou-se, pegando a mão de Anna. A mãe olhou para as duas e deu um meio sorriso.
— Pelo menos a Telesca tem a sua idade, Anna Helena. Menos um problema para a minha pressão arterial.
Adriana caminhou até elas, parando diante da mãe.
— Eu vou me divorciar — disse Adriana, a voz firme. — E vou pedir demissão. Não quero que a Izadora sofra as consequências das minhas escolhas. Quando ela for maior de idade, se ela ainda quiser... eu estarei aqui. Mas de forma limpa.
Izadora sentiu as lágrimas voltarem, mas desta vez eram de alívio.
Meses depois, a escola era um lugar diferente. Sem a sombra de Camila, o ambiente floresceu. Gustavo finalmente tinha paz para dar suas aulas de matemática. Anna e Telesca eram o casal oficial do terceiro ano, vivendo entre beijos no pátio e estudos para o vestibular.
Izadora e Adriana mantinham o contato, esperando o tempo certo, com a bênção relutante, mas amorosa, de uma mãe que aprendeu que proteger as filhas significava, às vezes, deixá-las enfrentar seus próprios furacões, desde que ela estivesse lá para segurar suas mãos depois da tempestade.
No final, entre erros e acertos, o amor — em todas as suas formas complexas e confusas — encontrou seu caminho pelos corredores do Dom Bosco.
